Rosas do jardim
Raquel Taraborelli (Brasil, 1957-2020)
óleo sobre tela
Falos e flores, 1986
Adir Sodré de Souza (Brasil, 1962-2020)
acrílica sobre tela
Rosas do jardim
Raquel Taraborelli (Brasil, 1957-2020)
óleo sobre tela
Falos e flores, 1986
Adir Sodré de Souza (Brasil, 1962-2020)
acrílica sobre tela
Francisca Júlia da Silva
A ovelha, um dia, muito triste por não ter forças para lutar com os cães que a mordiam, ou armas de defesa contra a ferocidade dos lobos, dirigiu-se a Júpiter e expôs-lhe suas queixas:
– Pai, todos os animais que vivem sobre a terra, desde o inseto ao paquiderme, têm meios de defender-se contra os ataques; e coragem para provocar as lutas. Eu, porém, sou tímida e indefesa: tudo me causa medo. Queria, pois, que me desseis uma arma qualquer. Júpiter, tocado de piedade, perguntou-lhe:
– Queres um veneno oculto nos dentes, para dar morte aos que te fizerem mal?
– Oh! Não! Respondeu a ovelha. Os animais venenosos são nojentos e causam medo a todos.
– Queres ter na boca duas fileiras de dentes afiados, como os leões e os lobos?
– Oh! não! Os animais carnívoros são tão odiosos e antipáticos!
– Queres saber arremeter, como os touros, com duas pontas na cabeça?
– Oh! não! Eu causaria terror aos outros animais, e não seria acariciada pelos pastores.
– Que queres, pois? Gritou Júpiter, impaciente.
– Nada, senhor, nada quero. Prefiro viver assim, tímida e fraca, porém estimada e afagada por todos.
Em: O livro da infância, Francisca Júlia da Silva, 1899.
A criança e seus brinquedos: Gabrielle e Jean, filho do artista, antes de 1910
Pierre-Auguste Renoir (França, 1841-1919)
óleo sobre tela
Trata-se de uma cena em que Gabrielle Renard babá dos filhos de Renoir, e que também serviu de modelo para Renoir, entretém Jean (filho do pintor, que mais tarde se tornou um conhecido diretor de cinema) com brinquedos em cima da mesa: três carneirinhos, um grande galo e uma boneca com roupas camponesas. A criança está claramente se divertindo com a brincadeira.
A tela estava fora do olhos do público desde pintada. Pois veio a leilão em Paris, em perfeitas condições, e foi vendida pela bagatela – considerando-se a obra de Renoir — de €1.45 milhão ($1.68 milhões de dólares) + a percentagem da casa de leilões, ficou em €1.8 milhão ($2 milhões de dólares), ou R$ 10.689.200,00, sinceramente melhor do que um condomínio em Miami, se quiserem saber minha opinião. Mas há gosto para tudo! Um colecionador internacional, que permanece anônimo, a comprou.
Mas quem disse que é uma barganha? Ah, essa é fácil de responder: A obra de Renoir mais cara, vendida em leilão, alcançou os $78.100.000 {setenta e oito milhões e cem mil dólares]. Essa marca foi atingida pela obra Au Moulin de la Galette (1876), em Nova York leiloada pela Sotheby’s em 1990. E mais recentemente a tela Berthe Morisot e sua filha Julie Manet (1894) vendeu por $24.500.000 [vinte quatro milhões e quinhentos mil dólares]. Essa venda aconteceu em 2022, na casa de leilões Christie’s de Nova York.
A cena foi pintada por Renoir, algumas vezes. Essa tela foi dada de presente à pintora Jeanne Baudot, única aluna de Renoir e uma amiga próxima, por volta de 1895. Jeanne era madrinha do menino Jean. A pintora guardou o quadro e seu filho adotivo Jean Griot o herdou e manteve o quadro em seu quarto até morrer, falecendo em 2011.
O museu de l’Orangerie possui um estudo desse quadro em sua coleção. Griot também possuía outra versão dessa cena que vendeu para a National Gallery em Washington DC em 1985.
Para mantê-los me empenho,
porque penso sempre assim:
tendo os amigos que tenho,
eu nem preciso de mim!
(Izo Goldman)

Bananas Verdes, 1973
Aldemir Martins (Brasil, 1922-2005)
acrílica sobre tela, 60 x 80 cm
Bananas, 1970
Antonio Henrique Amaral (Brasil, 1935-2015)
óleo sobre placa, 23x 64 cm
Sir Somerset A. Gough-Calthorpe, 1918
Philip Connard (Inglaterra, 1875-1968)
óleo
Imperial War Museums, Inglaterra
Reflexão, 1891
Louis Abel-Truchet (França, 1857-1918)
óleo sobre tela
“Os amantes da arte que estão diante de uma pintura ficam olhando, e, mesmo quando desviam o olhar, seus pensamentos estão voltados para a imagem. Cada detalhe lhes interessa; cada forma e cor têm um significado, e eles procuram na imagem um significado humano que possam tentar expressar em palavras, se tiverem inclinação crítica, ou que possam armazenar silenciosamente em seus corações. Aqui toda a atenção vem dos espectadores: eles estão ativamente empenhados em interpretar o que veem, e a sua visualização é, em certa medida, um ato criativo. Eles estão criando o objeto de sua própria percepção, mas também recebendo dele uma visão de repouso.”
Roger Scruton, A cultura importa: Fé e sentimento em um mundo sitiado