O mundo geek se agita: seríamos uma imagem holográfica?

16 05 2012

Origami, década de 1990

Yuli Geszti (Hungria, 1953- no Brasil desde 1957)

acríica sobre tela, 80 x 80 cm

Para quem se interessa por ficção científica, sugiro a fascinante entrevista na revista Wired : Theoretical Physicist Brian Greene Thinks You Might Be a Hologram,  [Brian Greene, o teórico da física, acredita que você possa ser um holograma] com  Brian Greene autor de The Fabric of the Cosmos, livro que serviu de base para o programa da televisão pública nos Estado Unidos [PBS], com o mesmo título.  Sem deixar de lembrar o quanto essas ideias são difíceis de ser entendidas, até mesmo por físicos que trabalham com isso no dia a dia, Brian Greene explicou que só levou adiante as pesquisas de Leonard Susskind e Gerard’t Hooft , que ao considerarem  alternativas para o que acontece com informações que entram nos buracos negros, desenvolveram a ideia de que  o objeto que cai num buraco negro pode ser representado por dados em duas dimensões.  Brian Greene então  questionou se o reverso também não seria verdadeiro.

No programa televisivo The Fabric of the Cosmos Brian Greene considera algumas das propostas da física moderna que têm estranhas características, mas que são de fato ideias que com base sólida na pesquisa matemática e em dados tirados da observação.  Entre essas estão a definição do que é o tempo, um conceito que afeta toda a nossa vida mas do qual sabemos pouco;  o conceito de espaço, isso tudo que nos cerca;  comunicação entre objetos distantes entre si; ele aborda também a mecânica quantum e como ele mesmo diz, o que ainda pode ser considerado mais revolucionário, o conceito de que o nosso universo não seja único e sim parte de um grupo de universos a que se dá o nome de multiverso.

Perguntado sobre suas preferências no mundo da ficção científica, Brian Greene listou Isaac Asimov como seu autor favorito, seguido de  Ray Bradbury.  Ele prefere a ficção científica que tem a verdadeira ciência como base e aconselha escritores de ficção cientifica para manterem-se o mais próximo possível dos conhecimentos científicos, deixando que a própria ciência oriente o desenvolvimento da história.  “Mude o que for necessário só sobre aquilo que está às margens do conhecimento.  No caso em particular do buraco negro modifique a realidade, dê asas à imaginação na beiras do conhecimento para fazer a história se desenvolver, mas mantenha o que já se sabe da ciência intacto.  Este sim seria um objetivo construtivo.”

Sobre os universos paralelos – realidades tão presentes nos dias de hoje na ficção científica – Brian Greene, que se dedicou ao assunto no livro The Hidden Reality, garante que seria muito difícil viajar de um universo ao outro, mesmo com a possibilidade de haver mais que um universo paralelo, como por exemplo, o universo paralelo previsto pela mecânica quantum que difere substancialmente daquele previsto pela cosmologia, ou ainda a versão da teoria das cordas.

Se você lê em inglês e tem interesse em ficção científica, sugiro que clique no link do artigo citado acima. E  ainda que acompanhe o vídeo com o debate do 11º  Isaac Asimov Debate que coloco aqui abaixo, lembrando que leva quase 2 horas.  Bom proveito!





Um sapo agressivo! Veja o que o Butantan descobriu!

14 03 2012

Ao contrário de outros anfíbios, o Rhaebo guttatus tem mecanismo de veneno ativado voluntariamente
Foto: Instituto Butantan/Divulgação

Pesquisadores do Instituto Butantan descobriram um sapo que possui comportamento predatório, o que até hoje era completamente incomum nesses animais. Ao contrário de outros anfíbios, que expelem veneno somente após sofrerem um ataque, o Rhaebo guttatus, espécie encontrada na Amazônia e semelhante ao sapo Cururu, tem um mecanismo de veneno ativado voluntariamente.

