Edmond François Aman-Jean (França, 1858-1936)
óleo sobre tela
Musée de la Chartreuse, Douai, Nord-Pas-de-Calais, França
Edmond François Aman-Jean (França, 1858-1936)
óleo sobre tela
Musée de la Chartreuse, Douai, Nord-Pas-de-Calais, França
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Gabriele Münter (Alemanha, 1877-1962)
óleo sobre tela,
Com a recomendação do livro de Eizabeth Strout, veio o aviso: “a literatura mais realista de hoje“. Realismo é uma dessas coisas que depende de quem vê. A mim, logo lembra o século XIX, Flaubert, Eça, Aluísio, Dreiser. Mas se esse é o realismo do nosso tempo, estamos fritos. Porque é ralo. Falta amor da autora aos personagens; talvez por isso sejam unidimensionais.
Quando no início do século passado o fluxo de consciência virou moda literária, passamos a fazer sentido de pensamentos independentes, sem óbvio nexo, que não obedecem a uma ordem, como os pequenos parágrafos, ímpares e desconexos, que o leitor encontra em Meu nome é Lucy Barton. Parecem notas de viagem. Pode até ser de uma viagem interna, pelo mundo dos sentimentos enrustidos, mas só esboçados. Elizabeth Strout tem um estilo radicalmente simplificado, minimalista na linguagem, e abusa da repetição de algumas expressões, para aparentemente promover uma pausa.
Lucy Barton precisa ficar internada em um hospital por algumas semanas. Sua mãe que não a vê há muito tempo vem lhe fazer companhia. Lucy nutre uma ingênua esperança de se sentir amada, tentativa que se frustra. No ir e vir do tempo temos memórias relâmpagos da infância, da vida em família de Lucy, assim como dos apertos por que passou numa vida em que a miséria batia à porta todos os dias. Esse sofrimento, no entanto, é contado de maneira tão distante e tão entrecortado por outras lembranças que não há identificação do leitor ou da narradora com a vida passada.
Elizabeth Strout
Fica claro que Lucy não consegue se relacionar com os familiares mais próximos, e não apresenta qualquer habilidade para conectar-se com sua mãe. Difícil imaginar que a aprovação da mãe seja tão importante para ela, já que a distância entre as duas era tudo o que sempre conheceram. No todo, somos apresentados a uma família complexa, onde os membros têm dificuldade de lidar com sentimentos. São pessoas que não conseguem amar em plenitude e não se sentem amados.
O enredo de Meu nome é Lucy Barton é auto reflexivo. Lucy Barton ensaia ser escritora, ter seu manuscrito publicado. Para isso procura se aperfeiçoar seguindo os ensinamentos de uma escritora famosa de quem gosta: Sarah Payne. O manuscrito que ela dá a Sarah para ler parece ser exatamente o livro que nós leitores estamos lendo. E é Sarah Payne, quem, portanto, define para o leitor a essência da história que ele está lendo: “É a história de uma mãe que ama a filha. De forma imperfeita. Porque todos nós amamos de forma imperfeita.“[87] Lucy procura achar respostas na imagem do espelho. Ou seria Elizabeth Strout quem procura? Será que como num espelho tudo não passa de uma reflexão do que está deixado para trás? Acho que Elizabeth Strout teve uma ideia interessante, mas que ainda não foi dessa vez que conseguiu executá-la com maestria. E questiono o rótulo de realismo.
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Louis Jambor Lajos (Hungria, 1884-1955)
óleo sobre tela, 100 x 76 cm
Émile Zola
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Yamashita Shintaro (Japão, 1881 – 1966)
óleo sobre tela
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Aaron Shikler (EUA, 1922-2005)
técnica mista
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Nicolae Tonitza (Romênia, 1886-1940)
óleo sobre cartão
Hanif Kereishi
Hanif KureishiSalvar
Martine Pinsolle (França, 1944)
óleo sobre tela, 100 x 81cm
Coleção Particular
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Francisco Sanchis Cortés (Espanha, 1969)
óleo sobre tela
“A língua, essa riqueza do homem, e seus usos, essa elaboração da comunidade social, são obras sagradas. Que evoluam com o tempo, se transformem, se esqueçam e renasçam, enquanto por vezes,sua transgressão torna-se fonte de uma fecundidade maior, nada muda o fato de que, para praticar com elas esse direito ao jogo e à mudança, é necessário, previamente, ter lhes declarado plena submissão. Os eleitos da sociedade, esses que o destino isenta das servidões que são o quinhão do pobre, têm, portanto, a dupla missão de adorar e respeitar o esplendor da língua.”
Em: A elegância do ouriço, Muriel Barbery, São Paulo, Cia das Letras:2008, página, 117. [tradução de Rosa Freire d’Aguiar].
Ito Shoha (Japão, 1877-1968)
Nagai Kafu
Nagai Kafu (1879-1959)
Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
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