Trova da saudade…

14 02 2025

 

Saudade…Perfume triste

de uma flor que não se vê.

Culto que ainda persiste

num crente que já não crê.

 

(Menotti Del Picchia)

 





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

14 02 2025

Fazendinha na Floresta da Tijuca, RJ

Fernando Correa e Castro (Brasil, 1933)

óleo sobre tela, 41 X 50 cm





Resenha: O jovem, de Annie Ernaux

13 02 2025

Le quai des brumes

Francine van Hove (França, 1942)

óleo sobre  tela

 

 

Fazer resenha de alguns parágrafos sobre o livro O jovem de Annie Ernaux, com tradução de Marília Garcia [Fósforo: 2022] é mostrar que apesar de poucas páginas — um conto? — há pelo menos algo de mais sólido a ser observado sobre essa leitura.  Estou aos poucos cobrindo a obra de Annie Ernaux, volume por volume.  Não porque ela tenha sido recipiente do Nobel de Literatura 2022.  Não tenho o hábito de ler toda a obra de quem ganha o Nobel.  Mas sua prosa é de grande sensibilidade e a forma de autobiografia ficcionalizada,– sempre considero que qualquer biografia é ficção –, tem me atraído nos últimos tempos, também pela interação de história com memória. 

A linha narrativa deste minúsculo volume é simples: uma mulher de uma certa idade, tem um parceiro amoroso muito mais jovem do que ela.  O rapaz tem idade para ser seu filho.  Nas últimas décadas esse parece ser um acontecimento mais comum, menos escondido.  Vemos na mídia, com alguma frequência, senhoras envolvidas amorosamente com rapazes jovens.  Tinha impressão de que essa desigualdade de idades, com o perfil desse casal, fosse corriqueiro na França, mas, pelo visto, na época de Annie Ernaux, esse não era o caso.

 

 

O que me surpreendeu nessa história  foi perceber que a mulher, pelo menos nesse caso, acaba com atitudes e posicionamentos que vemos na descrição de homens mais velhos que mantêm relacionamentos com mulheres que, pela idade, poderiam ser suas filhas.  Não sei porque, eu achava que seria diferente: estava errada.  Nesse conto, a mulher (Annie) se sente superior ao rapaz e fada madrinha, dando ao jovem acompanhante oportunidade de viagens por diferentes cidades europeias, estadias e refeições em lugares luxuosos, ao mesmo tempo observando para si mesma e muitas vezes de maneira crítica,, gestos e maneirismos que lhe desagradam.  Ao mesmo tempo, sua exposição à penúria da vida do estudante, e aos métodos que ele usa para combater a falta de dinheiro, trazem para a narradora memórias de sua própria juventude.  Mas não há afeto.  É um estranho passeio sem emoção pela juventude da própria autora.

 

Annie Ernaux

A conclusão sobre o comportamento da mulher nessa memória fica a cargo do leitor.  Apesar de ser uma parte independente das outras obras de Annie Ernaux dessa volumosa autobiografia, acho um gesto de marketing fazer essa publicação em separado.  Talvez traga o benefício de apresentar a autora a um publico maior, que não queira investir tempo na leitura.  Mas suas outras obras, publicadas pela mesma editora podem muito bem preencher essas demandas, pois são livros de rápida leitura e poucas páginas. 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

12 02 2025

Mulher na Janela e peras sobre a mesa, 1996

Adilson Santos, (Brasil, 944)

óleo sobre tela, 70 X 51 cm

 

 

Cesta de Frutas, 2006

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925-2019)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm





Flash!

11 02 2025
O escritor Nelson Rodrigues ao lado da atriz Fernanda Montenegro, em dezembro de 1961.




Nossas cidades: Cuiabá

11 02 2025

Catedral de Cuiabá, 1950

Tomoo Handa (Japão-Brasil, 1906-1996)

óleo sobre tela, 68 x 78 cm





Eu, pintor: Tomoo Handa

10 02 2025

Autorretrato, 1945

Tomoo Handa (Japão-Brasil, 1906-1996)

óleo sobre tela,





Soneto, João Xavier de Matos

10 02 2025

Operários, 1933
Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973)
Óleo sobre tela, 150 x 205 cm
Acervo do Palácio do Governo do Estado de São Paulo

 

 

Soneto

 

João Xavier de Matos

 

Pobre ou rico, vassalo ou soberano,

Iguais são todos, todos são parentes;

Todos nasceram ramos descendentes

Do trono antigo do primeiro humano.

 

Saiba, quem de seus títulos ufano

Toma por qualidade os acidentes,

Que duas gerações há só dif’rentes

Virtude e vício: tudo mais é engano.

 

Por mais que afete a vã genealogia

Introduzir nas veias a natureza

De melhor sangue, do que Adão teria:

 

Não fará desmentindo a natureza

Que seja sem virtude a fidalguia

Mais que um triste fantasma da grandeza.

 

(1789)

 

João Xavier de Matos (Portugal, c. 1730-1789)





Palavras para lembrar: Baruch Espinoza

9 02 2025

O erudito e seu cão

Eduard Charlemont (Austria, 1848-1906)

óleo sobre madeira, 57 x 48 cm

 
“O homem livre, no que pensa menos é na morte, e a sua sabedoria é uma meditação, não da morte, mas da vida.”
 
Baruch Espinoza





Paisagens brasileiras…

9 02 2025

Paisagem com Casario e Ponte em Minas Gerais, 1978

Inimá de Paula ( Brasil,1918-1999)

óleo sobre tela, 65 X 81 cm

 

 

Paisagem

Carlos Sorensen (Brasil,1928 – 2008)

óleo sobre tela, 52 x 82 cm

 

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Um dia ainda vou escrever sobre paisagens e as brasileiras em particular.  Hoje temos dois pintores brasileiros expressionistas.  Sou parcial a todo o expressionismo, desde Henri de Matisse até os que trabalham nos dias de hoje.  Tenho que me policiar para não colocar sempre obras expressionistas no blog, porque esse não é o objetivo deste espaço.

Temos aqui duas obras com o mesmo assunto: vegetação densa, rio e casas.  Pequenas cidades.  Vilarejos. Ambas as telas trazem ao espectador  variadas emoções.  Apesar de quase caótica, a cena da tela de Inimá de Paula nos traz equilíbrio pelo uso abundante das tonalidades de azul e verde, cores calmas, ainda que intensas em seu volume.  Enquanto a tela de Carlos Sörensen com grande variedade de cores explosivas, concentradas no leque dos tons avermelhados, encontra equilíbrio nas ‘quase monótonas’ horizontais.  Vejam que elas também são linhas rebeldes que quase não querem ser horizontais.  Mas, cortando a tela em fatias visuais elas baixam a excitação visual de todos os vermelhos, laranjas, lilás e demais cores que excitam o nosso olhar.

Temos grandes expressionistas no país.  Vale a pena procurá-los.