O estudo, feito na Amazônia por cerca de um ano, revelou que o animal, por meio de movimentações corporais que causam a compressão do paratóide (glândulas que armazenam o veneno), esguicha o veneno a uma altura de quase dois metros.

Ao efetuar um ataque, o sapo libera uma substância com propriedades inflamatórias, capaz de causar complicações neurotóxicas, cardiotóxicas, edemas pulmonares, problemas no sistema digestivo ou até mesmo levar o predador a óbito.

“Essa descoberta pode revolucionar o estudo dos anfíbios, pois jamais se imaginou um sapo com esse tipo de comportamento. Além de contribuir com nossos estudos, reacende o folclore de que esses animais só atacam seu predador voluntariamente”, relata Carlos Jared, diretor do Laboratório de Biologia Celular.

Notícia, exatamente como  publicada no Portal Terra.





As plantas se comunicam!

8 02 2012

Ilustração de Rudy Pott, capa da revista Country Gentleman, abril de 1947.

Pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra, parecem ter encontrado provas de que as plantas podem, de fato, se comunicar umas com as outras.  Essa descoberta foi feita durante um experimento que a universidade fazia junto ao canal de televisão britânica BBC2 para a nova série Como crescer um planeta que começa a ser passada neste mês.  O objetivo do experimento era saber se as plantas se comunicavam umas com as outras.

Para descobrir se as plantas “falam” umas com as outras, o experimento foi entregue a uma equipe, liderada pelo Professor Nick Smirnoff e filmado nos laboratórios de biociências da universidade. Durante o processo, o professor Smirnoff e sua equipe  utilizaram uma planta bem conhecida por responder às plantas vizinhas, a Arabidopsis, um gênero que pertence à família das Brassicaceae, ao qual também pertencem as couves e a mostarda.   Nada de novo até ai.  Essa reação em que as plantas machucadas liberam um gás que desencadeia respostas já é bastante conhecida.

Professor Nick Smirnoff

O que fez esse experimento diferente foi a introdução de um gene: do pirilampo. Os pesquisadores modificaram um gene da planta que desencadeia a produção de um gás emitido quando a superfície de uma planta é cortada ou perfurada.  E, adicionaram a proteína “luciferase” ao DNA delas, para que suas emissões pudessem ser monitoradas pela câmera. Isso permitiu que a equipe pudesse visualizar a resposta das plantas vizinhas porque foi possível verificar a resposta, usando uma câmera fóton sensível.

Em tempo, uma planta Arabidopsis tinha uma de suas folhas cortada com uma tesoura.  Quando ela começava a emitir o gás que “alertava” as plantas próximas de perigo à vista, duas plantas da mesma família, mais próximas, que não haviam sido tocadas, receberam a mensagem que elas deveriam se proteger.  E isso elas fizeram imediatamente através da produção de substâncias químicas tóxicas sobre as folhas para afastar predadores, tais como lagartas.

Ficamos satisfeitos em poder realizar essa experiência única para o programa e muito mais trabalho é necessário para descobrir o que está acontecendo. — disse o Professor Smirnoff,  e acrescentou em seguida, “Esperamos que esse programa de televisão venha a  inspirar as pessoas a pensarem sobre o enorme impacto que as plantas têm em quase todos os aspectos de nossas vidas.

Fontes: Exeter University News  ; Terra





Um novo planeta onde pode haver vida!

6 02 2012

Uma equipe internacional de astrônomos anunciou semana passada a descoberta de um novo exoplaneta potencialmente habitável, onde poderia haver água.  Essa descoberta eleva para quatro o número de planetas situados fora de nosso sistema solar detectados pela comunidade científica.

O planeta está localizado na zona considerada “habitável” quando se considera a distância do planeta de sua estrela – uma distância bastante estreita mas que garantiria um a temperatura não muito quente, nem muito fria, para que a água possa existir na superfície do planeta.

