Caravaggio, [Michelangelo Merisi da Caravaggio](1571-1610)
óleo sobre tela, 110 x 92 cm
Galeria Nacional de Arte Antiga, Palazzo Barberini, Roma
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Narciso, d’ après Caravaggio
Vik Muniz ( Brasil, 1961)
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Narciso, na mitologia grega, foi um caçador conhecido por sua beleza. Muito orgulhoso, não gostava de ninguém, pois não considerava ninguém à sua altura. As ninfas que ele rejeitou, belíssimas todas, pediram aos deuses que fosse castigado por sua arrogância. Por isso os deuses o fizeram apaixonar-se pela sua própria imagem refletida num lago. Narciso morre afogado ao tentar abraçar a imagem refletida. A citação dessa imagem por Vik Muniz traz a implicação do nosso próprio suicídio: estamos nos afogando nos restos dos nossos desejos.
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Atlas, segurando o globo celestial, 1646
Giovanni Francesco Barbieri, conhecido como Guercino (1591-1666)
óleo sobre tela, 127 x 101 cm
Museu Mozzi Bardini, Florença
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Atlas, d’après Guercino
Vik Muniz ( Brasil, 1961)
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Atlas, filho de Gaia e de Urano era um dos Titãs gregos. Ele cometeu o erro, de junto com seu irmão Cronus de lutar contra Zeus. Foi então condenado por este a carregar a esfera celeste nos ombros.
No século XVI, o cartógrafo Mercator, colocou a imagem de Atlas, carregando a Terra, e não o céu, na primeira página de seu livro de mapas. Isso porque o local para onde Atlas foi a mando de Zeus segurar a esfera celeste era conhecido pelos gregos como o fim do mundo, onde é hoje o oceano Atlântico, cujo nome deriva desse Titã. A partir desse momento, Atlas passa a ser representado, por muitos, como segurando a Terra ou o peso do mundo.
O Atlas de Vick Muniz carrega o peso do lixo do mundo.
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Passadeira, 1904
Pablo Picasso (Espanha,1881–1973)
óleo sobre tela, 116.2 x 73 cm
The Solomon Guggenheim, Foundation, Nova York
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Isis, mulher Passando a ferro,
Vick Muniz
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Obras de pintura do chamado Período Azul de Picasso se concentraram em grande parte no retrato dos marginalizados, das classes sociais mais carentes, que tanto preocupavam a imaginação européia do final do século XIX até as primeiras duas décadas do século XX. Dançarinos, atores circenses, trabalhadores braçais foram tema de muitos artistas plásticos que os retratavam como as pessoas fatigadas, exploradas e economicamente desfavorecidas que eram.
Vik Muniz não perdeu a ocasião de fazer seu próprio comentário sobre os catadores de lixo do Jardim Gramacho sob essa mesma luz ao citar a Passadeira de Pablo Picasso.
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Saturno devorando seu filho, 1819-23
Francisco Goya, (Espanha, 1746-1828)
Óleo sobre tela, 146 × 83 cm
Museu do Prado, Madri
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Saturno devorando seu filho, d’ après Goya
Vik Muniz (Brasil, 1961)
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Saturno, o rei dos Titãs, foi avisado que um de seus filhos iria tirá-lo do trono, derrubá-lo. Aterrorizado com essa profecia, ele não os deixou crescer, devorando um a um os quase doze filhos que teve. Nenhuma das crianças sobreviveu. Ele, na loucura de permanecer e de garantir seu poder, não deixa espaço para a próxima geração, separa sua consciência de seus sentimentos e corta a conexão que tem com a vida futura.
Vik Muniz nos mostra como agimos à semelhança de Saturno, preocupados com o nosso viver, sem considerar que o nosso lixo virá a matar as futuras gerações.
Édouard Manet (França, 1832 — 1883) Pintor e artista gráfico, foi de grande importância no desenvolvimento do estilo impressionista, por seus seguidores, tornando-se um dos mais importantes artistas plásticos do século XIX. Revolucionário não só nas técnicas de pintura mas também pelos temas que escolheu retratar. Um dos pais da arte moderna do século XX.
Nahum Gilboa estudou na Royal Academy of Art em Sofia, e também na Academia da Grand Chaumiere em Paris. Quando a Segunda Guerra Mundial começou, o artista e sua esposa fugiram para Israel com imigrantes ilegais em 1937. Gilboa se tornou parte do movimento Kibbutz mas continuou com seus estudos em arte através de viagens à França e à Itália. Gilboa pertence à escola de realismo lírico.
