Olha o passo do elefantinho!

30 07 2009

Filhote passeia entre adultosFOTO: AFP

 

O zoológico Whipsnade, na cidade britânica de Bedfordshire, apresentou nesta terça-feira um filhote de elefante asiático. O bebê, que nasceu há seis dias (22/7/2009) pesando 126 kg, já passeia entre os adultos.

Recentemente (5/7/2009) o zoológico Taronga, na Austrália comemorou o nascimento de um outro bebê de elefante asiático, nascido com 120 kg.

 

Filhote de elefante asiático nasce com 126kg

FOTO: AFP

 

No passado esses elefantes podiam ser encontrados nos territórios que abrangem grande parte da Ásia. Hoje existem só pequenas comunidades,  espalhadas em zona florestais, por vários países: Índia, Tailândia, Bangladesh, Butão, Brunei, Camboja, China, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar (antiga Birmânia), Nepal, Sri Lanka e Vietname. O desaparecimento dos habitats naturais empurrou estes animais para junto das populações.

Esses elefantes se alimentam principalmente de ervas e folhas de árvore. No entanto, parecem demonstrar gostar muito de produtos da horta.  Isso causa um problema sério para as populações que vivem próximo ao habitat desses paquidermes, pequenos agricultores vêem as suas culturas devastadas, rapidamente.

 

Filhote britânico

FOTO: AFP

 

Os elefantes asiáticos atingem 3 metros de altura, têm orelhas pequenas e defesas um tanto leves. Machos e fêmeas, atingem a maturidade sexual por volta dos 14 anos.  O tempo de gestação de um bebê elefante varia entre os 18 e os 22 meses.  Ao cabo desse tempo nasce apenas uma cria.  A espécie é muito utilizada pelo homem como animal de guerra, em trabalhos florestais e como meio de transporte.

Seu único predador natural é o tigre, que na maioria das vezes ataca os filhotes, porém existem casos registrados de tigres caçarem elefantes adultos.  Em circunstâncias normais a expectativa de vida de um elefante asiático é 60 anos.

 

filhote de elefante asiatico, zoo de Bedfordshire, Inglaterra

FOTO: AFP

 

As principais diferenças entre este e o elefante-africano são: costas mais arqueadas, orelhas menores, 4 unhas nas patas traseiras em vez de 3, 19 pares de costelas em vez de 21, ausência de presas de marfim nas fêmeas.

Na religião hindu, o elefante-asiático está associado a Ganexa, o deus da sabedoria.





Os 10 mais na ficção americana da primeira parte de 2009, Amazon

29 07 2009

angela ursilloLendo no ônibus, no Japão, 2001.

Ângela Ursillo (EUA, contemporânea)

Trabalho totalmente digital, usando Painter.

 

Chegado o meio do ano, e com as vendas em baixa, a maioria das livrarias americanas que tem portal na internet anda pressionando bastante, através de emails as promoções e as chamadas especiais de títulos que acreditam estar dentro do seu perfil de comprador.  Recebi hoje da Amazon a lista das dez melhores publicações em ficção nos EUA para 2009, que rapidamente passo aqui para o blog.  Isso nos dará uma idéias do que pode estar a nosso caminho nas produções editoriais brasileiras, se estes livros realmente se mostram ter o sucesso já anunciado pela livraria digital.

 

Os dez mais da ficção publicada nos EUA em 2009.  Está em ordem alfabética pelo último nome do autor, como é praxe nos EUA.   

SWEETNESS AT THE BOTTOM OF THE PIE, de Alan Bradley.  È um livro de mistério.  Quando uma sagaz  menina adolescente com aspirações de ser uma futura química descobre um corpo na plantação de pepinos em sua casa, deixa de lado os cadinhos e corre atrás do assassino.

 

EVERYTHING MATTERS, de Ron Currie, Jr. Ao nascer Junior Thibodeau é informado do momento exato em que o mundo vai acabar.  Esse conhecimento, revelado a ele por uma entidade desconhecida, faz com que ele se pergunte, constantemente, se vale a fazer qualquer coisa comum, vivenciar o dia a dia.  Aos poucos, através de experiências comuns ele e o leitor chegam a uma conclusão.