Este planeta rochoso é o novo e o melhor candidato para manter água em estado líquido em sua superfície e pode abrigar vida tal qual nós a conhecemos“, explicou Guillem Anglada-Escudé, chefe da equipe que trabalha na Carnegie Institution for Science, em Washington.

Concepção artística do planeta GJ 667Cc que está localizado na zona onde pode haver vida.  Imagem, Carnegie Institution for Science.

Este planeta (GJ 667Cc) está em órbita em torno de uma estrela batizada de GJ 667C, situada a cerca de 22 anos-luz da Terra (um ano-luz equivale a 9.460 bilhões de km).  Pertencendo à constelação de Escorpião. O planeta contorna a sua estrela em 28 dias e tem uma massa mínima 4,5 vezes a da Terra.  É também cerca de 50% mais pesado do que a Terra.

Podemos considerar esse planeta praticamente nosso “vizinho de porta”, completou Steven Vogt, astrônomo da Uni Steven ersidade da Califórnia em Santa Cruz, “está muito próximo.  Só existem 100 estrelas mais próximas de nós do que esta.

Os pesquisadores também descobriram indícios que levam a crer que pelo menos um outro exoplaneta, talvez até três, estão em órbita na mesma estrela. Esta estrela faz parte de um sistema que possuí três estrelas.

O planeta rodeia em volta de uma estrela num sistema de um grupo de três estrelas,” Vogt explicou, “as outras estrelas estão bastante distantes, mas devem aparecer muito bem no céu de lá.”

Esta descoberta prova que planetas potencialmente habitáveis podem se formar em uma maior variedade de ambientes que acreditávamos, notaram os autores desta descoberta que deve ser publicada nas Cartas do Jornal de Astrofísica.  Essa descoberta veio como uma surpresa para os astrônomos, porque o sistema inteiro dessa estrela tem componentes químiccos diferentes do nosso sol.  O sistema tem menores quantidades de elementos pesados (elementos mais pesados do que o hidrogênio e hélio), tais como ferro, carbono e silicone.

É um sistema deficiente em metais”, Vogt explicou.  “Esses são os materiais que formam os planetas – os grãos de matéria que  se aglutinam para eventualmente formar os planetas – de modo que não esperávamos que essa estrela pudesse ser uma candidata a ter um planeta como esse”.

Este estudo será publicado no Astrophysical Journal Letters

FONTES:  Terra, Scientic American





Ciência e quadrinhos: fazendo um fio de seda como do Homem Aranha

27 01 2012

Homem Aranha lendo.

As descobertas científicas têm mostrado que muitas vezes é possível transformar o que a imaginação de artistas e escritores produz em realidade.  Isso foi o que me passou pela cabeça quando li no início deste mês sobre alguns cientistas americanos que conseguiram modificar geneticamente os bichos da seda e fazer com que eles produzissem um fio muito mais forte e resistente, como são os fios das teias de aranha.  Procura-se, em resumo, um fio parecido com o da seda mas que seja tão resistente quanto os fios das teias de aranha.  Caso você não saiba, os fios das teias de aranha são mais resistentes que o aço.   O experimento, bem sucedido, feito pelos pesquisadores da Universidade de Wyoming, pode vir a ser usado na engenharia e na medicina.

O que os cientistas da Universidade de Wyoming fizeram foi inserir genes de aranhas nos bichos da seda com a intenção de que a seda produzida por eles tivesse as características de resistência dos fios que formam uma teia de aranha comum.  Mas o obstáculo a esse uso está na ausência de quantidades industriais que pudessem ser aproveitadas em larga escala.  Eles preferiram trabalhar com os bichos da seda porque os aracnídeos têm duas características de difícil gerenciamento: 1) produzem pouca quantidade de fio, 2)  tem a tendência de comerem uns aos outros.  Os bichos-da-seda por outro lado se criados em cativeiro produzem um fio mais fraco, mas que os cientistas acreditam poderem contrabalançar com o material genético das  aranhas.

