Autorretrato, 1909
Paul Gustave Fisher (Dinamarca, 1860-1934)
óleo sobre tela, 41 x 38 cm
Coleção Particular
Autorretrato, 1909
Paul Gustave Fisher (Dinamarca, 1860-1934)
óleo sobre tela, 41 x 38 cm
Coleção Particular

Lendo:
O MUSEU DO SILÊNCIO
Yoko Ogawa
Estação Liberdade: 2016, 304 páginas
SINOPSE:
Os museus têm como pressuposto guardar objetos de valor histórico ou científico para fins de exibição pública, de modo a registrar à posteridade a importância que eles tiveram para a humanidade num período determinado. Mas como seria no caso de um museu que tivesse como objetivo preservar lembranças de pessoas que morreram? Essa é a essência da trama proposta pela japonesa Yoko Ogawa neste O Museu do Silêncio, primeira amostra da produção da autora que a Estação Liberdade traz ao público brasileiro.
O sonho de dar cabo ao Museu do Silêncio é de uma velha que vive com a jovem filha e um casal de empregados. Um museólogo – narrador da história – é contratado por ela para tirar o projeto do papel. De personalidade hostil e sem o menor traquejo social, a velha tem lá suas idiossincrasias, sobretudo em relação ao tipo de conteúdo que planeja para o museu: as lembranças dos mortos precisam ser representativas do que eles foram em vida. Uma peça de roupa, uma fotografia sorridente – nada disso. Não se trata de preservar lembranças afetivas. Cada objeto do museu precisa ser a metáfora perfeita da existência do finado.
No caso do homem cego, por exemplo, só mesmo seu olho de vidro serve às intenções da velha. E o museólogo – nenhum dos personagens do livro é nomeado – tem que se virar para recolher esse tipo de “relíquia” dos corpos moribundos. Para se familiarizar com essa macabra tarefa, o museólogo conta apenas com a ajuda da filha da chefe, por quem nutre sentimentos paternais… ou nem tanto. E, não bastassem o mau humor e as grosserias da velhota, ele ainda tem de lidar com uma chocante onda de assassinatos de mulheres da região, marcados pela característica comum de apresentar os corpos das vítimas mutilados numa região bem específica.
O Museu do Silêncio é uma obra de suspense, bastante simbólica da produção de Yoko Ogawa, escritora japonesa contemporânea muito saudada no Ocidente. Sua literatura é excêntrica, preterindo tons e temas ternos e etéreos por aqueles mais duros e polêmicos, não raro flertando com o grotesco. Neste livro, ela também opta por ambientar a trama em tempo e local não identificados, o que contribui para diluir os eventuais estranhamentos culturais intrínsecos às suas origens nipônicas, e assim consolidar sua voz de alcance universal.
Natureza morta, 1999
Clóvis Pescio (Brasil, 1951)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm

José Joaquim Cândido de Macedo Júnior (1842 – 1860)
Quando cismas, donzela, no teu rosto
Que linda per’la suspirando corre!
— Pranto dourado que não diz desgosto,
Que num sorriso no teu seio morre!
Mimo dos anjos que tua alma prende
Aos céus ridentes nesse doce encanto,
Lágrimas d’ouro que teu peito incende,
Que o amor celeste se traduz num pranto!
E a gota pura vem cantar um hino
Que os anjos n’alma te murmuram rindo,
Pérola branda diz um som divino
Que o peito entoa em murmurejo infindo!
Bela — do altar do teu virgíneo seio
Deixa esse orvalho de dulçor correr;
Minh’alma treme nesse brando enleio,
Ai! vai por ele nos teus pés morrer!
Chora! a inocência te sorri no choro,
São risos virgens de infantis amores,
São doces hinos de um celeste coro,
Dizem — enleios — mas não dizem dores.
Teu pranto puro beberão os anjos
Num doce anseio de inocente medo,
Teu sol — ó virgem — só serão arcanjos
— Teu lábio os beije no infantil segredo.
Chora, donzela, de teu níveo seio
Deve esse orvalho de dulçor correr;
Minh’alma treme nesse doce enleio,
Vai por teu pranto nos teus pés morrer!
Em: O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 2, 11 de setembro de 1859, p.12. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 32.
Paisagem
Rene Silvio Tomczak(Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Marco Machado se encontra com o Grupo de Leitura Ao Pé da Letra, junho 2018.
O encontro de junho de 2018 do grupo de leitura Ao Pé da Letra foi marcado pela visita do escritor Carioca Marco Machado, autor do livro Be Rio. Quando teve a oportunidade de expandir os horizontes do grupo sobre as lendas dos índios Tupinambás, os ensinamentos filosóficos da Índia e mostrar como estamos todos interligados na nossas lendas e que elas mostram o caminho para o autoconhecimento.
Marco Machado se encontra com o Grupo de Leitura Ao Pé da Letra, junho 2018.

Natureza morta com cesto,chuchu, couve, cebolas, tomates, 1947
Armando Pacheco (Brasil, 1913-1965)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Paisagem com casario, camponês e cachorro
E. Valenta (Brasil, 1900 – ?)
óleo sobre tela, 60 x 70 cm
Vaso de flores
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)
óleo sobre tela, 45 x 37 cm
JESUS CRISTO BEBIA CERVEJA
Afonso Cruz
Alfaguara: 2014, 248 páginas
SINOPSE
“Um verdadeiro escritor, tão original quanto profundo, cujos livros maravilham o leitor, forçando-o a desencaminhar-se das certezas correntes e a abrir-se a novas realidades.” – Miguel Real, Jornal de Letras
Filha de um camponês e de uma mulher vinda da cidade, Rosa passou toda a vida no interior de Portugal. Após a morte dos pais, ela fica responsável por cuidar da avó, Antónia, uma senhora idosa que já não escuta bem e precisa de assistência frequente.
Rosa é uma garota linda, e acima de tudo determinada. O último desejo da avó é conhecer Jerusalém. Pois bem; empenhada em realizar este último pedido, e sabendo que a avó não pode mais viajar, a jovem decide levar a Terra Santa até ela; ou melhor, a transformar uma pequena aldeia numa Jerusalém cênica. Mas Rosa não sabe que essa operação irá colocar outras peças em movimento, que mudarão sua própria vida.
Afonso Cruz é um dos autores mais brilhantes da nova geração de escritores portugueses. Com um estilo envolvente, em Jesus Cristo bebia cerveja, o autor fala de acontecimentos que transformam o ser humano, num livro sobre amor, desejo e sacrifício.