“Época de jambo”, texto de Fred Coelho

3 09 2015

 

 

Gino Bruno, Leitura, Óleo sobre tela, 65 alt X 50 larg (cm), acidLeitura

Gino Bruno (Itália/Brasil, 1899-1977)

óleo sobre tela, 65 x 50 cm

 

 

“O Jambeiro-vermelho é uma espécie originária da Malásia, país invadido pelos portugueses em 1511. Eles partiram de Goa e conquistaram a região de Malaca, transformando o estado em uma cidade importante para a história da navegação ibérica durante sua fenomenal expansão pelos mares. Ou seja, na mesma época em que pingavam desterrados pela costa de Pindorama, as frotas portuguesas construíam igrejas e fortalezas sob a sombra do Jambeiro-vermelho. Após governarem por mais de um século, foram derrotados pelos holandeses em 1641, período em que, supostamente, vigorava um tratado militar de não agressão entre as duas potências ultramarinas por conta dos embates em Pernambuco. Provavelmente o Jambo veio parar entre nós nesse momento de ligação transversal do Brasil com a Malásia, via portugueses e holandeses. Será daí, dessa origem transatlântica, seu cheiro leve de memória do tempo mordido?”

 

Em: O Globo,coluna Época de jambo, 2º caderno, quarta-feira, 02/09/2015, p. 2.

 

Link

 





Imagem de leitura — Pablo Picasso

31 08 2015

 

woman-reading-olga-1920.jpg!BlogOlga lendo, 1920

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

carvão sobre papel, 100 x 73 cm





Imagem de leitura — José Júlio de Souza Pinto

30 08 2015

 

 

José Júlio de Sousa Pinto, a carta (Portugal, 1855-1930)ost, 38 x 46 cmA carta

José Júlio de Souza Pinto (Portugal, 1855-1930)

óleo sobre tela, 38 x 46 cm





Imagem de leitura — Jan Toorop

29 08 2015

 

 

Jan_Toorop_-_Portret_van_Marie_Jeanette_de_Lange_001Retrato de Marie Jeanette de Lange, 1900

Jan Toorop (Holanda, 1858-1928)

óleo sobre tela

Rijksmuseum, Amsterdam





Imagem de leitura — Jacek Malczewski

27 08 2015

Jacek Malczewski (1854–1929)A modelo, sd, ostA modelo, s.d.

Jacek Malczewski (Polônia, 1854-1929)

óleo sobre tela, 72 x 28 cm

Museu Nacional de Varsóvia






Imagem de leitura — Círculo de Durameau

25 08 2015

 

 

circle-of-durameau-louis-jean-recto-homme-assis-lisant-a-la- à la lumièreHomem sentado lendo  à luz de uma vela, s.d.

[Estudo para adoração do bezerro de ouro]

Círculo de Jean-Jacques Durameau (1733-1796)

carvão, sanguínea, aguadas cinza e marrom, sobre duas folhas de papel.

Piasa





Imagem de leitura — J. Carlos

23 08 2015

 

 

J CARLOS. PARA TODOS. TÉCNICA MISTA SPAPEL. ASSINADO C.I.E. MEDINDO 22X22.Capa da Revista “Para Todos”

J. Carlos (Brasil, 1884-1950)

[José Carlos de Brito e Cunha]

Técnica mista sobre papel, 22 x 22 cm





Tradução literária desleixada: “Antes da festa” de Saša Stanišić

21 08 2015

 

 

Marie Louise Catherine Breslau, (Alemanha 1856-1927) Chá das cinco, 1883, Museu de Arte de BernaContra luz, 1888

Marie Louise Catherine Breslau (Alemanha, 1856-1927)

óleo sobre tela

Museu de Arte de Berna

 

 

 

A língua alemã não é uma língua exótica.  Noventa e cinco milhões de pessoas no mundo têm o alemão como língua materna. São pessoas letradas e escolarizadas. Além disso, o alemão é lido e compreendido por outras pessoas, muitas delas nas humanidades e nas ciências, que precisam usá-la profissionalmente como segunda língua.  É uma língua em que grandes escritores se revelaram: Goethe, Schiller, Hesse, Grimm, Günter Grass, Rilke, entre outros. Há centenas de dicionários em alemão, sobre o alemão, do alemão para outras línguas. Portanto, traduzir um romance ou um conto, um ensaio filosófico, deveria apresentar simplesmente, ou somente, os problemas normais de uma tradução: uma ou outra dificuldade de se achar equivalência de uma expressão típica, de algum conceito alheio ao leitor em português.  Isso não aconteceu com o romance que escolhi para leitura nesta semana.

