Em casa: Marc Chalmé

9 01 2022

Lá fora

Marc Chalmé (França 1969)

óleo sobre tela





Leituras em 2022: Dôra, Doralina, de Rachel de Queiroz, resenha

8 01 2022

Prisma, 1977

Brian James Dunlop. (Australia, 1938-2009)

aquarela, 30 x 27 cm

Ao terminar Dôra, Doralina, de Rachel de Queiroz, eu me pergunto o motivo dela não ser mencionada entre os grandes da literatura brasileira, no mesmo altar de Machado, Graciliano e Guimarães Rosa, Clarice. Dela li três livros: O Quinze, Memorial de Maria Moura e agora este, publicado em 1975. Rachel de Queiroz não deixa a desejar quando comparada com os grandes nomes da nossa literatura. E não listá-la entre os maiores é injustiça e um desserviço à tão maltratada cultura brasileira.

Dôra, Doralina conta mais do que a história de vida de Maria das Dores, mulher herdeira de uma fazenda no interior do Ceará, completamente dominada pela mãe, a quem chamava Senhora e que depois de viúva, foge deste lugar, encontra abrigo emocional como membro de um grupo de teatro mambembe, com eles viaja ao Rio de Janeiro, no período da ditadura Vargas e da Segunda Guerra Mundial. 

Na capital do país amasia-se com um comandante que conheceu na viagem pelo Rio São Francisco a caminho do sul.  Com ele, perdidamente apaixonada, vive em altos e baixos, tensa com gênio violento do companheiro e por seus ciúmes. Eventualmente se vê envolvida, a contragosto, na contravenção. Mas o flerte com a vida de segredos e transgressões não lhe era desconhecido, já deixara os rincões cearenses com tralha semelhante.

Narrativa rica em assuntos controversos, que cobre com vocabulário exemplar e de fácil compreensão, relata não só a descoberta do amor para Dôra, como também, por causa de suas limitadas experiências fora do local onde nasceu, seu próprio acordar para o mundo e para si mesma. E conselhos não lhe servem para nada, como diz: “Gente nova não adivinha nem quer adivinhar certas coisas; e mesmo quando tem um aviso, dez avisos, não acredita.”

Rachel de Queiroz

Central na trama estão as relações familiares, e a ausência delas;  amizades e a complexidade das emoções humanas. Há traição, abuso, arrogância, ciúmes pontuados esparsamente por  lealdade e honestidade.  É uma obra de realismo físico e emocional, refinada pela palavra certa, ritmo preciso e relato direto,  sem bordados. 

Recomendo a leitura.  A obra de Rachel de Queiroz, a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, deve fazer parte da lista de leitura de qualquer brasileiro curioso sobre a rica herança literária do país. Nota 10.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





‘Quando ela passa” poesia de Nelson Tangerini

6 01 2022
Ilustração de Gil Elvgren, 1960s.
Quando ela passa

 

 

Nelson Tangerini

 

 

Quando Ela passa, de sombrinha clara,

essa da Moda, esplendorosa Estrela,

para o automóvel, para o bonde, para

o mundo inteiro: todos querem vê-la..

 

E todo mundo, estático, escancara

os olhos grandes, que se aumentam pela

vontade de envolver-lhe a forma rara

num desejo malvado de comê-la…

 

E a deusa passa… E passa – indiferente,

sem medo de que o mundo se desabe…

bailando as curvas, desmanchando a gente…

 

E a gente fica a interrogar-se, à-toa,

como, em dois dedos de vestido, cabe

uma porção de tanta coisa boa!…





A peregrina escolhe as melhores leituras de 2021

29 12 2021

Colombina, 2002

Francine van Hove (França, 1942)

óleo sobre tela

Foram quarenta e seis livros lidos e outros tantos parcialmente, principalmente coletâneas de poesias, não listadas por aqui.  Neste segundo ano de pandemia tive maior dificuldade de me interessar por ficção.  Continuei lendo, é claro, mas me voltei cada vez mais para os livros de ensaios, de história ou de estudos em diversas áreas, longe da literatura.  Abaixo vocês encontrarão minha lista inteira.

Leituras de 2021

Pachinko, Min Jin Lee                 

Torto arado, Itamar Vieira Júnior

Clube do livro dos homens, Lyssa Kay Adams

 A guerra não tem rosto de mulher, Svetlana Aleksiévitch

A trança, Laetitia Colombani

A trégua, Mário Benedetti — RELIDO

A redoma de vidro, Sylvia Plath

A lista de convidados, Lucy Foley

A porta, Magda Szabó

Cartas de um diabo ao seu aprendiz, C. S. Lewis

A cachorra, Pilar Quintana

A pediatra, Andrea del Fuego                                  

Cabine para mulheres, Anita Nair — RELIDO

A vida mentirosa dos adultos, Elena Ferrante

O mundo de Sofia, Jostein Gaarder

Na boca do leão, Anne Holt

O enigma do quarto 622, Joel Dicker

O clube do crime das quintas-feiras,  Richard Osman

Na corda bamba, Kiley Reid

O clube de leitura de Jane Austen, Karen Joy Fowler

Sira, Maria Dueñas

Nada ortodoxa, Deborah Feldman

Afetos ferozes, Vivian Gornick

A roupa do corpo, Francisco Azevedo

A paciente silenciosa, Alex Michaelides

As mulheres de terça-feira, Monika Peetz

Lua no céu de Cabul, Nadia Hashimi

 A voz do tempo, Lenah Oswaldo Cruz  RELIDO

21 lições para o século 21, Yuval Noah Harari RELIDO

24 horas na vida de uma mulher e outras novelas, Stefan Zweig 

A mercadoria mais preciosa, Jean-Claude Grumberg

A esposa americana, Curtis Sittenfeld                  

Timbuktu, Paul Auster

A dama das camélias, Alexandre Dumas Filho

Admirável mundo novo, Aldous Huxley – RELIDO

Urupês, Monteiro Lobato

A peste, Camus – RELIDO

O primeiro amor é sempre o último, Tahar Ben Jelloun

Balada de amor ao vento, Paulina Chiziane

Vamos comprar um poeta, Afonso Cruz

Rosa Candida, Audur Ava Ólafsdóttir

Rita Lee – uma autobriografia, Rita Lee

Em inglês:

