Cena rural
Hamilton Cordeiro (Brasil, 1943)
acrílica sobre tela, 65 x 55 cm
Cena rural
Hamilton Cordeiro (Brasil, 1943)
acrílica sobre tela, 65 x 55 cm
Maternidade, 1937
Emiliano Di Cavalcanti(Brasil, 1897 – 1976)
óleo- sobre tela, 60 x 75 cm

Lendo:
O HOMEM SEM DOENÇA
Arnon Grunberg
Rádio Londres: 2016, 240 páginas
SINOPSE
O romance narra as desventuras tragicômicas no Oriente Médio de Samarendra Ambani, jovem e idealista arquiteto zuriquense de origem indiana. Ao participar de um concurso para a construção de um teatro de ópera em Bagdá, Sam é selecionado e convidado para ir ao Iraque. A viagem, iniciada em clima de ingênuo otimismo, rapidamente se transforma em uma experiência traumatizante: no país devastado pela violência, ele vivenciará a brutalidade da guerra na própria pele: enganado, absurdamente acusado de ser espião, é preso, interrogado e torturado, conseguindo retornar para a Suíça graças apenas à inesperada intervenção da Cruz Vermelha. Uma vez em Zurique, Sam tenta retomar a normalidade, mas, ferido no corpo e na mente, não consegue e, pouco tempo depois, viaja para Dubai, a fim de acompanhar o projeto de construção de uma grandiosa biblioteca. No emirado, nosso herói é novamente acusado de espionagem e até de assassinato, acusações que o levarão a um trágico e surreal epílogo.
Uma história trágica contada com irresistível ironia, O homem sem doença é um impiedoso ato de acusação contra o idealismo e a hipocrisia do Ocidente, que logra, ao mesmo tempo, divertir e chocar o leitor. Em outras palavras, é um típico romance de Arnon Grunberg.
Dois pombinhos, 1897
Joseph Caraud (França, 1821-1905)
óleo sobre tela, 60 x 45 cm
Alfredo de Souza
Vem, sem demora, ver estes pombinhos
Que se beijam tão ternos, venturosos,
Deixando muito tempo os seus biquinhos
Colados em transportes amorosos;
Vem — mirar como fazem seus carinhos;
Ora arrulando em cantos maviosos,
Ora as asas batendo para os ninhos
— Ninhos plenos de odor, ninhos ditosos.
E já que tu sentiste quanto é bela
Essa cena que vimos, dando ensejo
De imitá-la por dentro da janela…
Resta apenas dizer-te, ó minha flor,
Que colemos os lábios, num só beijo,
Fingindo de pombinhos, meu amor!
Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, p. 232.
Alfredo de Souza (Rio de Janeiro, 1880 — ??) — Foi jornalista e funcionário público.
Bibliografia
Aurora, sem data
Flores, 1988
Carlos Bracher (Brasil, 1941)
óleo sobre tela, 81 x 60 cm
Duas mulheres à janela
Allan Osterlind (Suécia, 1855 – 1938)
óleo sobre tela
“Não leio romances, apenas livros de história. O que aconteceu de verdade é diferente daquilo que as pessoas imaginam. Quando nos informamos sobre a história, aprendemos sobre a realidade, não fantasias engenhosas, com frequência, tolas. E quem acha que romances são mais coloridos que a história não usa sua fantasia imaginando como foram, por exemplo, César que amava Brutus como a um filho e foi apunhalado por ele; ou os astecas, que foram dizimados pelas doenças dos brancos antes mesmo de lutarem contra eles; as mulheres e crianças que foram pisoteadas na neve ou empurradas nas águas geladas, atravessando o rio Beresina, seguindo o exército de Napoleão. Tragédias e comédias, sorte e azar, amor e ódio, alegria e sofrimento — a história oferece tudo isso. Romances não conseguem nos oferecer nada mais.”
Em: A mulher na escada, Bernhard Schlink, tradução de Lya Luft, Rio de Janeiro, Record: 2018, pg 36.
Praça Tiradentes – RJ, década de 1960
José Coelho (Brasil, ? – ?)
óleo sobre tela colada em eucatex, 35 x 45 cm
Ilustração japonesa, praia à noite.
Mostrando ser feminina,
a praia ouve os segredos
que o mar, por trás da neblina,
conta baixinho aos rochedos.
(Durval Mendonça)
UM CAVALHEIRO EM MOSCOU
Amor Towles
Intrínseca: 2018, 464 páginas
SINOPSE
Nobre acusado de escrever uma poesia contra os ideais da Revolução Russa, Aleksandr Ilitch Rostov, “O Conde”, é condenado à prisão domiciliar no sótão do hotel Metropol, lugar associado ao luxo e sofisticação da antiga aristocracia de Moscou. Mesmo após as transformações políticas que alteraram para sempre a Rússia no início do século XX, o hotel conseguiu se manter como o destino predileto de estrelas de cinema, aristocratas, militares, diplomatas, bons-vivants e jornalistas, além de ser um importante palco de disputas que marcariam a história mundial. Mudanças, contudo, não paravam de entrar pelo saguão do hotel, criando um desequilíbrio cada vez maior entre os velhos costumes e o mundo exterior. Graças à personalidade cativante e otimista do Conde, aliada à gentileza típica de suas origens, ele soube lidar com a sua nova condição. Diante do risco crescente de se tornar um monumento ao passado até ser definitivamente esquecido, o Conde passa a integrar a equipe do hotel e a aprofundar laços com aqueles que vivem ao seu redor. Com sua perspectiva única de prisioneiro de duas realidades distintas, o Conde apresenta ao leitor sua sabedoria e sensibilidade ao abandonar certos hábitos e se abrir para as incertezas de novos tempos que, mesmo com a capacidade de transformar a vida como a conhecemos, nunca conseguirão acabar com a nobreza de um verdadeiro cavalheiro.