Antonio Gonzalez Collado ( Espanha, 1930) nasceu em El Ferrol, na Galícia. Tinha 6 anos de idade quando a Guerra Civil Espanhola começou. Parou de estudar aos 13 anos para poder trabalhar, mas desde adolescência já mostrava uma queda pela pintura. Aos 17 anos foi se encontar com seu pai, exilado na Tunísia. Continuou desenhando e pintando por este tempo. Permaneceu na Tunísia até 1956, quando se muda para Paris, onde trabalhou para poder sustentar seus estudos de pintura com Adam, Lesbouni e Martial. Também freqüentou a Académie de la Grande Chaumière. Começa a exibir seus trabalhos em galerias a partir de 1961. Suas especialidades são pintura de gênero, retratos , que em geral incluem crianças e adolescentes e ocasionalmente paisagens.
Helen Allingham (née Helen Mary Elizabeth Paterson) (1848 –1926) nasceu em Derbshire, na Inglaterra. Foi uma aquarelista e ilustradora da época Vitoriana. Mostrou talento desde cedo, tendo nascido numa família de artistas plásticos: tanto sua avó Sarah Smith Herford, quanto sua tia Laura Herford haviam tido sucesso na pintura. Helen Allingham entrou para o Royal College of Art – na seção feminina da escola – em 1867. Ainda estudando começou a trabalhar como ilustradora e eventualmente deixou os estudos para se dedicar ás ilustrações em tempo integral. Teve extraordinário sucesso nas ilustrações para livros de crianças e adultos. Dedicou-se também à pintura de paisagens, de cenas rurais.
Gostei imensamente do símbolo das Olimpíadas Cariocas, desvendado no dia 31 de dezembro durante a Festa de Réveillon em Copacabana. Produzido pela empresa carioca Tátil, com 20 anos de experiência no mercado e uma equipe de 105 funcionários, é o primeiro símbolo das Olimpíadas tri-dimensional. Acredito que esta idéia, de tri – dimensionar, tenha sido um daqueles momentos de AHA! — um momento EURECA! – no processo criativo, pois ele certamente se prestará à própria modernização visual das Olimpíadas. Eu me explico: hoje temos uma abundância de televisões e filmes cujas imagens podem ser vistas em três dimensões, a tendência deve ser de se tornarem mais comuns. Mas o uso de imagens holográficas também está se acelerando. Recentemente a Universidade de Tóquio demonstrou por um vídeo desenvolver o que se chama de holografia tátil. E nas eleições para Presidente dos Estados Unidos a rede de televisão CNN inaugurou o uso de uma imagem de Jessica Yellin, conversando com o jornalista Wolff Blitzer em que a imagem dela foi projetada e parecia estar em três dimensões, mas vinda de outro local, distante dos estúdios televisivos, por aproximadamente 1.600 km. Esses experimentos estão pipocando no mundo todo e o símbolo das Olimpíadas cariocas facilmente se adaptará a esses meios não tão comuns hoje, mas que deverão ser corriqueiros em 2016.
O símbolo das Olimpíadas de 2016 faz uma referência visual às montanhas cariocas, como o vídeo de apresentação mostra [ veja abaixo]. A imagem de três pessoas dando-se as mãos num círculo foi um achado de grande felicidade. Como sabemos, a dança em círculo, é uma das manifestações humanas mais antigas, quase sempre traduzindo felicidade e união, duas características associadas ao evento olímpico e a este momento especial por que passa a cidade do Rio de Janeiro. A dança em círculo também foi durante a Idade Média e a Renascença considerada uma dança sagrada. Já mencionamos isso aqui no blog quando mostramos o altar do Último Julgamentode Fra Angélico.
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Com área de especialização na Arte Européia Moderna (1868-1945 — da Guerra Austro-prussiana ao final da 2ª Guerra Munndial) e dedicação de dez anos de estudo à história da arte, com teses esmiuçando os movimentos artísticos na Europa no início do século XX, é natural que, volta e meia, eu venha a relacionar o que vejo com o que estudei. Assim aconteceu na primeira vez que vi o símbolo da Olimpíadas do Rio de Janeiro. Um dos grandes passatempos de historiadores da arte é imaginar que influências, diretas ou não, certos artistas receberam para chegar às soluções gráficas que escolheram. Até o final do século XX, antes do aparecimento da internet, era mais fácil saber o que cada pintor ou escultor havia visto e determinar se um quadro ou uma escultura havia influenciado o resultado final de uma composição mais tardia. Na verdade, as coisas começaram a mudar quando a impressão de fotografias de quadros famosos começou a aparecer em revistas de grande tiragem, já no final do século XIX. Mas até então, artistas estavam, em sua grande maioria, limitados à presença física diante de uma obra de arte ou de uma de suas cópias — daí as inúmeras cópias da arte clássica grega e romana, por exemplo, que preenchem grande parte dos museus de Belas Artes.
Historiadores da arte, principalmente aqueles especializados nas Proto e Alta Renascença podem passar anos de suas vidas dedicando-se às influências sofridas por este ou aquele pintor. Teria tido ele acesso a esse manuscrito que tem ilustrações semelhantes? Ou teria fulano tido acesso a qual edição de um Livro de Emblemas? Hoje, com a internet, estas suposições já não cabem. Todo mundo tem acesso a tudo. Mas, fato é que, esta maneira de pensar acaba ficando no sangue de quem estuda História da Arte; é um vício de enfoque, digamos assim. E o símbolo das Olimpíadas de 2016 me remeteu de imediato, a um dos maiores artistas do século XX, o francês Henri Matisse.
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A dança, 1909
Henri Matisse ( França, 1869-1954)
Óleo sobre tela, 2,60m x 3,90m
Museu de Arte Moderna [MOMA] de Nova York
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Há duas versões desse quadro: A Dança, de Matisse. A de Nova York , de 1909, que é a primeira versão, uma espécie de estudo. As figuras têm menos detalhes do que as que aparecem na versão definitiva, de 1910, hoje no Museu Hermitage em São Petersburgo, na Rússia. E as cores são bastante mais pálidas na primeira versão. A Dança tem um par, um pendant, que é a tela Música. Ambas foram pintadas para o empresário e colecionador russo Sergei Shchukin. E essas obras marcam uma virada, um ponto importante da carreira de Matisse: foram a primeira experiência de Matisse com um trabalho baseado em elementos arquitetônicos – os painéis tinham a incumbência de “vestirem” ,ou melhor, serem colocados ao longo da grande escadaria do palacete de Shchukin, e também causaram grande comoção ao pintor, pois seu patrocinador teve sérias dúvidas se poderia ou não dependurar essas obras, com tantos nus, na residência onde morava com duas sobrinhas, donzelas, sem ofender a moral vigente.
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A dança, 1910.
Henri Matisse (França, 1869-1954).
Óleo sobre tela, 2,60m x 3, 9O m
Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia
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Cem anos separam o símbolo das Olimpíadas no Rio de Janeiro das telas de Henri Matisse, assim como aproximadamente cem anos separaram as telas de Matisse do que é considerado fonte de inspiração do artista francês: A dança de Oberon, Titania, e Puck com as Fadas, de circa 1786, de autoria do inglês William Blake ilustrando O sonho de uma noite de verão de William Shakespeare.
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A dança de Oberon, Titania e Puck com as fadas, c. 1786
William Blake (Inglaterra, 1757-1827)
Aquarela sobre papel grafite, 47,5cm x 67,5cm
Tate Gallery, Londres
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Ainda que a obra de Matisse A Dança tenha diversas versões escultóricas pelo mundo, inclusive uma versão no Jardim Botânicodo Rio de Janeiro, e que seus cinco elementos em círculo venham a lembrar os cinco círculos que compõem o logotipo das Olimpíadas, cada qual representando um dos continentes, acredito que seja a versão de William Blake a que mais se aproxime em composição do logo das Olimpíadas de 2016. Isso porque na dança, propriamente dita, de Blake há três fadas, que se separadas do original, como o detalhe abaixo mostra, muito se assemelham no contorno de seus movimentos aos contornos da logomarca das Olimpíadas cariocas.
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William Blake, Dança das Fadas, DETALHE.
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Logo, Olimpiadas 2016.
