Imagem de leitura — Chobunsai Eishi

20 07 2012

Bela lendo uma carta

Chobunsai Eishi ( Japão, 1756-1829)

Pintura em rolo para pendurar:

Tinta, cor, folhas de prata e ouro, sobre seda

92 x 31cm

Leilão Christie’s, Nova York, 2010

Chobunsai Eishi nasceu em 1756 filho mais velho de um samurai oficial Edo da família Hosoda. Estudou com Kanô Michinobu e serviu como pintor da corte shogun por alguns anos.  Como muitos artistas japoneses seu nome é um pseudônimo artístico.  Eishi lhe foi dado pelo shogun Tokugawa leharu, enquanto que seu nome artístico Chobunsai, também usa o símbolo sai (斎) com o significado de estúdio, como fizeram muitos outros artistas japoneses: Hokusai, Kôryusai, Keisai Eisen and Ichiryusai Hiroshige.  Em 1780, aos 24 anos, sua arte teve uma reviravolta: ele deixou de pintar para a elite, passando a se dedicar ao ukiyo-e. Seu estilo tem elementos distintos refinados e cheios de graça, com belezas graciosas, altas e esbeltas.  A partir de 1798 ele desiste da gravura e passa praticamente só a pintar.  Morreu em 1829.

 





Palavras para lembrar — Bell Hooks

19 07 2012

O livro de bolso azul,  2009

Oksana Grineva (Rússia, radicada nos EUA)

óleo sobre tela, 60 x 75 cm

Oksana Grineva

“Ideias que transformam a vida, sempre chegam a mim através de livros”.

Bell Hooks





Darel, texto de Rachel Jardim

18 07 2012

Galo

Darel Valença Lins (Brasil, 1934)

gravura [água-forte]

Darel

Rachel Jardim

Chamava-se Darel porque os pais estavam acompanhando um filme em série, em que o mocinho se chamava Darel. Só que pronunciavam, é claro, Darél, e não Deirel. Também Deirel não teria lhe assentado, com aquele sotaque nordestino.

Naquela época eu andava meio solta aqui no Rio. Minhas raízes ainda estavam muito em Minas. Por aqui, vagava como alma penada, mais do que existia. (Aliás, vagar sempre foi a minha tendência. E o existir era tão dentro, que ficava imperceptível.) Conheci Cláudio Correia e Castro, menino, em Juiz de Fora. Murgel pelo lado da mãe, primo de Kalma. Por esse tempo ele pintava, ou melhor, gravava. Suas gravuras tinham um pouco da atmosfera de Van Gogh. Lembro-me nitidamente de um par de botinas. Tão solitárias!…

Num domingo, fui ao seu atelier. Ele me apresentou a Darel e também a um rapaz magro, com cara de anjo perdido, chamado Marcelo Grassman. Fisicamente, era o oposto de Darel. Este, não devia ser muito bem alimentado, mas parecia. O outro dava para ilustrar um quadro sobre a fome.

Cláudio emprestava o seu estúdio para os dois trabalharem, pois ambos, vindos de fora, estavam na fase da sobrevivência.

Darel, quando apareci, desenhava no chão. Eu olhei as gravuras e disse: ” Humilhados e Ofendidos, não é?” Ele levantou os olhos: “Você reconhece?”  Claro que reconhecia.  Elas estão na minha parede: “De Darel para Rachel”.

Eu tinha paixão por Goeldi. Darel sofria fortemente a sua influência. Mas ao contrário de Goeldi, fisicamente não se parecia como que desenhava (há pintores e escritores que são idênticos, na própria aparência, ao que fazem. Nada mais parecidio com Murilo Rubião do que os seus próprios personagens). Era atarracado, vital, corado, muito mais Sancho Pança do que Dom Quixote. Percebia-se logo a firme determinação de vencer, a que preço fosse. Venceu o talento, mas nunca teria perdido, mesmo sem talento.

Acho que Darel jamais me entendeu muito bem. Não há muita coisa em comum, creio, entre mineiros e nortistas. Mas ficamos amigos. Espantoso como é que naquele tempo, quando passava fome, jamais teve pinta de pobre. Marcelo Grassman parecia miserável. Darel usava sempre uma jaqueta tipo cardigan, meio gasta, que tinha sido de Cláudio, com calças de flanela cinza, também herdadas. Entraria, tranquilamente, no Country. Suas origens, entretanto, eram as mais modestas. Tinha vocação para rico e “bem”. “Bem” já era, rico ficou. (“Bem”, expressão que aprendi na Faculdade Católica da rua São Clemente. Ali todos eram. Para muitos, era a mais importante condição existencial.)

Ele me dizia coisas engraçadas: “Quando criança, chamava minhas figuras de kalungas.” (Anos mais tarde me falou: “Viu, ganhei dinheiro com os kalungas”…) Ou “Não, não gosto dessa espécie de religião sofisticada, tipo Mosteiro de São Bento. Religião, gosto mesmo, bem simplesinha, filhas de Maria, procissões ‘No céu triunfarei’, etc”… E falando de um padre conhecido: “Ele é desses tipos de padre que têm sempre, a respeito de Deus, uma frasezinha de algibeira…”

Anos depois, quando estava para me desquitar, fui falar com um padre. Disse-lhe que não acreditava em Deus. Ele respondeu:

— Mas Deus acredita na senhora… (como é que ela sabia?)  Lembrei-me das frasezinhas de algibeira de Darel e comecei a rir.

