A realidade está nos olhos de quem vê!

19 09 2014

web_art_academy_Au-Moulin-de-la-Galette_Pierre-Auguste-Renoir1 HIGH DEFINITION 2Dança no Moulin de la Galette, 1876
Pierre Auguste Renoir (França, 1841-1919)
Óleo sobre tela, 131 x 175 cm
Musée d’Orsay, Paris

 

Hoje dando uma olhadinha na página do Facebook de um dos meus blogs preferidos, o do Mariel Fenandes, achei a seguinte frase:

 

“A gente não vê as coisas como elas são. A gente vê as coisas como nós somos”.

 

Na quarta-feira eu tinha acabado de conversar com algumas amigas justamente sobre isso.  Mas eu falava da pintura figurativa. Ela jamais acabará, como muitos imaginaram logo depois da Segunda Guerra Mundial.  Ela não vai acabar porque cada pintor vê as coisas de maneira única e diferente.  Cada qual vê as coisas como eles são.

 

Pierre-Auguste_Renoir,_Le_Moulin_de_la_Galette HIGH 1 margauxDETALHE: Dança no Moulin de la Galette de Auguste Renoir, 1876.

Assim o quadro acima, do pintor francês impressionista Auguste Renoir, um dos mais conhecidos emblemas da pintura impressionista francesa, mostra uma festa, uma dança em um dos locais populares de Paris dos últimos anos do século XIX.  O local não era frequentado por pessoas ricas. Era de fato frequentado por jovens mulheres, trabalhadoras, costureiras, lavadeiras, passadeiras, e demais profissionais de serviço, que precisavam fazer um dinheirinho extra e, no mínimo, dançavam por música. Mas a cena acima nos dá a impressão de uma grande festa, de uma sociedade feliz e sem divisões de classes sociais.  Há homens de chapéu de palha, de cartola, de chapéu coco e mulheres com belos vestidos coloridos.  Todos se olham, todos sorriem e exalam uma sensualidade comedida. Namoricos aparecem em pleno desabrochar. Montmartre, na época, onde está localizado até hoje o Moulin de la Galette, era um bairro decadente e pobre, que havia sofrido muito com a revolta civil, que tomara o governo por 3 meses em 1871, chamada de Comuna de Paris.  Mas a tela de Renoir não demonstra nenhum sinal de uma vida pobre.  Muito pelo contrário, o status social de cada um é irrelevante. O que importa é a festa, a alegria, a camaradagem.  Renoir quis ver a vida assim.

 

federi05Moulin de la Galette, 1877
Federico Zandomeneghi ( Itália, 1841-1917)
Óleo sobre tela, 80 x 120 cm
Coleção Particular

 

O pintor italiano Federico Zandomeneghi  toma o lado oposto da visão.  Cuidadosamente pinta, um ano depois de Renoir, o mesmo local.  Desta vez vemos o Moulin de la Galette do lado de fora, na entrada. Aí, diferente da imagem que temos de Renoir, vemos uma fila de mulheres cansadas, entrando no estabelecimento em fila, umas se apoiando às outras. Mais mulheres do que homens.  Vestidos escuros, do dia a dia de trabalho; uma rua mais ou menos abandonada, com cachorros de rua vagando a esmo.  As cores são menos alegres. Temos, na verdade, o retrato de pessoas resignadas a mais umas horas de trabalho.

 

federi05 detalhe 1DETALHE: Moulin de la Galette, de Federico Zandomeneghi, 1877.

 

Onde esta a realidade?

Não sabemos.  Porque ela está conosco.  Nossas preferências irão nos aproximar mais de um pintor do que do outro.  Não há verdade.  Não há uma única realidade.





Rio de Janeiro a caminho dos 450 anos!