Essencialmente, o que este estudo mostra é que os cientistas foram capazes de usar um componente da seda de aranha e fazer com que bichos-da-seda o transformassem em uma fibra juntamente com sua própria seda. Eles também provaram que este composto, que contém partes da seda de aranha e da seda do próprio bicho-da-seda, tem propriedades mecânicas melhoradas“, explicou o professor Christopher Holland, da Universidade de Oxford.

O objetivo mais imediato para a produção desse fio seria sa aplicação na área médica.  Suturas, implantes e ligamentos mais fortes estariam entre os primeiros usos imaginados. A seda de aranha geneticamente modificada também poderia ser usada como um substituto mais sustentável para os plásticos duros, que usam muita energia em sua produção.

Essa pesquisa corre paralela às pesquisas feitas com outros animais no estado de Wyoming, nos EUA, onde o biólogo molecular Randy Lewis trabalha com o implante dos genes de fazer seda das aranhas, em cabras.  Estes animais estão agora produzindo leite que levado para o laboratório onde a proteína da seda é filtrada e se torna sólida quando exposta ao ar.  É então colocada num rolo, carretel.  O grupo de cientistas sob a direção do Prof. Randy Lewis conseguiu quatro metros de seda para cada quatro gotas de proteinas do leite.

Este material tem uma multiplicidade de usos medicinais não só na sutura mas também no reparo de ligamentos.

E o melhor da história, não há nenhuma evidência que leve a acreditar que essa modificação genética possa ser maléfica para as cabras.

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Para maiores detalhes veja os links abaixo:

TERRA; BBC; NEWS; CBSNEWS





Brasil, um país destinado a voar: Bartolomeu de Gusmão

23 01 2012

Bartolomeu de Gusmão, 2009

J. G. Fajardo (Brasil, 1960)

óleo sobre tela

Antes, muito antes de Santos Dumont inventar o avião, já tínhamos uma tradição de conquista do ar.  Devemos isso ao padre e cientista brasileiro Bartolomeu de Gusmão que foi capaz de surpreender a Europa com sua máquina de voar. E só porque seu balão não foi aceito pela ignorante sociedade portuguêsa da época,  não quer dizer que não tenhamos orgulho desse nosso gênio.  Não há na história da conquista do ar quem não comece essa saga com a “Passarola” de Bartolomeu de Gusmão.  A decisão de D. João V, O Magnânimo,  de sucumbir às crendices do povo, às maledicências de uma sociedade dominada pela falta de conhecimento e pelo medo religioso ainda enraizado por uma Inquisição que cismava em permanecer viva,  nada têm a ver como a nossa memória cultural. Bartolomeu de Gusmão deve ser lembrado nas nossas escolas e universidades por sua insistência, a todo custo,  na pesquisa científica.  Se D. João V tivesse tido um pouco mais de coragem de enfrentar sua corte e os jornais, Portugal teria passado para a história mundial não só como o país das grandes descobertas marítimas, mas também o país da conquista dos ares.  Infelizmente esse título acabou sendo dado à França, quando 74 anos depois dos experimentos de Bartolomeu de Gusmão,  os irmãos Montgolfier conseguiram voar uma balão, em Annonay, em 1783.  Por isso, lembro a todos, o texto abaixo impresso para a 4ª série  das escolas primárias, em 1954, quem foi o nosso padre voador!

Reconstituição artística da apresentação de Bartolomeu de Gusmão à corte portuguêsa.

O Padre Voador



Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu em Santos, em 1685.  Aos quinze anos, seguiu para Coimbra a fim de iniciar seus estudos de teologia.  Terminando o curso, tornou-se padre, e logo nos primeiros anos notabilizou-se pelo seu imenso saber e pela sua grande eloquência. Dedicou-se especialmente ao cultivo das ciências físicas e naturais. Mas o que imortalizou o seu nome foi a máquina de voar de sua invenção.

