Minutos de sabedoria — Chamfort

12 04 2016

 

Pierre Mornet.Ilustração, Pierre Mornet (França, 1972).

 

 

“Nas coisas grandes, os homens se mostram de maneira que lhes convêm mostrar-se; nas coisas pequenas, mostraram-se como eles são.”

 

 

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Palavras para lembrar: Lúcia Miguel Pereira

11 04 2016

 

 

a-good-read, Simon Glücklich (1863 – 1943, Polish-born German)Uma boa leitura

Simon Glücklich (Alemanha, 1863-1943)

óleo sobre tela, 60 x 48 cm

 

 

 

“O erro de muitos livros infantis é serem infantis demais.”

 

 

Lúcia Miguel Pereira

 





Um ser urbano, texto de William Boyd

8 04 2016

 

walsh_CENTRALCAMERA1webCentral Camera, 2012

Nathan Walsh (GB, 1972)

óleo sobre tela, 60 x 103 cm

Coleção Particular

 

 

“Minha natureza é essencialmente urbana e, embora Los Angeles seja indubitavelmente uma cidade, de algum modo seus costumes não são. Talvez seja o clima que confira um eterno ar suburbano e provinciano: as cidades precisam de extremos de climas, de forma que você almeje  fugir delas. Acho que eu poderia morar em Chicago — gosto quando viajo para lá. Além disso, tem de haver algo brutal e descuidado sobre a verdadeira cidade — o habitante precisa se sentir vulnerável — e não se encontra isso em Los Angeles, ou pelo menos, não vi nada disso no curto espaço de tempo que passei no lugar. Sinto-me muito à vontade aqui, muito aninhado. Essas não são experiências da verdadeira cidade: sua natureza entra por baixo da porta e pelas janelas — não dá para se ver livre. E o sujeito genuinamente urbano é sempre curioso — curioso sobre a vida nas ruas. Isso definitivamente não se aplica ao caso de Los Angeles: o cara mora em Bel Air e não se pergunta o que está acontecendo em Pacific Palisades — ou se ele está perdendo alguma coisa.”

 

 

Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 373





Palavras para lembrar — Fred Coelho

6 04 2016

 

 

Galienni (França, contemp) Marguerite lisant Duras, 2003, ost, 60 x 60Marguerite lendo Duras, 2003

Galienni (França)

óleo sobre tela, 60 x 60 cm

 

 

 

“Quando tudo mais sufoca, um bom livro pode nos arrastar através da madrugada.”

 

Fred Coelho





Resenha: “Memórias de um casamento” de Louis Begley

3 04 2016

 

Konstantin Razumov (Russia,1974)Elégante sur la terrasse, ost, 33 x 22 cmElegante no terraço

Konstantin Razumov (Rússia, 1974)

óleo sobre tela, 33 x 22 cm

 

 

Na capa de trás da edição brasileira de Memórias de uma casamento, somos  informados de que aqui encontraremos “um olhar profundo sobre uma classe e seus privilégios, numa trama que se desenvolve entre Paris e Nova York, Long Island e Newport”. Coroando essa apresentação, como que para justificá-la temos uma citação atribuída ao Washington Post: “Entre os escritores contemporâneos, Begley talvez seja o crítico mais sagaz e devastador do sistema de classes da sociedade americana”.  Nada mais ilusório.  Ainda que os personagens dessa narrativa sejam pessoas da classe social mais alta nos EUA, o foco está no retrato de uma mulher, complexa, vazia, intolerante, fútil, provavelmente ninfomaníaca, certamente  desequilibrada emocionalmente.  Como ela, existem centenas de outras em qualquer classe social. Ela causa danos a qualquer grupo familiar. Não importa, na verdade, onde nasceu, em que família, com quem casou.  Tipos como o dela não precisam ser da mais alta sociedade.  Eles existem em todo canto.

