Dinah Silveira de Queiroz — trecho de Floradas na Serra

22 05 2012

Paisagem na Mata Atlântica, Petrópolis, RJ

Carlos Oswald (Brasil, 1882-1971)

óleo sobre tela colado em eucatex, 70 x 95cm

“Cobria-se a Serra de flores.  Correu primeiro um balbucio de primavera. Seria já a florada?  Botões, aqueles pequenos sinais? No meio dos bosques escondidos entre os montes, o amarelo e o vermelho salpicavam, abriam no verde sorridente espanto. Em lugares mais resguardados, mais favorecidos, em breve surgia a neve florida cobrindo as pereiras e transformando, enriquecendo a paisagem.  E logo também floriam os pessegueiros.  Junto das favelas, nos parques dos sanatórios, rodeando os bangalôs, à beira das águas mansas, a florada em rosa e branco apontou finalmente, luminosa, irreal.

Perto do pequeno lago em que se debruçavam as pereiras alvas, encantadas, o pintor armou o cavalete.  Tocados de primavera, os galhos roçavam a água que reproduzia a fila das árvores. Amarrada à margem a pequena canoa envernizada, vazia, estava juncada de flores que o vento carregara.”

Em: Floradas na Serra, Dinah Silveira de Queiroz, Rio de Janeiro, José Olympio:1984, 23ª edição. Prêmio Antônio de Alcântara Machado, da Academia Paulista de Letras. Originalmente publicado em 1939.





Quadrinha do ócio

22 05 2012

Soneca na rede, ilustração Maurício de Sousa.

Perguntou-me o Joaquim

se do ócio não me canso.

Eu lhe respondi que sim:

que quando canso… descanso.

(José Raimundo Bandeira)





Palavras para lembrar — Emilie Buchwald

21 05 2012

Momentos especiais

Diane Leonard (EUA, 1949)

Gravura Glicee

“As crianças se tornam leitoras no colo de seus pais.”

Emilie Buchwald





21 de maio: dia da língua portuguesa!

21 05 2012

Retrato de Francisco Jácome, 1900

Abel Cardoso (Portugal 1877-1964)

óleo sobre tela, 63 x 85 cm

Museu Martins Sarmento, Guimarães

Hoje é o dia em que comemoramos a língua nacional, a língua portuguesa.  Esta é a nossa língua, é patrimônio cultural de nove países, falada por aproximadamente 273.000.000 – duzentos e setenta e três milhões de pessoas. É uma das línguas oficiais da União Europeia, do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas, da Organização dos Estados Americanos, da União Africana e dos Países Lusófonos.  É a quinta língua mais falada no mundo, a terceira mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul, em todo o mundo.  No presente, além de Portugal e do Brasil, o português é a língua nacional de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, e Timor Leste.

O português é originário da região ao norte de Portugal no que hoje é a Galícia [parte ao extremo oeste da Espanha] e o norte de Portugal, derivado do latim vulgar que foi introduzido no oeste da península Ibérica há cerca de dois mil anos. Em 1297, com a conclusão da reconquista, o rei D.Dinis I prossegue políticas em matéria de legislação e centralização do poder, adotando o português como língua oficial em Portugal. O idioma se espalhou pelo mundo nos séculos XV e XVI quando Portugal estabeleceu um império colonial e comercial.





Quadrinha infantil do canário

21 05 2012

Passarinhos na primavera, ilustração Maurício de Sousa.

O canário não cantava,
entretanto, o vendedor,
a quem comprou explicava:
“Não canta, é compositor…”

(César Torraca)





Imagem de leitura — Alice Soares

21 05 2012

Menina lendo, 1953

Alice Soares ( Brasil, 1917-2005)

óleo sobre tela, 46 x 38 cm

Alice Ardoheim Soares nasceu em Uruguaiana, RS em 1917.  Frequentou o Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, onde posteriormente veio a lecionar.  Depois de diversos prêmios nos Salões de Arte do Rio Grande do Sul e medalhas, Alice Soares se estabeleceu principalmente pelo retrato de crianças, principalmente meninas.  Residiu em Porto Alegre onde exerceu as profissões de pintora, desenhista e professora.  Faleceu em 2005.





