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Casario e igrejas no centro histórico em Salvador, BA, s/d
Carlos Bastos (Brasil, 1925 – 2004)
óleo sobre tela, 73 x 100cm
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Casario e igrejas no centro histórico em Salvador, BA, s/d
Carlos Bastos (Brasil, 1925 – 2004)
óleo sobre tela, 73 x 100cm
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Igreja de São João Evangelista e Casa do Padre Toledo, em Tiradentes, MG, 1973
Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)
Óleo sobre tela, 60 x 81cm
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Omar Pellegatta (Italia, 1925 — Brasil, 2001)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
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Abrigo dos bondes em Porto Alegre, 1945
Benito Mazon Castañeda (Espanha,1885- Brasil, 1955)
óleo sobre tela, 75 x 80 cm
Pinacoteca Aldo Locatelli, Porto Alegre
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Aqueduto romano na Espanha, foto: Superstock–
Quem me conhece sabe: das civilizações antigas é a romana que me faz vibrar. A ingenuidade, a arquitetura, as estradas, o uso comum do espaço urbano, suas esculturas tudo me encanta na Roma antiga. Mas são suas construções o que mais me causam admiração. Por isso mesmo, não me passou despercebida a publicação no mês passado do artigo Roman Seawater Concrete Holds the Secret to Cutting Carbon Emissions [ O concreto romano submarino mostra o segredo da diminuição das emissões de carbono] que li na Science Daily. Puxa duas paixões conectadas num só artigo? Eu não podia deixar de ler.
Foi um quebra-mar de concreto romano, que passou os últimos dois mil anos submersos no mar Mediterrâneo, que deu a dica a uma equipe internacional de pesquisadores liderada por Paulo Monteiro, professor de engenharia civil e ambiental da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Analisando as amostras do material de construção desse quebra-mar os cientistas descobriram as razões do concreto romano ser superior ao mais moderno concreto, quando falamos de durabilidade e mais, porque é menos prejudicial ao meio ambiente.
É claro que o concreto usado hoje é bom, é excelente. Mas sua fabricação polui. 7% do dióxido de carbono colocado no ar vem da fabricação de cimento portland, que é o cimento comum, usado no mundo inteiro, nos nossos dias. Mas se fazer o cimento portland é necessário aquecer uma mistura de calcário e argilas a 1.450 graus centígrados, liberando carbono no processo de fabricação. Os romanos, por outro lado, usavam muito menos cal e com isso podiam produzir o cimento a uma temperatura muito mais baixa — 900 ˚C ou menos — exigindo muito menos combustível do que o cimento portland.
Os romanos faziam concreto através da mistura de cal e pedra vulcânica. Para estruturas subaquáticas, cal e cinzas vulcânicas foram misturados para formar a argamassa, e esta argamassa e tufos vulcânicos foram embalados em formas de madeira. A água do mar provocou imediatamente uma reação química quente. A cal hidratada – que incorporou as moléculas de água na sua estrutura – reage com as cinzas, cimentando o conjunto todo com a mistura.
Não só o uso de pedra vulcânica diminui o gás carbônico emitido na produção do cimento, como acaba produzindo cimento que ao invés de durar os 50 anos que o cimento portland dura, pode durar muito mais. Se hoje fazemos construções que durem 100 a 120 anos, se usássemos pedra vulcânica estaríamos fazendo construções para durarem 1.000 anos.
E a economia de se fazer pontes, edifícios e quaisquer outras estruturas que durem muitos séculos seria imensurável. Poderíamos muito bem aprender mais uma lição com os antigos romanos.
Para mais detalhes sobre essa descoberta não deixe de ver o artigo inteiro na Science Daily.
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Do site do Movimento 90º–
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Que São Paulo você prefere? – é a pergunta instigante que abre o site do Movimento 90º. Esta semana fiquei muito feliz de me familiarizar com este grupo paulista de arquitetos, paisagistas, engenheiros e voluntários que estão promovendo jardins verticais na cidade de São Paulo.
Como muitos que seguem o blog já sabem, há algum tempo tenho colocado nesse canto, projetos urbanísticos, brasileiros e estrangeiros que advogam cidades mais verdes. Não é nem só uma questão de estética. É sobretudo uma questão para a nossa sobrevivência nesse planeta.
