Mudança de costumes

20 04 2023

Triste Notícia, 1905

Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

óleo sobre tela, 50 x 73 cm

 

Quando vi esta imagem, à primeira vista me pareceu que a senhora retratada lia em um dispositivo digital.  Mas como?  Não era uma cena das últimas duas décadas!  Observando com maior cuidado, percebi tratar-se de papel timbrado de preto a toda volta, retirado do envelope próximo também assim  tarjado.  E, de repente, me encontro de volta à minha infância. Memórias muito antigas de outro hábito desaparecido.

Eu era criança quando vi pela primeira vez um envelope como este, trazendo em seu recheio nota semelhante.  Vinha de Mato Grosso, terra da família paterna de minha mãe.  De lá, eu conhecia quatro pessoas: vovô Gessner e alguns de meus tios avós: a meia irmã Eneyde (Nedi), o marido Luiz, que moravam aqui no Rio de Janeiro, com quem tive muito contato, mesmo depois de adulta, eles eram figurinhas conhecidas e queridas por demais. Eu adorava as histórias de titio Luiz sobre caçadas em Mato Grosso.  Também conheci a irmã mais velha de vovô em uma visita ao Rio de Janeiro. Chamava-se titia Evange, apelido familiar de Evangelina.

Não sei se o falecimento dela foi telegrafado para meus pais.  Talvez telegrafado para vovô.  Mas a notícia de seu falecimento certamente chegou através de uma nota tarjada de preto, como esta do quadro de Antônio Parreiras de 1905.  

Ainda vi na casa de meus pais, algumas, poucas, notificações de falecimento desta maneira.  Mas ao que eu saiba, este hábito já era um tanto arcaico na segunda metade do século XX.

O luto mudou muito.  Mas isso é papo para outra ocasião.

 

©Ladyce West, Abril de 2023, Rio de Janeiro

 





Rosinha segue viage, poesia de Luiz Peixoto

29 08 2022

 

 

GERSON POMPEU PINHEIRO (1910 - 1978) Mestiça, o.s.t., 60 X 49 cm, assinado e datado (1953) no c.i.e.Mestiça, 1953

[Retrato de Maria Augusta]

Gerson Pompeu Pinheiro (Brasil, 1910 – 1978)

óleo sobre tela, 60 X 49 cm

 

Rosinha segue viage

 

Luiz Peixoto

 

Rosinha seguiu viage,

não disse adeus a ninguém.

Levou no peito uma image

do Deus-menino em Belém,

levou cama, levou rede,

levou ferro de engomá,

levou panela de barro,

levou linha de bordá,

levou todos os terém.

Nunca vi tanta bagage!

No meio das catrevage,

meu coração foi também.

 

Em: Poesia de Luiz Peixoto, Rio de Janeiro, Editora Brasil-América:1964, p.79

 

 





Na boca do povo: escolha de provérbios populares

4 08 2022
Bidu zangado, ilustração de Maurício de Sousa.

Cão que ladra não morde.





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

4 07 2022
Ilustração de Maurício de Sousa.
 
A pior ovelha é a que mais berra.




Na boca do povo: escolha de provérbio popular

9 06 2022
Ilustração Maurício de Sousa.

A glória é passageira, o anonimato perpétuo.




Na boca do povo: escolha de provérbio popular

29 05 2022
Anni Matsick

O prato não é para quem o faz, mas para quem o come.




Na boca do povo: escolha de provérbio popular

10 05 2022
Ilustração Margaret Tarrant
A amar e a rezar, ninguém pode obrigar.




Na boca do povo: escolha de provérbio popular

26 04 2022
Desconheço a autoria desta ilustração de livro infantil.

Galinha pedrês, não a comas, não a vendas, não a dês.




Na boca do povo: escolha de provérbio popular

1 04 2022
Ilustração Walter Crane
A má erva depressa nasce, tarde envelhece.




Na boca do povo: escolha de provérbio popular

24 02 2022
Ilustração Maurício de Sousa

Bolo torto não perde o gosto.