 

Ro Lohin (EUA, contemp), Subway Reader, 2005,ost

Leitor no Metrô, 2005

Ro Lohin, (EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela

 

EVERY MAN DIES ALONE, de Hans Fallada.  Trata da história verdadeira de um casal de Berlim, que independentemente, toma em suas mãos uma pequena e reservada resistência ao regime nazista. Este é um livro antigo, um resgate.  Seu autor morreu em 1947.

 

TINKERS, de Paul Harding.  Este é o primeiro romance de Paul Harding.  Nele, estão registradas as memórias de sua vida como uma faz-tudo, especializado principalmente no conserto de relógios,  e suas lembranças de seu pai, que como ele também era uma faz-tudo.  O pai sofria de crises epiléticas o que aparentemente dá um ar do inexplicável a esta curta narração.  Muito apreciado pela precisão de seu texto de menos de 200 páginas.  

 

THE VAGRANTS, de Yiyun Li.  A história se refere ao tempo da Revolução Cultural na China onde crianças denunciam seus pais, amantes traem seus parceiros, tudo para sua sobrevivência.  A narrativa começa com a história dos pais de Gu Shan, uma vítima do regime que é executada como contra-revolucionária.  O texto mostra como pequenos atos de corrupção, crueldade e medo, acabam com a moralidade da sociedade.  Este é o primeiro romance de Yiyum Li.

 

soraya-french (Teerã, Irã), Contemporanea, mixed media, 40x40

Jornal de Domingo, 2005

Soraya French ( Irã, contemporânea)

Técnica mista, 40 cm x 40 cm

 

BORDER SONGS, de Jim Lynch. Este romance tem como principal personagem o guarda de fronteira Brandon Vanderkool, que consegue uma série de apreensões de importância no trânsito entre os EUA e o Canadá, trazendo uma mudança generalizada a um trecho da fronteira entre os dois países que havia sido, até então, ignorado.

 

MILES FROM NOWHERE, de Nami Mun.  Este romance está centrado em Joon, personagem adolescente, que fugiu de casa.  É a história de diversas de suas aventuras que têm em comum um parâmetro de valores que as faz todas terem sentido.  Este é o primeiro romance de Nami Mun.

EVERYTHING RAVAGED, EVERYTHING BURNED, de Wells Tower.   Esta é uma coleção de contos do autor, muito apreciada pelo senso de humor, e por seus personagens fora da veia normal da sociedade.  

 

Yusuf Arakkal (Índia, 1945) Paper reading, óleo sobre tela,120 cm x 120 cm

Lendo o jornal, 2004

Yusuf Yakkal (Índia, 1945)

óleo sobre tela, 120 cm x 120 cm

 

CUTTING FOR STONE, de Abraham Verghese.  Marion e Shiva Praise Stone são gêmeos, nascidos de um relacionamento entre uma freira/santa e um pobre cirurgião, trabalhando ambos num hospital missionário em 1950 na Etiópia.  O autor é um médico e este é seu primeiro romance, uma obra em que ele demonstra o magnífico poder das artes medicinais.

 

LOWBOY, de John Wray.  Lowboy é o pseudônimo do personagem principal, Will Heller, um esquizofrênico que está certo de que o mundo acabará logo, corre em fuga atrás de uma solução, pelos caminhos do metrô de Nova York.   Romance muito apreciado pela descrição dos altos e baixos, do pulos e brancos, de uma mente doente.





Amanhecer, quadrinha para uso escolar

28 07 2009

acordar  com as galinhas

Amanhecer, ilustração Maurício de Sousa.

 

Cantagalo…  O galo canta

e, na campina louçã,

desprende  a voz na garganta,

saudando a luz da manhã.