19 09 2014

 

 

manabumabe(1924, Kumamoto, Japão - 1997, São Paulo, SP)_paisagemleblon_1953Paisagem do Leblon, 1953

Manabu Mabe (Japão/Brasil, 1923-1997)

óleo sobre tela

 

 

 





Cuidado, quebra! Vaso para tulipas

18 09 2014

 

 

.4.0.1Vaso para tulipas  [Tulipeiro],1694

Adriaen Kocks ( Holanda, ? – 1701)

Faiança de Delft, 147 cm altura

Coleção da Coroa Britânica

 

São nove partes hexagonais separadas, com compartimentos separados para água. Cada uma delas possui seis cabeças de animais com as bocas abertas, formando uma floreira por onde uma tulipa ou qualquer outra flor seria enfiada. Entre o pedestal e a coluna de vasos seis vacas sustentam a coluna. Dois lados da base têm o retrato de William III. Esses vasos eram usados para decorar as lareiras nos meses da primavera e do verão quando o fogo não estava aceso.

 

Mais

 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

17 09 2014

 

 

 

Ivan Marquetti,Frutas OST,70 x 95 2002Frutas, 2002

Ivan Marquetti (Brasil, 1941)

óleo sobre tela, 70 x 95 cm

 

 





Trova dos livros

17 09 2014

 

 

Volando entre libros (ilustración de Cecco MarinielloIlustração Cecco Mariniello.

 

De livros encham-se as casas,

eis um conselho excelente,

pois o livro, aberto em asas,

põe asas na alma da gente.

 

(Orlando Brito)





Patrimônio Cultural da Humanidade: Tipasa, Argélia

16 09 2014

 

 

tipasa_algeria

 

 

Argélia

 

Tipasa

 

Tipasa é um dos mais extraordinários complexos arqueológicos do Norte da África, talvez o mais importante para o estudo dos contatos das civilizações ao longo do Mediterrâneo tendo sido colonizada desde o século VI aEC ao século VI da nossa era. Localizada a 70 km a oeste de Argel, foi um posto de comércio de Cartago, e mais tarde foi um porto de prestígio do Império Romano, a partir do século III da nossa era. Nem mesmo a invasão dos Vândalos em 430 acabou com a prosperidade do local, só depois da reconquista da cidade pelos Bizantinos, em 531 que a cidade entrou em declínio até o final do século seguinte.





Imagem de leitura — David Bekker

16 09 2014

 

 

David Bekker. Letter from the Old Country, 1936. Collection of Bernard FriedmanCarta do velho mundo, 1936

David Bekker (Lituânia/EUA, 1897- 1956)

óleo sobre tela, 50 x 75 cm

Coleção Bernard Friedman





Nossas cidades — Recife

15 09 2014

 

 

Louis Schlaprriz, Paisagem de Recife, Rio Capibaribe, 1863, 31 x 39cm,ostPaisagem de Recife, rio Capibaribe, 1863

Louis Schlappriz (Suíça, ativo no Brasil, meados do século XIX)

óleo sobre tela, 31 x 39 cm





O que se escuta numa velha caixa de música, poesia de Martins Fontes

15 09 2014

 

 

Carolus-Duran_-_Le_BaiserO beijo, 1868

Carolus Duran (França, 1837-1917)

óleo sobre tela

Museu de Belas Artes, Lille

 

 

O que se escuta numa velha caixa de música

 

Martins Fontes

 

Nunca roubei um beijo. O beijo dá-se,

ou permuta-se, mas naturalmente.

Em seu sabor seria diferente

se, em vez de ser trocado, se furtasse.

 

Todo beijo de amor, longo ou fugace,

deve ser um prazer que a ambos contente.

Quando, encantado, o coração consente,

beija-se a boca, não se beija a face.

 

Não toquemos na flor maravilhosa,

seja qual for a sedução do ensejo,

vendo-a ofertar-se, fácil e formosa.

 

Como os árabes, loucos de desejo,

amemos a roseira, olhando a rosa,

roubemos a mulher e não o beijo.

 

(A Flauta Encantada)

 

Em: Nossos Clássicos: Martins Fontes,poesia, Rio de Janeiro, Agir: 1959, p. 53





Imagem de leitura — Henry Moore

14 09 2014

 

Girl Seated at Desk V 1974 by Henry Moore OM, CH 1898-1986Menina sentada à escrivaninha, 1974

Henry Moore (Inglaterra, 1898–1986)

Litografia sobre papel, 13 x 13 cm

Tate Gallery, Londres