Auto-retrato como soldado dormindo
DETALHE
Ressurreição, 1465
Piero della Francesca (Sansepolcro, 1416-1492)
Afresco e têmpera, 225 x 200 cm
Pinacoteca Comunale, Sansepolcro
A obra:
Auto-retrato como soldado dormindo
DETALHE
Ressurreição, 1465
Piero della Francesca (Sansepolcro, 1416-1492)
Afresco e têmpera, 225 x 200 cm
Pinacoteca Comunale, Sansepolcro
A obra:
Rosalba Carriera (Veneza, 1675-1757)
Pastel sobre papel azul, 31 x 25 cm
Gemäldegalerie, Dresden
Auto-retrato
Adoração dos Reis Magos, 1488
Domenico Ghirlandaio (Itália, 1449-1490)
têmpera e óleo sobre painel de madeira
Ospedali degli Innocenti, Florença
Obra completa
William Bouguereau (França, 1825-1905)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
Museu de Belas Artes de Montréal, Canadá
Uli Fritz (Alemanha, 1958)
acrílica sobre tela, 49 x 80 cm
Victória Albuquerque
Sou uma forma nominal,
Não aceito conjunção,
Mas aceito a condição
De manter os pés no chão
Se depois
Puder voar.
Sou forma nominal
Mas não tenho forma
Nem cor, ou traço
Sou nominal,
Mas não sou nome,
Tampouco.
Sou gesto, sou voz,
Sou mente.
Substantivo abstrato,
Inconsequente.
Nem forma, nem nominal,
Transparente.
Vinicius E. C. Dias
Ao reabrir meus olhos,
Levanto-me ainda um pouco ontem.
Dirijo-me ao mesmo banheiro,
Ao mesmo espelho,
Mas me encontro outrem
Hoje.
Espero algum tempo,
Pois se ele não traz compreensão,
Ao menos diminui a tensão
De saber-se desconhecido.
Sorrio então ironicamente.
O espelho retribui:
Mente.
Eu sou meu autorretrato.
Juliane Gamboa
Eu temporal
de todas as multidões
de todas as gerações
de todas as rebeliões
de todo caos natural
e de todo equilíbrio consequente:
eu.
eu indeterminada
eu intermediária
eu atrasada
eu encharcada
a vida vem me pedindo
e o tempo vem me podando
é ele que venta na espreita
que faz de mim voo e me ajeita
que me canta, me acerta, me enfeita
e me prepara pra outra estação
Auto-retrato com chapéu de palha, depois de 1782
Elisabeth Vigée-Lebrun (França, 1755-1842)
óleo sobre tela, 97 x 70 cm
National Galllery of Art, Londres
Descompasso: a imagem do espelho não é a que sinto cá dentro. Não que seja outra, mas assim, cara a cara, somos só duas. Onde estão as outras? Trago em mim todas as mulheres que sou e que já fui. E a semente das que serei no futuro.
Rebelde era o rótulo familiar da auto-afirmação. Hoje, em caminho próprio, já não pareço indócil. Ao contrário. Poucos percebem na maneira afável e no sorriso largo, a robusta determinação de que sou feita. Auto-contida, satisfaço-me comigo mesma por um longo tempo. Sou impaciente, mas aprendi a me controlar. Só os íntimos conhecem os sinais da ansiedade, companheira das madrugadas insones.
Os cabelos louro-escuro e revoltos, companheiros de infância, continuam a desafiar restrições; os olhos azul-acinzentados, facetados como um caleidoscópio, ainda são míopes. O riso fácil não cascateia mais com tanta freqüência. Não sou sentimental e não gosto de me expor. Sou reservada, até comigo mesma. Há uma esfinge que me questiona no auto-retrato, ainda preciso adivinhar o seu enigma.
©LadyceWest, Rio de Janeiro, 2014
DIA 1 — Autoretrato
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Alexei Harlomoff (Rússia, 1840-1925)
óleo sobre tela
Coleção Particular