O leão e o camundongo, Olavo Bilac

20 07 2020

 

 

Willy ARACTINGI (1930-)Ilustração de Willy Aractingi (1930-)

 

 

O leão e o camundongo
Fábula de Esopo

 

Olavo Bilac

 

Um camundongo humilde e pobre

Foi um dia cair nas garras de um leão.

E esse animal possante e nobre

Não o matou por compaixão.

 

Ora, tempos depois, passeando descuidoso,

Numa armadilha o leão caiu:

Urrou de raiva e dor, estorceu-se  furioso…

Com todo seu vigor as cordas não partiu.

 

Então, o mesmo fraco e pequenino rato

Chegou: viu a aflição do robusto animal,

E, não querendo ser ingrato,

Tanto as cordas roeu, que as partiu afinal…

 

Vede bem: um favor, feito aos que estão sofrendo,

Pode sempre trazer em paga outro favor.

E o mais forte de nós, do orgulho se esquecendo,

Deve os fracos tratar com caridade e amor.

 

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, pp 132-3





Em casa: Frank W. Benson

19 07 2020

 

 

Frank W. Benson Girl playing Solitaire, 1909. Worcester Art Museum, MA. ©Moça jogando paciência, 1909

 

Frank W. Benson (EUA, 1862- 1953)

óleo sobre tela





Flores para um sábado perfeito!

18 07 2020

 

 

Lucília Fraga (1895-1979) Flores, ose, 43x33cmFlores

Lucília Fraga (Brasil, 1895 – 1979)

óleo sobre eucatex, 43 x 33 cm





Rio de Janeiro, um parque à beira-mar

17 07 2020

 

 

José Marques Campão, Ladeira em Santa TerezaLadeira em Santa Tereza

José Marques Campão (Brasil, 1892- 1949)

óleo sobre tela





Visita à cidade da Bahia, James C. Fletcher, 1855

16 07 2020

 

 

 

 

Inimá de Paula - Beija Flor,pastel, 1994, 68x87 cmBeija-flor, 1994

Inimá de Paula (Brasil, 1918- 1999)

pastel, 68 x 87 cm

 

 

“Não acredito que haja qualquer cidade no Brasil que interesse tanto o estrangeiro como a Bahia. É a capital espiritual do país, sendo a residência do arcebispo. As igrejas, os conventos e outros edifícios públicos, são de grandes proporções, porém apresentam aspecto provinciano. O povo é alegre e sociável, e, nas minhas extensas viagens por todo o Império, não encontrei em lugar nenhum uma sociedade igual a da Bahia.  Na casa do cônsul americano, Sr. Gillmer, está-se sempre seguro de encontrar brasileiros dos mais refinados e bem educados.

……….

A residência do Sr. Gillmer está situada em um agradável ponto da cidade, onde a vegetação e as flores são abundantes. Cada noite as brisas carregam os mais suaves perfumes, e a cada manhã o sol parece revelar novas belezas nos botões que se abrem em lindas flores. Da mesma forma a casa do Sr. Nobre era circundada pela sombra de árvores frutíferas, e seu grande salão semanalmente se enchia de músicos amadores e profissionais, que davam os mais encantadores saraus musicais.

Muito cedo de manhã, olhei da janela da casa do cônsul e vi sobre os ramos de uma árvore de fruta-pão embaixo de mim, um beija-flor quietamente em seu delicado ninho.  No meio da folhagem parecia um fragmento de lápis-lázuli circundado de esmeraldas, pois o seu dorso é do mais carregado azul. Em qualquer parte do Brasil vê-se abundantemente essa pequena joia alígera, em suas muitas variedades, ao passo que na América do Norte, desde o México até o 57º de latitude, dizem haver apenas uma espécie de beija-flor.  O Sr. Gosse chama, a espécie, de rabo-longo, a joia da ornitologia americana; e bem merece o título se considerarmos os raios de rico verde-dourado, púrpura-escuro, azulado-escuro brilhante, e o magnífico verde-esmeralda, que irradiam dessa joia dotada de asas.

Os machos figuram entre as criaturas mais beligerantes — raramente encontrados sem estar em terríveis combates.”

 

Em: As Ladeiras e as igrejas (Na Bahia de Todos os Santo, 1855),  texto de James C. Fletcher,  incluído no livro Coqueirais e chapadões: Sergipe e Bahia, seleção, introdução e notas de Ernani Silva Bruno, Organização de Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, pp. 107-8.

 

NOTA: James Cooley Fletcher missionário, presbiteriano, norte-americano que, em missão evangélica, viveu no Brasil, percorrendo várias de suas províncias entre os anos de 1851 e 1865.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

15 07 2020

 

 

Gustavo Rosa, FRUTAS,40 x 50 cm,óleo sobre tela,1979Frutas, 1979

Gustavo Rosa (Brasil, 1946 – 2013)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm





Meus favoritos: Franz von Defregger

15 07 2020

 

 

79117.l vanneiVannei, 1884

Franz von Defregger (Áustria, 1835 – 1921)

óleo sobre madeira, 41 x 30 cm





Nossas cidades: Porto Alegre

14 07 2020

 

 

 

Athayde d'Avila, Doca das Frutas (c.1880). Acervo do Museu Júlio de CastilhosDoca das Frutas, c.1880

[Hoje a área ocupada pela Praça Pereira Parobé]

Athayde d’Avila (Brasil, ? – ?)

Acervo do Museu Júlio de Castilhos





Eu, pintor: Louis-Léopold Boilly

13 07 2020

 

 

 

Auto-retrato, 1795, Louis-Léopeold Boilly (França, 1761-1845) ost, Museu de Belas Artes de LilleAuto-retrato, 1795

Louis-Léopold Boilly (França, 1761-1845)

óleo sobre tela

Museu de Belas Artes de Lille





Pórtico, poesia de Reynaldo Valinho Alvarez

13 07 2020

 

 

 

Laurits Tuxen (1853-1927)À janela

Laurits Tuxen (Dinamarca, 1853-1927)

óleo sobre tela

 

 

Se não se vê no início uma alvorada,
o fim de um livro é a porta para o nada.

 

Pórtico

 

Reynaldo Valinho Alvarez

 

Da janela, na chuva, alguém procura

achar sua alma irmã na noite escura,

Na tuba enferrujada, desafina

o músico esquecido numa esquina.

O incêndio esconde o palco todo em fumo

e o mágico, aturdido, perde o rumo.

Entre gavião e pombo, uma vidraça

frustra o golpe mortal e se estilhaça.

As ondas que se quebram contra o dique

refluem sobre si e vão a pique.

Se a parábola volta, é que, na certa,

não a colheu a mente astuta e alerta.

A carta, na garrafa que se alaga,

o mar a lê, a leva, lava e apaga.

 

 

O canto do poeta é coisa vã

se o sol canta por si, toda manhã.

 

Em: A faca pelo fio: poemas reunidos, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Imago: 1999, p.11