Haddon Hubbard Sundblom (Finlândia/EUA, 1899-1976)
óleo sobre tela, 75 x 105 cm
Agnes Goodsir (Austrália, 1864-1939)
óleo sobre tela, 90 x 71 cm
Art Gallery New South Wales, Austrália
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Estou sempre à procura de recomendações de leitura. Hoje encontrei um artigo do ano passado em que o escritor Nick Hornby recomendava a leitura entre outros de 5 livros de ficção. Comparando a lista dele com livros já publicados no Brasil, encontrei dois títulos traduzidos. Passo adiante, então, as recomendações de Nick Hornby.
A vida financeira dos poetas, Jess Walter, Ed. Benvirá: 2013, 352 páginas
SINOPSE— Matt Prior, jornalista, 46 anos, larga um emprego seguro para investir num negócio próprio na internet, e falha miseravelmente. A ideia de criar um portal de notícias econômicas escritas em forma de poesia mal consegue sair do papel. Agora, ele está desempregado e sem dinheiro, corre o risco de perder sua casa e teme, mais que tudo, perder a mulher, cada vez mais intolerante às dificuldades financeiras do casal (e interessada em flertar com um ex-namorado da adolescência). A vida dele se torna uma sucessão de crises: financeira, da meia-idade, do amor desfeito, a crise de confundir bens materiais com segurança e segurança com felicidade. Com dois filhos pequenos e responsável também por cuidar do pai, cuja memória se deteriora sem parar, Matt é um sujeito de humor inabalável que precisa arranjar uma forma de ganhar a vida. E ele arranja, mas de maneira nada convencional…
Uma bondade complicada, Miriam Toews, Relume Dumará: 2005, 220 páginas.
SINOPSE — Uma bondade complicada – Esse romance é o que há de mais interessante na ficção contemporânea em língua inglesa. Nomi, uma menina de 16 anos, de uma comunidade menonita, é abandonada pela irmã e pela mãe da noite para o dia. Quando sua vida na cidade se torna insuportável, é surpreendida pela partida do pai. Decidida a se liberar, ela descobre que a mãe foi vítima da chantagem de um professor. Uma leitura ao mesmo tempo comovente e engraçada sobre a busca de uma adolescente dos anos 70.
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Ficam aqui as sugestões de um escritor que já escreveu muitas críticas literárias. Boa pedida para a sequência enorme de feriados neste final de abril.
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O artigo completo, com outras sugestões de livros que ainda não foram traduzidos para o português, encontra-se no LINK
Paul Gauguin (França, 1848-1903)
óleo sobre tela, 56 x 40 cm
Portland Museum of Art, Maine
Friedrich Adolf Hornemann (Alemanha, 1813-1890)
óleo sobre tela, 46 x 60 cm
Günter Grass
Jeanne [Cocotte] Pissarro lendo, 1899
Camille Pissarro (França, 1830-1903)
óleo sobre tela
Coleção Ann e Gordon Getty
Cecília Rosslee (África do Sul, contemporânea)
óleo sobre tela
Achei interessante a descrição do valor da paisagem para Karilan Altenberg, escritora britânica, nascida na Suécia, que explicou no artigo, Karin Altenberg: ‘landscape in my novels is not just backdrop – it is both stage and actor’ no jornal The Irish Times, a importância da localização em suas histórias. Para ela, a paisagem é muito mais que o simples ambiente em que a trama se desenvolve, ela é parte intrínseca da história.
“A localização do romance para mim é tão importante quanto a trama. O lugar é um conceito existencial, intimamente ligado ao nosso estar no mundo. Experimentamos nossa identidade, de maneira significativa, através do lugar e da comunidade a qual sentimos que pertencemos: uma espécie de lar arquétipo do qual podemos sempre escapar e para o qual podemos regressar. E todos nós somos, até certo ponto, socializados através de paisagens, nomeando os lugares que nos são conhecidos familiares – é assim que existimos, através de uma cartografia da linguagem e de lugar. E isto é, em grande parte, o que a arte tenta fazer: a classificação e o mapeamento de um lugar de existência.”
Para ela é necessário se infiltrar no ambiente em que sabe que colocará sua história, e só depois de ter assimilado e armazenado as informações do local, ela consegue ver seus personagens interagindo e tomando vida nas histórias que cria.
“Acho que o local que um escritor escolhe para sua narrativa está relacionado à sua sensibilidade. Sou sintonizada – e já observava de perto – o espaço ao ar livre, desde que era criança. Outros escritores podem ser mais conscientes da arquitetura, de interiores ou de paisagens urbanas. Também gosto de olhar para trás e sentir que a paisagem do passado é ao mesmo tempo terrivelmente real e totalmente de outro mundo – uma ficção maravilhosa.”
(tradução minha)
Ilustração de Jimmy Liao.Passarinho, o teu encanto
é teu canto de alegria;
ai de mim que quando canto,
canto só por nostalgia…
(Izo Goldman)