Recomendado por D. Isabel, rainha de Espanha, Bartolomeu de Gusmão tornou-se capelão-fidalgo de D. João V, rei de Portugal. Interessou-se este pelos estudos e pesquisas do jovem sacerdote, principalmente pela invenção de sua máquina voadora, cuja construção foi custeada pelo tesouro real.

No dia 8 de agosto de 1709, presentes o rei, a corte e de curiosos, foi realizada a primeira experiência do aeróstato de Bartolomeu.  O aparelho que tinha a forma de uma balão, com o seu inventor à bordo, elevou-se suavemente do pátio do castelo de S. Jorge, permaneceu algum tempo no ar e, em seguida desceu no terreiro do Terreiro do paço.

Outras experiências, bem sucedidas, foram realizadas com o aparelho, para júbilo do seu inventor e despeito dos invejosos que, para ridicularizar Bartolomeu, passaram a chamá-lo de “Padre Voador” e repr4esentar o seu aparelho por uma pássaro, a que deram o nome de “Passarola”.

Seus inimigos foram mais longe.  Aproveitando-se da ignorância do povo, começaram a apregoar que o “Padre Voador” era feiticeiro com ligações com o demônio…

E tais mentiras espalharam a respeito de Bartolomeu que o próprio D. João V, seu protetor, resolveu não mais auxiliá-lo. Entre as críticas maldosas que surgiram na imprensa da época figuravam versos como estes:

Com que engenho te atreves, brasileiro,
A voares no ar, sendo rasteiro,
Desejando ave ser, sem ser gaivota?
Melhor te fora, na região remota
Onde nasceste, estar com siso inteiro!

Abandonado pelo rei, escarnecido pelo povo, desprezado pelos amigos, Bartolomeu de Gusmão viu-se na triste contingência de fugir para a Espanha, onde foi acolhido por seu irmão frei João de Santa Maria.

Consumido pelo desgosto e atacado de súbita enfermidade, o “Padre Voador” morreu, a 19 de novembro de 1724, no hospital de Misericórdia de Toledo.

Findou seus dias esquecido todos e na mais extrema miséria.

Em: Terra Bandeirante, 4º ano, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1954.





Democracia na colméia ajuda a entender tomada de decisões

11 12 2011

Ilustração M&V Stúdio.

O voto democrático faz parte do gerenciamento tribal no mundo das abelhas, pelo menos essas são as primeiras conclusões de um grupo de cientistas estudando os métodos de comunicação e de escolha de um sítio entre as abelhas, para estabelecer uma nova colmeia.  Os métodos de comunicação incluem não só uma dança específica como uma diferenciação no zumbido e m aceno de cabeça.  Na dança as abelhas se comunicam entre si.  Essa dança, que paralela  as conexões neurais no cérebro no processo de decisão, pode vir a esclarecer o mecanismo de tomada de decisões, principalmente entre os primatas. “Os mecanismos de tomada de decisões nos sistemas nervosos e nas sociedades de insetos são muito similares“, destacou o estudo, da revista Science Express.

Anteriormente,  estudos com macacos mostraram que tomar uma decisão requer a ativação de muitos neurônios no cérebro. Mas certas células nervosas têm a tarefa de “parar” outras. No final, a alternativa escolhida é a que tem o menor número de sinais negativos.   Partindo desta premissa, uma equipe britânico-americana de cientistas chefiada por Thomas Seeley, da Universidade de Cornell, no estado de Nova York , demonstrou que as abelhas, enquanto dançam, “imitam” estes movimentos dos neurônios para se comunicar entre si , para decidirem onde irão formar a colmeia.