Estou pasma com a má qualidade da leitura por causa de problemas  na tradução de Marcelo Backes do livro de Saša Stanišić Antes da Festa.  O tradutor cometeu erros crassos de português como a palavra acento usada no lugar de assento.

Agora faz exatamente um ano, no dia anterior à última Festa, que Ulli arrumou sua Garagem, botou um punhado de acentos, cinco mesas e um aquecedor, pendurou uma cortina de tule vermelho e amarelo diante da única janela, pregando na parede…” [p.18]

Note-se: mesmo que fossem assentos, não se pode usar a expressão um punhado.  Punhado é o que cabe em um punho.  [ “…botou, alguns assentos, cinco mesas…”] seria o mais correto.

“O povoado em cadeiras. A ordem dos acentos é um tema explosivo. Quem irá ficar com a mesa de bar na parte da frente, junto à figueira?” [p. 28]

Além dessas belezas acima, o tradutor optou por usar um texto em português quase ao pé da letra do que está em alemão. Ou seja subjugou o entendimento em português para preservar a fidelidade às expressões, à ordem de palavras, ou a modos de dizer que não fazem sentido em português. Temos, assim, frases como:

“Com o sistema de climatização de hoje em dia, até a lua seria possível.” [SIC][p. 37]

“O povoado reza diariamente por um mero mais ou menos.” [SIC] [p.31].

“Certa vez, os que estavam procurando cogumelos.” [SIC] [p.41]

 

Ou problemas com um parágrafo inteiro, notem que o itálico é meu:

“O tenente-coronel Schramm acompanhou os coletores de cogumelos até o parâmetro extremo.[SIC] [?] Numerosos eram os cogumelos ao lado do caminho. [SIC] [Porque não usar a forma direta?  “Eram numerosos os cogumelos ao longo do caminho?”] Mas aquelas pessoas não sabiam mais se podiam ou não colhê-los. De modo que Schramm tomou a iniciativa e botou um cogumelo bem suculento no cesto da menina. E depois foi obrigado a ver que nem era um boleto. [SIC] [?] A mãe voltou a tirá-lo do cesto sem dizer palavra.” [p.45]

Erros de grafia abundam:

“No verão, a morte anda não era uma ideia, no verão o senhor Schramm queria tentar a vida mais uma vez, talvez se apaixonar.” [p.110]

 

ANTES_DA_FESTA_1435860792513676SK1435860792B

 

Mais tarde somos agraciados com um português com grafia excepcional. A intenção é dar ao texto um cunho de antigo, de ter sido escrito no século XVI, pois o capítulo começa “No ano da graça de 1587…”. Mas o tiro saiu pela culatra e o maneirismo da letra ‘l’ dobrada, das palavras um começarem com ‘h’ , não surtiu o efeito desejado pois a essa altura já são tantos os problemas com a leitura, que esse detalhe se torna uma distração a mais.

“Os homens se junctaram em roda. Parecia até que tentavam esconder o leitão. O mandachuva dividiu o ar ao meio movendo as mãos à esquerda e à direita — e já os homens abriram hum buraco no centro.” [p. 70]

Enfim, chegada à página 110, desisti da leitura.  É muito pouco caso com o leitor. Deixei uma queixa no site da editora, mas eles não se dignaram a responder.  Não quero colocar a culpa exclusivamente no tradutor, ainda que 90% da responsabilidade seja dele.  Há duas pessoas mencionadas como responsáveis pela revisão: Rafael Alverne e Thais Carlo.  Não vejo sinais do trabalho deles.  Talvez estivessem de férias, ou pior, confiaram em programas de computação para a revisão. Esses programas não percebem erros entre assento e acento, ou seja não sabem as diferenças entre palavras homófonas.  Fato é que ninguém responsável por esta publicação leu o livro.  Uma vergonha.

A Editora Foz perde sua credibilidade porque publica um livro ilegível. O autor alemão não entenderá a razão de sua obra não ter sucesso no Brasil, quando é sucesso em outros cantos do mundo.  Os leitores que mantêm editora, autor, tradutor e revisores trabalhando, pois compram o livro, não podem fazer nada além de reclamar, ou será que deveríamos ir ao PROCON?  Dá vontade.





Imagem de leitura — Frank Owen Salisbury

20 08 2015

 

 

Mrs C.C. Greenwood and her Daughter, (oil on canvas)Sra C.C. Greenwood e filha

Frank Owen Salisbury (GB, 1874-1962)

Óleo sobre tela, 116 x 154 cm

Coleção Particular