Flores para um sábado perfeito!

19 07 2025

Vaso de flores, década de 1940

Alfredo Volpi (Itália-Brasil, 1896-1988)

Óleo sobre tela – 61x 50 cm

 

 

Vaso de flores, 1961

Edgar Oehlmeyer (Brasil, 1909-1967)

óleo sobre tela, 80 x 61 cm

 





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

18 07 2025

Regata na Baía de Guanabara, 1989

Carlos Sorensen (Brasil, 1928-2008)

óleo s tela, 50 X 65 cm





Resenha: Línguas, Domenico Starnone

17 07 2025

Moça lendo à janela, 1928

Albert André (França, 1869-1954)

óleo sobre tela, 73 x 61 cm

 

 

 

Línguas, de Domenico Starnone, com tradução de  Maurício Santana Dias, foi o terceiro livro do autor que li. Posso dizer que gostei de sua escrita desde que o encontrei em Assombrações (2018) e Laços (2017). Gosto imensamente de sua voz narrativa: calma, nostálgica, reflexiva.  Sua escrita é de nuances. Ele não precisa abrir o jogo, contar tudo, tintim por tintim. Ele nos deixa espaço para imaginar e sonhar; ar para respirar e tempo para absorver o lugar, os sons, as memórias do autor que se imiscuem com as nossas.

Línguas é um pouco diferente dos outros que li.  Menos fluido. Tem breque. É uma obra em dois tempos. Primeiro vemos o delicioso despertar do primeiro amor de um menino de oito ou nove anos, em Nápoles.  Ele se apaixona por uma menina do edifício em frente ao dele. Ela é bem mais arrojada que ele, flerta com a morte, dançando no peitoril da varanda.  Ela é diferente. Diferente de tudo que ele conhece. Ela não é como ele, do sul da Itália. Vem do norte e por isso, para surpresa do apaixonado garoto, ela fala com outro sotaque, usa vocabulário diverso, demonstra maneira de se expressar inesperada.  A paixão dele, só aumenta.  É o fascínio do outro, do desconhecido.  Mas, para atrapalhar, no horizonte, há Lello, um amigo, que também se apaixona pela milanesa.  Com o triângulo amoroso formado, a briga pela atenção da menina se desenvolve.  Irão às vias de fato?  Deixo isso para descoberta do leitor…  Depois… temos a segunda parte dessa história. Os dois, que em criança haviam sido apaixonados por Emanuela, se encontram, são jovens adultos.  Continuam a não se gostar e nesse encontro, e só então, Lello, o rapaz que sabe tudo de tudo, revela o verdadeiro destino da jovem bailarina de Milão.

 

 

 

Além da fascinante arte narrativa de Starnone, aprecio as diversas referências à literatura clássica em suas obras.  Da mera alusão à mitologia greco-romana, aos contos medievais, vamos nos informando, circundando assuntos cujas menções ecoam e enriquecem o texto.  Em Línguas, a própria abertura, o primeiro parágrafo ele já se refere ao trágico mito grego de Orfeu e Eurídice.  A leitura atenta, já vislumbra, nas primeiras frases que abrem o texto, por causa dessa referência,  um desfecho trágico, uma morte, quem sabe?  

Entre os oito e os nove anos de idade, decidi encontrar a fossa dos mortos. Tinha acabado de aprender nas aulas de italiano da escola a fábula de Orfeu e Eurídice debaixo da terra, onde ela havia ido parar por causa de uma picada de cobra. Eu planejava fazer o mesmo com uma menina que infelizmente não era minha namorada, mas que poderia vir a ser caso eu conseguisse tirá-la das profundezas da terra, enfeitiçando baratas, gambás, ratos e musaranhos.” [7]

 

Domenico Starnone

Línguas apresenta reflexões sobre dois temas constantemente ligados na literatura e no nosso emocional: amor e morte. Desde da Grécia antiga, e até antes disso, a relação entre essas duas profundas experiências fascinou poetas, escritores e filósofos. Por isso, não é surpresa que Starnone os considere, mesmo ao falar do primeiro amor — aquela paixão emocional que nasce na infância dos personagens, vista pelos olhos de quando eram crianças. Mas o texto é mais rico ainda, como complemento há contrastes entre juventude e velhice, línguas faladas tão próximas umas das outras e ainda assim estranhas.  A riqueza do  texto encanta e seduz.

Esse é um livro que aflora a sensibilidade do leitor.  Não é repleto de fortes emoções ou de diálogos arrebatadores. Starnone é mais fino, dedica-se a tênues paralelos. As observações desse menino de nove anos são curiosas, engraçadas, trazem um leve humor para o texto, mas nem por isso deixam de ser perspicazes, deixam de elaborar complexos argumentos. Boa leitura.  Dessas que adicionam. Recomendo sem restrições. 

 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

16 07 2025

Janela

Ado Malagoli (Brasil, 1906-1994)

óleo sobre cartão, 36×26 cm

 

 

Composição

Humberto da Costa (Brasil, 1941)

óleo sobre tela – 35 x 24 cm





Imagem de leitura: Amet Kukubor

15 07 2025

F3, 2022

Amet Kukubor (Gana,1984)

acrílica sobre tela, 200 x 244 cm





Nossas cidades: Florianópolis

15 07 2025

Praia de Fora, Florianópolis

Alexandre Freire (Brasil, contemporâneo)

acrílica sobre tela





14 de julho, a França comemora a Queda da Bastilha!

