Paisagem com figura e galinhas, 1929
Clodomiro Amazonas (Brasil, 1883-1953)
óleo sobre madeira, 23 x 30 cm
Paisagem com figura e galinhas, 1929
Clodomiro Amazonas (Brasil, 1883-1953)
óleo sobre madeira, 23 x 30 cm
Zé da Roça tira uma soneca na sombra de uma árvore. © Estúdios Maurício de Sousa
Monteiro Lobato
Américo Pisca-Pisca tinha o hábito de por defeito em todas as coisas. O mundo para ele estava errado e a Natureza só fazia asneiras.
— Asneiras, Américo?
— Pois então?!… Aqui mesmo, neste pomar, você tem a prova disso. Ali está uma jabuticabeira enorme sustendo frutas pequeninas, e lá adiante vejo uma colossal abóbora presa ao caule duma planta rasteira. Não era lógico que fosse justamente o contrário? Se as coisas tivessem que ser reorganizadas por mim, eu trocaria as bolas, passando as jabuticabas para a aboboreira e as abóboras para a jabuticabeira. Não tenho razão?
Assim discorrendo, Américo provou que tudo estava errado e só ele era capaz de dispor com inteligência o mundo.
— Mas o melhor – concluiu, é não pensar nisto e tirar uma soneca à sombra destas árvores, não acha?
E Pisca-pisca, pisca piscando que não acabava mais, estirou-se de papo para cima à sombra da jabuticabeira.
Dormiu. Dormiu e sonhou. Sonhou com o mundo novo, reformado inteirinho pelas suas mãos. Uma beleza!
De repente, no melhor da festa, plaf! Uma jabuticaba cai do galho e lhe acerta em cheio o nariz.
Américo desperta de um pulo; pisca, pisca; medita sobre o caso e reconhece, afinal, que o mundo não era tão mal feito assim.
E segue para casa refletindo:
— Que espiga! … Pois não é que se o mundo fosse arrumado por mim a primeira vítima teria sido eu? Eu, Américo Pisca-pisca, morto pela abóbora por mim posta do lugar da jabuticaba? Hum! Deixemo-nos de reformas. Fique tudo como está, que está tudo muito bem.
E Pisca-pisca continuou a piscar pela vida em fora, mas já sem a cisma de corrigir a Natureza.
Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Brasiliense:1966, 20ª edição, pp.19-20.