(Álvaro Faria)





Bicicletas elétricas têm tudo a ver com a preservação do Meio Ambiente

28 07 2009

bicicleta, modeloModelo demonstra nova, mais atualizada bicicleta elétrica no Japão.

 

Do Japão à Inglaterra as bicicletas elétricas começam a fazer estrondoso sucesso.  Melhor que carros que respeitam o meio ambiente, as bicicletas elétricas são a moda para quem se autodefine como responsável pelo meio-ambiente.   As bicicletas elétricas japonesas usam um pequeno motor elétrico que dá impulso a o ciclista, ajustando a força do motor à velocidade e à resistência do movimento do pedal.  Isso torna muito mais fácil subir uma ladeira ou levar uma carga mais pesada. 

 

bicicleta, inglaterra

Agentes imobiliários com suas bicicletas elétricas, Londres.

 

Com baterias recarregáveis estas bicicletas podem cobrir 37 km sem necessidade de recarregar a bateria.  As mais populares fabricantes do mundo de bicicletas eletrônicas são a Yamaha, Panasonic, Sanyo e Bridgestone.  E juntas elas esperam dominar o mercado não só no Oriente mas sobretudo na Europa.

FONTES

Reuters

BBC





A crise econômica afeta os animais dos zoológicos nos EUA.

28 07 2009

_piggy_bank-4174476

 

Desde abril deste ano, que a rede de notícias ABC tem dedicado algumas de suas reportagens ao sofrimento dos grandes zoológicos dos EUA a partir da crise econômica.  Com seus orçamentos sofrendo grandes cortes, não só no financiamento dos governos como nas doações de instituições particulares, os zoológicos se vêem numa situação difícil tendo que escolher entre os empregos dos funcionários ou a eliminação de alguns animais de suas coleções.  Tudo isso acontecendo justo no momento em que famílias, limitadas nos seus orçamentos por causa da crise, têm procurado os parques zoológicos como um bom entretenimento, de custo baixo, apropriado a bolsos mais esquálidos, neste período de férias de verão.  

 

A82HD5

 

Cisnes, veados, antílopes, porcos-espinho, guanacos e morcegos, por exemplo, estão entre os animais que sairão das coleções do Zoológico do Bronx, em Nova York, que por incrível que pareça é mantido por uma das maiores instituições de preservação da natureza, a Wildlife Conservation Society.

monkey_money

O zoológico do Bronx, que tem 114 anos de existência, é um dos mais conhecidos e considerados zôos do mundo, mas mesmo assim sofre com a economia periclitante no país.   Como ponto turístico de valor, sua administratção teme que a instituição venha a ser conhecida como um zoológico sem animais.   Desde que a WCS reduziu seu orçamento anual por 15 milhões de dólares, cortes tiveram que ser feitos.  O zoológico do Bronx não é o único a sofrer durante a crise.  Outros zôos dos estados de Kansas, Connecticut, Missouri, Maryland acham-se em circunstâncias semelhantes, tendo que lidar com orçamentos minguantes e gerenciamento de dietas e nutrição para seus hóspedes do mundo animal.  Além disso, qualquer corte feito não pode retirar das exposições as principais atrações para o público porque aí sim, este público deixaria de vez de visitar os parques zoológicos e contribuir para o orçamento de manutenção dessas instituições com o valor das entradas e dos gastos nas lojas de lembranças.  É uma verdadeira saia justa que cada administrador de zoológico tem que considerar.  

broken-piggy-bank

 

Na maioria dos casos quem sofre primeiro são os humanos.  Viagens, treinamento, propaganda, serviços profissionais e almoxarifado foram reduzidos.  Depois disso, se um equilíbrio financeiro não é encontrado, são os animais que sofrem pequenos cortes.  Estes vêm em geral na redução de gastos de manutenção, com ênfase dada a uma dieta menos variada.  E alguns são escolhidos para irem para outro endereço.  

elephant-illustration-coloring-page

 

A maioria dos diretores de zoológicos sabe que retirar animais de suas coleções dilui o valor da instituição.   Mas o que não podem aceitar é ter que se descuidarem dos animais.  Este é o limite para todos os zoológicos.  Todos vêem a segurança e a saúde de seus animais como item de primeira ordem.  Mas as instituições estão sofrendo e ver que o zoológico do Bronx, mantido pela WCS, sofre com a crise econômica tanto quanto outros zôos, está soando um sinal de alarme para toda a sociedade americana.  

