Ciência e quadrinhos: fazendo um fio de seda como do Homem Aranha

27 01 2012

Homem Aranha lendo.

As descobertas científicas têm mostrado que muitas vezes é possível transformar o que a imaginação de artistas e escritores produz em realidade.  Isso foi o que me passou pela cabeça quando li no início deste mês sobre alguns cientistas americanos que conseguiram modificar geneticamente os bichos da seda e fazer com que eles produzissem um fio muito mais forte e resistente, como são os fios das teias de aranha.  Procura-se, em resumo, um fio parecido com o da seda mas que seja tão resistente quanto os fios das teias de aranha.  Caso você não saiba, os fios das teias de aranha são mais resistentes que o aço.   O experimento, bem sucedido, feito pelos pesquisadores da Universidade de Wyoming, pode vir a ser usado na engenharia e na medicina.

O que os cientistas da Universidade de Wyoming fizeram foi inserir genes de aranhas nos bichos da seda com a intenção de que a seda produzida por eles tivesse as características de resistência dos fios que formam uma teia de aranha comum.  Mas o obstáculo a esse uso está na ausência de quantidades industriais que pudessem ser aproveitadas em larga escala.  Eles preferiram trabalhar com os bichos da seda porque os aracnídeos têm duas características de difícil gerenciamento: 1) produzem pouca quantidade de fio, 2)  tem a tendência de comerem uns aos outros.  Os bichos-da-seda por outro lado se criados em cativeiro produzem um fio mais fraco, mas que os cientistas acreditam poderem contrabalançar com o material genético das  aranhas.

Essencialmente, o que este estudo mostra é que os cientistas foram capazes de usar um componente da seda de aranha e fazer com que bichos-da-seda o transformassem em uma fibra juntamente com sua própria seda. Eles também provaram que este composto, que contém partes da seda de aranha e da seda do próprio bicho-da-seda, tem propriedades mecânicas melhoradas“, explicou o professor Christopher Holland, da Universidade de Oxford.

O objetivo mais imediato para a produção desse fio seria sa aplicação na área médica.  Suturas, implantes e ligamentos mais fortes estariam entre os primeiros usos imaginados. A seda de aranha geneticamente modificada também poderia ser usada como um substituto mais sustentável para os plásticos duros, que usam muita energia em sua produção.

Essa pesquisa corre paralela às pesquisas feitas com outros animais no estado de Wyoming, nos EUA, onde o biólogo molecular Randy Lewis trabalha com o implante dos genes de fazer seda das aranhas, em cabras.  Estes animais estão agora produzindo leite que levado para o laboratório onde a proteína da seda é filtrada e se torna sólida quando exposta ao ar.  É então colocada num rolo, carretel.  O grupo de cientistas sob a direção do Prof. Randy Lewis conseguiu quatro metros de seda para cada quatro gotas de proteinas do leite.

Este material tem uma multiplicidade de usos medicinais não só na sutura mas também no reparo de ligamentos.

E o melhor da história, não há nenhuma evidência que leve a acreditar que essa modificação genética possa ser maléfica para as cabras.

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Para maiores detalhes veja os links abaixo:

TERRA; BBC; NEWS; CBSNEWS





O cavalo branco, uma interferência na genética!

31 07 2008

 

Depois de postar este maravilhoso poema de Carlos Drummond de Andrade,  fui atrás de um artigo que havia lido recentemente sobre os cavalos brancos.  Lembrei-me dele quando usei a aquarela do pintor gaúcho José Lutz Seraph Lutzemberger para ilustrar a   postagem anterior.  Finalmente depois de uma hora, me lembrei que havia visto esta nota sobre a genética do cavalo branco no Sunday Times de Londres, do dia 20/7/08, no artigo intitulado: The Lone Ranger: white horses’ single ancestor [O ancestral do cavalo branco de Zorro, o cavaleiro solitário].

 

Foi desconcertante descobrir que os cavalos brancos – todos os cavalos brancos do mundo – são mutantes e que sofrem de um defeito de DNA que os faz envelhecer rapidamente.  Não estou falando aqui dos cavalos albinos.  Estes são diferentes, estes são brancos desde que nascem. Mas falo aqui dos cavalos que nascem com pelo castanho, passam a ter pelo cinza e mais ou menos aos 6 anos de idade, adquirem a cor branca que lhes dá um ar mágico, de criatura de outro mundo.  Tudo indica que cavalos brancos já teriam desaparecido há muito tempo, não fosse a mão do homem.   

 

Há dois problemas sérios com a cor branca: 1) o cavalo branco em estado selvagem seria muito mais fácil de ser caçado.  Sua complexão não o deixaria esconder-se por entre árvores ou vegetação sem atrair a atenção de predadores.  2) com o pelo branco, estes cavalos, quando expostos ao sol, têm uma probabilidade muito grande de adquirirem câncer de pele.  

 

Foi a fascinação do homem que “criou” este animal, que lhe deu meios de sobrevivência, como se intuitivamente soubesse das leis de Darwin.  Isto não quer dizer que o cavalo branco seja um novato na face da terra, sua existência é tão longa quanto a de seus companheiros.  Acredita-se, no entanto, que o ser humano tenha começado a domar cavalos selvagens há aproximadamente 10.000 anos atrás.  Mas é bastante revelador que todos os cavalos brancos em existência tenham tido um único ancestral.  

 

Isto está revelado, como mostrou a revista Nature Genetics, num estudo feito pela Universidade de Uppsala na Suécia. Todos estes cavalos têm um gene específico em comum. Isto significa que o cavalo original com este gene deve ter impressionado muito o homem antigo.  Quem sabe até poderia ter sido mais valioso pela raridade!  O que sabemos ao certo é que foi selecionado para reprodução.  E foi reproduzido, sistematicamente.  Até que nos dias de hoje, 1 em cada 10 cavalos ou seja, 10% do eqüinos no mundo têm este gene.  

 

Há esperanças de que estudando este gene, que no momento recebeu o nome de “grisalho por idade” venha-se a entender melhor o processo de envelhecimento em geral e dos seres humanos em particular.  Esta é uma das primeiras intervenções bem sucedidas que conhecemos do homem no meio ambiente.  O que fascinou o homem primitivo é o que ainda fascina o homem moderno: a alvura de seu pelo.