 

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Louis Begley é fiel a dois de seus predecessores: Henry James, grande mestre da literatura americana de final de século, também produziu, como mandava o seu tempo, romances  retratando tipos de mulher: Portrait of a Lady; Daisy Miller vêm à mente;  enquanto  Louis Auchincloss, já em pleno século XX,  também se esmerou nesse gênero como o fez em Sybil, The Dark Lady e outros. No Brasil, deste autor, encontramos em tradução:  A infinita variedade dessa mulher mais um de seus perfis de mulher.  Curiosamente, ambos Henry James e Louis Auchincloss se especializaram nos retratos de mulheres das classes sociais mais altas dos EUA.  No Brasil, a tradição literária dos perfis de mulher,  não se limita às classes mais altas, mas, como nos EUA, começa no século XIX, com Machado de Assis [Helena] e sobretudo com José de Alencar [Senhora, Diva, Lucíola, entre outros].

 

louis begleyLouis Begley

 

Ficam por aí as comparações. Ainda que a prosa de Louis Begley  seja agradável e os olhos corram sem obstáculos pelo texto, a apresentação da personagem principal Lucy De Bourgh, herdeira de mais de uma família importante da Nova Inglaterra,formada por pessoas  vindas no Mayflower e no Arabella, portanto entre os primeiros a chegar no continente americano, é monótona. Não há diálogos nestas 194 páginas. Há monólogos  de Lucy, de Jane.  Há cartas.  Em suma, falta dinamismo no texto. Temos diversos relatos, por diferentes pessoas. Contudo o texto flui.  Não só por habilidade do autor, mas também pela malévola e mórbida curiosidade despertada no leitor para saber sobre os detalhes, tintim por tintim, do malfadado casamento, onde o respeito pelo próximo é inexistente.

Tivesse Louis Begley usado de outros meios para narrar talvez pudesse ter despertado maior interesse nesta leitora.  Como está, trata-se de uma obra um tanto medíocre se comparada às suas anteriores, principalmente Sobre Schmidt e Schmidt Recua.





Só falta Ernst Hemingway… – texto de William Boyd

24 03 2016

 

 

Black Suit, red wine, PerezTerno preto e vinho tinto

Fabian Perez (Argentina, 1967)

 

 

“Passo a noite no hotel do aeroporto, o Ikeja Arms — pegarei o voo de volta a Ibadan amanhã. Gosto deste hotel velho com seus grandes bares escuros cheios de tripulação e aeromoças de folga. Eles conferem aquele pequeno toque de vulgaridade  que o visitante sempre traz a uma taverna como esta. Adicione a isso uma noite tropical, álcool abundante, uma nação envolvida em uma guerra civil…  eu quase espero que Hemingway entre pela porta.”

 

 

Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 403-404.





Minutos de sabedoria — Chamfort

17 03 2016

 

 

Simone Balvi ( França, 1938)Hora do chá

Simone Balvi (França, 1938)

óleo sobre tela, 50 x 50 cm

 

 

“A falsa modéstia é a mais decente de todas as mentiras.”

 

 

ichamfo001p1Chamfort




Sublinhando…

12 03 2016

 

Abel Boulineau Auberive, França,1839 -), 1934 La lectrice Huile sur toile, leilão

A leitora

Abel Boulineau Auberive, (França,1839 – 1934?)

óleo sobre tela, 45 x 31 cm

 

“É sempre estranho quando um pintor competente começa a pintar mal deliberadamente. Só os grandes mestres conseguem fazer isso bem (Picasso).”

 

 

William Boyd

 

Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 384.





Sublinhando…

17 02 2016

 

 

ALICE SOHIER-Lembranças,Alice Ruggles Sohier (EUA, 1880-1969),Óleo sobre tela, 65 x 55 cm, Coleção ParticularLembranças

Alice Ruggles Sohier (EUA, 1880-1969)

óleo sobre tela, 65 x 55 cm

Coleção Particular

 

 

“Requinte é um requisito da simplicidade.”

 

 

Mariel Fernandes  Toda vida é crônica.





Sublinhando…

9 02 2016

 

Jean-Baptiste-CamilleCorot, Young girl reading, 1868, National Gallery of Art, Washington, DC (2)Jovem lendo, 1868

Jean Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)

óleo sobre papelão sobre madeira, 32 x 41 cm

National Gallery, Washington, DC

 

 

“Fechar ao mal de amor a nossa alma adormecida
é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida…”

 

 

Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato.