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Divas do Harlequim [série de livros de romance], 2009
Annette Kagy (EUA, contemporânea)
Pastel sobre papel lixa, 56 x 72 cm
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Divas do Harlequim [série de livros de romance], 2009
Annette Kagy (EUA, contemporânea)
Pastel sobre papel lixa, 56 x 72 cm
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David Hettinher (EUA, 1946)
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Walter Cronkite
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Jovem lendo,ilustração de Joseph Christian Leyendecker.–
Ante a investida do mar,
no seu vaivém tão constante,
penso na vida a passar,
um vai-sem vem incessante.
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(Margarida Ottoni)
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 160 x 200 cm
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Acredito que tudo tem o seu tempo. Mas hoje quase duvidei desse aforismo. Imaginem vocês que em maio deste ano recebi, muito gentilmente, um email do ateliê do artista plástico, natural da Bahia, mas radicado em São Paulo, Marcos de Oliveira. Este email veio assim do nada, uma surpresa, um presente. Dava-me os links para que eu pudesse conhecer seus trabalhos, uma bela obra contemporânea.
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Guerreiros da anunciação, 2010-2012
Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 200 x 800 cm
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Mas … Eu estava muito ocupada na primeira metade deste ano. Havia começado a dar um curso novo para mim, onde recentes pesquisas, com novas dados descobertos nos últimos anos, informações interessantes, tinham que ser incorporadas às minhas poucas notas anteriores. A preparação dessas aulas acabou tomando muito mais tempo do que eu havia imaginado. Faltou-me tempo até para o blog que costumo organizar com alguma antecedência. O blog sofreu com um número bem menor de postagens. Mas o curso ficou redondinho, ainda que um pouquinho mais longo do que o imaginado.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 200 x 160 cm
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Aí hoje, decidi que era a hora de mostrar a todos alguns trabalhos do Marcos de Oliveira. Eu me lembrava dele. Não só porque gostei das telas, mas porque coloquei uma foto de uma das telas dele numa pasta do Windows que abro pelo menos uma vez por dia. Mas quem disse que eu encontrava o resto das informações? Procurei nas minhas 5 pen drives com imagens de telas, esculturas, etc (ou vocês acham que eu procuro na hora de postar alguma coisa?) Tenho tudo muito organizado porque é muita informação e pouca memória. Mas quem foi que disse que eu achava? Achei muita coisa que eu deveria ter deletado há tempos. É como voltar ao passado, organizando antigas gavetas de papelada: ideias de artigos, comparações entre uma obra de arte e outra… Notas sobre um futuro curso, uma futura coleção disso ou daquilo… Enfim, entrei numa revisão total dos últimos 5 anos de blogagem.,,, E achei!
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 120 x 200cm
Coleção Metrópolis TV Cultura, SP
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E fiquei muito feliz de ter achado porque gostei imensamente de seu trabalho. Gosto de ver as soluções que ele encontrou. É evidente que esta é uma pessoa que já digeriu muita informação artística e conseguiu uma solução criativa, única, que leva a sua assinatura, por assim dizer, entre o abstrato e o figurativo. Se estivéssemos ainda no século XX poderíamos chamá-lo de neo-surrealista. Mas hoje, na segunda década do século XXI, qualquer denominação de “surrealismo” considero anacrônica. É também desnecessário rotular. Além disso, gosto da sua sofisticação no traço e no acabamento.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 100 x 190 cm
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Só de flanar virtualmente entre as peças no site e no blog dá para perceber algo de sua trajetória. As cores fortes contrastam com a delicadeza dos detalhes geométricos, onde alguns triângulos até conseguem projetar sombras, como na tela acima. Tudo indica que Marcos de Oliveira se sente confortável, nesse caminho do meio, entre telas de temática mais abstrata, representando engrenagens de máquinas imaginárias, como na Metamorfose II (primeira tela desta postagem), como também na execução de telas tradicionalemnte associadas à figura humana como a Madona, abaixo.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 120 x 200 cm
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Há leveza e deliciosa jocosidade nessa Madona, cujos anjinhos e ela própria lembram as enigmáticas imagens das cartas nobres dos baralhos. Sem deixar as raízes religiosas e também folclóricas dos seus temas, Marcos de Oliveira encontra uma iconografia própria. Ele consegue inserir o seu trabalho numa tradição brasileira, e dialoga com Tarsila do Amaral, Djanira e até mesmo com Rubem Valentim. E sobretudo encontra e honra o seu próprio caminho.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrilica sobre tubo de cartão, 128 x 25 x 25 cm
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Uma leitura tranquila, observando Metcalf, 2011
George Van Hook (EUA, 1954)
óleo sobre tela, 51 x 61 cm
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George Van Hook nasceu em 1954 no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Sempre apreciou a pintura impressionista. Estudou pintura, formando-se pela Humboldt State University. Passou um ano viajando na Europa onde estudou a pintura de mestres europeus. Ao retornar estabeleceu-se na Califórnia, até casar e formar uma família. Hoje mora e mantem seu estúdio em Cambridge, NY, próximo a Albany.
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Expansão II, 2012
W. Radwan (Brasil, 1953)
óleo sobre madeira e carvão, 100 x 100 cm
http://wradwan.blogspot.com.br/
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Dando continuidade às postagens com artistas brasileiros, hoje quero mostrar o trabalho de Wadgy Radwan, que exerce sua arte numa esfera única, entre a pintura e a escultura. Sua última exposição na Galeria Maurício Pontual no Rio de Janeiro, que vi no final do ano passado, explora contrastes.
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W. Radwan (Brasil, 1953)
óleo sobre madeira e carvão vegetal, 110 x 110 cm
http://wradwan.blogspot.com.br/
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Suas obras são imponentes, mas não exageradamente. Têm presença visual marcante. Além disso, mexem com os sentidos. Minhas preferidas pertencem à série Magma. À mim, pediram que fossem tocadas, que suas superfícies fossem apreciadas com a ponta dos meus dedos, para sentir as inúmeras facetas dos carvões. Claro que não fiz isso. Mas o apelo ao tato é exarcebado pelo contraste com a outra parte das esculturas-pinturas: a parte lisa.
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Magma II, 2011
W. Radwan (Brasil, 1953)
óleo sobre madeira e carvão vegetal, 110 x 110cm
http://wradwan.blogspot.com.br/
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Radwan trabalha com contrastes. A série Magma mostra dois planos com pesos semelhantes: o ‘natural’ e o ‘industrial’ — essas denominações são minhas. Além da superfície encrespada de carvão, existe o plano que funciona como ‘sombra’, em geral deslocada. Enquanto as superfícies cobertas por carvão vegetal pintado são orgânicas, grossas e ásperas, suas ‘sombras’ são suaves, polidas, e em cores contrastantes. A ‘sombra’ — o reverso, o anti-natural, o industrial — contrasta em cor e acabamento com o que se apresenta como o natural, orgânico, intrigante. Enquanto um plano é rico em tonalidades, o outro tem uma única cor, lisa.
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Magma I, 2011
W. Radwan (Brasil, 1953)
óleo sobre madeira, 110 x 110 cm
http://wradwan.blogspot.com.br/
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As obras pertencentes ao grupo Expansão continuam a explorar contrastes, mas de outra maneira. Nelas, a maior parte da superfície é dedicada ao plano com textura, nesse caso, o carvão vegetal. E a obra se abre, deixa espaço para mostar, revelar numa abertura, num entrever, o ponto de contraste. Esse pode ser trazido pela cor, ou pela introdução de outros elementos em relevo, manufaturados, com formas industrializadas dispersos sobre uma área lisa, como acontece com Expansão II aqui abaixo.
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Expansão III, 2012
W. Radwan (Brasil, 1953)
óleo sobre carvão vegetal, PVC e madeira, 100 x 100 cm
http://wradwan.blogspot.com.br/
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O trabalho exposto no fim de 2012 é o desenvolvimento de ideias que já vinham sendo exploradas: contrastes entre formas naturais e industriais, o jogo entre esses planos e a abordagem às questões ambientais. Já anterior a esta exposição o trabalho Esperança, delineava o caminho a ser traçado.
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Esperança, 2012
W. Radwan (Brasil, 1953)
Acrílica, carvão vegetal e madeira, 60 x 100 cm
[Selecionada para o 9º Salão de Artes Plásticas da Academia Brasileira do Meio Ambiente]
http://wradwan.blogspot.com.br/
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Aqui dois planos de dimensões próximas, um deles deslocado, oferecem contraste semelhante aos dos trabalhos vistos na Galeria Maurício Pontual. Não consigo olhar para Esperança sem ter a sensação de uma metáfora análoga a do monolito negro do filme 2001 Odisséia no Espaço. Há o elemento natural e o feito pela mão do homem, da mesma forma em que o monolito do filme é contrastado com a vida dos macacos no planeta. O uso da geometria, da expansão de superfícies precisamente calculada, o espelhar de formas entre as obras, a abstração da cor — todos os trabalhos recentes se limitam a uma palheta de três cores: branco, negro e vermelho — tudo isso apela para a introspecção, a reflexão, chegando até mesmo a uma espiritualização provocada pela forma. Apelos familiares feitos por obras de artistas que têm um relacionamento estético com Radwan, mesmo que de gerações anteriores: Rothko e Louise Nevelson, são alguns dos que vêm à mente.
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Encontros e desencontros, 2011
W. Radwan (Brasil, 1953)
acrílica sobre PVC emadeira, 80 x 100 cm
http://wradwan.blogspot.com.br/
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Em 2011, W. Radwan mostrou seus trabalhos na galeria TNT. Lá também o formato, o abstracionismo trazem para discussão os icônes da industrialização. É nessa fase imediatamente anterior que vejo maior familiaridade entre Radwan e o artista plástico Sérgio Camargo. Mas acredito que o jogo de sombras e o uso abundante de produtos orgânicos na obra de Radwan tragam, pelo menos nessa fase, maior riqueza, maior significação para quem as observa. E ainda que seja herdeiro de Krajberg no uso das formas naturais, Radwan toma um caminho próprio, desligando-se a cada nova obra dessas influências, para realizar uma viagem própria, singular e de extrema beleza. É um grande prazer observar a sua obra.
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©Ladyce West, Rio de Janeiro:2013
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Enseada de Botafogo, s/d
Lucia de Lima ( Brasil, contemporânea)
acrílica sobre tela, 50 x 60 cm
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Uma das coisas de que mais gosto no trabalho de Lucia de Lima é a felicidade! Ela consegue, na minha opinião, retratar o estado de espírito carioca: livre, leve e solto.
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Rio Panorâmico
Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)
acrílica sobre tela, 20 x 50 cm
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Vamos e venhamos é delicioso observar todas as coisas que acontecem simultaneamente em cada tela. São os detalhes de parapentes, pessoas de bicicletas, barquinhos na enseada de Botafogo, helicópteros e assim por diante.
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Ararinhas azuis
Lucia de Lima (Brasil, conteporânea)
acrílica sobre tela, 35 x 27 cm
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Além da paisagem carioca, Lucia de Lima mostra também grande sensibilidade para assuntos ecológicos. Telas que representam a abundante natureza carioca, com flores que tomam conta da superfície, são em geral o ponto de partida para a representação de pássaros e de espécies que correm perigo de extinção, como no caso das ararinhas azuis da tela acima.
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Jardim Botânico
Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)
acrílica sobre tela, 40 x 50 cm
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Lucia de Lima pode ser encontrada passeando pelo Jardim Botânico muitas vezes ao mês. Ela admite que o local lhe serve de inspiração para todo o verde, toda a mata e para os pássaros que retrata em seus quadros: diferentes flores, palmeiras, arbustos, árvores encontram um refúgio nessas telas coloridas.
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O menino e o Cristo
Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)
acrílica sobre tela, 70 x 30 cm
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Outra característica da pintora são os formatos das telas. Muitas delas fogem aos padrões mais conhecidos, como são as telas acima: O menino e o Cristo assim como Rio Panorâmico também já mostrada nessa postagem. É mais uma das maneiras em que revela jovialidade e o prazer que tem ao se dedicar à pintura.
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Devaneios IV
Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)
acrílica sobre tela, 40 x 50 cm
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Tenho acompanhado o trabalho dela pelos últimos anos e noto algumas tendências, como é natural que aconteça com qualquer pessoa que usa a sua criatividade todos os dias, como é o caso. Lucia tem desenvolvido esta série a que deu o nome de Devaneios, em que o contorno das montanhas da cidade, ou a aparência de ruas e locais conhecidos e reconhecíveis, deram lugar ao que ela mesma chama de sonhos, devaneios, ou seja, paisagens oníricas, que combinam muitos aspectos que aparecem em outras séries. Nesse exemplo acima, vemos flores, barcos, pássaros, uma fila interminável de automóveis subindo o morro, e de pessoas — crianças? — em fila indiana. A vegetação é abundante e rica como nas matas cariocas. Quanto mais olhamos, mais decobrimos.
