Robert Delaunay foi um dos maiores artistas franceses a se dedicar ao movimento batizado pelo poeta e crítico de arte Guillaume Appolinaire: Orfismo. Esse movimento foi um dos muitos nascidos como consequência do Cubismo. A liberdade de retratar diversos ângulos de um só tema em uma única imagem imperou nesse pequeno grupo de pintores. A premissa era que as artes plásticas evocassem vibrações musicais. O nome Orfismo veio justamente de Orfeu e sua relevância para a música e poesia. O movimento foi pequeno e teve em Delaunay a figura mais relevante. Ele se dedicou a retratar temas específicos em que cores ou formas pudessem transmitir a sensação das vibrações musicais e com essas transmitir espiritualidade a quem contemplasse as obras. Delaunay produziu muito. Entre seus temas além das formas abstratas circulares, vemos longas sequências, quem sabe até inspiradas pelas sequências de Claude Monet do Parlamento Inglês, como exemplo, ou até mesmo a sequência de Mont Saint Victoire por Cézanne. Para Delaunay a Igreja Gótica de Saint Séverin [São Severino], e a Torre Eiffel se tornaram elementos estruturais para seu experimento orfista. Hoje nós nos concentraremos nas obras retratando a Torre Eiffel em homenagem ao 14 de julho. Façam bom proveito!
Tecnicamente essas telas não são paisagens. Seriam colocadas na categoria de marinhas. Mas já há anos coloco marinhas na mesma classificação de paisagens. É uma escolha minha, para simplificar.
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Dois artistas contemporâneos que exploram as formas geométricas da natureza e daquilo que veem. A tela de Alice Brill mostra menos barcos a vela, mas as montanhas ao fundo replicam a forma triangular. Arcangelo Ianelli por outro lado, cobre toda a superfície da tela com os triângulos das velas e suas montanhas ao fundo, arredondadas, dão um respiro ao espaço, trazem um equilíbrio entre a rigidez dos triângulos e a repetição suave das montanhas ao fundo. Ambos têm outra maneira de se expressar: Alice era fotógrafa também e Arcangelo era escultor. Talvez tenha sido mais fácil para ambos enfatizar a geometria das formas, por causa desses enfoques. Mas também o geometrismo já havia se instalado na pintura desde Cézanne. Gosto de ambos, ainda que haja falta de espaço visual e com isso um ar asfixiante em ambas as obras.