Fontes:

ABC  — 30/4/2009

ABC  — 11/7/2009





Bandeja de madeira, de Ladyce West

27 07 2009

 

 

bandeja de madeira, turística, marqueteria

Ontem à noite Gisela, minha prima e amiga, lembrou-me deste poema que publiquei em 2007.  Numa conversa familiar decidimos que eu  iria re-colocá-lo na web, apesar de já ter aparecido no meu antigo blog:  A Meia Voz.  Agradeço aos fãs da peripécia aqui revelada.

 

 

Bandeja de madeira

 

Ladyce West

 

 

Comprei uma bandeja de madeira,

No mercado de usados da cidade.

O preço alto, verdadeiro assalto,

Testava a minha vontade…

Invocada reclamei:

“Preço muito apimentado!”

O feirante desfiou, então,

A ladainha da ocasião:

Uma cascata de palavras

E de muitas abobrinhas.

Listadas de um modo simples,

Em fileira memorizada,

Uma tabuada de dados,

Sem nexo e sem sentido,

Qual jovem guia turístico

Treinado para repetir,

Sem nenhuma compreensão,

História de monumentos,

Batalhas, guerra ou ação.

Um rol de características,

Uma lista de preciosismos,

Que turistas escutam em vão.

No caso do comerciante,

Era manobra astuta,

Artimanha obstrucionista,

Inspirada na política

Do partido oposicionista,

Com intenção de impedir

Barganhas, regateio, pechincha.

Mas não me dei por vencida

E esbocei, na medida,

Uma ensaiada choradeira

De compradora matreira,

Desconfiada confessa.

Mas para meu desagrado,

A manobra desta vez

Não deu nenhum resultado.

E o vendedor perturbado,

Não se fazendo de rogado,

Disse em português claro:

O preço é este e está acabado!

Era esperteza, eu sabia.

Manha de ressabiado

Recalque de gato escaldado.

Experiente e esperta,

Também lhe disse umas tantas,

Questionei ainda uma vez

Os dados da tal bandeja

Que sabia muito bem

Não ser uma antiguidade.

“Mas minha senhora veja,

Já não se faz trabalho

Detalhado como este.

Marqueteria finíssima,

Olhe a delicadeza

Deste desenho aqui em cima!”

Mantive meu ar incrédulo

De pessoa que conhece:

Reclamei do acabamento,

Das alças, das bordas, do centro,

Do verniz barato – opaco.

“Não sou caloteiro!

Nem tampouco pirateio.

A Sra. pode confirmar

Nos antiquários da cidade!

Vai ver que é coisa boa,

Que tem uma certa idade!”

Pus-me a andar, dando o fora,

No velho ardil de negócios

Fazendo-lhe acreditar

Que era fácil ir embora.

Ele veio correndo atrás,

É vintage, minha senhora,

É vintage, repetia!

Como se a palavra,

A denominação,

A expressão estrangeira,

Respondesse às perguntas

Corriqueiras que lhe fiz.

Mas parei.  E voltei.

Queria muito a bandeja

Rica em marqueteria.

“Não pode ser”, eu dizia,

“Eu me lembro dessas bandejas,

Dessas lembranças para turistas,

Vendidas nas barraquinhas

Da Quinta da Boa Vista…”

De súbito ele parou.

De cima abaixo me olhou.

E puxando lá do fundo

De sua sabedoria, perguntou:

“– Mas quantos anos a senhora tem?”

Num breve momento de pausa,

Disse para mim mesma:

“Que história!  Traída pela memória!”

Olhei para a bandeja de novo

E ainda uma vez mais…

E paguei.