O Movimento 90º criou um sistema em que módulos leves são instalados em fachadas de edifícios, a 5 cm das empenas cegas, para receber as plantas. Estes módulos, que recobrem a parede sem janelas, forma o jardim vertical. [Recentemente essas paredes sem janelas, foram assunto de um excelente filme argentinosobre o amor virtual chamado Medianeras.]
A verticalização do verde nas grandes cidades ainda é mais popular na Europa do que no Brasil, mas precisamos de grupos como o Movimento 90º para difundirmos a idéia e também a estética.
Guil Blanche, diretor-executivo do movimento paulista, começou a desenvolver a técnica dos jardins verticais em 2009. E perambulando pela cidade, observou que São Paulo poderia ser o lugar perfeito para a popularização desse tipo de intervenção ecológica.
“A percepção de espaços vazios, que tecnicamente são chamados de empenas cegas, estas paredes nos prédios que não têm janelas, sempre que eu olhava para aquilo, eu pensava: ‘aí cabe um jardim vertical’“, lembra ele. “E estas paredes catalizam os problemas da cidade, refletem o barulho, esquentam a cidade. O jardim vertical poderia habitar estes lugares“.
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A instalação é feita por especialistas em andaimes. As plantas são colocadas em módulos impermeáveis, feitos de materiais reciclados – como tubos de pasta de dente e embalagens de leite -, forrados com camadas de um tecido grosso parecido com feltro e presos à parede.
“Se o jardim vertical é bem feito, se as plantas são escolhidas por um profissional capacitado, temos uma perda de plantas muito pequena“, afirma João Pedro Chilli David, membro do conselho executivo do Movimento 90º. “A manutenção, no decorrer do tempo, é a irrigação – que é à pilha ou elétrica, depende da estrutura do prédio – e a fertilização, que pode ser manual. Mas preferimos que seja automatizado, embutido no sistema de irrigação e aí, de três em três meses ou de seis em seis, você abastece o sistema“, acrescentou.
É bom lembrar que os jardins verticais não são só bons para a cidade e para o meio ambiente. Na verdade o primeiro a ganhar com esses jardins é o morador do próprio prédio, pois estas “paredes verdes” diminuem o calor absorvido pelo prédio, abafam o barulho das ruas e melhoram a qualidade do ar. Então gasta-se menos dinheiro com a conta de luz, porque ligamos o ar-condicionado com menor freqüência, dormimos melhor com os sons da rua abafados e ainda respiramos um ar mais puro!
E além dessas vantagens todas, há o valor estético. Os jardins verticais melhoram a aparência dos prédios.
O Movimento 90º está bastante atarefado. O grupo já instalou alguns destes jardins em fachadas de uma escola e de lojas adjacentes na rua Augusta, região central de São Paulo.Querem agora levar mais jardins verticais para as paredes de grandes prédios da região central da cidade.
“O movimento tem a intenção de transformar a cidade ocupando estas empenas cegas, estas paredes de prédios sem janelas“, disse Guil Blanche.
A iniciativa de usar espaços desocupados de prédios da cidade para criar novas áreas verdes já vem sendo testada de outras maneiras em outros prédios em São Paulo. Mas eles não estão sozinhos nessa campanha de esverdear a paisagem paulistana. Há outros que tem se dedicado às plantações nos telhados de edifícios. No telhado do Shopping Eldorado, por exemplo, também na zona oeste da cidade, há um ano a administração criou uma horta usando o composto resultante da reciclagem dos restos da praça de alimentação.
Com o uso de um produto criado pelo laboratório mineiro BioIdeias, o processo de transformação dos restos de alimentos em adubo foi acelerado. Na horta já houve uma colheita de alfaces, berinjelas, pimentas e ervas. Atualmente, a plantação ocupa uma área de mil metros quadrados, mas o objetivo é expandir a horta para ocupar todos os 9,8 mil metros quadrados do telhado do shopping.
Você também pode apoiar o Movimento 90º. Para informações e doações, clique aqui.
FONTE: BBC Brasil