Sem título
Eugênio de Proença Sigaud (Brasil, 1899-1979)
óleo sobre tela colada em madeira, 50 x 40 cm
Sem título
Eugênio de Proença Sigaud (Brasil, 1899-1979)
óleo sobre tela colada em madeira, 50 x 40 cm
Boa vizinhança, 1968
Antonio Henrique Amaral (Brasil, 1935-2015)
óleo sobre tela
Pinacoteca do Estado de São Paulo – PINA
Sem título
John Graz (Suíça-Brasil, 1891-1980)
óleo sobre tela, 53 x 72 cm
Canto de Praia com Personagens
Sansão Pereira (Brasil, 1926-2014)
óleo sobre tela, 15 x 30 cm
Arraial do Cabo – RJ
Aluízio do Valle (Brasil, 1906 -1988)
óleo sobre madeira, 19 x 33 cm
Vaso com Flores, cravos de duas cores
Edgard Oehlmeyer (Brasil, 1909-1967)
óleo sobre tela, 59 x 72 cm
Vaso com cravos, década de 1950
C. Attilio (Itália-Brasil, 1901-1973)
óleo sobre tela, 64 x 90 cm
Homem lendo
Joseph Lorusso (EUA, 1964)
óleo sobre placa, 29 x 29 cm
Nunca nos detemos no momento presente. Antecipamos o futuro que nos tarda, como para lhe apressar o curso; ou evocamos o passado que nos foge, como para o deter: tão imprudentes, que andamos errando nos tempos que não são nossos, e não pensamos no único que nos pertence; e tão vãos, que pensamos naqueles que não são nada, e deixamos escapar sem reflexão o único que subsiste. É que o presente, em geral, fere-nos. Escondemo-lo à nossa vista porque nos aflige; e se nos é agradável, lamentamos vê-lo fugir. Tentamos segurá-lo pelo futuro, e pensamos em dispor as coisas que não estão na nossa mão, para um tempo a que não temos garantia alguma de chegar.
Examine cada um os seus pensamentos, e há-de encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro. Quase não pensamos no presente; e, se pensamos, é apenas para à luz dele dispormos o futuro. Nunca o presente é o nosso fim: o passado e o presente são meios, o fim é o futuro. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.
Blaise Pascal, in “Pensamentos”
A estola, 2018
Laurence Bost (França, 1975)
óleo sobre tela, 92 x 73 cm
Fernando Paixão
É possível vê-la apenas de costas, cabelos e pescoço bem curtos, alongando-se na altura dos ombros para um corpo que excede o encosto da cadeira. Encontra-se bem acomodada, convicta de que é a sua hora de esquecer os outros compromissos, para afinal entregar-se a uma escapada sentenciosa. Enfim está com o livro aberto nas mãos, suspenso perto dos olhos.
Uma das pernas apoia-se furtivamente na cadeira ao lado, mantendo-a numa posição oblíqua o suficiente para dar repouso a todo o corpo. É no interior dessa moldura que
se opera uma atenção voluntariamente levada a outro lugar, conduzida pela trama do texto.
Há ainda o copo de vinho que por vezes a mão leva aos lábios ocultos. Repete devagar o gesto, ao intervalo de duas ou três páginas, maneira furtiva de interromper o fluxo das palavras por um gosto equivalente a lhe correr na boca. Vista de costas, mantém-se como um enigma mascarado, e isso torna mais evidente o quanto esquece de si para seguir o caminho imaginoso.
Em: Rosa dos Tempos, Fernando Paixão, São Paulo. Edições Pau Brasil: 1980.
Leitura
James MacKeown (Inglaterra, 1961)
óleo sobre tela
Ítalo Calvino