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Corcovado e Lagoa
Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)
acrílica sobre tela, 33 x 41 cm
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Até o bondinho do Corcovado subindo de Laranjeiras para o Cristo vemos nessa tela. Foi há muitos anos atrás, que notei pela primeira vez, vendo uma das telas de Lucia, que a Lagoa Rodrigo de Freitas tem hoje o formato de um coração. Nesta tela vemos alguns elementos muito comuns da paisagem neste local: helicópteros — há um heliporto perto, pessoas treinando remo — há alguns conhecidos clubes de remo com sede na Lagoa, a Praia de Ipanema no cantinho da direita e assim por diante. Podemos passar muito tempo descobrindo detalhes.
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Pássaros em extinção
Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)
acrílica sobre tela, 40 x 50 cm
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A preocupação com a preservação da Natureza e da Mata Atlântica está sempre presente no trabalho da pintora. Entre uma profusa vegetação vemos alguns dos pássaros cuja existência está em perigo. Lucia mora no sopé da mata do Corcovado e está em constante contato com a natureza. Que ela a ama e presta atenção no verde que a circunda é óbvio. Resta a nós fazer o mesmo. Para maiores informações sobre essas e outras obras visitem o portal da artista. Aproveito para agradecer à Lucia pelas imagens que cedeu para esta postagem.
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Para comemorar os 5.000.000 [cinco milhões] de visitas a este blog, marca a que devemos chegar nos próximos 5 dias, começo hoje, com Lucia de Lima, uma série de postagens só com trabalhos de artistas brasileiros. Não vou prometer uma determinada frequência, porque ser blogueira não é a minha profissão principal e não posso garantir que terei sempre muito tempo para organizar essas postagens. Mas imaginei algo em torno de uma ou duas vezes por mês. Por que não usar esse blog para divulgar alguns de nossos artistas? Obrigada a todos que nos acompanham.
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Leda e o cisne, 1963
Cy Twombly (EUA, 1928– 2011)
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No início dessa semana morreu um dos mais prolíficos críticos de arte e da sociedade moderna, Robert Hughes. Conhecido por sua língua afiada e maneira bastante irreverente de se expressar, sempre alerta, sem guardar para si as opiniões mais controversas, esse maverick da palavra mordaz deixou muitas citações na memória de seus amigos e inimigos. O jornal The New York Times publicou uma lista de citações maquiavélicas de Robert Hughes. Dentre elas selecionei e traduzi livremente a que posto aqui abaixo que para mim retrata bem não só o trabalho de muitos artistas visuais contemporâneos como a particular celebração de seus seguidores, apreciadores e colecionadores. Esta é uma homenagem a quem entendia do pedaço…
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“A visão de todas essas migalhas e fragmentos nos quadros de Twombly parece convencer seus mais ardentes admiradores que ele é um classicista, embebido nos antigos mitos e literatura do Mediterrâneo, transpirando-os por todos os poros. Tudo que ele precisa fazer é desenhar uma garatuja oscilante “ Triunfo de Gateia” ou “Et in Arcadia Ego” numa tela, e de repente, lá está ele elevado ao nível de Roberto Calasso, se não for ao de Edward Gibbon. Quando a audiência, que já perdeu todo a formação clássica, considerada anteriormente indispensável na educação, vê Virgílio escrito na tela, aceita isso como um logo, como o jacaré na camisa Lacoste. A mera menção do nome, ou a citação de uma etiqueta, sugere que o passado clássico ainda vive, solido e intacto, sob a superfície. Mas uma raspa de unha dó pé não faz um corpo“.
Sobre Cy Twombly, em Time magazine, 1994
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Raymond Leech ( Grã-Bretranha, 1949)
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Raymond Leech nasceu em Great Yarmouth, na East Anglia, em 1949. Passou sua infância à beira-mar. Ele foi influenciado para assumir uma carreira artística por seu pai, que lhe ensinou a desenhar. Apesar de ter feito um curso de artes gráficas numa faculdade local, Raymond Leech considera-se um artista autodidata. Começou trabalhando em design gráfico, mas a demanda por sua arte original, cópias e cartazes ficou tão grande que ele acabou por tomar a decisão de ocupar todo o seu tempo com a pintura. Trabalha em óleo, aquarela e pastel e dedica-se principalmente à pintura de gênero.