Quando Darel tirou primeiro lugar na bienal de São Paulo, quando lhe deram uma sala inteira para expor, fiquei orgulhosa de ter reconhecido nos seus “kalungas” as figuras de Aliocha, Nelly e Natacha. Era fácil. Naquela época, quando eu lia Dostoiewski, sentia febre. Senti muita febre nos anos 40.

Em: Os anos 40 (A Ficção e o Real de uma Época), de Rachel Jardim, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio: 1973.





Imagem de leitura — Camille Léopold Cabaillot Lassalle

17 07 2012

O Salão de Paris, 1879

Camille Léopold Cabaillot Lassalle (França, 1839- 1881 ou 1888 [data de morte incerta]

óleo sobre tela, 67 x 90 cm

Camille Léopold Cabaillot Lassalle nasceu na França em 1839.  Pintura de gênero.  Data de falecimento incerta, 1881 ou 1888. [Nenhuma outra informação biográfica foi encontrada].

 





Imagem de leitura — Juan Ardohain

13 07 2012

Moça de blusa listrada, s/d

Juan Ardohain (Argentina, 1963)

Juan Ardohain

Juan Ardohain nasceu em 1963 em Buenos Aires na Argentina.  Por volta de 1982, começou seus estudos de veterinária da Universidade Nacional de La Plata.  Em, 1990 mudou-se para São Vicente, onde  passou a exercer sua profissão, na qual se mantém até hoje. Em 1992, começou a pintar,  autodidata., desde 1994 expõe seus trabalhos nas galerias locais e do resto do país. Trabalha em sua pintura todos os dias em um pequeno estúdio localizado na parte de trás do seu consultório de veterinária em São Vicente.

 





Palavras para lembrar — Louisa May Alcott

12 07 2012

Moça lendo o jornal

Cayetano Arquer Buigas (Espanha, 1932)

“Bons livros, como bons amigos, são poucos e escolhidos; quanto mais selecionados, mais apreciados”.

Louisa May Alcott





Imagem de leitura — Rodolfo Amoedo

11 07 2012

Cena de café, s/d

Rodolfo Amoedo (Brasil, 1857-1941)

aquarela, 22 x 28 cm

Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro

Rodolfo Amoedo nasceu em Salvador, na Bahia em 1857. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1868, onde estudou no Liceu de Artes e Ofícios, com Victor Meirelles e Antônio de Souza Lobo. Logo depois matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes, onde estudou com Agostinho da Motta, Victor Meirelles, Zeferino da Costa e Chaves Pinheiro. Viajou para Paris em 1879, estudando na Académie Julian e na Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris, com Alexandre Cabanel e Puvis de Chavanne. Retornou ao Brasil em 1887 e  no ano seguinte expõe individualmente pela primeira vez no Rio de Janeiro. Foi professor honorário de pintura histórica e teve como alunos Baptista da Costa, Eliseu Visconti, Candido Portinari, Eugênio Latour e Rodolfo Chambelland, entre  muitos outros. Realizou trabalhos de decoração no Palácio Itamaraty, na Biblioteca Nacional, no Supremo Tribunal Federal e no Supremo Tribunal Militar, no Rio de Janeiro; no Museu do Ipiranga – atualmente Museu Paulista da Universidade de São Paulo – MP/USP, em São Paulo; e no Teatro José de Alencar, em Fortaleza. Após sua morte, no Rio de Janeiro em 1941, parte de sua obra foi doada ao Museu Nacional de Belas Artes – MNBA no Rio de Janeiro. [Itaú Cultural]





Palavras para lembrar — Arthur Schopenhauer

10 07 2012

Jovem lendo, s/d

Marc Chalme (França, 1969)

óleo sobre tela, 73 x 60 cm

“Comprar livros seria uma boa coisa se pudéssemos também comprar o tempo para lê-los”.

Arthur Schopenhauer





Palavras para lembrar — Elbert Hubbard

3 07 2012

A leitura do jornal, s/d

Vincenzo Irolli (Itália, 1860-1949)

óleo sobre tela, 30 x 38 cm

“Este jamais será um país civilizado até que se gaste mais em livros do que em gomas de mascar”.

Elbert Hubbard





Imagem de leitura — Vanessa Bell

2 07 2012

Amaryllis e Henrietta, 1952

[netas da pintora]

Vanessa Bell  (Inglaterra, 1879-1961)

óleo sobre tela

Vanessa Bell nasceu na Inglaterra em 1879.  Foi educada em casa em Londres com tutores particulares. Em 1896, fez um curso de pintura com Sir Arthur Cope e em 1901 entrou para a Royal Academy para continuar seus estudos em pintura.  Irmã de Virginia Woolf.  Depois da morte dos pais em 1904, vendeu a casa em Londres e mudou-se para Bloomsbury onde começou a se um relacionamento intenso com todos os artistas do Grupo Bloombury. Casou-se em 1907 com Clive Bell e teve duas filhas.  Está entre os maiores retratistas e paisagistas da Inglaterra no século XX.  Faleceu em 1961.