Imagem de leitura — Xavier Gosé

24 09 2012

Mulher lendo

Xavier Gosé (Espanha, 1876-1915)

Guache sobre papel

=

Xavier Gosé i Rovira nasceu em Alcalá de Henares, na Catalunha em 1876.  Depois da morte do pai, quando ele tinha quatro anos, foi para Barcelona com a família de sua mãe. Estudou de arte com José Luís Pellicer.  Terminado o aprendizado, trabalhou com ilustração para as  maiores revistas da época, de 1895 a 1898.  Expõe na Catalunha, inclusive no conhecido Quatre Gats.  Em 1900 mudou-se para Paris onde passou a contribuir primeiro  com caricaturas para revistas de humor e depois para todo tipo de publicação. Tornou-se um ilustrador requisitado por todo o mercado. Com a aproximação da Primeira Guerra Mundial retornou à Catalunha.  Mas, morreu logo a seguir,  em Lleida,  em 1915, de tuberculose.





Campo Criptana, trecho de “E a noite roda” de Alexandra Lucas Coelho

23 09 2012

Tipos de La Mancha, 1912

Joaquín Sorolla y Bastida (Espanha, 1863-1923)

óleo sobre tela, 513 x 513 cm

Museu Sorolla, Madri

Há horas em que a simples leitura de um trecho de romance, ou poesia, acorda alguma imagem na memória de quem trabalha com imagens o tempo todo.  Isso acontece comigo e tenho certeza com quase todos os que dedicam a vida às artes visuais.  Em geral, imagens acordam de um sono profundo porque a mente já entreabriu a porta, seduzida pelo texto, norteada pela beleza poética que um autor foi capaz de semear.  E as ocasiões poéticas no livro que ainda leio nesse fim de semana são muitas, consequência da esplendorosa delicadeza narrativa de Alexandra Lucas Coelho. Mas como o objetivo agora não é a resenha do romance, paro aqui a análise, sabendo que essa virá quando concluída a leitura.  Mas não posso deixar de registrar o trecho em que me lembrei da pintura de um dos grandes mestres espanhóis,  Joaquín Sorolla y Bastida.  Espero que gostem da justaposição.  Um bom domingo a todos.

Campo Criptana

Planícies de oliveiras num horizonte azulíssimo. Tamanho é o frio que não se formam nuvens, será isso. Estamos a ir para Campo Criptana, desde o século XVI terra de moinhos, daqueles redondos e brancos com velas negras.

Foi aqui que Quixote os combateu.  Eram 30 ou 40 contra um. Agora são dez, no cimo de uma colina, com a aldeia aos pés.

Deixamos o carro junto ao mais alto, e quando saímos é como se nos dessem um golpe na cabeça.  Já estava frio, mas agora está frio com pazadas de vento. Nem na Sibéria, em dezembro, me doeu tanto.

Avançamos com os cachecóis por cima da cara e as mangas puxadas até a ponta dos dedos, a segurar caderno e caneta.

— Está ali um homem – gritas tu.

— Vamos lá – grito eu.

O homem são dois, Anastasio e Crisanto, nomes que quem-nos-dera, mesmo Cervantes chamava-lhes um figo. Um tem 75, o outro 68 e sentam-se como na praia ao poente. De tanto para aqui virem, o vento já nem lhes toca. Este é o melhor moinho de todos, dizem eles, “nem demasiado largo, nem torto.” Chama-se Burleta.

Os velhos do mar têm barcos. Os velhos de Campo Criptana têm moinhos.

Em: E a noite roda, Alexandra Lucas Coelho, Rio de Janeiro, Tinta da China: 2012





Palavras para lembrar — C.S. Lewis

19 09 2012

O cérebro da criança, 1914

Giorgio De Chirico (Itália, 1888 – 1978)

Óleo sobre tela, 81 x 75 cm

Coleção Breton, Paris

“Lemos para saber que não estamos sozinhos”.

C.S. Lewis





Imagem de leitura — Ricardo Estecha

15 09 2012

Senhora com cachorro, loura e com pernas, 2010

Ricardo Estecha  (Espanha, contemporâneo)

Técnica mista, baseada em fotografia.

Parte do projeto coletivo do Espaço Belleartes, localizado em Cáceres na Espanha:

SEÑORA MAYOR CON PERRO SENTADA EN EL PARQUE,

como visto no blog do espaço, hoje fechado.

Belleartes





Palavras para lembrar — Thomas B. Macaulay

13 09 2012

Um autor esquecido, 1890

Joseph Skelton (Inglaterra, 1821-1901)

óleo sobre madeira, 20 x 31 cm

“Prefiro ser pobre em um casebre cheio de livros do que rei sem o desejo de ler”.


Thomas B. Macaulay





Pensando o Brasil: Nélida Piñon

8 09 2012

Dois modelos, 1914

Diego Rivera (México, 1886-1957)

óleo sobre tela

“Há uma coisa terrível na consciência brasileira: a censura mental.”

Nélida Piñon





Palavras para lembrar — André Gide

2 09 2012

Menina lendo, 1918

Pekka Halonen ( Finlândia,1865-1933)

Óleo sobre tela  67 x 52 cm

Coleção Particular

“Ler as obras de um escritor não é para mim simplesmente ter uma ideia do que ele diz, mas sair com ele, viajando em sua companhia.”

André Gide





Narciso e o Regato — poema de Bastos Tigre

2 09 2012

Eco e Narciso, 1903

John William Waterhouse (Inglaterra, 1849-1917)

óleo sobre tela, 109 x 189 cm

Walker Art Gallery, Liverpool

Narciso e o Regato

Bastos Tigre

Sobre um tema de Oscar Wilde

Morreu Narciso. A triste nova

Correu, veloz, vale e colina,

Em luto, as flores todas da campina,

De pesar como prova,

Choraram longamente a morte de Narciso.

De repente, cessou o alegre riso

Que enchia o campo todas as manhãs.

Narciso era a beleza

Que iluminava a Natureza

E espalhava no espaço harmonias pagãs.

Por isso as flores todas da campina

Choraram tanto, tanto,

Que já não tinha gotas a neblina

Com que pudesse alimentar o pranto

Das desoladas flores.

Resolveram pedir a linfa cristalina

Do regato, um bocado de sua água;

E falaram-lhe assim:  — Narciso é morto!

À  nossa dor à nossa funda mágoa

O pranto falta que nos dê conforto.

Dá-nos uma pouco de tua água pura.

Mas o regato retorquiu: — Não posso…

Meu sofrimento inda é maior que o vosso!

A água que tenho não me basta

Para afogar a minha própria dor…

Sabeis? Narciso a sua face linda

Mirava, todo o dia, em minha face…

— E amavas tanto vê-lo? interroga uma flor

— Não é que o não amasse

(Volve o regato) mas o meu desgosto

Aqui vo-lo revelo,

Não é a falta de lhe ver o rosto

Mas porque, quando em mim se contemplava,

Nos olhos de Narciso eu me mirava

E me achava tão belo! E me achava tão belo!

Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, vol. I, Rio de Janeiro, Editora Francisco Alves: 1982





Palavras para lembrar — Frederick Douglass

27 08 2012

Lendo, 1911

Antoni Mancini (Itália, 1852-1930)

Óleo sobre tela,  60 x 90 cm

“Uma vez tendo aprendido a ler, você será para sempre livre”. 

Frederick Douglass





Imagem de leitura — Aline Jansma

22 08 2012

Leitura na praia 

Aline Jansma (Holanda, 1965)

óleo sobre madeira, 22 x 22 cm