Nossas Cidades: Itanhaém

1 05 2017

 

 

Paulo Rossi Osir, Conceição de Itanhaém, 1920, aqspapel, 43x48Conceição de Itanhaém, 1920

Paulo Rossi Osir (Brasil,1890-1959)

aquarela sobre papel,  43 x 48 cm

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Flores para um sábado perfeito!

8 04 2017

 

 

Carlos leão (1906-1983) Vaso de flores, sd, aquarela, 36x53Cesta com flores

Carlos Leão (Brasil, 1906-1983)

aquarela sobre papel, 36 x 53 cm





Um passeio ao Pão de Açúcar, texto de Pedro Nava

23 03 2017

 

 

Felisberto Ranzini (1881 - 1976) Pão de Açúcar Aquarela 33 x 50 cm.Pão de Açúcar

Felisberto Ranzini (Brasil, 1881-1976)

Aquarela sobre papel, 33 x 50 cm

 

 

“UMA COISA FABULOSA que fiquei devendo ao noivado de minha prima foi a excursão que fizemos ao Pão de Açúcar nos bondinhos aéreos inaugurados em 1912 e 1913. Tinham quatro para cinco anos e eram uma novidade que o Joaquim Antônio queria comparar com os que vira na Europa. Combinou-se o passeio e ele próprio me incluiu no grupo dizendo que “mestre Pedro vai conosco”. Éramos ele, eu, a noiva, tia Candoca e a Mercedes Albano. Para essa coisa meio esportiva que era a ascensão que ia ser feita, vesti meu terno número um, o Joaquim Antônio colarinho duro de pontas viradas, a Maria e a Mercedes grandes chapéus e vestidos escuros, a futura sogra sedas, veludos pretos e uma toque alta de pluma póstero-lateral. Exatamente, pois possuo os retratos tirados nesse dia inesquecível. Lanchamos na Urca — chá, torradas, sanduíches, mineral e para mim, tudo isso e o céu também — gasosa! Subimos depois do por do sol e o acender das luzes da cidade nas alturas do Pão de Açúcar dos ventos uivantes. Não sei dos outros. No cocuruto eu desci um pouco no declive que dá para o maralto, sentei no granito e olhei. Jamais reencontrei coisa igual senão quando, em Capri, subi à casa de Axel Münthe e no dia em que sobrevoei Creta para descer em Heraclion. Estavam presentes todas as cores e cambiantes que vão do verde e do glauco aos confins do espetro, ao violeta, ao roxo. Azul. Marazul. Azurescências, azurinos, azuis de todos os tons e entrando por todos os sentidos. Azuis doce como o mascavo, como o vinho do Porto, secos como o lápis-lazúli, a lazulite e o vinho da Madeira, azul gustativo e saboroso como o dos frutos cianocarpos. Duro como o da ardósia e mole como os dos agáricos. Tinha-se a sensação de estar preso numa Grotta Azzurra mas gigantesca ou dentro do cheiro de flores imensas íris desmesuradas nuvens de miosótis hortênsias — só que tudo rescendendo ao cravo — flor que tem de cerúleo o perfume musical de Sonata ao Luar. Malva-rosa quando vira rosazul. Aos nossos pés junto à areia de prata das reentrâncias do Cara-de-Cão, ou do cinábrio da Praia Vermelha, o mar profundo abria as asas do azulão de Ovale e clivava chapas da safira que era ver as águas das costas da Bahia. Escuro como o anilíndigo do pano da roupa que me humilhava nos tempos do Anglo-Mineiro. Mas olhava-se para os lados de Copacabana e das orlas fronteiras além de Santa-Cruz e o meitleno marinho se adoçava azul Picasso, genciana, vinca-pervinca. As ilhas surgiam com cintilações tornassóis e viviam em azuis fosforescentes e animais como o da cauda seabrindo pavão, do rabo-do-peixe barbo, dos alerões das borboletas capitão-do-mato da Floresta da Tijuca. Olhos para longe, mais lonjainda — e horizontes agora Portinari, virando num natiê quase cinza, brando, quase branco se rebatendo  para as mais altas das alturas celestes azul celeste azur só possível devido a um sol de bebedeira derretendo os contornos as formas e virando tudo no desmaio turquesa e ouro e laranja dos mais alucinados Monets Degas Manets Sisleys Pissarros. Mas súbito veio o negro da noite acabando a tarde impressionista. As luzes se acenderam em toda a cidade mais vivas na fímbria orlando o oceano furioso. Eu nem me lembro como vim rolando Pão de Açúcar abaixo aos trancos e barrancos daquele dia vinho branco…”

 

 

Em: Chão de Ferro: memórias 3, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio:1976, 2ª edição, pp. 129-30.





