Angélica Kauffmann (Suíça, 1741-1807)
óleo sobre tela, 77 x 63 cm
Hermitage, São Petersburgo
Angélica Kauffmann (Suíça, 1741-1807)
óleo sobre tela, 77 x 63 cm
Hermitage, São Petersburgo
Anunciação, 1501
Pinturicchio (Itália, 1454-1513)
Afresco
Collegiata di Santa Maria Maggiore, Spello
Hoje é fácil nos referirmos a uma tela ou a uma escultura pelo nome de seu autor. “Comprei um Picasso!”; “Um van Gogh vale uma fortuna!” — sabemos exatamente o significado dessas frases. Mas essas expressões só fazem sentido porque na Renascença, durante o século XV, artistas, pintores e escultores deixaram o anonimato das guildas para serem reconhecidos individualmente.
O processo levou tempo. Artistas eram considerados pessoas que trabalhavam com as mãos e precisavam passar por treino em guildas, anos e anos de aprendizagem, como faziam também pedreiros, tecelões, e outros artesãos. Nenhum deles era conhecido por seu nome. Parte da “revolução renascentista” foi o reconhecimento do artista por seu talento individual, hoje tomado como norma. Muitos artistas famosos ora assinavam seus trabalhos, ora não. E grande parte deles vivia sob auspícios de um grande senhor, como a família Médici em Florença. Nesses castelos, nessas residências eles tinham casa e comida e obrigações com a decoração das casas para grandes eventos, embelezar os jardins, pintar lonas, bandeiras para diversas ocasiões além de pintar retratos e cenas religiosas ou mitológicas. Frequentemente funcionavam como organizadores dos eventos que seus patrões queriam desenvolver.
O processo de reconhecimento do artista foi se desenvolvendo aos poucos no século XV. Teve um grande ímpeto quando, em meados do século XVI, Vasari publicou Vidas dos Artistas. A primeira tentativa de uma história da arte e da vida dos artistas famosos de seu tempo.
O processo de tornar o pintor ou escultor um indivíduo singular, consequência natural do humanismo, levou os próprios artistas a se orgulharem de suas obras, a assiná-las com maior frequência. O orgulho de um trabalho bem feito, a procura por se eternizar pode ser vista nos primeiros autorretratos de artistas. Pinturicchio, um grande pintor renascentista, não conseguiu deixar de lado o orgulho pelo trabalho executado na Igreja de Santa Maria Maggiore, em Spello.
À direita da Anunciação de 1501, Pinturicchio colocou seu próprio retrato, como se ele mesmo fosse uma testemunha do evento religioso. Acima de seu retrato, vemos uma prateleira, com um tecido branco decorando a parede, abaixo da prateleira que mostra uma interessante ‘natureza morta’ com livros, vela e outros objetos. O nome do pintor aparece abaixo num rótulo elaborado.
Pinturicchio pode ter se inspirado por seu antigo professor, Perugino que ao pintar um afresco no Collegio del Cambio em Perugia, terminado um ano antes em 1500, incluiu seu autorretrato.
Homens famosos da antiguidade, 1497-1500
Pietro Perugino (Itália, 1450-1523)
Afresco, 293 x 418 cm
Collegio del Cambio em Perugia
Auto-retrato com sua esposa, 1496
Mestre de Frankfurt (c. 1460 – c.1533)
óleo sobre madeira, 38 x 26 cm
Real Museu de Belas Artes da Antuérpia, Bélgica
Autorretrato com espelho convexo, 1524
Parmigianino (Parma, 1503-1540)
óleo sobre madeira, 24 cm diâmetro
Kunsthistorisches Museum, Viena
Jacques-Louis David (França, 1748-1825)
óleo sobre tela, 80 x 64 cm
Museu do Louvre, Paris
Autorretrato com camisa de listras, 1906
Henri Matisse (França, 1864-1959)
óleo sobre tela, 55 x 46 cm
Kunst Statens Museum, Copenhagem
Autorretrato com pincéis, 1909
Marc Chagall (Rússia/França, 1887-1985)
óleo sobre tela , 57 x 48 cm
Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf, Alemanha
Giorgio de Chirico (Grécia, 1888-1978)
óleo sobre tela, 38 x 51 cm
Toledo Museum of Art, EUA