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Floresta de Fontainebleau, 1834
Jean-Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)
óleo sobre tela, 176 x 243 cm
National Gallery of Art, Washington DC
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“O livro é o ópio do ocidente”.
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Anatole France
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Floresta de Fontainebleau, 1834
Jean-Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)
óleo sobre tela, 176 x 243 cm
National Gallery of Art, Washington DC
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Anatole France
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“24 de fevereiro [1941]
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Se o Carnaval vem desaparecendo das ruas,com mais curiosos do que mascarados, e às vezes sem nenhum dos dois, vai crescendo nos salões, onde impera uma certa licenciosidade que tende a aumentar uma certa brutalidade, ou talvez melhor dito, um certo estabanamento, que antes não se registrava nos ambientes fechados – é que o zé-povinho está vindo para eles.
Adonis insistiu, saímos para uma voltinha na Cinelândia, peruamos a entrada do Municipal, cujo baile de gala vem dando uma nota de elegância, e Gérson Macário entrava faustosamente fantasiado de odalisca, fomos até o Largo do Carioca, retornamos. Luísa ficara com as crianças na irrevogável ausência de Felicidade.
— Já voltaram?!
— Deu para cansar.
— Muito animado?
— Bastante chué.
— Aqui não passou nada. É como se não fosse carnaval”.
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Em: A mudança, Marques Rebelo, 2º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1962
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Cebolinha abre o bico… Ilustração de Maurício de Sousa.–
“Homem que é homem, não chora!”
— Obedeci, sem defesas.
Pergunto: o que faço agora
com tantas lágrimas presas?
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(Newton Meyer Azevedo)
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Senhora lendo em canoa
Arthur Ernst Becher (Alemanha 1877- EUA, 1960)
aquarela sobre papel, 25 cm x ?
Swann Galleries Inc.
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Arthur Ernst Becher [também escrito Beecher] nasceu em Freiburg, na Alemanha em 1877. Emigrou para os Estados Unidos quando tinha seis anos de idade acompanhando a família que se estabeleceu em Milwaukee, Wisconsin. Estudou desenho com alguns dos imigrantes alemães que compunham mais de metade da população da cidade e mais tarde estudou com Howard Pyle na Brandywine School de Ilustração em Delaware. Trabalhou como ilustrador de livros e revistas e como pintor de cenas rurais, paisagens e cenas históricas. Faleceu em 1960, nos Estados Unidos.
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O crítico de arte, 1935
Norman Rockwell (EUA, 1894-1978)
[Capa da revista Saturday Evening Post, de 16 de abril de 1935]
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Neste fim de semana estive envolvida com o livro O Intocável de John Banville. É extremamente bem escrito, fala de espionagem, fala de arte e da Inglaterra. Baseia-se na história real do agente secreto britânico e simultaneamente agente para a Rússia, Anthony Blunt, conhecidíssimo historiador e crítico de arte. O caso só veio ao conhecimento do público no final dos anos 80. E a história, aqui contada como uma quase-memória é fascinante. Selecionei um trecho para postagem hoje, porque mostra além do conhecimento da arte, os valores que eram a elas atribuídos e as metáforas que dela se usava. A cena se passa na Inglaterra, em 1935 antes do início da Segunda Guerra Mundial.
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“Fêz-se uma fração de segundo de silêncio, e a atmosfera adensou-se por um breve instante. Eu olhava de um para o outro, parecendo detectar uma coisa invisível a passar entre eles, não tanto um sinal como um símbolo mudo, como um desses quase impalpáveis reconhecimentos que trocam os adúlteros quando têm companhia. O fenômeno ainda me era estranho, mas ia tornar-se cada vez mais conhecido quanto mais fundo eu penetrava no mundo secreto. Assinala aquele momento em que um grupo de iniciados, no meio da tagarelice habitual, começa a trabalhar num candidato potencial: era sempre o mesmo: a pausa, o breve intumescimento no ar, depois a tranqüila retomada do tema fora irrecuperavelmente mudado. Mais tarde, quando eu mesmo já era um iniciado, essa pequena agitação especulativa me emocionava profundamente. Nada muito tentador, nada muito emocionante, a não ser, claro, algumas manobras na caçada sexual.
Eu sabia o que estava acontecendo; sabia que estava sendo recrutado. Era emocionante, assustador e ligeiramente ridículo, como ser chamado das laterais para jogar no time titular da escola. Era divertido. Essa palavra não traz mais o peso que tinha para nós. Diversão não era diversão, mas o teste de autenticidade de uma coisa, uma verificação do seu valor. As coisas mais sérias nos divertiam. As coisas mais sérias nos divertiam. Isso é algo que os Felix Hartmans jamais entenderam.
— Sim – falei, é verdade que eu antes defendia o primado da forma pura. Uma parte muito grande da arte é apenas anedótica, que é o que atrai o sentimentalista burguês. Eu queria uma coisa rude e estudada, realmente fiel à vida: Poussin, Cézanne, Picasso. Mas esses novos movimentos… esse surrealismo, essas áridas abstrações… que têm eles a ver com o mundo real, em que os homens vivem, trabalham e morrem?
Alastair bateu palmas lentas e silenciosas. Hatman, franzindo pensativamente a testa para meu tornozelo, ignorou-o.
— Bonnard – disse. Bonnard fazia furor naquele momento.
— Felicidade doméstica. Sexo sábado à noite.
— Matisse.
— Postais pintados a mão.
