Imagem de leitura — Jean-Pierre Alaux

2 05 2016

 

 

Jean-Pierre Alaux _surrealism (2)

Sem título

Jean-Pierre Alaux (França, 1925)





Nossas cidades: Morretes, PR

2 05 2016

 

 

guidoviaro_morretesGuido Viaro – Morretes. Vista do Marumbi, sem dataMorretes, vista do Marumbi, s/d

Guido Viaro (Itália/Brasil, 1897-1976)

óleo sobre tela





Resenha de “Euforia” de Lily King

2 05 2016

 

 

MaoriChief1784Chefe Maori, 1784

Sydney Parkinson, (GB, 1745-1771)

gravura

 

 

Considerado o livro do ano em 2014 tanto pela crítica inglesa quanto pela americana fui com sede ao pote de Euforia, livro de Lily King, lançado no Brasil no início deste ano.  O romance histórico baseado na vida da antropóloga americana Margaret Mead, durante a década de 1930, cobre suas aventuras no sudeste asiático, quando acompanhada de seu segundo marido Reo Fortune,[ Schyler Fenwick, no livro], um antropólogo natural da Nova Zelândia, vem a conhecer aquele que se tornará seu terceiro marido, Gregory Bateson [Andrew Bankson, no livro].

Margaret Mead foi muito mais do que uma revolucionária no estudo da antropologia, tornou-se também um ícone do movimento feminista por ter advogado a liberação sexual, depois de publicar o livro Coming of Age in Samoa em 1928. Talvez tenha sido por essa aura de importância, pela fama de rebelde, iconoclasta, por ter quebrado tabus sociais e culturais no ocidente com ideias adquiridas na observação de povos primitivos; por ter sido defensora da observação in loco; por ter tido três casamentos; por ter ensinado antropologia na Universidade de Columbia; ter sido conservadora do American Museum of Natural History; por ter recebido, ainda que postumamente, a “Presidential Medal to Freedom”, a mais alta honraria dada pelos Estado Unidos, que a vida de Margaret Mead, romanceada tenha sido tão elogiada pela crítica e pelo público.  Talvez tenha sido o público, sempre curioso pela dedicação romântica, apaixonada, renovadora da antropóloga, que levou esse livro  a ser tão bem considerado. Essa é a justificativa que encontro para o sucesso extraordinário deste romance histórico e para os elogios abundantes dos dois lados do Atlântico.

 

 

EUFORIA_1454337715551239SK1454337715B

 

 

Em visita a um museu não apreciamos o retrato de uma pessoa famosa pelo que ela fez. É a arte do pintor ao retratá-la que nos fascina.  Não fosse isso, nenhum de nós atravessaria meio mundo para observar por alguns minutos o retrato da Mona Lisa, por exemplo, cuja vida particular nos é tão pouco conhecida. É a habilidade de Leonardo da Vinci que nos leva ao Louvre.  São suas pinceladas, sua técnica que nos fascinam ao contemplar La Gioconda. O mesmo não acontece com Euforia. Margaret Mead, sua vida e sua paixão são o que nos atrai. Não foi a arte literária de Lily King, a narrativa excepcional.

Euforia trata do início da paixão entre Nell Stone e o antropólogo inglês Andrew Bankson. Inicialmente a atração dele por ela é intelectual. Mesmerizado pela maneira de pensar, pela dedicação, pelos métodos de pesquisa de Nell Stone, Andrew a aprecia prontamente. É sua mente que o atrai primeiro. Depois sua liberdade, sua franqueza, sua essência americana.

“Seus olhos queimavam dentro dos meus quando eu tinha uma ideia de que ela gostava. Seguia cada palavra que eu dizia; voltava a elas mais tarde. Quando escrevi o nome de Martin no gráfico, ela passou o dedo sobre as letras. Eu sentia que em alguns aspectos tínhamos feito alguma espécie de sexo, sexo mental, sexo de ideias, sexo de palavras, enquanto Fen dormia…” [183-4]

 

 

kinglilynotebooksfwLily King

 

 

Euforia não é uma biografia.  Tampouco é uma obra literária de peso.  Trata-se de um romance tradicional, que conta as circunstâncias e o desenvolvimento do mais longo relacionamento de Margaret Mead, 14 anos: seu casamento com Gregory Bateson. É uma ficção histórica. Leve.  Uma obra que nos dá em grandes pinceladas uma ideia do que pode ter sido a vida desses antropólogos trabalhando no início do século XX, estudiosos que mudaram o rumo do estudo do homem, de seu ambiente e sua cultura.  Tem um ar de aventura, sem a excitação de As minas do rei Salomão, de Henry Rider Haggard, por exemplo. E talvez seja essa a minha grande crítica: o livro nem é bem uma biografia, nem um livro de aventuras que deixem o coração palpitando.  Não é uma obra que prime pela qualidade literária, sua escrita é corriqueira.  É morno. Nem isso, nem aquilo. É uma leitura que entretém, rápida. Algo para uma tarde de verão, para um dia de férias.





Palavras para lembrar: Romain Rolland

1 05 2016

 

 

Delamonica didierDidier Delamonica (França, 1950)

 

 

“Nunca lemos só um livro. Nós nos lemos através dos livros, seja para nos descobrirmos, seja para nos controlarmos.”

 

 

Romain Rolland





Domingo, um passeio no campo!

