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Luiz Chaves (Brasil, 1946)
acrílica sobre tela, 80 x 60 cm
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Bernardo Cid (Brasil, 1925-1982)
óleo sobre tela, 100 x 80 cm
Coleção Particular
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João Carlos Bento (Brasil, 1951)
acrílica sobre tela, 100 x 100 cm
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Antonio Soriano (Brasil, 1944)
acrílica sobre tela, 34 x 40 cm
Coleção Particular
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Há algumas extremosas no meu bairro. Sei que elas são muitas vezes vistas com desagrado, quase como uma praga, porque foram usadas para a arborização em muitas cidades brasileiras, em ruas movimentadas, em detrimento de outras espécies. Nessa escolha importaram as qualidades: beleza, baixa altura, raízes que não destroem as calçadas e resistência. A extremosa ou resedá não é nativa do Brasil e pode criar problemas para muitas das árvores nativas de maior porte. Talvez seja por isso, que nos EUA, nos estados onde morei – Maryland, Virginia, Washington DC e Carolina do Norte– elas são usadas em grande escala só nos canteiros do meio das estradas, embelezando, delimitando e, por causa de sua baixa estatura, ajudando a bloquear a luz de caminhões vindos no sentido contrário. Também são usadas nas beira de estradas, com uma boa separação de grama entre elas e a vegetação nativa. Podemos ver na foto abaixo, um exemplo de como são usadas. Claro que muitas pessoas plantam resedás em seu jardim, mas simplesmente como um foco de cor para o verão, uma única árvore, onde podem ser vigilantes quanto às pragas.
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Por que elas são olhadas com desconfiança? Sua praticidade – fácil reprodução, manutenção e raízes que não prejudicam calçadas – levou muitos municípios brasileiros a plantarem quase que exclusivamente as extremosas em suas vias públicas. Isso não só leva à possibilidade de monocultura, como pode afetar as árvores nativas porque o resedá é suscetível ao abrigo de pragas, como erva de passarinho, que vivem da habilidade de extrair seus nutrientes das árvores em que se instalam. Seu uso tem sido desencorajado. Mas mesmo assim, é um belo respingo de cor na paisagem, que, aqui no Rio de Janeiro, atravessa duas estações: primavera, verão.
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Natural da Índia e da China, os primeiros pés de extremosa foram trazidos para os EUA ainda no século XVIII, mais precisamente em 1790, pelo botânico francês André Michaux (1746-1802), autor entre outros das obras: Histoire des chênes de l’Amérique, 1801 [História dos carvalhos da América] e Flora Boreali-Americana, 1803 [Flora da América do Norte].
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A extremosa (Lagerstroemia indica) recebe diversos nomes no Brasil: Resedá, Suspiros, Julieta, Árvore-de-júpiter, Flor-de-merenda, Mumiquilho. Caiu no gosto popular por causa de sua função decorativa. Tem flores em forma de espigas. Dependendo da região onde é plantada floresce no verão ou no verão e na primavera (como é o caso aqui no Rio de Janeiro, onde a primavera é quente). Suas flores podem ser de três cores: branca, rosa ou vermelha. Deve ser podada durante o inverno e as flores aparecerão na ponta dos ramos que foram podados. Suas folhas são elípticas alongadas. Nas regiões frias a árvore perde todas as folhas no inverno. Chega aos 6 metros de altura.
Para maiores informações:
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Vocês já notaram como jardins têm moda? Isso mesmo, fica na moda um certo tipo de planta, de arbusto, de flor e aos poucos antigos pés disso ou daquilo dão lugar a uma nova espécie, a uma nova folhagem. De uns quinze anos para cá os jardins do meu bairro começaram a aparecer com algumas plantas interessantes, bonitas, com flores de cores brilhantes… Não estou reclamando. Mas, acho que a moda leva os jardins a terem todos mais ou menos a mesma cara, principalmente quando são os porteiros que trabalham os jardins e costumam se concentrar nas plantas de maior efeito pelo menor trabalho.