 

 

© Ladyce West, 2007,  Rio de Janeiro





Cinco navios romanos naufragados foram encontrados!

26 07 2009

navio romano reconstruçãoNavio romano, reconstrução.

 

Um grupo de arqueólogos descobriu um “cemitério de navios” romanos.  Ao todo foram encontrados por tecnologia de sonar, cinco antigos navios romanos, sem vestígios de exploração humana desde que afundaram, nos arredores da ilha Ventotene.   Esses navios de carga comercial do primeiro século AC ao quinto século AD, estavam a um pouco mais de 100 metros abaixo do nível do mar.  Isso os faz entrar na lista dos espólios de naufrágio descobertos nas maiores profundidades do mar Mediterrâneo, nos últimos anos.

O arquipélago de Ventotene está situado a meio caminho entre Roma e Nápoles, na costa oeste da Itália, e historicamente foi um lugar que navios procuravam quando precisavam de abrigo do mau tempo no Mar Tirreno.  “Tudo indica que esses navios estavam a caminho de abrigo mas afundaram antes de conseguir chegar a um lugar seguro,” disse Timmy Gambin, chefe do programa de arqueologia. “Isso explica porque em uma pequena área há cinco naufrágios.”  Os navios encontrados levavam carregamento de vinho, da valiosa lingüiça de peixe de origem espanhola e do norte da África, e um misterioso carregamento de tabletes de metal da Itália, provavelmente para serem usados na construção ou de estátuas ou de armas.

Ventotene_cliffs

Costa de Ventotene.

 

Gambin lembra que essas descobertas revelam os padrões de comércio durante o império romano.  Primeiro eles exportavam alimentos para suas províncias, depois, gradualmente, começaram a importar mais e mais o que eles originalmente exportavam.

Durante o império romano, o arquipélago de Ventotene era conhecido como Pandataria, e era usado para abrigar nobres que vergonhosamente  haviam sido exilados do país.  O imperador Augusto mandou sua filha Júlia para a Pandataria por causa de seu adultério.  No século XX o ditador italiano Benito Mussolini usou esta ilha com prisão para seus oponentes políticos.

r

Ânforas encontradas em Ventotene.

 

Dos naufrágios, o que resta são principalmente os carregamentos cobertos de crustáceos.  Nada sobrou das embarcações propriamente ditas que devem ter sido devoradas por vermes de madeira através dos séculos.  A profundidade em que estas cargas se encontravam ajudou a protegê-las por todos esses anos.

Fonte: Reuters   Tradução minha.





Estória, poema de Martins d’ Alvarez — [para o dia da vovó]

26 07 2009

 vovó conta histórias

 

 

Estória

 

( para pequenos e grandes)

 

                                        Martins d’ Alvarez

 

 

À sombra do tamarindo,

vovozinha, bem sentada,

vai de alfinetes cobrindo

o papelão da almofada.

 

O neto deixa o brinquedo,

chega-se de alma curiosa,

nos bilros buscando o enredo

da renda maravilhosa.

 

Sutil, entre dois extremos,

uma conversa se agita:

— Vovó, como é que aprendemos

Fazer renda, assim, bonita?

 

— Ora, benzinho, aprendendo…

Aprendendo devagar…

Até acabar sabendo,

até um dia acertar.

 

— Pois me ensine, vovozinha!

Garanto que hei de aprender.

— Ensinarei, calunguinha,

quando aprenderes a ler.

 

— Mas vovó não disse, um dia,

que vovozinho morreu

pelo muito que sabia…

Por que demais aprendeu?

 

— Morreu porque foi ferido

No amor próprio, meu bebê!

— Então, o vovô querido

não só amava a você?

 

Vovó fez cara de chiste,

mas, sua fronte pendeu…

Soltou um suspiro triste,

quedou-se … e não respondeu!