Os cientistas transferiram um enxame de abelhas para uma ilha em frente à costa do estado do Maine, onde não há lugares naturais para nidificar e puseram duas caixas idênticas onde podiam instalar sua colmeia. Em seguida, observaram como as abelhas exploradoras descobriram as duas caixas. O vídeo deste processo foi usado para analisar a dança das abelhas exploradoras, que serve para descrever o restante de suas descobertas.

Ilustração M&V Stúdio.

Ao gravar os sons desta dança, eles se deram conta de que o sinal de “parar” era uma batida de cabeça, acompanhada de um leve zumbido.  A comunicação com as outras abelhas sobre o que está lá fora, se faz com uma dança desenhando a figura oito acompanhado de um reboladinho.   O comprimento do rebolado diz o quão longe está o local da antiga colmeia. Os cientistas determinaram qual abelha havia escolhido qual caixa, marcando-as com as cores rosa ou amarela. Desta forma, estabeleceram quais eram os sinais de “parar” emitidos pelas abelhas exploradoras.  Essas abelhas que haviam visitado uma caixa, comunicavavam-se com a abelha bailarina indicando o lugar apropriado, quando esta parecia não se mostrar entusiasmada, já que considerava que outro local poderia valer a pena, “A mensagem da abelha exploradora, para a abelha bailarina parecia dizer para a bailarina conter o seu entusiasmo, porque não havia outro local do ninho digno de consideração” explicou P. Kirk Visscher, da Universidade da Califórnia em Riverside, coautor do estudo. “Esse sinal inibidor não é necessariamente hostil. É simplesmente um conselho: ‘Espere um minuto, aqui há outra opção a ser considerada, então não vamos ter pressa em recrutar cada abelha para um local que pode não ser o melhor para o enxame’“.

Ao deixar uma colmeia lotada em busca de um novo lar, o enxame leva consigo a abelha rainha. As exploradoras vão em busca de novos locais potenciais para construir a colmeia e voltam para comunicar ao grupo sua descoberta, que no geral se mantém perto da colmeia original até que um novo destino seja encontrado.

Visto que todas as abelhas buscam escolher o melhor lugar disponível, os cientistas acreditam que este processo ajude o grupo a tomar uma decisão, mesmo que as opções sejam quase as mesmas. “Estas conexões inibidoras ajudam a garantir que só se escolherá uma das alternativas e pode permitir uma tomada de decisões estatisticamente ótima“, destacou o estudo.  O número de abelhas exploradoras que gosta de um determinado local, eventualmente atinge um nível crítico, e o enxame decide de mudar para seu novo lar.

Fontes: Terra e Dawn





Dinossauro gaúcho tem penas!

25 11 2011

Cientistas de quatro universidades brasileiras apresentaram nesta quinta-feira em Canoas (RS) o resultado do estudo de uma espécie de dinossauro descoberta em 2004 em Agudo (RS). Após a classificação, o predador plumado ganhou o nome de Pampadromaeus barberenai. A pesquisa foi coordenada pelo professor Sergio Cabreira, da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), e contou com cientistas das universidades de São Paulo (USP), Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e de Minas Gerais (UFMG).

Segundo os paleontólogos, o primeiro nome faz referência ao pampa, os campos característicos do Rio Grande do Sul, e o sufixo grego “dromaeus” à palavra grega para “corredor”. Já o segundo nome homenageia o pesquisador e paleontólogo brasileiro Mario Costa Barberena, um dos fundadores do Programa de Pós-graduação em Paleontologia do Instituto de Geociências da Ufrgs.

O fóssil descoberto tem 228 milhões de anos e, destacam os pesquisadores, possui muitas características do grupo dos terópodos – famosos carnívoros como Tyrannosaurus rex e Velociraptor mongoliensis -, em especial ser bípede. Apesar disso, estes predadores existiram apenas 75 milhões atrás, muito depois do corredor dos pampas.