Aqui no meu bairro, no Rio de Janeiro, há uma abundância de jardins de edifícios residenciais floridos o ano inteiro com essa planta que está em todo canto, retratada acima. Alguns a chamam de Alfinete-gigante. Mas é mais conhecida com Ixora-chinesa, ou Ixora-vermelha. Não é uma planta nativa do Brasil. É originária do Extremo Oriente: Malásia e China. É planta asiática tropical, da família das Rubiaceae. Por isso se dá tão bem no clima carioca.
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Cá pelo meu bairro não a deixam crescer muito. A moda por aqui é deixá-la crescer só até um metro do chão, mais ou menos. Mas pode chegar a dois metros de altura. Deve ficar linda assim. E em geral é plantada como cerca viva ou melhor dizendo, acompanhando as grades dos edifícios, porque cercas vivas por aqui não oferecem a tranquilidade de segurança de que os cariocas precisam. Frequentemente elas são usadas como delimitadores de áreas do jardim, acentuando os caminhos para entrada de pedestres ou a beirada do caminho para as garagens.
Há uma papelaria aqui perto cuja entrada fica bem recuada do meio fio, sendo uma construção mais moderna do que a própria rua, foi construída numa linha imaginária, que estabelece um futuro alargamento dessa rua que data do século XVIII. Assim, o dono da papelaria, para “mostrar o caminho das pedras”, colocou diversas jardineiras na calçada em duas colunas paralelas, para acentuar a entrada do estabelecimento. Teve que colocar jardineiras porque a calçada não lhe pertence. Mas, ficou bonito para quem chega.
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O mais interessante é que a Ixora-chinesa parece dar flores o ano inteiro. São grandes pompons compostos de minúsculas flores de quatro pétalas. De longe parecem até gerânios, e sei que às vezes as ixoras-chinesas são chamadas de gerânios selvagens, por causa da aparência dessas flores. Mas não têm nada a ver. Por aqui só tenho visto exemplares cujas flores tem tonalidade, laranja, damasco, salmão. Mas sei que existem flores de outras tonalidades: branca e vermelha.
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Para maiores informações veja:
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Ipê amarelo, s/d
Paulo Gagarin (Brasil, 1885-1980)
óleo sobre tela, 41 x33 cm
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Banhado de sol e de ouro,
tanta é a beleza que encerra,
que o Ipê parece um tesouro
saído há pouco da terra!
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(Clóvis Brunelli)
Flores, 1961
Agostinho Batista de Freitas ( Brasil, 1927-1997)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
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Fagundes Varela
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Por que vergas-me a fronde sobre a terra,
Diz a flor da colina ao manso vento,
SE apenas às manhãs o doce orvalho
Hei gozado um momento?
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Tímida ainda, nas folhagens verdes
Abro a corola à quietação das noites,
Ergo-me bela, me rebaixas triste
Com teus feros açoites!
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Oh! Deixa-me crescer, lançar perfumes,
Vicejar das estrelas à magia,
Que minha vida pálida se encerra
No espaço de um dia!
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Mas o vento agitava sem piedade
A fronte virgem da formosa flor,
Que pouco a pouco se tingia, triste,
De mórbido palor.
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Não vês, ó brisa? lacerada, murcha,
Tão cedo ainda vou pendendo ao chão,
E em breve tempo esfolharei já morta
Sem chegar ao verão?
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Tem piedade de mim! Deixa-me ao menos
Desfrutar um momento de prazer,
Pois que é meu fado despontar n’aurora
E ao crepúsc’lo morrer!…
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Brutal amante não lhe ouviu as queixas,
Nem às suas dores atenção prestou,
E a flor mimosa, retraindo as pétalas,
Na tige se inclinou.
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Surgiu n’aurora, não chegou à tarde,
Teve um momento de existência só!
A noite veio, procurou por ela,
Mas a encontrou no pó.
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Ouviste, ó virgem, a legenda triste
Da flor do outeiro e seu funesto fim?
Irmã das flores à mulher, às vezes,
Também sucede assim.
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São Paulo, 1861
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Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.
Obras: