Márcia Brenner (Brasil, contemporânea)
óleo sobre tela, 70 x 50 cm
Procissão religiosa em Saragossa, c. 1332-1350
Chroniques de France ou de St. Denis, Paris
Royal 16 G VI, f. 32v
British Library
Notas do Diário de Viagem de Albrecht Dürer, em 1520.
“No domingo depois da procissão de Nossa Sra. da Assunção vi uma grande procissão da Igreja de Nossa Senhora na Antuérpia, quando a cidade inteira de todas as classes e ofícios se aglomerou, cada qual vestido de acordo com sua posição na sociedade. E todas as classes e guildas traziam as bandeiras, pelas quais podiam ser reconhecidos. Em intervalos grandes e caras velas-postes eram carregadas e os longos trombones francos de prata. Ainda na tradição germânica havia muitas flautas e tambores. Todos instrumentos vivamente tocados.
Vi a procissão passar pela rua, as pessoas enfileiradas, cada homem mantendo uma certa distância de seu vizinho, mas as filas eram próximas umas das outras. Havia ourives, pintores, pedreiros, bordadores, escultores, marceneiros, carpinteiros, marinheiros, pescadores, açougueiros, curtidores, tecelões, padeiros, alfaiates, sapateiros — de fato trabalhadores de todos os naipes, e muitos artesãos e negociantes que trabalham para sua sobrevivência. Da mesma forma, lojistas e comerciantes, e seus assistentes de todo tipo estavam lá. Depois deles vinham os atiradores com suas armas, arcos e flechas, os cavaleiros e os soldados a pé também. Seguia então um grande grupo de senhores magistrados. Logo vinha um grupo todo em vermelho, vestido em nobre e esplêndida maneira. Antes deles, no entanto, vieram todas as ordens religiosas e membros de algumas fundações muito devotos, todos em suas diferentes vestimentas.”
Travel Diary, Dürer, em W.M. Conway, Literary Remains of Albrecht Dürer (Cambridge; University Press, 1889): text slightly revised by J.B.R.
Encontrado em The Portable Renaissance Reader, editado por James Bruce Ross e Mary Martin McLaughlin, New York, The Viking Press: 1958, p. 232-233.
[Tradução é minha]
Eliseu Visconti (Itália/Brasil, 1866-1944)
óleo sobre tela
Coleção Particular
Gonçalves Crespo
Cercada de mestiças, no terreiro,
Cisma a Senhora Moça; vem descendo
A noite, e pouca a pouco escurecendo
O vale umbroso e o monte sobranceiro.
Brilham insetos no capim rasteiro,
Vêm das matas os negros recolhendo;
Na longa estrada ecoa esmorecendo
O monótono canto do tropeiro.
Atrás das grandes, pardas borboletas,
Crianças nuas lá se vão inquietas
Na varanda correndo ladrilhada.
Desponta a lua; o sabiá gorjeia;
Enquanto às portas do curral ondeia
A mugidora fila da boiada.
1869
Em: Obras Completas, Gonçalves Crespo, Livros de Portugal, s/d, Rio de Janeiro, p. 114.
Ilya Galkin (Rússia, 1860-1915)
óleo sobre tela
“Infelizmente na cultura brasileira, existe a noção de que contar uma boa história é algo menor, de mero “entretenimento”; o verdadeiro artista cria obras rebuscadas, de difícil compreensão, repleta de silêncios e incongruências.”
Em: “A Antinarrativa”, Raphael Montes, O Globo, 18/11/2015, 2º caderno, página 6.
Iluminura
Bíblia moralisada (Codex Vindobonensis 2554), 344 x 260 mm
Österreichische Nationalbibliothek, Viena
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Às vezes é complicado explicar como cheguei a certos textos, nem vale a pena. Há uma palavra em inglês que é o meu motto: Serendipity. A tradução é inexata: ao acaso, por sorte, gosto de pensar que é por um flanar através de tópicos e ideias que chego ao que me importa. Taí, uma boa descrição. Aqui estão alguns dados interessantes sobre a evolução da astronomia.
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“Os astrônomos da Europa ocidental antes do final do século X estavam bastante incapacitados em seu trabalho por falta de instrumentos apropriados à observação dos astros. Até então seus principais instrumentos eram a esfera armilar e o relógio de sol. Para calcular as datas da Páscoa e de outras festas móveis e o tamanho dos anos, meses e dias eles dependiam dos ciclos orientais ou tabulas, que eram baseados em outros, feitos anteriormente pelos alexandrinos. Ainda que por bastante tempo antes do século X eles soubessem que seus cálculos não estavam corretos, eles eram incapazes de melhorar sua medições porque ainda não tinham recebido dos árabes melhores instrumentos e teorias astronômicas.
Só ao final do século X o conhecimento do astrolábio árabe começou a penetrar no ocidente latino.”
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[tradução minha]
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Em: Early Medieval Society, ed. Sylvia L. Thrupp, New York:1967, artigo, Lotharingia as a Center of Arabic and Scientific Influence in the 11th century, de Mary Catherine Welborn, p.237
Retrato de N. V. Sapozhnikova, 1915
Nicolai Fechin (Rússia, 1881-1955)
óleo sobre tela
Museu de Arte, Tatarstan, Kazan