Sombra, poema de Flora Figueiredo

16 03 2014

Jan Catharinus Adriaan GoedhartA carta, 1930

Jan Catharinus Adriaan Goedhart(Holanda, 1893 – 1975)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

Coleção Particular

Sombra

Flora Figueiredo

Tem um lugar no meu quarto

em que a luz não entra.

Tudo que se tenta

não dá certo.

Em vão tirar telha,

abrir janela,

furar o teto.

Postou-se ali um escuro

soturno e quieto,

recentemente diagnosticado.

É uma fração de passado

que o tempo não leva

para não rever fatos,

e que a vida ceva

porque é da vida conservar mandatos.

Para que o escuro seja então cassado,

é preciso um clarão qualificado,

capaz de sorvê-lo em sucção;

que durante o processo de deglutição

use artimanha,

até transformá-lo em cavidade.

É nesse vão que vai florar felicidade,

parida da entranha do bicho-papão.

Em: Amor a céu aberto, Flora Figueiredo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1992, p. 101.





Palavras para lembrar — Romain Rolland

31 10 2013

Kik Zeiler (Holanda, 1948) in slaap gevallen, 1989, ost,44 x61cmCaída de sono, 1989

Kik Zeiler (Holanda, 1948)

óleo sobre tela, 41 x 66 cm

www.galeriemokum.com

“Nunca lemos um livro. Nós nos lemos através dos livros, seja para nos descobrirmos, seja para nos controlarmos”.

Romain Rolland





Curiosidade sobre a cenoura e a Holanda

31 10 2013

sir-nathaniel-bacon-cookmaid-with-still-life-of-vegetables-and-fruit-c-1620-5Cozinheira com natureza morta de legumes e frutas, c. 1620-1625

Sir Nathaniel Bacon (Inglaterra,1585-1627)

óleo sobre tela, 151 x 247

Tate Gallery, Londres

A cenoura existe em diversas cores. Elas podem ser brancas, amarelas, negras, roxas ou vermelhas.  As de cor laranja, mais comuns na nossa mesa, são um cultivo especial que provavelmente foi desenvolvido na Holanda,  no século XVI.  Dizem os holandeses que elas foram criadas para honrar a Casa de Orange, que liderou a revolta holandesa contra a Espanha e mais tarde se tornou a família real do país. A cor laranja ainda é a cor oficial da Holanda e também é a cor oficial da camisa do time de futebol daquele país, além de ser um símbolo do patriotismo no país.





Imagem de leitura — Thérèse Schwartze

18 10 2013

Thérèse Schwartze (Amsterdam artist, 1851-1918) Young Woman Reading in Brabant CostumeMulher lendo com roupagem Brabant, 1918

Thérèse Schwartze (Holanda, 1851-1918)

Thérese Schwartze, filha de Johan Georg Schwartze, nasceu em Amsterdã em 1851. Começou a estudar pintura e desenho com seu pai  e depois passou um ano sob tutela de Gabriel Max e Franz von Lenbach em Munique. Em 1879, foi para Paris para continuar seus estudos com Jean-Jacques Henner. Ficou conhecida pelos seus extraordinários retratos. Casou-se em 1906 com Anton van Duyl.

Foi uma das poucas pintoras honradas com um convite para contribuir com os seus retratos para a sala de pintores na Galeria Uffizi , em Florença .  Faleceu em 1918.





O mundo animal de Otto EErelman

20 08 2013

littlle indruders, otto eerelmanOs pequenos invasores

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

lápis e aquarela sobre papel,  35 x 54 cm

Christie’s Auction House

Como prometido na página deste blog no Facebook, passo a postar, vez por outra, telas de pintores famosos por retratar animais. Aqui temos alguns dos trabalhos de Otto EErelman pintor holandês do século XIX (1839-1926) que se dedicou não só à pintura de gênero, mas principalmente ao retrato de cachorros e cavalos.

st bernard puppiesOs filhotes de São Bernardo, 1914

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

óleo sobre tela, 89 x 121 cm

Christie’s Auction House

1419Cachorrinhos dengosos, s/d

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

aquarela e lápis, naquim, guache sobre papel,  51 x 73 cm

Christie’s Auction House

tending the horses at a courtyardTratando dos cavalos no pátio

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

aquarela, guache e giz negro sorbre papel, 34 x 50 cm

Christie’s Auction House

a collie and her puppiesUma collie e seus filhotes

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

óleo sobre tela, 90 x 131 cm

A Fascinating Encounter, by Otto EerelmanUm encontro fascinante

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre tela, 90 x 130 cm

1850_Pug_NestofPuppyPugsbyOttoEerelmanNinho com jovens Mastiffs

Otto EErelman (Holanda 1839-1926)

Aquarela, 50 x 70 cm

 

574501_287179831376072_113238925436831_670377_1380274494_nPara a festa

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

Aquarela sobre papel, 40 x 58 cm

574806_287179941376061_113238925436831_670383_1421260173_nUm King Charles Spaniel com cordão azul

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre tela, 32 x 25 cm

557571_287180721375983_113238925436831_670416_1309612440_nNa neve

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre tela, 52 x 40 cm

485769_287179184709470_113238925436831_670341_845861580_nUm passeio na neve

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre tela, 60 x 90 cm

398201_287179684709420_113238925436831_670368_1160806804_nUm São Bernardo e um Dogue Alemão, 1891

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre tela, 130 x 170 cm

542887_287179661376089_113238925436831_670367_1123856607_nPreparando a carruagem

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

Lápis, giz, aquarela e guache sobre papel,  35 x 51 cm

318183_287179728042749_113238925436831_670371_433352530_nIndo passear

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre madeira, 29 x 18 cm





Imagem de leitura — Bernardus Johannes Blommers

26 07 2013

Bernardus Johannes Blommers (1845-1914)Twee lezende zusjesDuas irmãs lendo, s/d

Bernardus Johannes Blommers (Holanda, 1845-1914)

Guache sobre papel, 25 x 32 cm

Bernardus (Bernard) Johannes Blommers nasceu em 1845. Foi treinado primeiro como litógrafo, profissão do pai. Mas se interessou pela pintura e acabou estudando na Academia de Desenho de Haia.  Influenciado pelos amigos William Maris e Josef Israels, também pintores, acabou se interessando por retratar a vida dos camponeses, pescadores e suas famílias.  Foi uma escolha acertada pois Blommers se tornou um pintor de bastante sucesso na sua terra natal assim como conhecido nos círculos artísticos da Inglaterra, Escócia e Estados Unidos, países onde se encontravam seus grandes colecionadores.  Faleceu na Holanda em 1914.





As Casas Cubo de Roterdam

9 06 2012

Casas Cubo, Projeto do arquiteto Piet Blom (Holanda 1934-1999), desenhado em 1978, construção: 1984

Meu sobrinho foi no ano passado à Holanda representando sua escola e o Brasil numa competição escolar de ciências, mais precisamente de robótica.  Voltou encantado com muito do que viu, mas falou especificamente das Casas Cubo, em Roterdam.  Eu, nunca fui a Roterdam, mas já ouvi falar e muito do movimento Estruturalista na arquitetura que por sinal não é uma coisa nova.  As Casas Cubo são um dos muitos exemplos desse movimento na arquitetura e no urbanismo que surgiu  na década de 1960 como uma reação ao que se considerou projetos sem vida e impessoais nas tendências de pós-guerra [Segunda Guerra Mundial] dos que vieram a ser chamados de racionalistas formais: Mies van der Rohe, Groupios e Le Corbusier, os maiores expoentes desse movimento.

Projeto do arquiteto Piet Blom (Holanda, 1934-1999) as Casas Cubo são hoje um dos cartões postais de Rotterdam.  O projeto de 1978 só foi construído em 1984, como parte de um plano de renovação da cidade.

Piet Blom, Casbá, projeto de 1969.