Mama’s last hug, Frans de Waal

The Hedgehog, the fox and the Magister’s Pox, Stephen Jay Gould

Breath, James Nestor

Forward, Andrew Yang

Na área de ficção fico com os três que mais me impressionaram:

Afetos ferozes, Vivian Gornick

A esposa americana, Curtis Sittenfeld 

Pachinko, Min Jin Lee       

Menção honrosa para os seguintes livros:

24 horas na vida de uma mulher e outras novelas, Stefan Zweig 

Rosa Candida, Audur Ava Ólafsdóttir

O primeiro amor é sempre o último, Tahar Ben Jelloun

 

Relendo, os mais importantes:

A trégua, Mário Benedetti

A peste, Camus

Admirável mundo novo, Aldous Huxley

 

Pensando no Futuro, recomendo, quando e se estiver em português, o livro de Andrew Yang, Forward.

 





O grupo de leitura “Ao pé da letra” escolheu as melhores leituras de 2021

29 12 2021

A leitora, 1897

Alexandre Louis Marie Charpentier (França, 1856-1909)

Desenho

Museu de Belas Artes de São Francisco

O grupo de leitura Ao Pé da Letra, fundado em março de 2016, votou no encontro deste mês de dezembro nas melhores leituras de 2021. O grupo é formado por homens e mulheres interessados em leitura, totalizando 22 leitores que, por causa da pandemia, agora se espalham por áreas além da cidade do Rio de Janeiro.  O grupo ainda não voltou aos encontros presenciais e não tem data marcada para fazê-lo.

Livros lidos em 2021

1 – Pachinko, Min Jin Lee          

2 – Torto arado, Itamar Vieira Júnior

3 – Clube do livro dos homens, Lyssa Kay Adams

4 – A guerra não tem rosto de mulher, Svetlana Aleksiévitch

5 — A trança, Laetitia Colombani

6 — A trégua, Mário Benedetti

7 — A redoma de vidro, Sylvia Plath

8 — A lista de convidados, Lucy Foley

9 — A porta, Magda Szabó

10 — Cartas de um diabo ao seu aprendiz, C. S. Lewis

11 — A cachorra, Pilar Quintana

12 — A pediatra, Andrea del Fuego

 

Os melhores do ano foram:

1) Pachinko com 20 pontos

2) A porta com 14 pontos

3) Torto Arado com 10 pontos

Graças à dedicação de Mariana Martins, também temos neste grupo um pouco das estatísticas das leituras, como vemos abaixo: países de origem dos escritores, número de páginas, editoras, etc.

 





O grupo “ENCONTROS NA PRAÇA” escolhe os melhores livros de 2021

27 12 2021

Moça lendo

Barbara A. Wood (EUA, 1926)

 

O grupo de leitura Encontros na Praça, formado em 2020 escolheu em sua última reunião as melhores leituras do ano.  Composto por 10 mulheres é um grupo de leituras que tem como ênfase o entretenimento.

 

Livros lidos em 2021:

1 – Cabine para mulheres, Anita Nair

2 – Nada ortodoxa, Deborah Feldman

3 – Afetos ferozes, Vivian Gornick

4 – A roupa do corpo, Francisco Azevedo

5 – A paciente silenciosa, Alex Michaelides

6 – A trança, Laetitia Colombani

7 – O clube do crime das quintas-feiras,  Richard Osman

8 – As mulheres de terça-feira, Monika Peetz

9 – Lua no céu de Cabul, Nadia Hashimi

10 – A voz do tempo, Lenah Oswaldo Cruz

11 – 21 lições para o século 21, Yuval Noah Harari

12 – Sira, Maria Dueñas

 

Em primeiro lugar:

A trança, Laetitia Colombani

Em segundo lugar

A paciente silenciosa, Alex Michaelides

Em terceiro lugar

Nada ortodoxa, Deborah Feldman





À meia voz, em segunda impressão!

28 11 2021




Esse perfume, soneto de Emiliano Perneta

24 11 2021

Moça com véu, 1949

João Fahrion (Brasil, 1898 -1970)

óleo sobre tela

 

Esse perfume

Emiliano Perneta

 

Esse perfume — sândalo e verbenas —

De tua pele de maçã madura,

Sorvi-o quando, ó deusa das morenas!

Por mim roçaste a cabeleira escura.

 

Mas ó perfídia negra das hienas!

Sabes que o teu perfume é uma loucura:

— E o concedes; que é um tóxico: e envenenas

Com uma tão rara e singular doçura!

 

Quando o aspirei — minhas mãos nas tuas —

Bateu-me o coração como se fora

Fundir-se lírio das espáduas nuas!

 

Foi-me um gozo cruel, áspero e curto…

Ó requintada, ó sábia pecadora,

Mestra no amor das sensações de um furto!

 

Em: 101 Poetas Paranaenses: V.1 (1844 -1959) –  antologia de escritas poéticas do século XIX ao século XXI, seleção e apresentação de Ademir Demarchi, Curitiba, Biblioteca Pública do Paraná: 2014, p.35





Nossas cidades: Ouro Preto

23 11 2021

Ouro Preto, 1958

Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)

óleo sobre madeira, 45 x 55 cm.





Natal, huhn…

20 11 2021