O amor e o tempo, poesia de Antônio Feijó

3 07 2025

Senhora no salão

Paul Walter Ehrhardt (Alemanha, 1872-1959)

óleo sobre tela, 84 x 66 cm

 

O amor e o tempo

 

Antônio Feijó

 

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.

— «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trêmulas ao vento…
— «Porque voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» — Nesse momento,

Volta-se o Amor e diz com azedume:
— «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo… Adeus! Adeus!

 

 





Filhotes fofos!

3 07 2025

Filhotinho de Urso polar em sua primeira exposição ao público, com três meses e meio, no Zoológico de Toronto.

Para celebrar o frio que anda fazendo por aqui e pelo sul do país.





Dia a dia…

3 07 2025

Claraboia foi um livro de José Saramago escrito em 1952.  Mas ele não conseguiu publicá-lo até os anos 80. Não tem aquela forma por que Saramago ficou conhecido.  Tem parágrafos, pontuação tradicional. Trata-se das histórias de diversas famílias vivendo em um edifício.  Tem um gostinho dos anos cinquenta do século passado, é um tantinho moralista. Afinal trata-se da era de Salazar. Saramago usa da insinuação em temas delicados, que hoje seriam abertamente ilustrados, fala de política, de amores e paixões, de seres humanos.  Cativa com sua linguagem, seduz mesmo. É tão bom reconhecer palavras que são usadas em contextos  diferentes e com maestria! Foi uma excelente tarde nesse papo delicioso. 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

2 07 2025

Natureza morta, cesto com maçãs, 1962

Ettore Frederighi (Brasil, 1909-1978)

óleo sobre eucatex, 59 x 48 cm

 

 

Natureza morta, cebolas, chuchu, beterraba, couve-flor, repolho, cesto e garrafão, sobre a mesa

José Lima (Brasil, 1910-1980)

óleo sobre tela, 65 x 80 cm





A justiça do leão, fábula de Claude Augé

1 07 2025
Ilustração anônima, início do século XX.
 
 
A justiça do leão

Claude Augé

 

 

O leão sentado em seu trono e tendo a seu lado seu ministro urso, um dia dava audiência a seu povo.  A ovelha veio chorando reclamar que seu pequeno cordeirinho havia sido raptado na noite anterior.  O leão examinou com cuidado a fisionomia de todos que o rodeavam, porque o crime em geral se revela na face do culpado.

— Não fui eu o autor do crime, logo gritou o lobo.  Não, senhor, já há muitos dias estou indisposto o que me obrigou a uma dieta; digo a verdade, não fui eu!

— Foi você! respondeu o leão. Por se defender quando ninguém ainda havia lhe acusado, você se acusou a você mesmo;  você devorou o carneirinho e o urso vai lhe dar a mesma sina.

Sem demora, o lobo foi castigado com pela ferocidade do urso.  Alguns dias depois testemunhas oculares declararam que o lobo realmente havia sido o culpado. 

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Traduzido do francês e adaptado por Ladyce West. Publicação de 1911, em domínio público. Ilustração original





Imagem de leitura: Carlton Alfred Smith

1 07 2025

Um momento de pausa, 1899

Carlton Alfred Smith (British, 1853-1946)

aquarela, 38 x 27 cm





Nossas cidades: Cuiabá

1 07 2025

VIsta de Cuiabá, 1975

Dalva de Barros, (Brasil, 1935)

óleo sobre tela, 52 X 71 cm





Eu, pintor: Flávio de Carvalho

30 06 2025

Auto-retrato, 1965

Flávio de Carvalho (Brasil, 1899-1973)

óleo sobre tela, 90 cm x 67cm

Museu de Arte Moderna de São Paulo





Domingo…, trecho de Lêdo Ivo

29 06 2025

Pescaria deliciosa, 1984

Azor Feres (Brasil, 1911-2005)

óleo sovre tela, 50 x 70 cm

 

 

“Domingo é dia de pescaria – mas, evidentemente, só para quem sabe pescar. E nem sempre o pescador, armado de anzol, e tendo ao lado uma latinha com iscas, pode desempenhar seu ofício em isolamento semelhante ao daquele colega que, sentado a uma mesa, se dedica a capturar, no improfundável rio da vida, os fugidios peixes do espírito.

O curioso aproxima-se do pescador acomodado sobre as pedras, procura inteirar-se do seu sucesso, faz-lhe perguntas sobre o mar que, cativo de uma enseada, é apenas prateado pedaço de si mesmo, como uma pétala é flor. O homem que se desfatigara no silêncio e na espera sente-se, por sua vez, como um peixe que no fundo das águas, resiste à investida de um anzol dotado de imperdoável engodo. Desejaria não ser agarrado, naquele momento, por voz nenhuma, não beber esse elixir de curiosidade, tédio e convivência que as criaturas servem umas às outras, quando conversam. Diz que o mar está parco, e mostra-lhe o que angariou: uma cocoroca, alguma finas piabinhas cor-de-chumbo, dois gordos peixes-porcos que agonizam estatelados dentro do vasilhame.

E, gratuitamente, ou porque se sentisse na obrigação de dar um esclarecimento suplementar, ou porque não desejasse que o interlocutor o comesse por estreante ou desafortunado, ajuntou:

— Domingo passado, o mar estava melhor.”

 

Em: Lêdo Ivo, seleção do autor, prefácio de Gilberto Mendonça Teles, São Paulo, Global: 2004, (Coleção Melhores Crônicas- direção de Edla van Steen, “Viagem em torno de uma cocoroca“, p. 133

 

NOTA: Lêdo Ivo (1924-2012) foi não só um grande poeta, mas um excelente cronista, e também romancista.  Precisa ser mais lembrado.  Uma das coisas que me encanta sobremaneira na sua prosa é a inteligente criação de palavras que eu imediatamente adiciono ao meu dicionário digital. Além disso aprecio a expansão dos significados que ele consegue dar a palavras já existentes,  Nesses três parágrafos que introduzem a crônica “Viagem em torno de uma cocoroca“, vejamos as palavra inventadas: improfundável, desfatigara; a expansão do verbo comer [que o interlocutor o comesse por estreante], parco [Diz que o mar está parco], fora as maravilhosas figuras de linguagem [se dedica a capturar, no improfundável rio da vida, os fugidios peixes do espírito.]; [um anzol dotado de imperdoável engodo] engodo no lugar de isca.  Seus textos são assim, riquíssimos de viradas de significados, inesperadamente poéticos.  Vale lê-lo. 





Paisagens brasileiras…

29 06 2025

Camponês com carros de bois

Durval Pereira (Brasil, 1917-1984)

óleo sobre tela, 60 X 120 cm

 

 

 

Carro de bois, 1930

Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867-1939)

óleo sobre tela, 35 x 47 cm