1 05 2016

 

Alfredo Volpi- Cena Rural produzido em meados da década 20, óleo sobre tela, medindo 50cmx71cm, assinado no canto inferior direitoCena rural, década de 1920

Alfredo Volpi (Itália/Brasil, 1896-1988)

óleo sobre tela, 50 x 71 cm





A beleza do inacabado

30 04 2016

 

 

da vinciLa Scapigliata, 1508

[Cabeça e ombros de mulher]

Leonardo da Vinci (Itália, 1452-1519)

óleo sobre madeira (pinho) , 27 x 21 cm

Galleria Nazionale di Parma, Itália

 

 

O Metropolitan Museum Breuer, mais nova filial do Museu Metropolitano de Nova York, que ocupa o edifício do antigo Whitney Museum depois deste ter encontrado outra localização, tem no momento uma interessante exposição chamada Unfinished: Thoughts Left Visible, em que trabalhos que não foram acabados estão expostos ao público.

Sempre achei fascinantes as obras de arte inacabadas porque dão a nós, meros espectadores, a ideia de onde ou para onde o pintor ou o escultor iria.  São trabalhos que iniciam um diálogo com o observador. Completamos os traços deixados para trás.  Concordamos ou não com que o que foi feito.  Temos uma aula de pintura, de desenho, de como esculpir um peça de mármore simplesmente pela observação detalhada de um obra. Conversamos com os artistas através dos séculos.

A obra de Leonardo acima faz parte dessa exposição.  Abaixo coloco alguns do meus trabalhos “inacabados”, aqueles de minha preferência. Coloco aspas na palavra inacabado, porque há momentos, como na tela de Leonardo da Vinci que é difícil declarar se o artista deixou a tela inacabada, ou se simplesmente deixou propositadamente a tela “aberta” para que completássemos aquilo que não estava sendo retratado.

 

110hellDante: Divina Comédia, década de 1480

Sandro Botticelli (Itália, 1445-1510)

Iluminura em manuscrito [Ms Hamilton, 210]

Staatliche Museen, Berlim

 

 

309davidRetrato do General Bonaparte, 1797

Jacques-Louis David (França, 1748-1825)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm

Musée du Louvre, Paris

 

 

 

26barbarSanta Bárbara, 1437

Jan van Eyck (Bélgica, 1395-1441)

Grisaille sobre madeira, 31 x 18 cm

Koninklijk Museum voor Schone Kunsten, Antuérpia

 

 

 

03daughtAs filhas do pintor com um gato, 1761

Thomas Gainsborough (Grã-Bretanha, 1727-1788)

óleo sobre tela, 75 x 62 cm

National Gallery, Londres

 

 

8patrieA pátria em perigo, 1832

François Gérard (França, 1770-1837)

óleo e carvão sobre tela, 86 x 96 cm

Coleção Particular

 

 

5late12Mulher em traje de montaria, 1882

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 74 x 53 cm

Museo Thyssen-Bornemisza, Madri

 

 

 

bathshebBetsabé [Bathsheba], 1832

Karl Pavlovich Bryollov (Rússia, 1799-1852)

óleo sobre tela, 173 x 126 cm

State Tretyakov Gallery, Moscou

 

 

 

42esterVirgem Maria, Menino Jesus e S. João Batista, 1508

Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520)

têmpera e óleo sobre madeira, 29 x 22 cm

Szépművészeti Múzeum, Budapeste





Flores para um sábado perfeito!

30 04 2016

 

 

I. SPELTRI, Vaso de antúrio - Óleo sobre papel - 70x50 cm - ACID 1988Vaso com antúrios, 1988

Ingres Speltri (Brasil, 1940)

óleo sobre papel, 70 x 50 cm





Imagem de leitura — Jules Pascin

29 04 2016

 

 

Girl in Green Reading (1917). Jules Pascin (Bulgarian, 1885-1930). Oil on canvas. The Barnes Foundation.Moça de verde lendo, 1917

Jules Pascin (Bulgária, 1885-1930)

óleo sobre tela

The Barnes Foundation, EUA





Rio de Janeiro, cidade olímpica!

29 04 2016

Casimiro Ramos Filho (Brasil, 1905,1975) Paisagem com casario e lavadeira no Andaraí, RJ,1947, ost,65x75Paisagem com casario e lavadeira no Andaraí, RJ, 1947

Casimiro Ramos Filho (Brasil, 1905 -1975)

óleo sobre tela, 65 x 75 cm





Em comemoração ao dia do Livro, desafio de Raphael Montes

28 04 2016

 

 

Laura Mostaghel, (EUA) At home by the sea, glicée, 18 x 25 cmEm casa à beira-mar

Laura Mostaghel (EUA, contemporânea)

Gravura Glicée, 45 x 64 cm

 

 

No dia 25 de abril Raphael Montes, em sua coluna semanal no jornal carioca O Globo, publicou uma crônica deliciosa sobre livros e leitura, em homenagem ao Dia Mundial do Livro que havia sido comemorado no sábado anterior, dia 23 de abril.  Trago aqui seu desafio aos leitores, no intuito de dar incentivo à leitura.

 

“Àqueles que costumavam ler, mas perderam o hábito, que passem na livraria mais próxima e comprem o lançamento que chamar sua atenção. Comecem a ler nesta mesma noite (e tentem terminar até meados de maio, no máximo!).

A quem já gosta de ler, o desafio é outro: nas próximas semanas, conquiste um novo leitor. Seja paciente e evite a imposição. Ler deve ser prazeroso, antes de tudo. Busque indicar gêneros que vão ao encontro do perfil do leitor. Perguntar quais seus filmes e músicas favoritos costuma ajudar a encontrar o livro ideal.

Por fim, o desafio aos que não gostam de ler: permita-se viver essa experiência. Comece por algum livro cuja história o atraia. Se não gostar, pule para outro, sem medo de largar no meio. Experimente livros de todos os gêneros e estilos, desde suspensa até poesia. Existe um universo incrível a ser desvendado. Vá em frente sem medo de ser feliz!”

 

 

Em: “Para quem não gosta de ler”, Raphael Montes, O Globo, 25/04/2016, 2º caderno, página 6.