Contudo, o Pampadromaeus é um dos mais antigos representantes da linhagem dos sauropodomorfos, no qual se destacavam dinossauros de pescoço longo, geralmente herbívoros e grandes – como os titanossauros. O dinossauro gaúcho, apesar de pertencer ao grupo, era bem diferente – tinha apenas 1,2 m e era onívoro (comeria pequenos animais, inclusive insetos, e vegetais).

A descoberta indicaria que os primeiros sauropodomorfos e terópodos eram muito semelhantes, mas acabaram gerando dinossauros bem diferentes, o primeiro os saurópodos (herbívoros), enquanto os terópodos continurariam com “monstros” como os tiranossauros.

O estudo foi coordenado pelo paleontólogo Sergio Cabreira (Ulbra) e contou com os pesquisadores Cesar Leandro Schultz e Marina Bento Soares (Ufrgs), Max Cardoso Langer e Jonathas Bittencourt (USP) e Daniel Fortier (UFMG), além do biólogo e mestrando Lúcio Roberto da Silva (Ulbra).

Fonte: Terra





Segredos de Oetzi, o homem do gelo, revelados

28 10 2011

Fotografia, Robert Clark — www.robertclarkphoto.com

Os artistas Adrie e Alfons Kennis usaram scanners em  3-D do esqueleto do homem do gelo e outros detalhes anatômicos para criarem um modelo  de tamanho natural.  Os cientistas no passado haviam reconstruido Oetzi com olhos azuis, mas os exame de DNA provou que ele tinha olhos castanhos.

Oetzi, o homem do gelo, descoberto em 1991, e que tem mais de 5300 anos, finalmente revela mais alguns de seus segredos, através de uma autopsia que levou quase nove horas.  Seu genoma foi seqüenciado com grande detalhe e nova análise do material recolhido começou a aparecer em junho quando  Albert Zink, diretor do Instituto para Múmias e do Homem do gelo — EURAC em Bolzano, no tirol italiano, como publicou a revista National Geographic.

As descobertas clarificam alguns aspectos, mas também intensificam alguns dados intrigantes.  Sabe-se, por exemplo, que Oetzi tinha cabelos e olhos castanhos.  Ele era provavelmente – como milhões e milhões de pessoas hoje em dia – intolerante à lactose, em suma, não digeria leite.  Como Stephen S. Hall explica no artigo Autópsia do homem do gelo [Iceman Autopsy] esse era um fato irônico já que tudo indica que ele era um pastor.

Alpes Italianos, Oetzal, fotografia Robert Clark — www.robertclarkphoto.com

 A seta vermelha mostra onde excursionistas encontraram o corpo do Homem do gelo em 1991, numa bacia de gelo na pedra, numa altitude de 3200 metros.  À sua volta estavam diversos artefatos da Era Neolítica.

Oetzi, que foi encontrado no tirol italiano a 3.200 metros de altitude, em 1991, está mais relacionado às pessoas que vivem no sul da Europa, norte da África e Oriente Médio, do que às pessoas do norte europeu como se imaginava inicialmente.  Seu DNA tem relações estreitas com as populações modernas da Sardenha, da Sicília e da Península Ibérica.  Além disso, se ele não tivesse sido assassinado, por uma flecha,  teria morrido de um ataque cardíaco ou de um AVC em dez anos, já que deveria ter desenvolvido, nesse período,  endurecimento das artérias.  Uma grande surpresa foi descobrir que Oetzi já tinha sido infectado pelo carrapato que transmite a doença de Lyme, o que o faz uma das primeiras vítimas dessa doença.

Para mais detalhes sobre a autópsia, consulte o artigo na National Geographic Magazine.





Filhotes fofos — elefante

16 10 2011

Foto:EFE

Uma votação na internet decidiu  o nome de um filhote de elefante no zoológico de Viena. O nome escolhido faz justiça ao elefantinho: Tuluba – “orelhas enormes“, na língua africana wolof.   Veja como esse elefantinho tem orelhas grandes!  Foram cerca de 10 mil votos e o nome escolhido teve 60% deles.