O cavalo sertanejo, texto de Gustavo Barroso

29 09 2015

 

 

ANTONIO PARREIRAS - (1860 - 1937) - Cavalo - osm - 50 x 70 - cidCavalo

Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

óleo sobre madeira, 50 x 60 cm

 

 

O cavalo sertanejo

 

Gustavo Barroso

 

O cavalo sertanejo é esguio, sóbrio, pequeno, rabo compridíssimo, crinas grandes, capaz de resistir a todas as privações, a todos os serviços e a todos os esforços. É o melhor auxiliar do vaqueiro e ele o estima e trata com o maior carinho. O cavalo do sertão é feioso como um corcel quirguiz. Lá uma vez aparece um exemplar bonito, esbelto, alto. Não tem saracoteios, nem saltos, nem corcovos, salvo quando espantadiço. O olhar só brilha quando se apresenta ocasião de correr; depois as pálpebras murcham numa sonolência lassa. É ativo e parece ronceiro; forte e parece fraco; ágil e parece pesado. É pasmosa a sua agilidade. Nos imprevistos das furibundas carreiras pelos matos em fora, salta galhos baixos, mergulha sob os altos, alonga-se, encurta-se, pula de lado, faz prodígios.  É necessariamente baixo para essas ligeirezas; a aridez do clima não produz outro. É raridade um animal de sete palmos do casco à cernelha. O meio torna-o sóbrio e magro. Passa dias sem comer, quase sem beber. Num dia faz quinze léguas, puxando um pouco; dez faz normalmente. É manso; quando o cavaleiro cai, para ao lado.

 

[Exemplo de descrição de animal]

 

Em: Flor do Lácio, [antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário) p. 85.





Nossas cidades: Mariana

28 09 2015

 

 

Cassio Antunes, Rua Direita em dia de Chuva - Mariana, OSP, 24x30, ACID, 2015Rua Direita em dia de chuva, Mariana, 2015

Cássio Antunes (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre madeira, 51 x 60 cm





Mãe, poesia infantil de Sérgio Caparelli

28 09 2015

 

 

760718-family circus,“– Como é que você só leu uma página do seu livro, mamãe?”  —  Cartoon, Bil Keane.

 

 

Mãe

 

Sérgio Caparelli

 

De patins, de bicicleta,

de carro, moto, avião

nas asas da borboleta

e nos olhos do gavião

de barco, de velocípedes

a cavalo num trovão

nas cores do arco-íris

no rugido de um leão

na graça de um golfinho

e no germinar do grão

teu nome eu trago, mãe,

na palma da minha mão.

 

 

Em: Poesia fora da estante, Vera Aguiar, Simone Assumpção e  Sissa Jacoby, 13ª edição, Porto Alegre, Projeto: 2007, p.106





Imagem de leitura — Pekka Halonen

28 09 2015

 

Halonen,_Pekka, (Finlandia, 1865-1933)Crianças lendo, 1916, ost, Museu de Arte Moderna, Espoo,FinlandiaCrianças lendo, 1916

Pekka Halonen (Finlândia, 1865-1933)

óleo sobre tela

Museu de Arte Moderna de Espoo, Finlândia





Natureza maravilhosa: Cigarra Equatoriana

27 09 2015

 

ecuadorian-cicada_1427708368

Cigarra equatoriana ou Zammara smaragdina é uma espécie de cigarras grandes de cor azul-esverdeada brilhante.  Como outras cigarras elas produzem um som bem alto e vivem nas florestas tropicais  zona do Equador.





Refugiados, texto de Charles Simic

27 09 2015

 

navio-de-emigrantes, , de Lasar Segall (1939-41), pintura a óleo com areia sobre tela, 230 x 275 cmNavio de emigrantes, 1939-1941

Lasar Segall (Lituânia/Brasil, 1891-1957)

óleo com areia sobre tela, 230 x 275 cm

Museu Lasar Segall, São Paulo

 

 

“Pessoas deslocadas” era o nome que nos davam, desde 1945, e isso era o que éramos, verdadeiramente. Quando você vê bombas caindo em alguns antigos documentários, seja um exército avançando contra outro, aldeias e cidades consumidas por fogo e fumaça, você esquece dos grupos de pessoas no celeiro. Sr. e Sra. Inocente pagaram alto neste século só por estarem ali. Condenados pela história, como os marxistas gostavam de dizer, talvez pertencendo a uma classe social incorreta, um grupo incorreto ou uma religião incorreta – o que seja – eles eram e continuam a ser uma lembrança desagradável de todas as utopias filosóficas e nacionalistas que não deram certo. Com seus trapos e trouxas e seu ar de miséria e desespero, eles vieram em massa do Leste, fugindo do mal sem ideia de para onde estavam indo. Ninguém tinha muito para comer na Europa e aqui estavam os refugiados famintos, centenas de milhares em trens, campos e prisões, molhando pão dormido em sopa aguada, procurando por piolho nas cabeças de seus filhos e grasnando em dúzias de línguas sobre seu horrível destino.

Minha família, como tantas outras, pode ver o mundo graças às guerras de Hitler e a chegada ao poder de Stalin na Europa Oriental. Não éramos colaboradores alemães ou membros da aristocracia, nem éramos precisamente exilados políticos. Peixes pequenos, não decidíamos por nós mesmos. Tudo foi arranjado por nós pelos líderes do nosso tempo. Como tantos outros que estavam deslocados, não tínhamos nenhuma ambição de sair do nosso bairro em Belgrado. Nós gostávamos de lá. Negociações foram feitas sobre esferas de influência, fronteiras foram redesenhadas, a chamada Cortina de Ferro foi baixada, e nós ficamos à deriva com nossos poucos bens. Historiadores ainda estão documentando todas as traições e horrores que nos atingiram como resultado da Yalta e de outras tantas conferências, e o assunto ainda não chegou a seu ponto final.

Como sempre, houve diferentes graus do mal e da tragédia. Minha família não se deu tão mal quanto outras. Milhares de russos que os alemães haviam forçado a trabalhar para eles nas indústrias e fazendas foram devolvidos a Stalin contra a vontade deles pelos Aliados. Alguns foram assassinados, outros mandados para os ‘gulags’ para que não contaminassem o resto da população com novas ideias adquiridas pelo capitalismo decadente. Nossas perspectivas foram melhores. Tínhamos a esperança de acabar nos Estados Unidos, Canadá ou Austrália. Não que isso fosse garantia. Entrar nos Estados Unidos era particularmente difícil. A maioria dos países da Europa Oriental tinha cotas muito pequenas, diferente da Europa Ocidental. Aos olhos dos especialistas em genética e dos políticos da imigração, eslavos do sul não era material étnico altamente desejável.”

 

Em: “Refugees”, Charles Simic, Letters of Transit: Reflexions on Exile, Identity, Language and Loss, ed. André Aciman, New York, The New Press: 1990, pp. 120-121
Tradução Ladyce West.





Imagem de leitura — Eva Gonzales

26 09 2015

 

 

gonzales, e. no parque,No parque, 1876

Eva Gonzales (França, 1849-1883)

óleo sobre tela, 40 x 33 cm

Coleção Particular





Biblioteca de Alexandria, texto de Márcio Tavares D’Amaral

26 09 2015

 

library-at-AlexandraInterior imaginado da Biblioteca de Alexandria, gravura de O.Von Corven.

 

“A biblioteca de Alexandria foi a maior da Antiguidade. Fundada no século III a. C., teve a missão de recolher ao menos um exemplar de todos os livros escritos no mundo. Setecentos mil rolos e papiros foram protegidos pelas suas paredes! Estava aberta a todas as áreas da poderosa inquietação que nos move a ser e saber mais do que temos sabido e sido. Uma fonte, uma torrente, uma gula de inundar desertos. A biblioteca de Alexandria existiu de verdade. E, tendo sido destruída, é também, até hoje, para quem gosta de livros, um mito. A mãe das bibliotecas. A casa dos sábios.”

 

Em: “Bibliotecas”, Márcio Tavares D’Amaral, O Globo, 05/09/2015, 2º caderno, página 2.





Rio de Janeiro comemorando 450 anos!

25 09 2015

 

 

Sérgio Telles,Casarios em  Santa Tereza,RJ,OSM,40 x 60Casario em Santa Teresa, RJ, c. 1990

Sérgio Telles (Brasil, 1936)

óleo sobre madeira, 40 x 60 cm





Sublinhando…

24 09 2015

 

 

albertvon-keller(Suiça)Lesende,1873,osm,18,5x13,5cmLeitora, 1873

Albert von Keller (Suíça, 1844-1920)

óleo sobre tela, 18 x 13 cm

 

“Onde pus a esperança, as rosas
Murcharam logo.”

 

 

Fernando Pessoa (Portugal, 1888-1935) em Onde pus a esperança, 1920.