Nossas cidades: Salvador

11 01 2016

 

 

LIBINDO FERRAZ (1877-1951)Antigo Beco do Saputi-Bahia, aquarela, 33 X 25. Assinado, datado (1945) e localizado (Bahia)Antigo Beco do Sapoti, Bairro do Bonfim, Salvador, 1945

Libindo Ferraz (Brasil, 1877-1951)

Aquarela sobre papel, 33 x 45 cm





Profissão de Fé, soneto de Carvalho Júnior

7 01 2016

 

 

Malcolm_Liepke_Pensive.2001, litografia, 47 x 58 cmPensativa, 2001

Malcolm Liepke (EUA, 1953)

Litografia, 47 x 58 cm

 

 

Profissão de Fé

 

Carvalho Júnior

 

Odeio as virgens pálidas, cloróticas,

Beleza de missal que o romantismo

Hidrófobo apregoa em peças góticas,

Escritas nuns acessos de histerismo.

 

Sofismas de mulher, ilusões óticas,

Raquíticos abortos do lirismo,

Sonho de carne, compleições exóticas,

Desfazem-se perante o realismo.

 

Não servem-me esses vagos ideais

Da fina transparência dos cristais,

Almas de santa e corpo de alfenim.

 

Prefiro a exuberância dos contornos,

As belezas da forma, sem adornos,

A saúde, a matéria, a vida enfim.

 

Publicado em 1879.

 

Em: Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, editado por Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1951, p. 56

 

Francisco Antônio de Carvalho Júnior (Brasil, 1859-1929)

 





Giorgio de Chirico, anotações de Murilo Mendes

5 01 2016

 

hector-and-andromacheHeitor e Andrômaca, 1917

Giorgio de Chirico (Grécia, 1888-1978)

óleo sobre tela, 90 x 60 cm

Coleção Particular

 

 

♦ Giorgio de Chirico  foi um dos ídolos da minha mocidade. Nessa época eu admirava seus quadros somente de fotografia: mais tarde, ao conhecer os originais, notei que muitos ganham com a reprodução. Alguns poemas da minha fase inicial descendem — direta ou colateralmente — do primeiro de Chirico aquele dos manequins, dos interiores “metafísicos”, do deserto melancólico das praças, italianas ou não, transpostas a uma situação particular de sonho; o poeta de uma Grécia heterogênea, mental e plástica, infinitamente recomeçada, onde o absoluto serve o relativo. Pintura, certo, de evasão, de recriação da memória, mas com implicações revolucionárias: contra o predomínio da mecânica, contra a prepotência da razão, contra certos postulados da civilização burguesa.

 

♦  O segundo de Chirico, involuindo numa direção quase acadêmica, constitui para a crítica um enigma: vestido com uma roupagem do século 17, dirige perguntas a Édipo que se surpreende ao ver renegada a arte moderna por um de seus próprios criadores, a quem André Breton definiu figura maior do surrealismo, com seu irmão e inspirador Alberto Savinio.

 

♦  Desde a primeira época da formação do surrealismo informei-me avidamente sobre essa técnica de vanguarda, a qual, embora eu não adotasse como sistema, me fascinava, compelindo-me à criação de uma atmosfera insólita, e ao abandono de esquemas fáceis ou previstos. Tratava-se de um de dever da cultura. O Brasil, segundo Jorge de Sena, é surrealista de nascimento, de modo que a minha “conversão”, ainda é parcial, àquele método, não foi difícil. Fenômeno análogo verifica-se com Ismael Nery. Não é um pintor surrealista ortodoxo, mas em muitos quadros e desenhos levanta uma realidade “autre”, na linha surrealista da invenção e metamorfose; sem perder a força plástica. Entre os anos de 20 e 30 ele fora à Europa duas vezes, conhecendo alguns membros do grupo em Paris. Trouxe-me abundante documentação sobre o movimento, em especial sobre de Chirico e Max Ernst (outro que me inspirou), cujos nomes ainda estavam longe da irradiação atual.

 

♦  Instalando-me em Roma, logo contatei escritores e artistas. Fui visitar de Chirico (que, a convite de Ungaretti, assistira na universidade à minha aula inaugural). Sua casa da Piazza di Spagna acha-se estupendamente situada junto daquela onde morreu Keats, com vistas para Trinità dei Monti e a Villa Medici. Claro que estava bem informado sobre sua involução, conhecendo muitos quadros dos últimos períodos. Apesar disto, julguei que seu ambiente conservasse vestígios dos tempos do primeiro de Chirico. Enganei-me: os móveis, a decoração, os quadros do próprio pintor (nus medíocres, auto-retratos com chapéus, emplumados), aproximavam-se do gosto burguês. Felizmente lá conheci sua sobrinha, a bela Angelica, filha de Savinio, diretora duma galeria d’arte em Roma; que escapou até hoje de ser retratada pelo segundo de Chirico, e da qual me tornei amigo. Já com o pintor é difícil fundar uma amizade: seu orgulho e excessivo narcisismo dificultam a comunicação.

