Imagem de leitura — Charles Baugniet

1 03 2020

 

 

 

charles-l-baugniet-21Charles BaugnietHora da Leitura, 1858

Charles Baugniet (Bélgica, 1814 – 1886)

óleo sobre tela





Resenha: ” O quarto azul” de Georges Simenon

24 02 2020

 

 

Carole Rabe, (EUA, contemporânea) O quarto azul, ost, 60 x 45 cmO quarto azul

Carole Rabe, (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela,  60 x 45 cm

 

 

Georges Simenon escreveu mais de quatrocentas obras tanto em seu nome quanto sob dezoito pseudônimos. Mais de cem pertencem ao que se denomina romances duros.  Diferente dos livros em que figura o inspetor chefe da polícia francesa, Maigret, os romances duros, publicados através da vida do autor, tratam com cuidado do drama psicológico de seus personagens. O quarto azul é um deles.

Conheci os livros de Simenon ainda na adolescência, nas longas férias de verão, com mistérios e resolução de crimes.  Só recentemente dei atenção aos romances duros, através da publicação de mais de um título pela Cia das Letras. [Em francês há a publicação da obra completa dos romances duros,compilados por décadas de publicação, diversos volumes]. E me apaixonei por essa faceta de Simenon que considerava sua produção subdividida: romances policiais, como os que têm Maigret como chefe de polícia; e as obras que considerava não serem comerciais, os romances duros, onde não precisava ter um fundo moral ou atender ao gosto do público.

 

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O quarto azul trata da aventura amorosa fora do casamento de dois personagens que se encontram regularmente — oito vezes em onze meses — no quarto azul de um hotel, na pequena Triant, aldeia francesa nas redondezas de Paris.   Enquanto para Tony, naturalmente lacônico em seu diálogo com a amante, essa aventura parecia não criar raízes profundas, para Andrée as poucas palavras enunciadas pelo homem com quem acabara de ter um encontro fogoso vinham carregadas de potente significado.  Essa diferença de interpretação de uma situação fora dos parâmetros morais, acaba com surpreendente desfecho de mortes e problemas para Tony.  É  no questionamento policial de Tony que então entendemos a complexidade dos personagens envolvidos.

 

1498698218_b745cc0ad3Georges Simenon

 

Um romance com meras cento e trinta e seis páginas não deveria ser capaz de detalhar fortes emoções criando empatia pelos personagens, nem fornecer ao leitor detalhes da vida pregressa de cada elemento da trama fazendo-os tridimensionais de maneira sucinta. Aí está a arte de Georges Simenon, que não acreditava na narrativa longa, nem em frases bonitas.  Sabe-se que sua maneira de editar era retirar tudo que fosse bonito, deixando apenas o essencial.  Esta narrativa dá impacto a uma trama simples, esparsamente descrita com palavras carregadas de significado.  Gostei imensamente do livro e recomendo.  Mas não espere um mistério do gênero do Inspetor Maigret.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Imagem de leitura — Georges van Houten

25 04 2019

 

 

 

Georges van Houten (Belgian, 1888–1964). Lady Reading a Newspaper,Moça com chapéu azul, lendo jornal

Georges van Houten (Bélgica, 1888 – 1964)

Examination Schools, University of Oxford





Eu, pintor: Anthony van Dyck

23 11 2018

 

 

 

Anthony van Dyck (1599–1641) Self-Portrait, ca. 1620–21. Oil on canvas. The Metropolitan Museum of Art.Autorretrato, c. 1621

Anthony van Dyck (Bélgica, 1599–1641)

óleo sobre tela

The Metropolitan Museum of Art, Nova York





Ainda sobre Magritte, texto de Murilo Mendes

21 08 2018

 

 

Magritte, a clarividencia, 1936A clarividência, 1936

[La clairvoyance]

René Magritte (Bélgica, 1898-1967)

óleo sobre tela,  54 x 64 cm

Art Institute of Chicago

 

 

“Magritte esclarece-nos: “L’art de peindre — tel que je le conçois — se borne à la description de la pensée que unit — dans l’ordre qui évoque le mystère — ce qui le monde manifeste de visible“. Mais ainda: “Les figures vagues ont une signification aussi nécessaire, aussi parfaite que les précises“.

