Margarida vai passando
no seu traje original.
Pensa que está abafando,
parece um pavão real…
(Anônima, folclore nacional, cantiga de roda)
Margarida vai passando
no seu traje original.
Pensa que está abafando,
parece um pavão real…
(Anônima, folclore nacional, cantiga de roda)
Uma das minhas decisões para o novo ano: ler alguns livros que já havia comprado e que por qualquer razão foram colocados para depois e para depois e assim por diante. Bela surpresa me esperava. Zen na Arte da Escrita, de Ray Bradbury, autor do conhecido clássico do século XX, Fahrenheit 451 e também das Crônicas marcianas, é uma bela coleção de onze ensaios sobre a escrita. Nesse pequeno livro de 160 páginas, publicado em 2020, pela Biblioteca Azul, aqui no Rio de Janeiro, com tradução de Petê Rissatti, o leitor tem a oportunidade de conhecer o processo da escrita de Bradbury, sua simplicidade, seus pequenos truques para chegar a um texto vendável, sua sensibilidade e comprometimento com a profissão a que se dedicara.
Não é um guia, um manual para a escrita. Mas testemunhando o que ele fez, seu processo de escolha e preocupação com temas e principalmente com sua habilidade de deixar-se levar pelo processo criativo, sem saber ao certo como chegar ao ponto desejado é fascinante e estranhamente sedutor para todos nós que nos dedicamos à comunicação de nossas histórias.
O entusiasmo do autor, a alegria de escrever são pontos constantes nesses capítulos independentes. Vemos também o quanto o exercício da curiosidade é condição imprescindível para uma boa história. Mas além disso, deu-me vontade de ler mais de seu trabalho. Ficou muito famoso pelos dois livros citados acima, mas sua produção é enorme, de contos, novelas, romances e até mesmo poesia. Foi um tiro certeiro cobrir esse livro no início do ano. Recomendo a leitura, não só por aqueles que escrevem, mas também por quem tenha curiosidade de abrir uma janela sobre o processo criativo de um dos mais produtivos escritores do século XX.
Meu livro está rabiscadíssimo com passagens sublinhadas, anotações nas margens e desde o início da semana passada já me coloquei com caneta e papel na mão tentando imitar alguns de seus métodos para desenvolvimento da prosa. Serei boa aluna? Veremos. Mas se não conseguir, não será por falta de um excelente mestre.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Cena de rua em Paris, 1885
Jean Béraud (França, 1849-1936)
óleo sobre madeira, 39 x 27 cm
Metropolitan, NY
“É muito possível, porque nunca na minha vida encontrei moças tão deliciosas como naqueles dias em que estava com uma pessoa muito grave, de quem não podia separar-me apesar dos mil pretextos que inventava; em Paris, alguns anos depois da minha primeira viagem a Balbec, ia eu de carro com um amigo de meu pai quando vi uma mulher andando muito depressa na escuridão da noite; ocorreu-me que seria tolice perder por uma questão de cortesia a minha parte de felicidade na única vida que sem dúvida existe; desci sem desculpa alguma e lancei-me em busca da desconhecida; perdi-a num cruzamento de ruas, dei com ela no seguinte, e afinal, sem fôlego, me vi cara a cara com a velha sra. Verdurin, da qual eu sempre fugia, e que me disse, muito contente e admirada: “Que amabilidade a sua, correr para vir cumprimentar-me!”
Em: À sombra das raparigas em flor, Marcel Proust, tradução de Mário Quintana
Mesa com frutas, 1940
Gino Bruno (Itália, Brasil, )1899 -1977)
óleo sobre tela, 40 x 60 cm
Natureza morta, 1939
Joaquim Lopes Figueira (Brasil, 1904-1943)
óleo sobre tela, 50 x 30 cm
Moça com gorro, lendo, depois de 1880
Marie R. Dixon ( EUA, ? – 1896)
óleo sobre tela, 44 x 36 cm
W. Somerset Maugham
Homem escrevendo, 1890
Heinrich Breling (Alemanha, 1849-1914)
óleo sobre madeira, 13 x 17 cm
Waldir Neves
Vamos, querida, pelo mundo afora,
mirar os lírios brancos dos caminhos…
Vamos beber a luz pura da aurora,
embalados nos cânticos dos ninhos.
Vamos de perto ver a flor que chora,
pela fonte levada em torvelinhos…
Vamos colher as rosas, sem demora,
antes que murchem — sem ligar a espinhos.
Vamos buscar o belo onde ele exista,
sempre a sonhar, sonhando noite e dia,
que é com sonhos que o belo se conquista.
Vamos criar a mística de crer
que a vida é bela… é amor… é fantasia…
e há que sonhar e amar… para viver!…
Um interior em Chelsea, 1914
Philip Connard (Inglaterra, 1875-1958)
óleo sobre tela, 101 x 75 cm
Galeria Oldham, Reino Unido
Jarra com rosas sobre a mesa, década de 1960
Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)
óleo sobre tela, 46 X 39 cm
Vaso com flores, 1994
Henrique Oliveira (Brasil, 1973)
óleo sobre tela, 46 x 33 cm