Pais que dão exemplo: Imagens de leitura

9 08 2015

 

 

Alois Heinrich Priechenfried (ÁUSTRIA, 1867 -1953). Leitor em bibliioteca rococo, ost, 48x 36cm

Leitor em biblioteca de estilo Rococó

Alois Heinrich Priechenfried (Áustria, 1867 -1953)

óleo sobre tela, 48x 36cm

 

Abbott Fuller Graves (1859 – 1936, American)the-fishermans-lessonA lição do pescador

Abbott Fuller Graves (EUA, 1859 – 1936)

óleo sobre tela

 

 

 

Carrington, Dora (1893-1932) Samuel Carrington, the artists father, 1915Samuel Carrington, o pai da artista, 1915

Dora Carrington (EUA, 1893-1932)

óleo sobre tela

 

cathy-jourdan, going to work, acrílica sobre papel.Indo para o trabalho

Cathy Jourdan (EUA, contemporânea)

acrílica sobre tela.

 

 

Chad Gowey, (eua,1987)ESTACIONAMENTO NO FERIADOEstacionamento no feriado

Chad Gowey (EUA, 1987)

 

 

Nicolaas van der Waay3Decifrando a autoria

Nicolas Waaij Weesmeisjes (Holanda, 1855-1936)

óleo sobre tela

 

Djanira, O leitor e seu vizinho,1945, ost, 65x55O leitor e seu vizinho, 1945

Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)

óleo sobre tela, 65 x 55 cm

 

Edvard Munch Andreas Reading, 1882-83, Edvard MunchAndreas lendo, 1882

Edvard Munch (Noruega, 1863-1944)

óleo sobre cartão

 

Albert Ramos Cortés

Retrato de meu pai, José Alberto Ramos Román

Ramos Cortés (Espanha, contemporâneo)

óleo sobre tela colada em placa, 90 x 90 cm

 

camille pissarro portrait-of-rodo-pissarro-readingRodo lendo, 1900

Camille Pissarro (França, 1830-1903)

óleo sobre tela, 7 x 9 cm

Coleção Particular

 

 

Georgette Agutte (França) Marcel Semblat lisant, 1910-1920, Musée de GrenobleMarcel Semblat lisant, 1910-1920

Georgette Agutte (França, 1867-1922)

óleo sobre tela

Musée de Grenoble

 

 





Imagem de leitura — Manuel Anoro

3 08 2015

 

 

Anoro, Manuel, (Espanha, 1943)  Mulher na Praia, 1992, oleo e acrílica s. tela, 79 x 99 cmMulher na praia, 1992

Manuel Anoro (Espanha, 1943)

óleo e acrílica sobre tela, 79 x 99 cm

 





Assim é se lhe parece, “Estação Atocha”, de Ben Lerner, resenha

19 07 2015

 

salado, madriPlaza Carmen, Madri, c. 1962

Juan Bayon Salado (Espanha, 1903-1995)

óleo sobre tela,  60 x 73 cm

 

 

Sem citar Assim é se lhe parece, de Pirandello, Ben Lerner evoca a trama teatral do autor italiano em Estação Atocha, quando tudo à nossa volta pode ou não ser o que parece. Nesse livro seguimos as aventuras de um possível poeta americano [será que ele é mesmo um poeta?] se embrenhando nas complicações da vida na Espanha, onde reside graças a uma bolsa de estudos, para a qual havia inventado um tema de pesquisa que não tinha intenção de levar avante. Esse não é o único logro da história, nem o primeiro, mas um de uma série de desonestidades, cometidas por todos os personagens num desfilar de pequenas fraudes sem fim.

 

atocha

 

Aventuras de viagem não são tema raro na literatura, nem recorrentes dúvidas de uma pessoa criativa sobre sua própria criatividade. Tampouco é novidade a sensação de se andar em pantanal, de afundamento a qualquer momento, quando usamos uma língua que não dominamos. Mas todo o resto dessa narrativa é diferente nesse pequeno romance. Porque estamos diante de um manifesto sobre as incongruências da nossa percepção, da percepção dos outros e como exploramos a maleabilidade e a diversidade de pontos de vista, das muitas possíveis verdades, para nosso próprio benefício. As referências às artes plásticas, o sentar e observar um quadro por horas até que saia de foco, são claros indicadores dessa preocupação do autor, senão, qual seria a razão de termos algumas fotografias ilustrando um romance? Ben Lerner mostra que somos todos poliedros. Que temos muitas faces. Que face nossa mostramos ao mundo? Vai depender da nossa vontade. Vai depender da nossa audiência. Que face nossa o mundo vê? Também vai depender de como eles querem nos perceber. Por que não ajustar a história pessoal, a narrativa de vida, de acordo com cada situação? É justamente nessa linha entre o que se acredita ser verdadeiro e o que poderia ser, entre as diversas opções de realidade, entre os mitos que criamos a nosso respeito, nossa história pessoal, que trafega o personagem principal, numa viagem mercurial, entrando e saindo do submundo dos sonhos ao mundo da realidade, tudo incrementado pela névoa perpétua que domina sua mente permanentemente drogada.