 

(Fortaleza, Ceará, 1932)

 

Em: Poesia do cotidiano, Fortaleza, Ceará, Editora Clã: 1977

 

 

 

José Martins D’Alvarez   (CE 1904)  Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmacia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras. Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904.  Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez os estudos primários na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceará.  Depois de formado em Odontologia. Transferiu em 1938 sua residência para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades no magistério superior.

 

 

 

Obras:

 

“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930, poesia

“Quarta-feira de cinzas”, 1932, novela

 “Vitral”, 1934, poesia

“Morro do moinho” 1937, romance

“O Norte Canta”, 1941,  poesia popular

“No Mundo da Lua”, 1942, poesia para crianças

“Chama infinita, 1949,  poesia

“O nordeste que o sul não conhece 1953, ensaio

“Ritmos e legendas” 1959, poesias escolhidas

“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967, poesias escolhidas

“Poesia do cotidiano”, 1977, poesia





Imagem de leitura — Gerard Dou

26 07 2009

gerard dou

Velha senhora lendo, (Retrato da Mãe de Rembrandt), 1630

Gerard Dou ( 1613-1675)

Óleo sobre madeira 71 x 55,5 cm

Museu Rijksmuseum, Amsterdã

 

 

Gerard Dou —  Filho de um gravador e pintor em vidro, Gerard Dou começou sua vida de artista plástico pintando sobre vidro.  Em 1628 começou a estudar com Rembrandt, onde aprendeu a arte dos contrastes de luz, a arte do claro-escuro.   Sua especialidade acabou sendo as cenas iluminadas a luz de vela que o fizeram bastante popular  na Holanda do século XVII.    Pintou principalmente pintura de gênero, em que pessoas são retratadas no seu ambiente do dia a dia.  Ficou conhecido pela meticulosa maneira de pintar, pela acurada precisão da representação de texturas diversas.  Gozou de uma excelente reputação internacional e diversos monarcas europeus colecionaram seus trabalhos.  Morreu em Leiden, onde nasceu, e de onde nunca se sentiu tentado a sair.





Chocolate de leite de camela ?!?

26 07 2009

egyptian-camel,steven noble (EUA)

Camelo, ilustração de Steven Noble (EUA).

 

Quando morei em Oran, na Argélia, tive a oportunidade de me familiarizar um pouco mais com os camelos, que até então só conhecia de zoológicos.  Ou seja, passei a vê-los no dia a dia, não dentro do perímetro urbano, afinal Oran era uma cidade moderna de mais de um milhão de habitantes.  Mas como animal de carga, vi muitos camelos nos arredores da cidade, assim como nas aldeias.  Eles não me deram uma boa impressão.  São muito altos, grandes mesmo, e têm um odor peculiar tão intimidante quanto sua altura. Alguns poderiam dizer uma inhaca, uma catinga que penetra nas narinas de visitantes – como eu — e não quer mais largar…   Ruminantes que são, parecem em perpétuo comer, e enquanto mastigam, seus lábios se embabadam para os lados e para a frente de uma maneira pouco atraente.   Cospem com freqüência e seu relincho (camelo relincha?) é sofredor, dá pena.  Não quero desmoralizar esse animal.   Sei da importância que tem para a sobrevivência do ser humano em condições extremas e reconheço seu enorme valor para os moradores do deserto.  Estou simplesmente dando a minha impressão, reiterando os meus preconceitos de cidadã urbana, do mundo ocidental, quando confrontada com tamanha besta.  Por isso mesmo fiquei surpresa de ver que a Al Naasma – uma companhia de Dubai, especializada em chocolates feitos com o leite do camelo, que começou tal produção em 2008 —  tem planos de expansão de mercado incluindo entre seus futuros parceiros outros países árabes, a Europa, o Japão e os Estado Unidos.  E não pretende vender chocolate para qualquer um.  Seus chocolates poderão ser adquiridos, se as negociações em progresso se cristalizarem, na famosa loja Harrods em Londres, ou na conhecida Chocolate Covered, boutique de chocolate da cidade de  São Francisco.  

