Oscar Araripe (Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre tela intética, 60 x 100 cm
Oscar Araripe (Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre tela intética, 60 x 100 cm
[DETALHE] Iluminura
O livro da cidade das mulheres, por Cristina de Pisano, c. 1410-1414
[também conhecido como O livro das rainhas]
Atribuído ao Mestre da Cidade das Mulheres e ateliê do Duque de Borgonha
Harley 4431, folio 290
Harley Manuscript Collection, Biblioteca Britânica, Londres
Feriado leva a arrumação de estantes e a descobertas dentro de casa… Nesta semana me deparei com uma pequena lista de nomes femininos usados no período medieval em Portugal, neste caso específico, no Alentejo, do século XV. Incrível como a maioria dos nomes está presente até hoje, 600 anos depois. Como sou responsável pela continuação das árvores genealógicas do lado de pai e mãe, acabei achando o nome de duas antepassadas que viveram no final do século XVIII e início do XIX no interior do estado de São Paulo [área de Ribeirão Preto] e Mato Grosso: Brites e Brígida.
Aqui vai a lista em ordem de popularidade:
Beatriz ou Brites, Catarina, Isabel, Inês, Leonor, Maria, Mor, Constança, Guiomar, Margarida, Aldonça, Ana, Brígida, Cecília, Helena, Iria, Policena, Urraca.
Muito bom para quem deseja escrever romances históricos ou para futuras mamães… Fato é que um desses nomes já está presente na minha família na geração que hoje tem menos de cinco anos: Beatriz.
Em: Imagens do mundo medieval, Iria Gonçalves, Lisboa, Livros Horizonte, capítulo: Amostra de antroponímia alentejana do século XV, p. 77
Étienne-Prosper Berne-Bellecour (França, 1838-1910)
óleo sobre madeira, 37 x 25 cm
Em leilão Christie´s — 2005
Amaury Menezes (Brasil, 1930)
aquarela sobre papel, 48 x 70 cm
Museu de Arte de Goiânia
Menina na rede, ilustração de Jessie Willcox Smith.
Wilson W. Rodrigues
— Sai daí moleque, deixa eu arrumar a rede para Sinhazinha.
Pai João menino afastou-se da mucama e veio para a escada da varanda onde, sentado num dos degraus, Coco Velho preparava o cigarro de palha.
O moleque indagou:
— Por que Sinhazinha gosta tanto de ficar deitada na rede?
Coco Velho sorriu, deu uma baforada e explicou:
— Óia, menino, a vida tem duas redes. Uma pra pescar peixe…
— E a outra para dormir, não é Coco Velho?
— Não, moleque. A outra é pra pescar sonho.
Em: Pai João menino, Wilson W. Rodrigues, Coleção Mãe Maria, vol. 2, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1949, p.71
Paul-Émile Chabas (França, 1869-1937)
Óleo sobre tela, 37 x 55 cm
Coleção Particular
500.000 checos na fronteira nazista, 1938
Reginald Marsh (EUA, 1898-1954)
Têmpera sobre eucatex, 61 x 45 cm
Coleção Particular
“Depois de termos visto os principais teatros e dancings de New York, começamos a levar uma vida mais estável e sossegada. Artur começou a estudar mais e a escrever o livro com vontade. Eu lia muito também. Andava pelas livrarias catando novidades e lia em inglês tudo o que podia. De vez em quando recebia carta de Elisabeth e Simone, com presságios tristes sobre a situação europeia. Não tinham mais esperanças de paz e se preparavam para enfrentar “uma época Terrível”, como escreveu Elisabeth com T grande.
À noite, gostávamos de andar a pé na Broadway observando os hábitos dos americanos, admirando os inumeráveis anúncios luminosos e o movimento surpreendente. Mais de uma vez jantamos nos automáticos. Eu gostava de por o níquel para ver o pratinho cair em baixo com uma torta de frango e salada; mais adiante um pouco de morangos e creme. Colocávamos tudo na bandeja e escolhíamos uma mesa de canto, onde saboreávamos nosso jantar improvisado, acompanhado de grandes copos de chope espumando e e escorrendo pela mesa de mármore.
Ríamos das nossas travessuras, como se fôssemos crianças sem juízo.
Eu notava como as moças e senhoras eram respeitadas em New York; muitas vezes à meia noite encontrávamos em plena Broadway um grupo de três ou quatro moças que vinham do teatro ou do cinema, tomavam qualquer coisa numa confeitaria e iam tranquilamente para suas casas, falando e rindo alegremente, quase sem serem notadas pela multidão. Outras vezes víamos duas ou mais senhoras, já matronas, algumas de óculos, jantando juntas num restaurante em trajes de baile, rindo e fumando, depois iam ao teatro e atravessavam as ruas movimentadas, sem ninguém olhar sequer para elas. E, às vezes, já era tarde, fora de horas.
Eu dizia a Artur:
— Eu gostaria de viver aqui, mulher nesse país tem personalidade, não precisa viver acompanhada por homens para ser alguém.
Artur confirmava e admirava-se também da independência absoluta das mulheres nos Estados Unidos.”
Em: O romance de Teresa Bernard, Sra. Leandro Dupré [Maria José Dupré], São Paulo, Ed. Brasiliense Ltda: 1945, 4ª edição, pp. 371-2 [Primeira edição:1941]