 

ben lernerBen Lerner

Ben Lerner não poderia ter levado o romance ao fim não fosse sua intrigante e sedutora voz narrativa: uma combinação de Virginia Woolf e monólogos humorísticos como os recitados na comédia em pé. Por vezes cômico, outras mais filosófico, o texto faz uma afinadíssima crítica aos intelectuais, aos poetas, aos apreciadores das obras de arte, aos demonstradores políticos profissionais, todos encontrados em qualquer grande cidade do mundo, em qualquer Meca da cultura. A fina ironia aparece autodirecionada e simultaneamente reveladora como crítica de costumes.

A narrativa é feita pelos olhos do jovem poeta americano Adam Gordon em busca de experiências novas. Seus poemas usam o pastiche de poemas de outros poetas. Larápio de palavras que traduz, modifica e reusa; punguista de ideias, usa as reticências do silêncio para ser percebido como profundo pensador. Questiona-se sempre sobre sua fraude. E não perde a habilidade de perceber, ou de questionar a possível desonestidade dos outros. E assim, mais cedo ou mais tarde, aprende que o comunista filho de pais ricos que vai à Estação Atocha demonstrar às vésperas da eleição, não vota no partido comunista, com a desculpa de que quer que as coisas fiquem ainda piores. Recebe um email de fundação que o financia, agradecendo sua participação em um debate, cujo convite não havia aceitado. Quando sugere que quadros em uma galeria sejam cobertos em pano preto em sinal de luto pelos mortos em um atentado terrorista, observa que os visitantes da galeria, olham para os quadros cobertos com grande intensidade, encontrando neles significado além do intencionado. Em todo canto, a toda hora, não só o nosso poeta anti-herói engana a si mesmo e a outros, mas também percebe a trapaça ou burla dos outros. Este é um romance divertido, com grande voz narrativa, que leva a uma ponderação sobre temas psicológicos e de comportamento social com a leveza do humor. Recomendo.





Eu, pintor: Salvador Dali

14 07 2015

 

i0014_800Auto-retrato com “L’Humanité”, 1923

Salvador Dali (Espanha, 1904-1989)

Técnica mista sobre papelão, 105 x 75 cm

Dali Teatro-Museu, Figueres

© Fundação Gala-Salvador Dali





Eu, pintor: Joan Miró

30 06 2015

 

 

miro20Auto-retrato, 1917

Joan Miró (Espanha, 1893-1983)

óleo sobre tela, 61 x 50 cm

Coleção Particular





Imagem de leitura — Dario Regoyos

23 06 2015

 

 

Retrato de Dolores Otaño, 1892, Dario Regoyos (Espanha, 1857-1913), ost, 55 x 35 cm, Museu da Rainha Sofia,Retrato de Dolores Otaño, 1892

Dario Regoyos (Espanha, 1857-1913)

óleo sobre tela, 55 x 35 cm

Museu da Rainha Sofia, Madri

 






Joan Miró, anotações de Murilo Mendes

8 05 2015

harlequins-carnivalO Carnaval do Arlequim, 1925

Joan Miró (Espanha, 1893-1983)

óleo sobre tela, 66 x 90 cm

Albright-Knox Art Gallery, Buffalo

 

 

Joan Miró

 

 

♦ Miró declara que não pode separar a poesia da pintura. Rompe a linha convencional do discurso realista, criando a sigla, o número plástico, a alusão.

 

♦ Exorciza o lado mecânico do nosso tempo. Organizando a infância futura, consegue, em todos os casos, conciliar sonho e disciplina racional.

 

♦ Sacrifica a quantidade da informação à qualidade lírica, a espessura à sutileza.

 

♦ Nem surrealista, nem abstrato ortodoxo, escapa às etiquetas.

 

♦ Sabe que o mundo através de seus sistemas gastos impede por exemplo o pássaro de telegrafar à pedra; impede as estrelas de jogarem aos dados; a formiga de pedir a palavra; um cachorro de puxar aquela moça por um cordel.

 

♦ Encontrei Miró em Paris, Barcelona, Palma de Maiorca, Roma. Vi-o, artesão refinado, atento à transposição da forma, ao limite do objeto. Traduz a cenografia do mar, decifra o enigma da bola, do peixe, do triângulo. Põe o cosmo no bolso. Calígrafo, criador de signos, invencível inventor.

 

♦ Miró extrai o maravilhoso da coisa imediata, visível; transforma em realidade a faixa onírica.

1973

 

 

Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980,pp. 224-25.





Imagem de leitura — Pablo Picasso

5 05 2015

 

 

12-Picasso-femme-couchee_cropMulher recostada lendo, 1960

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

óleo sobre tela, 130 x 196 cm

Modern Art Museum of Fort Worth, Tx





Imagem de leitura — François Batet

2 05 2015

François Batet (Espanha, 1921)As elegantes, c. 1953

François Batet (Espanha, 1921)

litogravura