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William Blake ou Henri Matisse podem ter sido ou não as fontes de inspiração para uma excelente marca. Mas, vale a pena lembrar, que desde a Grécia antiga o círculo é considerado a forma mais simples e mais perfeita[Proclus Lycaeus , (500 aC)]. E que o círculo talvez seja o mais antigo símbolo de união. O círculo tem sido através dos séculos o símbolo de um todo, indivisível: uma unidade. Símbolo, também, da bondade, do infinito e do sol, todos ingredientes existentes no Rio de Janeiro e essenciais para o bom desempenho das Olimpíadas. Este círculo, formado pelas mãos unidas de três pessoas dançando, se veste de alegria e cristaliza o momento mágico, sagrado, de comunhão com algo que é maior que nós. Esse círculo, que no Rio de Janeiro toma uma forma tri-dimensional, representa também a união de diferentes povos num momento especial de paz e de entrega. E é tão carregado de associações culturais, as mais diversas, que repercute nas nossas almas, no nosso inconsciente coletivo, lembrando-nos dos valores das Olimpíadas, dos esportes, da cordialidade entre os povos que devem florescer no espírito desta festa. Parabéns aos que o criaram e parabéns ao Rio de Janeiro por ser tão bem representado.
Carlos Ygoa (Espanha, 1963) pintor realista especializado em arte sacra tanto para altares como para capelas. Seu trabalho figurativo inclui naturezas mortas, retratos, paisagens e gênero. Reside e trabalha em Madri.
Herman Henry Wessel (EUA, 1878-1969) nasceu em Vincennes, no estado da Indiana, filho de imigrantes prussianos. Estudo na Escola Luterana Alemã de Vincennes ficando fluente nessa língua. Aos 13 anos herdou algum dinheiro de seu pai que faleceu e Herman aproveitou para sair da sua cidade natal e se estabelecer em Cincinnati para estudar arte. Lá estudou com Henry Fanny, L.H. Meakin, Edward Potthast, Joseph Sharp e Frank Duvenec, todos conhecidos profissionais nas artes plásticas.
Essa foto foi retirada do catálogo de um leilão nos Estados Unidos em 2007. Não tenho mais nenhuma informação sobre a artista. Se alguém souber mais sobre a pintora, eu apreciaria mais dados.
Eliseu D’Angelo Visconti (Salerno, Itália 1866 – Rio de Janeiro RJ 1944). Pintor, desenhista, professor. Vem com a família para o Rio de Janeiro, entre 1873 e 1875, e, em 1883, passa a estudar no Liceu de Artes e Ofícios, com Victor Meirelles (1832 – 1903) e Estêvão Silva (ca.1844 – 1891). No ano seguinte, sem deixar o Liceu, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, tendo como professores Zeferino da Costa (1840 – 1915), Rodolfo Amoedo (1857 – 1941), Henrique Bernardelli (1858 – 1936), Victor Meirelles e José Maria de Medeiros (1849 – 1925). Em 1888, abandona a Aiba para integrar o Ateliê Livre, que tem por objetivo atualizar o ensino tradicional. Com as mudanças ocorridas com a Proclamação da República, a Aiba transforma-se na Escola Nacional de Belas Artes – Enba. Visconti volta a freqüentá-la e recebe, em 1892, o prêmio de viagem ao exterior. Vai à Paris e ingressa na [i]École Nationale et Spéciale[/i] des Beaux-Arts [Escola Nacional e Especial de Belas Artes]; cursa arte decorativa na [i]École Guérin[/i], com Eugène Samuel Grasset (ca.1841 – 1917), um dos introdutores do Art Nouveau na França. Viaja à Madri, onde realiza cópias de Diego Velázquez (1599 – 1660), no Museo del Prado [Museu do Prado], e à Itália, onde estuda a pintura florentina. Em 1900, regressa ao Brasil e, no ano seguinte, expõe pela primeira vez na Enba. Executa o ex-libris para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e vence o concurso para selos postais e cartas-bilhetes, em 1904. Em 1905 é convidado pelo prefeito da cidade, engenheiro Pereira Passos, para realizar painéis para a decoração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre 1908 e 1913, é professor de pintura na Enba, cargo a que renuncia por descontentamento com as normas do ensino. Retorna à Europa para realizar também, entre 1913 e 1916, a decoração do foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e só se fixa definitivamente no Brasil em 1920. Segundo alguns estudiosos, é considerado um praticante do Art Nouveau e do desenho industrial e gráfico no Brasil, com obras em cerâmica, tecidos e luminárias.