Copos de leite, 1971
Túlio Mugnaini (Brasil, 1895-1975)
óleo sobre tela, 55 x 45 cm
Copos de leite, 1971
Túlio Mugnaini (Brasil, 1895-1975)
óleo sobre tela, 55 x 45 cm
Barbeiro, 1931
Edward Hopper (EUA, 1882-1967)
óleo sobre tela, 152 x 198 cm
Coleção Particular
Autorretrato, 1929
Doris Clare Zinkeisen (Grã-Bretanha, 1898-1991)
óleo sobre tela, 107 x 86 cm
National Portrait Gallery, Londres
Matriz de Itanhaém
Orlando Bifulco (Brasil, 1937)
óleo sobre tela, 34 x 26 cm
Estação do metrô, c. 1932
Cyril Edward Power (GB, 1872-1951)
Gravura em linóleo, 29 x 35 cm
Há tempos meu marido insiste que eu leia Zadie Smith. Por isso tenho ambos Dentes brancos e Sobre a beleza, em português e inglês. Mas não foi por aí que conheci a autora. Meu grupo de leitura votou por ler NW e fiquei entusiasmada. Sabia que era uma autora excepcional. Talvez eu tenha exagerado na expectativa, porque achei NW um livro bom mas com problemas. Pelo menos não me agradou como esperava.
O próprio título sugere que o personagem principal de NW não é uma pessoa, mas um lugar: a região de Londres habitada em sua maioria por imigrantes da Jamaica, Irlanda, Índia, China, que se encontra exatamente a noroeste na cidade. É uma área mais pobre, com cultura própria, internacional, ecumênica e, aqui, descrita de maneira vívida e realista. No entanto, às vezes a atenção aos detalhes parece esconder a trama, ou ela é inexistente. Por isso, por ser a história de um local, a narrativa vai para todo lado, sem direção e o texto é picado ainda que às vezes lírico. Não é fácil de seguir, não é user friendly. Mas prende. Seduz. Envolve como a atmosfera de um lugar parece rodear tudo o que ali se faz. Lembra maresia em cidade praiana, ou o ar cinza de uma cidade com minas de carvão. No noroeste de Londres, a colcha de retalhos de culturas se ajustando à inglesa produz uma cacofonia própria, barreira transponível só depois de imersão profunda.

Há quatro personagens, amigos que se conhecem de infância (Leah, Natalie, Félix e Nathan), vidas comuns, que seguimos através de sketches do dia a dia, em staccato, numa narrativa não linear. Mesmo assim, eles são bem desenvolvidos, tridimensionais, existem em nossa imaginação bem caracterizados. Eles dão apoio a observações sensíveis que consideram preconceitos de classe e raça.
Talvez a mais impressionante característica desse livro sejam os habilidosos diálogos, que soam verdadeiramente “como se fala” [imagino o trabalho que devem ter dado para traduzir], com o impromptu de interrupções de pensamento e lógica. De fato, Zadie Smith parece querer trazer o caos das conversas simultâneas das grandes metrópoles para perto de nós. Esses diálogos, cheios de gírias e de coloquialismos ecoam a desordenada linha narrativa e ajudam o entendimento do caos que envolve os moradores dos grandes centros urbanos. Também retrata, em paralelo à conturbada vida citadina, a monotonia de vidas que seguem rotinas por vezes insensatas e o tédio que as permeia. O resultado é um livro que leva à introspecção, apesar do ‘barulho’ que o cerca.
Zadie Smith
Difícil dizer porque, mesmo assim, achei esta obra digna de quatro estrelas de um total de cinco. É como se fosse um voto de confiança. Sinto em Zadie Smith uma escritora que tenta ultrapassar os limites da narrativa linear. Quase cubista, vendo o mundo por diversos ângulos simultaneamente, ela nem sempre tem sucesso. O resultado, por mais difícil que a leitura tenha sido em partes, é ainda acima da média dos romancistas que conheço. Talvez não tenha sido a melhor maneira de ser apresentada à escritora. Mas se este livro marca, deixa vínculo, fica na memória, nada mais lógico do que ler e esperar mais da escritora. Agora irei em “busca do tempo perdido”. Neste fim de ano vou me dedicar à leitura de Dentes brancos e/ou Sobre a beleza. Estou certa de que não me decepcionarão.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Vaso de flores azul
Colette Pujol (Brasil, 1913-1999)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Ilustração, ©Walt Disney
O trabalho do banqueiro
está no seu jogo impuro:
tem lucro com meu dinheiro
e ainda me cobra juro.
(Olympio Coutinho)
Alison lendo à janela
Anthea Craigmyle (GB, 1933-2016)
óleos sobre placa, 15 x 15 cm
A descoberta da América, 1959
Salvador Dali (Espanha, 1904-1989)
óleo sobre tela, 410 x 284 cm
Museu de Salvador Dali
São Petersburgo, Flórida, EUA
Curva da ladeira, 2010
Ricardo Ferrari (Brasil, 1951)
óleo sobre tela, 100 x 150 cm
Criança brincando, 1999
Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)
Óleo sobre tela, 70 x 50 cm
Menina Pulando Corda, c. 1950
Milton Dacosta (Brasil, 1915 – 1988)
óleo sobre tela, 61 x 50 cm
Menina da bicicleta, 1950
Francisco Amêndola (Brasil, 1924 -2007)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Exposição da Bienal de São Paulo, 1951
Brincadeira de roda
Marçal Athayde (Brasil, 1962)
óleo sobre tela, 75 x 124 cm
Pelada de meninos numa praia perdida de Niterói
Newton Rezende (Brasil, 1912-1994)
óleo sobre eucatex, 31 x 40 cm
Menina com boneca
Pedro Souza (Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Cama de gato, 1974
Sami Mattar (Líbano/Brasil, 1930)
óleo sobre tela, 55 X 46 cm
Castelos de areia, década 1990
Armando Sendin (Brasil, 1928)
óleo sobre tela, 54 x 65 cm
Menina jogando peteca, 1972
Orlando Teruz (Brasil, 1902 -1984)
óleo sobre tela, 93 x 74 cm
Menina e bambolê, 1985.
Ney Cardoso (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 27 x 22 cm
Telefone de lata II, 2005
Ivan Cruz (Brasil, 1947)
acrílica sobre tela
Crianças e patinete, 1972
Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)
óleos sobre tela, 46 x 38 cm