Viaduto Santa Efigênia, São Paulo,c. 2005
Renato Neves (Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre tela, 70 x 100 cm
Viaduto Santa Efigênia, São Paulo,c. 2005
Renato Neves (Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre tela, 70 x 100 cm
Cartão postal, virada do século XX.
Bernardino Lopes
Andorinha que fizeste
Ninho em minh’alma, uma tarde,
E que andas no azul celeste
Cantando e fazendo alarde;
Que, em horas de forte calma,
Bebeste das crenças minhas,
Fazendo assim de minh’alma
Ribeirão das andorinhas;
Dize lá: por que não voltas
Ao teu recôndito abrigo,
Peregrina de asas soltas
Que pelas nuvens eu sigo?
Por que vives pelos ares,
Oh! alma de pirilampo!
Quando há frutos nos pomares
E tanta flor pelo campo?
Foge do pranto e do frio,
As leves penas abrindo…
Olha o teu ninho vazio,
Sonho emplumado, e vem vindo…
Vem, recortando os espaços,
Num saudoso devaneio,
Cair tremente em meus braços,
Dormir tranquila em meu seio!
Ah! já não vens, de asa espalma,
Saciar-te em mim, como vinhas…
Era então esta minh’alma
Ribeirão das andorinhas!
(Val de Lírios, Laemmert & Cia., Rio de Janeiro, 1900, pág. 119-121)
Em: Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, ed. Manoel Bandeira, 3ª edição, Rio de Janeiro, Departamento da Imprensa Nacional: 1951. pp: 132-133.
Retrato de Marie Jeanette de Lange, 1900
Jan Toorop (Holanda, 1858-1928)
óleo sobre tela
Rijksmuseum, Amsterdam
Colette Pujol (Brasil, 1913-1999)
óleo sobre tela colado em eucatex, 40 x 30 cm
Theresa Bernstein (EUA, 1890-2002)
óleo sobre tela
Thomas & Karen Buckley Collection
“Por um tempo, assim como tantos outros emigrantes, estive, para todos os efeitos, sem linguagem, e da tristeza daquela condição, compreendi o quanto o âmago da nossa existência, a nossa compreensão de identidade, depende de ter uma língua viva dentro de nós. Perder toda a linguagem interna é sucumbir a uma escuridão inarticulada em que nos tornamos estrangeiros para nós mesmos; perder a habilidade de descrever o mundo é retratá-lo um pouco menos vívido, um pouco menos lúcido. E além, a riqueza na articulação propicia tonalidades de sutileza e nuance às nossas percepções e ao pensamento. Para mim, uma das passagens mais sensíveis na escrita de Nabokov é sua invocação dos sons do russo, ao final de Lolita. Lá ele evoca não só a melodia, a eufonia dos sons do russo, de maneira convincente, mas também a profundidade e a totalidade da existência da língua no nosso ser. É essa relação com a língua, mais do que o domínio superficial dela, que é difícil de duplicar nas línguas que se aprende posteriormente.”
Em: “The New Nomads”, Eva Hoffman, Letters of Transit: Reflexions on Exile, Identity, Language and Loss, ed. André Aciman, New York, The New Press: 1990, p. 48.
Tradução minha.