Memórias de São Luís do Maranhão, s/d
Fernando Castelo Branco (Brasil, contemporâneo)
http://casteloartes.blogspot.com.br/
Martins D’Alvarez
“Minha terra tem palmeira
onde canta o sabiá…
isso é lirismo do poeta,
a gente pensa de cá!
Mas, ao penetrar-se, em barcos,
na baía de São Marcos,
vemos que há mesmo palmeiras
e muitas palmeiras lá.
E, emoldurando as palmeiras,
há jardins verdes, floridos,
ruas que sobem ladeiras,
azulejos e vitrais…
Poesia dos tempos idos:
— chafarizes esquecidos,
romances adormecidos
em solares coloniais.
E na fronde das palmeiras,
há mesmo alados cantores
— enlevo dos sonhadores,
— ternura dos namorados…
Dos platônicos mancebos
que se ficam nas calçadas
a acenar para as donzelas
nas janelas dos sobrados.
“Minha terra tem primores
que tais não encontrou eu cá…
“Velhos fortins dos franceses,
igrejinhas seculares:
Carmo, Remédios, a Sé
— mãe das primeiras Missões!…
Se cujo púlpito, Vieira,
plantou a fé brasileira,
com a augusta sementeira
de seus famosos sermões.
Tem recantos encantados,
de um bucolismo sem-par:
— Sacavém, Ponta da Areia,
São João de Ribamar…
O velho Farol de Alcântara,
o Bumba-meu-boi de Anil…
E outras relíquias da História
pitoresca do Brasil.
Tem aquela preta velha
da Rua dos Afogados
que foi preada na Angola,
deu bom preço nos mercados…
Foi tudo para os Senhores…
Amargou de mão em mão…
E traz na pele, gravado,
o drama da escravidão.
Tem o português dos “secos”
e o português dos “molhados”…
Tem o turco dos “retalhos”
ë o turco dos “atacados”…
Tem a “pipira morena”,
lá da Rua do Alecrim,
que aos domingos, toda chique,
vai fazer seu piquenique
e à noite, em Campos de Ourique,
quem paga tudo é o Joaquim!
“Nosso céu tem mais estrelas”
“na noite calma e deserta…
— Infinita porta aberta
para um mundo de poesias!
“nossas várzeas têm mais flores”,
além das rosas-meninas
que florescem nas esquinas
da Praça Gonçalves Dias!
“Nossos bosques têm mais vida”
na magia feiticeira
dessa Atenas Brasileira
de artistas e pensadores.
Graças à luz expendida
por esta estirpe luzida,
“nossos bosques têm mais vida,
nossa vida mais amores”.
“Em cismar sozinho à noite
mais prazer encontro eu lá”,
pela Praça João Lisboa,
recitando o “Marabá”…
Ao longo da Praia Grande…
No botequim da Sinhá,
tirando o gosto da pinga
com refresco de cajá…
Ouvindo, ao luar de prata,
acordes de serenata,
com trovador e com flauta
com violão e ganzá.
“Não permita Deus que eu morra
sem que eu volte para lá…
“Sem que carregue, contrito,
o andor de São Benedito,
na bênção que ao povo aflito,
em procissão, ele dá…
Sem que inda prove pequi,
cupuaçu, bacuri,
cambica de murici
e um bom arroz de cuchá!…
Quero morrer, na verdade,
na minha velha cidade,
namorando a antiguidade,
numa rede de algodão…
Dando um adeus ao passado,
um viva a Pedro II
na melhor terra do mundo:
— São Luís do Maranhão!
Mulher com chapéu azul
Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)
óleo sobre tela, 41 x 33 cm
Mulher, 1907
Oscar Pereira da Silva ( Brasil, 1867-1939)
óleo sobre tela, 51 x 41 cm
Mulher de vestido azul, 1968
Chanina Luwisz Szejnbejn (Polônia/Brasil 1927 – 2012)
óleo sobre tela, 73 x 50 cm
Retrato de moça, 1891
Décio Villares (Brasil, 1851 — 1931)
óleo sobre tela
Mulher com flor na mão, década de 1940
Gastão Worms (Brasil, 1905-1967)
óleo sobre tela colada em madeira, 65 x 54 cm
Mulher com lenço, 1950
Tadashi Kaminagai (Japão/França, 1899- 1982)
óleo sobre tela, 55 x 46 cm
Repouso (filha do artista), 2006
Virgílio Dias (Brasil, 1956)
óleo sobre tela, 160 x 120 cm
Retrato de jovem com brinco
Carlos Chambelland (Brasil, 1884-1950)
óleo sobre tela, 40 x 32 cm
Africana, 2014
Douglas Okada (Brasil, 1984)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Figura feminina
Henrique Bernardelli (Chile/Brasil, 1857-1936)
óleo sobre tela, 105 x 95 cm
Figura de mulher, 1987
Humberto da Costa (Brasil, 1948)
óleo sobre tela, 27 x 22 cm
Figura feminina, 1978
José Maria Ribairo (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 48 x 40 cm
Mulher
Wladimir Krivoutz (Rússia/Brasil, 1904-1971)
óleo sobre tela, 55 x 46 cm
Mulher com rosa vermelha
Severino Ramos (Brasil, 1963)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
Jovem com rosa
Ernesto Sérgio Silva Quissak Júnior (Brasil, 1935-2001)
óleo sobre tela, 30 x 40 cm
Figura, 1960
Lydio Bandeira de Mello (Brasil, 1929)
óleo sobre tela, 92 x 45 cm

Retrato de senhora, 1817
Antônio Joaquim Franco Velasco (Brasil, 1780-1833
Pintura a óleo
Retrato feminino, 1958
Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)
óleo sobre tela, 61 x 50 cm
Figura feminina, 1978
Grover Chapman (EUA/Brasil, 1924-2000)
óleo sobre eucatex, 40 x 30 cm
Dedé, 1944
Dimitri Ismailovich (Rússia/Brasil, 1892-1976)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
A visita de Louise, 1928
Eliseu Visconti (Itália/Brasil, 1866-1944)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
Marina Montini, 1971
Emiliano Di Cavalcanti (Brasil, 1897 – 1976)
óleo sobre tela, 80 x 60 cm
Moça com chapéu de palha
Luís Cláudio Morgilli (Brasil, 1955)
óleo sobre tela
Ilustração de Margret Boriss
Parece o teu coração
com plataforma de trem,
qua mal despede os que vão
para abrigar os que vêm.
(Roberto Medeiros)

Paisagem, 1969
José Ferraz Pompeu (Brasil, 1915 – 2002)
óleo sobre eucatex, 40 x 30 cm
Cascão se encontra com um fantasma no cemitério, © Estúdio Maurício de Sousa.
Teia de aranha, 1684
Gao Qipei (China, 1660-1734)
Pintura a dedo, sobre o papel
Olegário Mariano
Dizem que traz felicidade a teia
De aranha. Surge um dia, malha a malha.
E a aranha infatigável que trabalha,
Mata os insetos quanto mais se alteia.
Sobe ao beiral. É um berço e balanceia
Ao vento que os filetes de oiro espalha.
E ao sol iluminado, que a amortalha,
A trama iluminada se incendeia.
Voa a primeira borboleta ebriada.
Vem louca, primavera de ansiedade,
Mas de repente, a asa despedaçada,
Rola… É o fim… A tortura da grilheta…
Maldita seja essa felicidade
Que vem da morte de uma borboleta!
Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 1 (1911-1931), p. 117.
Cartão postal.
Tudo muda, tudo passa,
neste mundo de ilusão:
vai para o céu a fumaça,
fica na terra o carvão.
(Guilherme de Almeida)

Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2008
Antônio de Orléans e Bragança (Brasil, 1950)
aquarela sobre papel, 46 x 61 cm