–Diego Rivera.
— Um verdadeiro pintor do povo, claro. Um grande pintor.
Ele ignorou o sorrisinho de lábio preso que não pude evitar; lembro-me de que surpreendi Bernard Berenson sorrindo assim uma vez, quando fazia uma atribuição gritantemente falaz de uma falsificação barata que um infeliz americano ia comprar por um preço fabuloso.
— Tão grande quanto … Poussin? – perguntou.
Encolhi os ombros. Então ele conhecia meus interesses. Alguém andara falando-lhe. Olhei para Alastair, mas ele se achava absorvido examinando o polegar machucado.
— Essa questão não se coloca – disse eu – A crítica comparativa é em essência fascista. Nossa tarefa – como apliquei delicadamente a pressão nesse nosso – é enfatizar os elementos progressistas na arte. Em tempos como estes, certamente é esse o primeiro e mais importante dever do crítico.
Seguiu-se outro silêncio significativo, Alastair chupando o polegar, Hartman balançando a cabeça e eu olhando para o lado, a exibir meu perfil, a própria modesta e a firme decisão proletárias, como, tinha certeza, uma daquelas figuras em relevo, em leque, no pedestal e um monumento do realismo socialista. É curioso como as pequenas desonestidades são as que se grudam na seda da mente. Diego Rivera – Deus do céu! Alastair observava-me agora com um sorriso matreiro”.
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Em: O Intocável, John Banville, Rio de Janeiro, Record: 1999, pp-114-115, tradução de Marcos Santarrita.
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Rezando, ilustração anericana, Coby, década de 1970.–
Instante de um doce infindo,
aquele depois da prece,
quando a criança, sorrindo,
beija a boneca e adormece…
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(Amadeu Fontana Lindo)
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Leitora entre pavões, s/d
Duy Huynh (Vietnam/EUA, contemporâneo)
acrílica sobre tela
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Jules Renard
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O príncipio da incerteza, 1944
René Magritte (Bélgica, 1898-1967)
óleo sobre tela
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Houve tempo em que brincávamos com as mãos fazendo as mais diversas sombras. Lembro-me de passar alguns dias de férias na casa de uma família amiga, um sítio, no interior do estado do Rio de Janeiro. Era um lugar longínquo. Chegávamos de trem até a estação mais próxima e depois disso ainda íamos de charrete até o local, uns 17 quilômetros da estação por estrada de terra. Não havia eletricidade. Lampiões eram acesos assim que o sol ia se pondo. Havia lampiões em todo canto, na varanda que circundava a casa em três lados e dentro de casa. Na varanda eram dependurados, de quando em quando, dos vergalhões que sustentavam o telhado, de telhas louçadas com decoração em azul e branco. A casa de um andar só era rústica, e dependíamos de dosséis para nos livrarmos das mordidas de mosquitos e de todo outro tipo de inseto atraído para dentro de casa pela luz dos lampiões. Foi a primeira e última vez que dormi debaixo de um dossel e devo dizer, foi de grande efeito ainda que abafe um pouco o ar já quente e úmido do verão tropical. Lá, para passar o tempo das longas férias de verão, brincamos algumas noites de sombras com as mãos. Era moderadamente divertido, mas nós os jovens adolescentes de 13 a 15 anos de idade não tínhamos muito mesmo que fazer…
Essa lembrança me veio hoje, quando recebi um PPS com fotos de mãos. Não, não eram sombras. Mas mãos pintadas fazendo animais ou outras cenas. Achei-as muito criativas. São obras do artista italiano Guido Daniele de Milão. Sua breve biografia encontra-se no final. Coloco aqui algumas das imagens que recebi. É possível que você também já tenha recebido essas fotos, já que essas coisas são virais, se esse for o caso, reveja-as. Um bom domingo para todos.
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Guido Daniele, nasceu na República Checa em 1950, mas mora e trabalha em Milão. Frequentou o Liceu de Arte de Brera de 1964 a 1968. Depois fez o curso de escultura na Academia de Belas Artes de Brera de 1968 a 1972. De 1972 a 1974 frequentou a escola tibetana Tankas em Dharamsala na Índia. Começou sua carreira de artista visual com exposições solo e coletivas a partir de 1968. Em 1990 adicionou à sua experiência a técnica da pintura corporal pintando o corpo de modelos para fotos, filmes de publicidade, eventos. Com isso conseguiu unir as tradicionais técnicas do retrato, da pintura a óleo e da fotografia, trazendo para elas o conhecimento que tem da escultura, do objeto tridimensional. Em 2000 começou a sua obra MANI ANIMALI [mãos animais] que o projetou internacionalmente.
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Mulher com chapéu [Mme Matisse], 1905
Henri Matisse (França, 1869-1954)
óleo sobre tela, 79 x 60 cm
Coleção Particular
Historiadora da Arte: Ladyce West
Todas as segundas-feiras das 17:00 às 19:00 horas
Início: 4 de março de 2013 [duração 10 semanas]
Local: Auditório Helena Lodi, VOZ PLENA
Rua Djalma Ulrich 154, 5º andar, esq. N. Sra. de Copacabana, Copacabana, Rio de Janeiro
Informações e inscrições: ladyce@terra.com.br
Vagas limitadas
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Sem título
Frederick Hendrik Kaemmerer ( Holanda, 1839-1902)
Gravura baseada em pintura do artista
18 x 27 cm
Wellcome Library, Londres
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Franklin Delano Roosevelt