Shaaban Mohamed Abbas (Egito, 1969 -2010)
Jardins do Aeroporto Internacional do Cairo
Ilustração Alice May Cook, c. 1918.
O grande tenor se cala
ante o pássaro silvestre.
– É o discípulo de gala
querendo escutar o mestre
(A. de Assis)
Paul Duff (Canadá 1908-2014)*
óleo sobre tela, 60 x 74 cm
* Paul Duff tornou-se cidadão honorário do Rio de Janeiro, em 1976, depois de sua estadia no Brasil por um pouco mais de 10 anos como pintor. Sua especialidade no Brasil foram acima de tudo as plantas, flores e arbustos encontrados por aqui. Foi o primeiro cidadão canadense a obter a cidadania honorária.
Cofre com bordados, final do século XVII
Bordados em seda, Inglaterra
Royal Collection Trust (C) Her Majesty Queen Elizabeth II
Esse pequeno cofre está coberto por bordados feitos em seda, com uma cena de pessoas na paisagem na parte de cima, que se abre e uma figura humana em cada porta. Ele pode ser aberto em três locais e inclui divisões, nichos, gavetinhas e compartimentos escondidos, assim como diversos pequenos objetos.
Conhecido como “Cofre Little Gidding”, foi provavelmente feito por uma das Senhoritas Colletts, sobrinhas de Nicholas Ferrar que fundaram a comunidade Little Gidding, em Huntingdondhire em 1626. Ambas as jovens, que ficaram famosas pelas suas habilidades como bordadeiras, cresceram nessa comunidade que se dedicava às preces, ao jejum e aos atos de caridade.
David Padworny (EUA, contemporâneo)
É bem apropriado que agora na segunda década do século XXI quando a Colômbia já está equilibrada na guerra ao narcotráfico, que obras literárias, filmes e séries televisivas surjam dando a seus leitores uma melhor ideia do mundo de Pablo Escobar e seus companheiros. A grande surpresa é que O ruído das coisas ao cair, conta a história situada nos anos 70 do século passado, mas sem muita violência. O enredo é simples, Antonio Yammara, professor universitário faz conhecimento no salão de bilhar com Ricardo Laverde que acabou de sair da prisão. Têm uma ou outra conversa, mas não chegam a ser próximos. Um dia, quando a amizade começava a se desenvolver, quando os dois andam na rua, Ricardo é assassinado, sem razão aparente. Antonio, ao seu lado, também é vítima de um tiro, é hospitalizado e leva muito tempo para se recuperar física e emocionalmente. Nesse processo, de alguns anos, resolve descobrir as razões para Ricardo Laverde ter sido alvo dos assassinos.
O processo da descoberta é lento e tortuoso. E o leitor acompanha passo a passo e só consegue segui-lo graças à voz narrativa de Juan Gabriel Vásquez que se destaca como um bom contador de histórias, à maneira dos clássicos do século XIX, que pausada e detalhadamente volta duas gerações na narrativa.
Na tradição das narrativas de causos voltamos aos avós de Ricardo Laverde, seus pais, sua esposa e filha, que, inacreditavelmente também se encontra numa procura semelhante à de Antonio, pois precisa descobrir detalhes da vida de seu pai. Há grande mérito na habilidade de escrita de Vásquez, pois sem ela, a história poderia se perder na sequência de evento após evento. A fascinação de Antonio Yammara pelo parceiro de bilhar não me pareceu forte o suficiente para justificar praticamente o livro inteiro de procura sobre mais detalhes; mesmo tendo ele sofrido um tiro que lhe abalou a saúde. Faltava um comprometimento emocional maior do professor universitário em relação ao companheiro de jogo, para justificar a caça aos fatos, ainda que Antonio Yammara pareça mesmo uma pessoa distante, sem grande habilidade de conexão emocional, como mostra sua relação com Aura e Letícia, sua mulher e filha.
Juan Gabriel Vásquez
Eu gostaria de ter tido maior simpatia pelos personagens com quem passei essas horas de leitura. Mas nenhum deles, nem do núcleo do professor quanto do núcleo de Ricardo Laverde foram capazes de aprisionar meus sentimentos. A linguagem de Vásquez é bastante refinada e há momentos de grande beleza, principalmente nas descrições da natureza colombiana. É um livro de leitura rápida e de temática muito interessante. Ótimo enfoque. Mas ele me deixou fria.