Uma de suas tarefas principais consiste portanto em dar forma concreta ao impreciso, onde ele se encontraria com um seu antípoda, Max Bense, que aconselha o artista a elaborar os pensamentos como formas.  As perigosas fronteiras entre poesia e pintura foram de há muito estreitadas por Magritte, ao enquadrar elementos alógicos ou arbitrários numa trama plástica, pelo que poderia ser também aparentadoao Max Ernst dos grandes momentos.  Já se disse que Magritte combate a razão com as armas desta.Mas alguém imaginaria justapor Lautréamont à Descartes? A obra de Magritte, que sabe domesticar o absurdo, leva-nos a crer nesta possibilidade”.

 

Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980,p.189-190.

 

 





Eu, pintor: Paul Delvaux

26 07 2018

 

 

Delvaux narrator-1937O narrador, 1937

[Autorretrato]

Paul Delvaux (Bélgica, 1897-1994)

óleo sobre tela, 70 x 80 cm

Académie Royale des Beaux-Arts, Bruxelas





Sobre Magritte, Murilo Mendes

26 07 2018

 

 

Magritte, o sobretudo de Pascal, OST, MenilO sobretudo de Pascal,  1954

[Le manteau de Pascal]

René Magritte (Bélgica, 1898-1967]

óleo sobre tela, 59 x 49 cm

The Menil Collection, Texas

 

 

“Todavia certos pintores — como também certos escritores — apesar de praticarem o culto do sonho e do inconsciente, que muito antes de Freud os ligava aos românticos (especialmente a Novalis, Achim von Arnin, Hoffmann e Nerval), não eram de fato uns instintivos, mesmo porque percebiam nitidamente a polaridade entre forças cerebrais e forças ancestrais. Em breve fundou-se uma linha divisória da teoria e da prática. Pascal escrevera: “Nous sommes automate autant qu’esprit“. Os revisionistas poderiam alterar a fórmula e dizer “Nous sommes esprit autant qu’ automate“. Não foi por acaso que alguns adeptos da doutrina passaram sem choque para o marxismo, que comporta, além de seu aspecto destruidor e polêmico, toda uma construção. O surrealismo, teoricamente inimigo da cultura, tornou-se num segundo tempo um fato de cultura; e muitos surrealistas, superando a técnica do automatismo, dispuseram-se a trabalhar com um método planificador. Por isso mesmo, quando há uns vinte anos atrás Breton procedeu em Nova Iorque à revisão analítica do movimento, a contragosto incluía Magritte entre os pintores surrealistas, insinuando que o seu processo de compor não era automático, antes plenamente deliberado”.

 

Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980,p.188-9.

 





Em três dimensões: Tom Frantzen

29 11 2017

 

 

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Os  Vaartkapoen [cidadãos da Molenbeek]*, 1985

Tom Frantzen (Bélgica, 1954)

Bronze

Place Sainctelette, Molenbeek-Saint-Jean, Bélgica

 

 

* Há um trocadilho no título desta escultura.  Vaart — quer dizer canal enquanto Kapoen pode significar sem-vergonha.  Uma combinação que nada tem a ver com o nome dos cidadãos de Molenbeek.  Aqui temos uma representação dos dois tipos de pessoas?  do Nível dos canais vem um homem que dá um golpe no policial (ao nível da rua). Seu trabalho é sempre cheio de humor.  Vale a pena checar.





Imagem de leitura — Basile de Loomes

2 08 2017

 

 

Basile Loomes (Belgica, 1809-1885), Escola do vilarejo, 1864, ost, 68 x 80 cmEscola do vilarejo, 1864

Basile Loomes (Bélgica, 1809-1885)

óleo sobre tela, 68 x 80 cm





Imagem de leitura — Jan Frederick Pieter Portielje

18 07 2017

 

 

Jan Frederick Pieter Portielje, A lição (the reading lesson)A pequena leitora

Jan Frederick Pieter Portielje (Bélgica, 1829 – 1908)

óleo sobre tela,  63 x 81 cm