As Casas Cubo parecem ser a evolução natural do trabalho de Piet Blom que já havia projetado em 1965 e construído em 1969, uma série de casas em palafitas, uma combinação de unidades de alojamento espaçosos com projetos variados de hotelaria, varejo e apartamentos estúdio; com pequenos estacionamentos, além de parques infantis a que deu o nome de Casbá,  lembrando o emaranhado de vielas em volta da praça da Medina dos centros das cidades de colonização árabe no norte da África que têm suas ruas principais cobertas. O Casbá tem um ambiente acolhedor, com cores quentes sobre os telhados e janelas. No meio do complexo há uma praça aberta, decorada como um lugar de encontro com bancos e árvores. Um dos objetivos de Piet Blom nesse projeto era justamente manter o movimento de pedestres ao nível do chão, livre com casas de diversas alturas de telhados sustentadas por palafitas, conceito reminiscente das pilastras usadas por Le Corbusier. O que ficou do projeto Casbá foram as habitações em pilastras que serão sua assinatura em dois de seus projetos, as dezoito casas em colunas em Helmond  e as Casas Cubo em Roterdam.

Piet Blom, casas cubo em Helmoond, primeiro projeto desse tipo.

O complexo habitacional de Helmond foi o primeiro das Casas Cubo a ser construído, tendo em seu centro, formado por quatro cubos, um teatro, Teatro Speelhuis, que seria o centro de atividades culturais do projeto, infelizmente destruído em um incêndio em 2011.  O conceito original dessas casas foi uma evolução da Casbá: viver sob um teto urbano, ou seja, a vida comunitária de desenrolando aos pés do nível habitacional. Pelo menos era isso que Piet Blom advogava.  Espaço comum urbano conseguido através de uma variante das casas em palafitas.  Ele usou uma coluna, para fazer o que chamou de “floresta urbana”: cada Casa Cubo seria a abstração de uma árvore com o tronco como coluna de suporte e a copa como espaço de habitação. Com a repetição desses modelos teríamos então uma floresta ou um bosque urbano onde a vida diária se passaria à sua sombra.   Para conseguir o efeito ‘copa” Piet Blom virou o cubo de habitação em 45 graus, e colocou uma coluna de sustentação hexagonal.  Dezoito Casas Cubo foram construídas em Helmond, em 1974 e 1977.

O projeto urbano em Helmond era para ter sido parte da reurbanização da antiga Rue de la Loi.  Mas a administração local considerou o projeto muito alternativo e que não se adequava às necessidades do centro de Helmond. Como prêmio de consolação pelo projeto Piet Blom foi convidado a localizar seu projeto no bairro Grande Driene, um bairro novo, nos arredores da cidade.  Piet Blom desenvolveu cinco diferentes tipos de habitação. A menor unidade de um único apartamento até uma unidade bem maior como um estúdio para mais de um artista. As unidades maiores têm um terraço espaçoso e dois a quatro quartos. A densidade habitacional alcançada no projeto com esta concepção de casas sobre colunas foi quatro vezes maior do que  a conseguida numa área residencial normal. Para um país como a Holanda, cortado por canais, onde a terra para construção tem um valor descomunal, essa economia de espaço é essencial.

Vista aérea das Casas Cubo em Roterdam.

A cidade de Roterdam pediu a Piet Blom o projeto de um complexo habitacional que pudesse ser construído acima de uma ponte para pedestres.  O resultado foi exatamente as Casas Cubo, cada qual representando uma árvore, resultando numa floresta urbana. As trinta e oito Casas Cubo de Roterdam estão localizadas na Rua Overblaak, ao lado da estação Blaak do metrô.  Elas continuam o mesmo conceito desenvolvido em Helmond, mas usam diferentes materiais de construção.

Casas Cubo de Roterdam, projeto de Piet Blom, vistas debaixo, do nivel praça comunitária.

