A sesta, 1907
Rupert Bunny (Austrália, 1867-1947)
óleo sobre placa, 51 x 73 cm
Vaso de flores, maçãs, decanter e salva sobre a mesa, 1945
Armando Vianna (Brasil, 1897-1992)
óleo sobre tela, 45 X 60 cm
Vaso com flores e incensório, em frente a janela
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)
óleo sobre tela colado em madeira, 37 x 45 cm.
Idoso lendo, 2005
Berry Toni (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela, 51 x 41 cm
Michel Butor (1926-2016)
Cristo Redentor, 1997
Glauco Rodrigues (Brasil, 1929-2004)
técnica mista com colagem sobre cartão, 47x 73 cm
“Eu, desde que me conheço, sempre gostei de ouvir histórias. Tenho mesmo a impressão de que foi para ouvi-las, e para contá-las, que nasci. As histórias, além de darem mais vida ao mundo em que vivemos, nos fazem viver outras emoções e outras experiências, mesmo quando a imaginação do contador de histórias enfeita de fadas e bruxas, os mais belos contos.
Mais tarde, se não era mais menino para ouvir histórias, passei a lê-las nos livros, sabendo que o livro é um companheiro, sempre que o tiramos da estante para que nos diga em silêncio o que tem para nos contar ou ensinar.”
Em: O carrasco que era santo: (a mais bela história de tia Bilu), Josué Montello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1994. pp. 2-3
Fausto Guedes Teixeira
Amar ou odiar: ou tudo ou nada!
O meio termo é que não pode ser.
A alma tem que estar sobressaltada
Para o nosso barro se sentir viver…
Não é uma cruz a que não for pesada,
Metade de um prazer não é um prazer;
E quem quiser a alma sossegada,
Fuja do mundo e deixe-se morrer!
Vive-se tanto mais quando se sente:
Todo o valor está no que sofremos.
Que nenhum homem seja indiferente!
Amemos muito como odiamos já:
A verdade está sempre nos extremos
Porque é no sentimento que ela está!
Natureza morta, 1950-53
Manabu Mabe (Japão-Brasil, 1924-1997)
óleo sobre tela, 38 x 46 cm
Natureza morta, 1929-30
Cícero Dias (Brasil, 1907-2003)
aquarela sobre papel, 30 x 47 cm
Senhora lendo
Ady de Lannay (Bélgica, 1900-1942)
óleo sobre tela
Em um grupo de escritores a que pertenço conversamos algumas vezes sobre biografias, como escrevê-las, se são ou não ficção, se queremos ou não ser ghost writers, se precisamos ter alguma empatia para com a pessoa biografada, e até que ponto biografias são ficção. Não chegamos a qualquer conclusão nessas conversas, mas é uma temática interessante para quem escolhe a carreira de escritor.
José Luís Peixoto, no livro Almoço de domingo, abraça a oportunidade de biografar um empresário português, um milionário, que apesar de ser da região do Alentejo, a mesma do escritor, não se conheciam. O comendador Rui Nabeiro tem de fato uma história magnifica de crescimento e sucesso da venda de café à expansão para vinícolas e depois ainda maior diversidade em outras áreas de negócios. Imagino que dadas as devidas proporções poderia ser equivalente a história de um Abílio Diniz aqui no Brasil.
Este foi o terceiro livro de José Luis Peixoto que li. O primeiro, um livro chamado Livro, me encantou sobremaneira. Uma escrita exemplar na criatividade, sem chegar a extremos em busca da novidade. Li, anos mais tarde Nenhum olhar, completamente diferente, encantador, onírico e asfixiante, Ambas as resenhas se encontram neste blog, e também nos sites Skoob e Goodreads. E agora, Almoço de domingo traz outra faceta do autor, que tendo sido contratado para esta biografia, consegue inovar substancialmente a forma, usando de subterfúgio engenhoso.
A vida de Rui Nabeiro, (seu sobrenome não é nunca usado) conhecemo-lo simplesmente como Rui, é narrada em duas vozes. A onírica, na primeira pessoa, usa de toda a imaginação de Peixoto e compõe os pensamentos, emoções de Rui, enquanto a voz narrativa, a que nos revela a história do personagem principal, é objetiva e precisa. As duas vozes se misturam sem criar qualquer problema e como resultado temos uma visão tridimensional do personagem principal. Sabemos de seus pensamentos e sonhos assim como de suas ações e os motivos delas serem executadas.
Em nenhum momento a narrativa se arrasta. O ritmo é preciso e cobre em um pouco mais de duzentos e cinquenta páginas os noventa anos do biografado. Dos três livros que li de José Luís Peixoto este não é o meu favorito. Mas confesso ter grande apreço pela maneira como o autor resolveu a difícil tarefa de fazer uma biografia para um público geral de uma pessoa desconhecida além das fronteiras portuguesas, e ainda assim conseguir seduzir o leitor a ler com gosto a obra.
Àqueles que acreditam um dia escreverem a biografia de quem quer que seja, recomendo a leitura não só como exemplo de criatividade mas sobretudo na seriedade com que a forma da biografia é tratada.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
Paisagem,, 1974
Roberto Vieira (Brasil, 1939)
óleo sobre eucatex, 90 x 90 cm
Mina de ferro – Itabira, 1976,
Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)
óleo sobre tela, 65 x 81 cm
Coleção Evandro Carneiro