Trova da filosofia das rosas

20 05 2012

Cesto com rosas, cartão postal.

Pude notar, nos caminhos,

mesmo em horas desditosas,

que rosas não têm espinhos;

espinhos é que têm rosas!

(Pedro Ornellas)





Palavras para lembrar — W. H. Auden

20 05 2012

Jovem lendo

Hubert Robert (França, 1733-1808)

Carvão vermelho sobre papel

Museu de Belas Artes de Quimper, França

“Alguns livros não merecem ser esquecidos; nenhum é lembrado sem merecer”.

W. H. Auden





Simplicidade, Felicidade… poema de Guilherme de Almeida

20 05 2012

Paisagem com pastora, s/d

Gentil Garcez (Brasil, 1903-1992)

óleo sobre tela, 43 x 60 cm

Simplicidade, Felicidade…

Guilherme de Almeida

Simplicidade… Simplicidade…

Ser como as rosas, o céu sem fim,

a árvore, o rio… Por que não há de

ser toda gente também assim?

Ser como as rosas: bocas vermelhas

que não disseram nunca a ninguém

que têm perfumes… mas as abelhas

e os homens sabem o que elas têm!

Ser como o espaço, que é azul de longe,

de perto é nada… Mas quem o vê

— árvores, aves, olhos de monge —

busca-o sem mesmo saber porquê.

Ser como o rio  cheio de graça,

que move o moinho, dá vida ao lar,

fecunda as terras… E, rindo, passa,

despretencioso, sempre a cantar.

Ou ser como a árvore: aos lavradores

dá lenha e fruto; dá sombra e paz;

dá ninho às aves; ao inseto, flores…

Mas nada sabe do bem que faz.

Felicidade– sonho sombrio!

Feliz é o simples que sabe ser

como o ar, as rosas, a árvore, o rio:

simples, mas simples sem o saber!

Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968, Coleção Henriqueta.

Guilherme de Andrade e Almeida (SP 1890- SP 1969) foi um advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro. Formou-se em direito em 1912, pela Faculdade de Direito de São Paulo.

Obras:

Nós (1917);

A dança das horas (1919);

Messidor (1919);

Livro de horas de Soror Dolorosa (1920);

Era uma vez… (1922);

A flauta que eu perdi (1924);

Meu (1925);

Raça (1925);

Encantamento (1925);

Simplicidade (1929);

Você (1931);

Poemas escolhidos (1931);

Acaso (1938);

Poesia vária (1947);

Toda a poesia (1953).





Imagem de leitura — Félix Vallotton

19 05 2012

Mulher lendo, 1906

Félix Vallotton (Suiça 1865-1925)

óleo sobre tela, 90 x 116 cm

Félix Vallotton nasceu em Lausanne na Suiça em 1865.  Estudou no cantão de origem, graduando-se em Estudos Clássicos em 1882, quando se muda para Paris para estudar arte na Académie Julian, com Jules Joseph Lefebvre e Gustave Boulanger. Começou sua carreira artística pintando retratos.  É considerado como um dos precursores da chamada Neue Sachlichkeit (“nova objetividade”), movimento que se originou na década de 1920. Além de pintor, Vallotton dedicou-se seriamente à xilogravura, tornando-se um de seus expoentes no século XX. Durante a Primeira Guerra Mundial, produziu uma série de desenhos anti-guerra.  Além do trabalho nas áreas de pintura, desenho e escultura, Vallotton escreveu três romances e uma série de peças de teatro. Seu romance ilustrado autobiográfico A vida assassina foi publicado em 1930. Faleceu em Paris em 1925.