Parabéns, Rio de Janeiro, 452 anos!

1 03 2017

 

 

 

antonio-orleans-e-bragancajardim-botanico2-rio-de-janeiro46-x-61-cm-aquarelaass-cid-e-dat-2008

Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2008

Antônio de Orléans e Bragança (Brasil, 1950)

aquarela sobre papel, 46 x 61 cm

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Nossas cidades: Araçoiaba da Serra

6 02 2017

 

 

 

joel-firmino-do-amaral-brasil1951aracoiaba-da-serra1995aquarela14-x-24-cm

Araçoiaba da Serra, 1995

Joel Firmino do Amaral (Brasil, 1951)

aquarela sobre papel, 14 x 24 m





Imagem de leitura — Neil Hollingsworth

2 02 2017

 

 

neil-hollingsworthhistoria-de-sereias-aquarelaHistória de sereias

Neil Hollingsorth (EUA, 1954)

aquarela





Nossas cidades: Porto Alegre

12 12 2016

 

 

bonaventura-cariolato-mercado-municipal-e-terminal-rodoviario-1968aquarelaMercado Municipal e Terminal Rodoviário, 1968

Bonaventura Cariolato (Itália/Brasil, 1894-1989)

aquarela





Domingo, um passeio no campo!

4 12 2016

 

 

francisco-cuoco-1928cidade-e-trem1974aquarela21-x-25-cmPaisagem de cidade com trem, 1974

Francisco Carlos Paulo Cuoco (Brasil, 1928)

aquarela sobre papel, 21 x 25 cm





Imagem de leitura — Anne C. Abgott

29 11 2016

 

 

anne-c-abgott-canada-going-topless-aquarela-sobre-papelTopless

Anne C. Abgott (Canadá, contemporânea)

Aquarela sobre papel





Resenha: “Balzac e a costureirinha chinesa”, Dai Sijie

28 11 2016

 

 

63-cao-quantang-mountain-villageAldeia montanhosa

Cao Quantang (China, 1957)

Aquarela e guache sobre papel

 

 

 

Reli neste fim de ano o livro Balzac e a costureirinha chinesa de Dai Sijie. Estou envolvida no projeto Eu também leio e uma das minhas funções é selecionar textos que adolescentes ou jovens adultos possam achar interessantes, fora das escolhas óbvias desse nicho de mercado.  Minha memória não anda tão má assim, este é um livro de que muitos jovens adultos poderão gostar.

Trata-se de dois rapazes de dezessete anos, citadinos, com famílias exercendo profissões liberais, que se encontram numa aldeia montanhosa, distante de tudo, ao serem mandados pelo regime de Mao Tse Tung  para trabalhos forçados, participando, contra a vontade, do sistema de re-educação conhecido como ‘Revolução Cultural’ da década de 1960 na China.

 

untitled

 

São rapazes comuns.  Trazem com eles um conhecimento rudimentar da cultura ocidental. A esta altura tudo ocidental é proibido pela ditadura chinesa. Um deles toca violino, não muito bem.  Outro tem grande habilidade de contar histórias.  São essas pequenas habilidades, mal-ajambradas, e referências com o mundo ocidental, que os levam a aventuras em meio a um povo brutalizado pelo trabalho árduo e muita pobreza.  Nesse meio tempo os jovens conhecem a bela costureirinha da aldeia, assim como outro rapaz, filho de gente importante, que como eles faz o trabalho forçado de re-educação.  Mas este tem um segredo: acesso a livros de literatura ocidental, que trouxe escondido.

Muitas peripécias levam os rapazes a ter acesso a uma pequena obra  Balzac: Úrsula Mirouët.  Atraídos pela bela jovem costureira, eles se dispõem a recontar a história do romance que havia sido traduzido para o chinês, mas era obra proibida durante o governo de Mao.  O efeito da literatura ocidental, principalmente francesa é sentido quase imediatamente.   Mais tarde outros livros são lidos que semeiam a procura da felicidade e um sentido de liberdade na jovem costureira.

 

dai-sijieDai Sijie

 

A literatura como redentora não chega a ser um tema fora do comum.  Leitores e escritores estão cientes desse poder e com frequência gostam de reparti-lo, como acontece com os personagens dessa obra. Tudo indica que tem muitas passagens da própria vida do autor que, além de escritor, é diretor de cinema.  A importância da literatura francesa é  uma reflexão da própria vida do autor, que nascido na China, reside na França desde 1984.  Balzac e a costureirinha chinesa é leitura rápida, sem grande expectativa literária.  Agradável e pequeno, o livro serve para lembrar o poder da palavra escrita, e o poder de se conhecer outros mundos, vidas e personagens através dos livros.  Já faz mais do que muita coisa publicada por aí.

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