 

chocolate

 

Procurei ir um pouquinho mais a fundo nesse plano para saber das razões que levariam alguém a comprar chocolate de leite de camela.  Por que, além do simples modismo, alguém se daria ao trabalho de procurar adquirir mais de uma vez, ( não há negócio que possa sobreviver sem o comprador que repete a sua compra) esse singular produto?  E descobri coisas incríveis:  o leite de camela tem 5 vezes mais vitamina C do que o  leite de vaca, tem muito mais ferro do que o leite de vaca, menos gordura, menos lactose e mais insulina.  Além disso é rico nas vitaminas que fazem o complexo B.   Talvez mais importante que tudo já mencionado é que o leite de camela leva a fama de ser um ótimo restituidor de forças, recuperador de ânimo para doenças sérias, recuperador da virilidade masculina e grande afrodisíaco.  Isso o faz um produto excepcional.  O leite de camela aparece como um ótimo produto para diabéticos assim como para aqueles que apresentam intolerância à lactose.   Os chocolates produzidos com o leite de camela, pela companhia Al Naasma, não têm conservantes ou aditivos químicos.   São adocicados com mel e produzidos com coquinhos e especiarias do Oriente Médio.  

Não.  Não pense que esse discurso é um anúncio pago pela companhia de Dubai.  Minha influência não é tão grande, mas a minha curiosidade sobre novos projetos de auto-sustentação é grande.  

 

camel, niles shmistry

Camelo, ilustração de Nilesh Mistry.

 

No meio dessas descobertas li que é muito difícil tirar o leite de camelas.  De acordo com um artigo de 22/7/2009 do Wall Street Journal, Uma fã de leite de camela sofre para começar uma fazenda de gado camelo [A Fan of Camel Milk Struggles to Start a Drome-dairy], as camelas sentem cócegas nas regiões próximas às tetas, movem-se muito e podem de repente se deitar no chão, no meio do processo de tirar o leite.  Além disso preferem dar leite quando há cria por perto.  Sem um bebê camelo é mais difícil a camela dar leite.  Até hoje poucas são as fazendas leiteiras que usam maquinaria na extração do leite de camelo.  A mais conehecida é a companhia The Camelicious [O Camelicioso], uma companhia de Dubai, que desde 2006 vende leite de camela com sabores açafrão ou tâmara.   Outra característica do leite de camela para os produtores é que em média a camela produz 7,5 litros de leite por dia.  Quando se compara com a produção de uma vaca leiteira, em média 26,5 litros/dia, poderíamos dizer que não parece um investimento atraente.

No entanto, isso não está desanimando novos criadores rurais.  Principalmente quando há grande demanda tanto para o leite como para o chocolate feito com o leite de camela.  Essa procura vem dos países ricos do Oriente Médio, do Japão e da Europa.  Por isso mesmo, pessoas como Millie Hinkle, entrevistada pelo Wall Street Journal em Raleigh, Carolina do Norte, estão à cata de aprovação pela FDA [Food and Drug Admnistration] para poderem vender o leite de camelo dentro dos EUA.  A produção de seu rebanho de 40 camelos já estaria toda vendida caso o leite de camelo já tivesse sido aprovado para comércio nos EUA.  Há muito interesse.  Há muita procura.    Em 2006, a ONU projetou  em 10 bilhões de dólares o total de vendas globais de leite de camela e recomendou que o Oriente Médio se dedicasse a essa atividade para melhoria econômica.  Evidentemente não só os habitantes do Oriente Médio estão com os olhos abertos para a oportunidade.  Já há interesse na produção de leite de camela nos EUA, que como o Brasil, não têm camelos naturalmente.  Será que haverá alguém, aqui no Brasil, interessado em se dedicar à produção de leite de camela?   Fica aqui a idéia e os votos de sucesso.  Quanto a mim, a não ser que o meu médico recomende, acho que ficarei com os meus próprios preconceitos.  Vai ser difícil esquecer de onde vem esse leite.  Rs…

FONTES: 

Reuters

The Wall Street Journal