Palavras para lembrar: Castro Alves

25 09 2025

Menina lendo

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)

óleo sobre tela, 65 x 90 cm

 

Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe – que faz a palma
É chuva – que faz o mar.”

 

Castro Alves

 

Nota: Esse é um sexteto do longo poema O Livro e a América





Reflexões de bar… trecho, Fernando Aramburu

25 09 2025

Jovem bebendo, c. 1580

Annibale Carracci (Itália, 1560-1609)

Universidade de Oxford, Inglaterra

[Essa obra foi roubada no dia 14 de março de 2020, não se conhece o paradeiro dela]

 

 

“… e ele bebe lentamente, saboreando, e esquadrinha a parede com um olhar tranquilo, em busca desta ou daquela sequência do seu passado. No ângulo formado pelas paredes e o teto, o pessoal da limpeza não tinha reparado em uma teia de aranha minúscula, perceptível apenas para um olho atento. Um restinho de gaze acinzentada sem a inquilina que a teceu. E nela ficou presa a lembrança do beijo de Arantxa. Que idade eu tinha? Vinte, 21 anos. E ela? Dois a menos. São coisas corriqueiras que acontecem nas festas do interior. O pessoal dança, bebe, sua, todo mundo se conhece; se você é jovem e surge na sua frente um par de seios, você os pega; se uns lábios chegam mais perto, você os beija. Ninharias, migalhas que o esquecimento devora, o que não impede que, de repente, olhando a teia de aranha, a memória de Xabier as resgate. É antes do serviço militar e ele estuda medicina em Pamplona. Tem fama de sem sal, de formal, de fechado em si mesmo; enfim, do que ele é realmente, um homem sério de verdade, sendo bem objetivo. Amigos? A velha turma de sempre, antes que os sucessivos casamentos a desagregassem. Não é bebedor nem fumante nem glutão nem esportista nem andarilho; mas, apesar de tudo isso, todos o apreciam porque faz parte da paisagem humana do lugar, frequentou o colégio com os outros, é o Xabier, tão da vila quanto o balcão da prefeitura ou as tílias da praça. Dá a impressão de que o futuro está à sua espera de braços abertos. É alto e boa-pinta, mas, ainda assim, nunca tem uma paquera. Sensato demais, tímido demais? Segundo seus conhecidos, deve ser algo assim. Toma um gole de conhaque sem tirar os olhos da teiazinha de aranha. Mas por que sorriu? É que achou engraçado lembrar esse episódio. Em uma lateral da praça arde a fogueira de são João. As ruas estão apinhadas de gente. Crianças correm, brilham caras felizes, línguas lambem sorvetes, vizinhos desinibidos conversam aos gritos de uma calçada para a outra. Calor.”

 

Em: Pátria, Fernando Aramburu, tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht, 2016





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

24 09 2025

Sem título [Natureza morta]

Durval Pereira (Brasil, 1918- 1984)

óleo sobre tela,  74 x 92 cm

 

 

Peixes e bowl chinês, década de 1940

Evilásio Lopes (Brasil, 1917 – 2013)

óleo sobre tela, 48 x 58 cm





Nossas cidades: Porto Alegre

23 09 2025

Ponte de Pedra, 1922

 Francis Pelichek (Tchéquia-Brasil, 1896-1937)

aqurela sobre papel, 29 x 42 cm

Coleção Rolf Zelmanowiz, POA 





Eu, pintor: Marcellin Gilbert Desboutin

22 09 2025

Autorretrato

Marcellin Gilbert Desboutin (França, 1823-1902)

Óleo sobre tela, 35 x 25 cm

Coleção Particular

A título de curiosidade: há um retrato de Marcellin Gilbert Desboutin, por Édouard Manet, no MASP [Museu de Arte de São Paulo, que coloco aqui abaixo:

 

 

Retrato de Marcellin Gilbert Desboutin, 1875

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 191 x 128 cm

MASP, São Paulo





Paisagens brasileiras…

21 09 2025

Dia de domingo na praia, 1950

Eugênio Proença Sigaud (Brasil, 1899-1979)

óleo sobre eucatex, 18 X 24 cm

 

 

 

Praia, década de 1960

John Graz (Suíça-Brasil, 1891-1980)

técnica mista, 33 x 33 cm





Em casa: Sir John Lavery

21 09 2025

Mrs Osler, 1929

Sir John Lavery (Irlanda, 1856-1941)

óleo sobre tela





Flores para um sábado perfeito!

20 09 2025

Flores Frescas

Mário Gruber  (Brasil, 1927 -2011)

óleo sobre tela, 51 x 41 cm

 

Vaso de Flores,1951

Jorge Mori (Brasil, 1932-2018)

óleo sobre tela, 54 x 65 cm





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

19 09 2025

Praça XV de novembro

Jayme Aguiar (Brasil, 1925-2008)

óleo sobre eucatex, 38 x 46 cm 

Coleção Particular





As amizades comuns, Michel de Montaigne

18 09 2025

Apollinaire e seus amigos, 1909

Marie Laurencin (França, 1883-1956)

óleo sobre  tela

Centre Pompidou, Paris

 

As Amizades Comuns

 

O que habitualmente chamamos amigos e amizades não são senão conhecimentos e familiaridades contraídos quer por alguma circunstância fortuita quer por um qualquer interesse, por meio dos quais as nossas almas se mantêm em contacto. Na amizade de que falo, as almas mesclam-se e fundem-se uma na noutra em união tão absoluta que elas apagam a sutura que as juntou, de sorte a não mais a encontrarem. Se me intimam a dizer porque o amava, sinto que só o posso exprimir respondendo: «Porque era ele; porque era eu».

(…) Não me venham meter ao mesmo nível essas outras amizades comuns! Conheço-as tão bem como qualquer outro, e até algumas das mais perfeitas do gênero, mas não aconselho ninguém a confundir as suas regras: laboraria num erro. Em tais amizades deve-se andar de rédeas na mão, com prudência e cautela – o nó não está atado de maneira que, acerca dele, não se tenha de nutrir alguma desconfiança. «Amai o vosso amigo», dizia Quílon, «como se algum dia tiverdes que o odiar; odiai-o como se tiverdes que o amar.» Este preceito, tão abominável se aplicada à soberana e superna amizade, é salutar a respeito das amizades comuns e habituais, em relação às quais se deve empregar este dito tão ao gosto de Aristóteles: «Ó amigos meus, não há nenhum amigo!»

 

Michel de Montaigne,  em Ensaios