Alto da Boavista, 1947
Georges Wambach (Bélgica- Brasil, 1901 – 1965)
óleo sobre tela, 60 x 110 cm
Alto da Boavista, 1947
Georges Wambach (Bélgica- Brasil, 1901 – 1965)
óleo sobre tela, 60 x 110 cm
Bênção dos canoões (Porto Feliz), 1920
Aurélio Zimmermann (Alemanha, 1854–1920)
óleo sobre tela, 101 x 134 cm
Museu Paulista da USP
“Porto Feliz é uma cidadezinha assente na margem esquerda do Tietê, em terreno elevado e desigual. As casas são térreas e as ruas tortas, e não como as de Itu e Jundiaí. Estão tão mal calçadas que à noite é impossível das um passo sem muita cautela. A classe dos habitantes agrícolas a mais numerosa sem dúvida, não concorre a ela senão aos domingos e dias santos, de modo que só nessas ocasiões é que se vê alguma gente nas ruas.
Com o auxílio do cirurgião-mor pude sem demora achar os mestres construtores e operários de que precisava. Em três meses, pois, duas grandes canoas ficaram prontas. Em três meses, pois, duas grandes canoas ficaram prontas. Tinham cinco pés de çargo sobre cinquenta de comprimento e três e meio de profundidade, feitas de um tronco só de árvore, cavado e trabalhado por fora, de fundo chato e com pouca curvatura. Esse fundo era de duas e meia polegadas de espessura, à qual ia diminuindo até à borda, onde não tinha mais de uma polegada. Uma larga faixa de madeira, pregada solidamente, guarnecia as duas bordas e bancos deixados no interior das canoas aumentavam-lhes a solidez, além de duas grandes travessas que concorriam para o mesmo fim. Estas embarcações, assim construídas, são muito pesadas: entretanto, embora fortes, não podem comumente resistir ao choque nos baixios, quando impelidas pela rapidez das águas.
Além de uma canoinha, de uso para caçadas e pescarias, arranjei um batelão que, como as duas canoas grandes, lavava uma barraca de pano verde armada à popa.
Não tive grande trabalho em contratar gente para as tripulações. Consegui um guia, e seu substituto, um piloto e dois ajudantes, três proeiros (homens que vigiam à proa) e dezoito remadores.
…………….
Acompanhados de Francisco Álvares, sua família, o capitão-mor e o juiz, dirigimo-nos para o porto, onde achamos o viário paramentado com suas vestes sacerdotais, a fim de abençoar a viagem, como é costume, e rodeado de grande número de pessoas que viera assistir ao nosso embarque. Os parentes e amigos se abraçavam, despedido-se uns dos outros. Dissemos adeus à mulher e filha de Francisco Álvares e, como este amigo que quisera vir conosco até os últimos lugares povoados da margem do rio, tomamos lugar nas canoas. Romperam então da cidade salvas de mosquetaria correspondidas pelos nossos remadores e, ao som desse alegre estampido, deixamos as praias, onde tive a felicidade de conhecer um amigo, de conviver com gente boa e afável e de passar vida simples e tranquila.”
Em: O caminho do sertão (Descendo o Tietê- 1826), texto de Hércules Florence incluído no livro O planalto e os cafezais: São Paulo, seleção, introdução e notas de Ernani Silva Bruno, Organização de Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, pp-74-75.
NOTA: Hércules Florence, (França, 1804 – Brasil, 1879) participou como desenhista da expedição do Barão de Langsdorff, através das províncias de São Paulo, Mato Grosso e Pará, de 1825 a 1829. O diário de Florence foi publicado, em português, com o título de “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas”.
Ilustração de Diana Lynn.
Os livros, bons companheiros,
eu bem sei, desde menino,
que são gurus verdadeiros,
decretando o meu destino.
(Marília Conceição S. Oliveira)
Leitura
Dee Nickerson (GB, 1957)
Foto: Gasull FotografiaCoruja, 1961
[Mussol, coruja em catalão]
Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)
Terracota branca, torneada e decorada em negro, branco e incisões.
47 x 21 cm
Museu Picasso, Barcelona
Natureza morta, s/d
Carlos Anesi (Argentina, 1945 – Brasil, 2010)
óleo sobre tela, 88 x 104cm
Paisagem de Itatiaia, 1949,
Tadashi Kaminagai (Japão, 1899 – 1982)
óleo s madeira, 38 x 46 cm
Coruja numa cadeira, 1947
Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)
óleo sobre tela
A revista da casa de leilões Sotheby’s de 21 de março de 2017 publicou artigo de Ben Gentilli sobre a corujinha que Pablo Picasso socorreu e que virou tema de muitas de suas telas além de dezenas e dezenas de trabalhos em cerâmica.
Coruja num interior, 1946
Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)
óleo sobre tela
A história é conhecida. Em 1946, enquanto Picasso trabalhava no Palácio Grimaldi, hoje Musée d’Antibes, ao sul da França, acompanhado por Françoise Gilot, a musa do momento, uma pequena coruja machucada na pata perdeu o equilíbrio e caiu do telhado do ateliê do pintor. Picasso e Gilot colocaram bandagem na pata machucada e a adotaram, levando-a até mesmo numa gaiola, para Paris.
Coruja num interior, 1947
Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)
óleo sobre tela
Logo o tema da coruja apareceu na obra do pintor. Como aconteceu muitas outras vezes, Picasso teve uma verdadeira fascinação com o pássaro. No final da década de 40, depois da adoção da coruja, há uma série de telas com o tema da coruja e uma cadeira.
Coruja numa cadeira, 1947
Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)
óleo sobre tela
Mas a coruja se torna tema principalmente na cerâmica do artista, onde toma forma de jarros, decora pratos, vasos, é assunto para escultura e aparece em todo tipo de trabalho tridimensional.
Coruja numa cadeira, 1947
Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)
óleo sobre tela
A sequência de quadros acima é bastante didática. Mostra como o mesmo pequeno tema, uma cadeira e uma coruja, pode ser explorado, por composição, cores, ângulos e também pela simplificação geométrica da essência de uma coruja.
Vemos nestas cinco corujas como Picasso brincou com as formas geométricas para achar em cada uma delas a estrutura do animal. Como tornar aparente para o espectador com o mínimo de informações aquilo que ainda seria reconhecível como a representação de uma coruja.
© MICHEL SIMA/BRIDGEMAN
Desconheço o ilustrador.

Martins d’Alvarez
Quando nasci, papaizinho
plantou, em nosso quintal,
uma arvorezinha esguia,
para ver qual de nós duas
cresceria mais depressa,
qual mais alta ficaria.
Mamãe cuidava de mim
e papai cuidava da árvore,
toda noite e todo dia.
Mas, enquanto eu engordava,
crescendo para todo lado,
a arvorezinha subia…
Hoje, já estamos crescidas.
Ela bate no telhado…
Eu só alcanço a janela;
mas por vingança, eu me trepo
nos galhos, até ficar
muito mais alta que ela.
Em: O mundo da criança: poemas e rimas: , vol. I, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 99