As casas se “equilibram” num pedestal hexagonal.  Em algumas dessas casa a coluna hexagonal tem uma área para guardados e uma escada dando acesso à habitação propriamente dita, mas em outras, essas colunas têm pequenas lojas.  Cada Casa Cubo tem três andares: a entrada à rés do chão; o primeiro andar, que tem um a planta triangular, é onde se encontram a sala de estar e a cozinha – aberta, à americana como se diz no Brasil.  Nesse andar as janelas abrem para o andar de baixo, inclinadas para a área comum.  No segundo andar estão os dois quartos e um banheiro e o andar cima,que também tem um planta triangular, é usado como uma área extra, quarto de hóspedes, sala ou até como jardim.  É aí que essas habitações têm uma ótima vista com janelas na parte piramidal da construção. Todas as janelas e paredes foram construídas num ângulo de 54,7 graus.  Cada apartamento tem aproximadamente 100 m², mas só um quarto desse espaço – 25m² pode ser efetivamente usado por causa dos ângulos das paredes e dos tetos.

Vista de outro ângulo das Casas Cubo de Roterdam.

Em 2008 parte do complexo de Casas Cubo de Roterdam foi comprado, algumas paredes derrubadas e um hostel oferecendo 243 camas foi instalado no local.

Foto do interior da Casa Cubo de Roterdam.




Imagem de leitura — Nicolas Maes

30 03 2012

A contadora, 1656

Nicolas Maes (Holanda 1634, 1693)

óleo sobre tela

Saint Louis Art Museum, EUA

Nicolaes Maes, (também chamado de  Nicolaes Maas) nasceu em Dordrecht em 1634 e morreu em 24/11/ 1693 em Amsterdã.  Foi um pintor da época barroca na Holanda e se especializou em cenas do dia a dia assim como em retratos.   Filho de um próspero comerciante, Gerrit Maes, foi em 1648 para Amsterdã estudar com Rembrandt.  Só a partir de 1655, no entanto encontra seu próprio estilo, deixando de lado a influência de seu mestre.  Pelos próximos dez anos ele desenvolve o estilo que o faria famoso, especializando-se em cenas do dia a dia,  ou seja da pintura de gênero, onde sua habilidade para coordenar cores e reproduzi-las colocou-o entre os mais importantes pintores da Holanda.





Imagem de leitura — Henk Maas

25 02 2012

Interior com senhora lendo, s/d

Maximilian Louis (Henk) Maas (1924-2005)

óleo sobre tela, 115 x 99 cm

Louis Maximilian (Henk) Maas foi criado em Roterdã, vivendo com sua mãe e o padrasto galerista. A  mãe era de origem judaica-portuguesa. Por isso Henk foi mandado para um campo de trabalhos forçados durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha.  Aprendera com o padrasto a profissão de restaurador e moldureiro.  Depois da guerra Maas foi estudar na  Academia de Arte de  Roterdã.  Dedicou-se a vida inteira à pintura e à restauração.  Mas nunca se preocupou na comercialização de seus quadros.  Foi só na segunda metade do século XX que Maas deixou a pintura acadêmica para entrar na fase abstrata, desenvolvendo logo em seguida um estilo próprio de colorido expressionista. Tornou-se um grande colecionador.   Morreu em 2005.





Imagem de leitura — David Teniers, o jovem

21 11 2011

O médico da aldeia, 1660

David Teniers (Países Baixos, 1610-1690)

óleo sobre madeira,  29 x 32 cm

Museu Nacional da Romênia

David Teniers, o jovem, filho do pintor David Teniers, conhecido como o velho, nasceu na Antuérpia em 1610, foi um dos pintores de maior popularidade da Escola Flamenga de pintura. Apesar de ser filho de um conhecido pintor flamengo sua maior influência na pintura foi a de Adriaen  Brower, conhecido pintor de gênero.  Dele adquiriu o gosto pela de cenas de dia a dia, cenas de tavernas e sobretudo pelos tons castanho-dourados de suas telas.  Os espaços retratados nas suas telas são mais complexos com salas aparecendo ao fundo e muito mais figuras.  Extremamente popular em sua época.  Faleceu em 1690.