14 07 2025

Torre Eiffel, 1926

Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)

óleo sobre tela, 169 x 86 cm

 

Robert Delaunay foi um dos maiores artistas franceses a se dedicar ao movimento batizado pelo poeta e crítico de arte Guillaume Appolinaire: Orfismo. Esse movimento foi um dos muitos nascidos como consequência do Cubismo.  A liberdade de retratar diversos ângulos de um só tema em uma única imagem imperou nesse pequeno grupo de pintores. A premissa era que as artes plásticas evocassem vibrações musicais.  O nome Orfismo veio justamente de Orfeu e sua relevância para a música e poesia.  O movimento foi pequeno e teve em Delaunay a figura mais relevante.  Ele se dedicou a retratar temas específicos em que cores ou formas pudessem transmitir a sensação das vibrações musicais e com essas transmitir espiritualidade a quem contemplasse as obras. Delaunay produziu muito.  Entre seus temas além das formas abstratas circulares, vemos longas sequências, quem sabe até inspiradas pelas sequências de Claude Monet do Parlamento Inglês, como exemplo, ou até mesmo a sequência de Mont Saint Victoire por Cézanne. Para Delaunay a Igreja Gótica de Saint Séverin [São Severino], e a Torre Eiffel se tornaram elementos estruturais para seu experimento orfista.   Hoje nós nos concentraremos nas obras retratando a Torre Eiffel em homenagem ao 14 de julho.  Façam bom proveito!

 

Torre Eiffel, 1924

Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)

óleo sobre tela, 161 x 96 cm

Museu de Arte de Saint Louis, MO

 

 

Torre Eiffel, 1912

Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)

óleo sobre tela, 125 x 90 cm

Guggenheim, NY

 

 

Torre Eiffel, 1911

Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)

óleo sobre tela, 116 x 81 cm

Kunsthalle Karlsruhe, Alemanha

 

 

Torre Eiffel, 1922

Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)

óleo sobre tela, 178 x 179 cm

Hishhorn Museum & Sculpture Garden, Washington DC

Torre Eiffel, 1911

Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)

óleo sobre tela

Kunst Museum, Basel, Suíça

 

 

Torre Eiffel, 1912

Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)

óleo sobre tela, 126 x 93 cm

Guggenheim, NY

Torre Eiffel, 1911

Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)

óleo sobre tela, 130 x 97 cm

Folkwang Museu, Essen, Alemanha

 

 





O mesmo, poesia de Fagundes Varela

13 07 2025

Figura feminina, moça na cadeira de balanço, 1912

Rodolfo Amoedo (Brasil, 1857-1941)

óleo diluido sobre papel, 23 x 30 cm

 

 

O mesmo

 

Fagundes Varela

 

Desde a quadra a mais antiga

De que rezam pergaminhos,

Cantam a mesma cantiga

Na floresta os passarinhos.

 

Têm o mesmo aroma as flores,

Mesma verdura as campinas,

A brisa os mesmos rumores,

Mesma leveza as neblinas.

 

Tem o sol as mesmas luzes,

Tem o mar as mesmas vagas,

O deserto as mesmas urzes,

A mesma dureza as fragas.

 

Os mesmos tolos o mundo,

A mulher, o mesmo riso,

O sepulcro o mesmo fundo,

Os homens o mesmo siso.

 

E neste insípido giro,

Neste voo sempre a esmo,

Vale a pena, sem seu retiro,

Cantar o poeta, mesmo?





Paisagens brasileiras…

13 07 2025

Marinha, 1967

Alice Brill (Alemanha-Brasil, 1920-2013)

óleo sobre tela colada em placa, 23 x 27 cm

 

 

 

Barcos a vela, 1958

Arcangelo Ianelli (Brasil, 1922-2009)

óleo sobre tela

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Tecnicamente essas telas não são paisagens.  Seriam colocadas na categoria de marinhas.  Mas já há anos coloco marinhas na mesma classificação de paisagens.  É uma escolha minha, para simplificar.

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Dois artistas contemporâneos que exploram as formas geométricas da natureza e daquilo que veem.  A tela de Alice Brill mostra menos barcos a vela, mas as montanhas ao fundo replicam a forma triangular.  Arcangelo Ianelli por outro lado, cobre toda a superfície da tela com os triângulos das velas e suas montanhas ao fundo, arredondadas, dão um respiro ao espaço, trazem um equilíbrio entre a rigidez dos triângulos e a repetição suave das montanhas ao fundo.  Ambos têm outra maneira de se expressar: Alice era fotógrafa também e Arcangelo era escultor.  Talvez tenha sido mais fácil para ambos enfatizar a geometria das formas, por causa desses enfoques.  Mas também o geometrismo já havia se instalado na pintura desde Cézanne. Gosto de ambos, ainda que haja falta de espaço visual e com isso um ar asfixiante em ambas as obras. 





Em casa: George Morren

13 07 2025

Domingo à tarde, 1892

George Morren (Bélgica, 1868–1941)

óleo sobre tela, 51 x 74 cm 

Newfields, Indianápolis