 

♦  Não importa. Mesmo admitindo que ele reúna em sua pessoa Dr. Jekyll e Mister Hyde, mesmo estranhando o ambiente de sua casa, tão diverso dos interiores “metafísicos”, mesmo reprovando o inimigo da arte moderna que implica o personagem bufo, rival de Dali, a brilhar na televisão, para mim (e, certamente, para muitos) o primeiro de Chirico, fabuloso, permanece. Procedido, talvez, apenas por Monsiu Desiderio, ele é um anunciador de novos tempos, o criador de uma nova dimensão do sagrado, de um espaço específico da pintura de situações enigmáticas e alusões secretas, fautor da passagem a infra-estrutura do subconsciente à supra-estrutura artística, operação esta completada pela sua considerável novela-poema em prosa “Ebdómero”.

 

1971

 

Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, pp. 218-220.





Tesouro da época das Cruzadas

4 01 2016

 

 

moedas cruzadas, israel, forteMoedas das Cruzadas encontradas no forte do Parque Apollonia, Israel.

Ano Novo, hora de limpar antigas notas e manter o computador completamente limpo, eis que me deparo com um número enorme de artigos de interesse que selecionei para o blog, mas que por falta de tempo, não postei… Resultado vamos nos lembrar de algumas notícias do passado, porque já que tenho as fotos e os dados é melhor passar adiante.

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Um pote de ouro, avaliado em quinhentos mil dólares, do tempo das Cruzadas foi encontrado em Israel enterrado em um forte romano. Aparentemente as moedas foram enterradas por soldados da ordem do Cavaleiros Hospitalários, uma ordem militar cristã criada no século XI, quando se encontraram sob um grande ataque de soldados muçulmanos. Os cavaleiros foram aniquilados em abril de 1265.

 

 

Israel Herzelia The remains of the old crusader fort of Apolonia AKA Arsuf Apollonia is an archaeological parkForte no Parque Nacional Apollonia, Israel.

 

As moedas valiam uma fortuna, mesmo em 1265, quando se acredita que tenham sido escondidas de propósito, dentro de um jarro quebrado para garantir que não seriam descobertas. O forte construído pelos romanos, hoje no Parque Nacional Apollonia, foi destruído em abril de 1265, pelas forças mamelucas. A ideia de enterrar o jarro quebrado, repleto de areia, com as moedas dentro,foi bem sucedida. O tesouro contém mais de 100 moedas de ouro da época das Cruzadas. O local havia sido conquistado pelos soldados cristãos em 1101 e tomado de volta pelo exército muçulmano em 1265.

 

Fonte: Daily News (Inglaterra)





Despacho de Iemanjá, poesia de Wilson W. Rodrigues

29 12 2015

 

 

romaneli iemanjáIemanjá noturna, 2015

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre tela,  60 x 60 cm

www.romanelliart.com

 

 

Despacho de Iemanjá

 

Wilson W. Rodrigues

 

Tão longe, tão longe,

nas ondas do mar,

nos véus da neblina,

no vento a cantar,

na areia doirada

do fundo das águas

eu ouço Iemanjá…

Nem velas, nem brumas

vêm onde ela está,

nem sonho de amante

um dia virá…

Tão longe, tão longe

amada longínqua,

fantasma do mar.

 

Tão longe as rosas

que vão-se afogar,

levando a tristeza

que não sei matar,

por essa lonjura

que a vida separa

de minha Iemanjá…

Tão longe, tão longe,

minha alma a cantar,

há muito já foi,

pro fundo do mar,

sofrer do mistério

da amada distante,

ó doce Iemanjá!…

 

 

Em:  Bahia Flor: poemas, de Wilson W Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1948, p.35-36.





Imagem de leitura — Jesser Valzacchi

6 12 2015

 

 

 

12 - Pessimas noticias- 2012 (0_80x100)Jesser Valzacchi Péssimas Notícias 2012Péssimas notícias, 2012

Jesser Valzacchi (Brasil, 1983)

óleo sobre tela, 80 x 100 cm





Em três dimensões: Anônimo

2 12 2015

 

busto_fonsecaBusto Fonseca, século II, E.C.

Mármore, 63 cm de altura

Museus Capitolinos, Roma





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

25 11 2015

 

 

COLETTE PUJOL -  Natureza morta - Óleo sobre tela, Assinado canto inferior direito, Medindo, 50 cm x 70 cmNatureza morta

Colette Pujol (Brasil, 1913-1999)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm





Palavras para lembrar — Paul Valéry

24 11 2015

 

 

Hofer, Karl

Moça lendo jornal

Karl Hofer (Alemanha, 1878-1955)

 

“Os livros têm os mesmos inimigos que os homens: o fogo, a umidade, os animais, o tempo e o próprio conteúdo.”

Paul Valéry

 





Quadrinha da erosão

11 11 2015

 

 

fazenda, trabalho naIlustração anônima.

 

Sempre que as águas da chuva

Levam a terra do chão,

O solo sofre um desgaste

Que chamamos de erosão.

 

 

Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965