Rosas vermelhas
Jorge Reider (Áustria/Brasil, 1912 — 1962)
óleo sobre tela
Rosas vermelhas
Jorge Reider (Áustria/Brasil, 1912 — 1962)
óleo sobre tela
Paisagem rural de Limeira, 2014
Santana (Brasil, ?)
óleo sobre cartão colado em eucatex, 25 x 35 cm
Gabriela Mistral, 1956
Oswaldo Guayasamin (Equador/EUA, 1919 – 1999)
óleo sobre tela
Poetisa chilena ganhadora do Nobel de Literatura de 1945
Ilustração de anúncio da companhia de telefonia Western Eletric, 1948.
Em menos de seis meses, este é o terceiro livro que leio em que um telefonema, ou uma mensagem deixada por telefone, dá início à trama. Deve ser coincidência. Espero. Pois, de repente ficou um início batido. Não surpreende. Neste caso, no romance de Martin Page, Talvez uma história de amor, nosso anti-herói, Virgile, chega em casa e ouve a mensagem deixada em sua secretária eletrônica (parece coisa antiga, não é mesmo?): Clara termina o relacionamento com ele. O problema é que Virgile não se lembra de ter qualquer relacionamento com alguma Clara. Passamos, portanto, as próximas 150 páginas tentando esclarecer essa questão que se torna obsessiva para ele: quem era Clara e teria ele tido um relacionamento com ela?
Achei a premissa muito interessante. Intrigante mesmo. E fui em frente à espera das mais mirabolantes possibilidades. Não sei como eu resolveria essa questão caso fosse eu o romancista, mas não deixei de ter uma pequena decepção com o desenrolar da trama. Primeiro porque Virgile lembou-me Do contra Hiromashi, personagem da Turma da Mônica, cujo nome sugere está sempre a contrariar, muitas vezes sem propósito algum, o senso-comum da sociedade, do lugar onde vive, daquilo estabelecido por comum acordo. Preso a essa faceta, Virgile, de nebuloso caráter, que trabalha numa agência de publicidade, começa a voltar atrás, seguindo seus próprios passos do passado recente, para se certificar da saúde de sua memória, ou se, de fato, havia se relacionado com alguém de quem não se lembrava.

A volta ao passado é ensejo para nos familiarizarmos com os amigos de Virgile, com trabalho, amores, e principalmente maneira de ver as coisas. Como publicitário de sucesso, e prestes a receber uma promoção, Virgile tem um jeito interessante de se expressar, e há diversas passagens que surpreendem, astutas, que nos fazem voltar atrás e ler de novo, deliciosas por um breve momento, como: “Se Hemingway desembarcasse em Paris nos dias de hoje, já não teria recursos para frequentar os cafés como fazia na década de 1920. O único canto onde poderia se instalar para beber um café e escrever seria o McDonald’s. Em nenhum outro lugar uma pessoa pode se refugiar no calor durante horas por uma quantia módica.” [69-70]. Mas não passam de observações interessantes sem particular significado. O que parece um pensamento sagaz, profundo, quando relido, mostra não ter lastro, ser tão leve quanto a obra inteira. É um sopro de encontro à brisa.
A solidão que encapsula Virgile é criada, construída, por ele mesmo. Frequentemente mencionada pelos leitores e resenhistas da obra, fiquei surpresa de ver que outros leitores a consideraram aspecto importante da personalidade do personagem. A mim, me deu a impressão de ser mais uma questão de postura existencialista, do que verdadeira solidão. Há em Virgile, muito do teatral, muito de gesto no lugar da ação. Há também uma adolescente vontade de chocar, um tanto descabida para um homem feito, com sucesso no trabalho e muitos amores para contar.
Martin Page
Este é o segundo livro de Martin Page que leio. Meu primeiro, A libélula dos seus oito anos, não me agradou. Achei Talvez uma história de amor, tradução de Bernardo Ajzenberg, mais interessante como tema, e com melhor desenvolvimento, mas, assim como na leitura anterior Martin Page me deixa surpresa por seu sucesso. Tornou-se um escritor muito considerado desde o lançamento de seu primeiro livro, Como me tornei estúpido, mas para mim, sua ficção necessitaria de mais conteúdo e menos forma para que o autor se tornasse um de meus favoritos. Fico na dúvida: estou cega para o que o faz um sucesso? – ou são os outros que talvez não esperem tanto das horas de leitura que dedicam a um autor? Mas sem dúvida, ele escreve bem. O bastante para manter esta leitora até o fim. Três de cinco estrelas.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
Igreja de São José, 2008
Márcio Schiaz (Brasil, 1965)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Vaso de flores
Vittorio Gobbis (Itália/Brasil, 1894 – 1968)
óleo sobre tela, 45 x 55 cm


Monumento aos pracinhas, 2014
[Monumento Nacional aos Mortos na Segunda Guerra Mundial]
Sérgio Piancó (Brasil, contemporâneo)
acrílica

Homem lendo livro para menina da fronteira, 2011
Alfredo Rodriguez (Mexico, 1954)
óleo sobre tela

Tropicana I, 1985
Anysio Dantas (Brasil, 1933 – 1990)
serigrafia tiragem 76-100, 89 x 66 cm
Walter Nieble de Freitas
Alta, esguia, majestosa,
De uma beleza sem par,
Contemplo a esbelta palmeiraaaaa
Banhada pelo luar.
A seus pés um lago azul,
Onde em calma ela se mira,
Põe na paisagem noturna
Cintilações de safira.
De longe, chega em surdina
A voz rouca das cascatas:
É a sinfonia dos rios
Soluçando serenatas.
Nessa hora em que a noite é um templo,
E o firmamento, um altar,
Sob os círios das estrelas
Em silêncio a vi rezar.
Na linguagem da saudade,
O coração da palmeira,
Pedia as bênçãos do céu
Para a terra brasileira.
Em: Barquinhos de Papel: poesias infantis, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1961, pp. 61-62