Lembrando Santo Antônio, no último dia de junho

30 06 2009

Candido Portinari antonio_padura, pintura mural tempera, 180 x 75 cm Museu Casa de Portinari, BrodowskiSP

Santo Antônio de Pádua, 1941*

Cândido Portinari, ( SP, 1903 – RJ, 1962)

Pintura mural à têmpera – 180 x 75 cm

Casa de Portiinari, Brodowski, SP

NOTA: Uma amiga da peregrina mandou a seguinte informação depois de visitar Brodowski, terra natal de Cândido Portinari sobre a tela que ilustra a poesia abaixo. Em suas palavras: “A guia nos contou que Portinari pintou Santo Antônio como pagamento por uma promessa feita, quando seu filho se encontrava muito doente. O quadro foi doado à pequena igreja da praça, em frente à casa dos Portinari, com a promessa de que nunca seria retirado da igreja (e nem vendido)”. Achei essa informação muito interessante e passo para vocês.  Obrigada, Marilda.

Chegamos ao dia 30 de junho e não postei nada, absolutamente nada, sobre as festas juninas.  Que vergonha!  Gosto muito delas.  Principalmente daquelas mais singelas, de cidade do interior, sem lantejoulas nem paetês, sem competição de grupos de quadrilhas, sem essa grandiosidade de escola de samba que anda invadindo as comemorações de época.  Gostava mais quando essas festas estavam mais relacionadas ao fim da época da colheita e ao início de um inverno abarrotado com os produtos da terra.  Mas este ano não me lembrei de postar coisa alguma para a época.  Portanto, acabo o mês, tocando vagamente no assunto, com uma poesia do poeta paulista Walter Nieble de Freitas, que de relacionamento com as festas juninas só tem mesmo o santo…  Divirtam-se:

 

ESTA É BOA

Walter Nieble de Freitas

Para comprar uma imagem

De Santo Antônio, um caipira

Entra na loja de um árabe,

É atendido e se retira.

Leva o precioso objeto,

Muito contente e feliz,

Sem saber que o esperto sírio

Lhe vendera um São Luiz.

Dali dirige-se ao templo

E ao padre, diz comovido:

Aqui trago um Santo Antônio

Para que seja benzido.

— Santo Antônio, explica o padre,

Traz consigo uma criança;

O que você trouxe é a imagem

De São Luiz, o rei de França.

Desapontado, o caboclo

Dispara feito uma bala;

Entra na loja do árabe

E deste modo lhe fala:

— O senhor é um mentiroso

Que nunca sabe o que diz.

Em lugar de Santo Antônio

Me vendeu um São Luiz!

Nunca mais queira fazer

Seus fregueses de palhaços:

Santo Antônio sempre teve

Uma criança nos braços!

— Eu sei disso exclama o sírio,

Muito seguro e matreiro:

Você levou Santo Antônio

Quando ainda era solteiro!

Em: Poetas Paulistas: antologia, ed. Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968.

Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP)  Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.

Obras:

Barquinhos de papel, poesia, 1963

Mil quadrinhas escolares, poesia, 1966

Desfile de modas na Bicholândia, 1988

Simplicidade, poesia, s/d

Chico Vagabundo e outras histórias, 1990





Boas maneiras XVIII

29 06 2009

18 - boa tarde professor 18

Se “boa tarde” você diz,

Seu professor fica feliz!





Quadrinha para uso escolar: Lua

28 06 2009

noite de luar

 

A lua branca passava,

Pelo céu devagarinho

E no mar a onda olhava

A lua no seu caminho.

 

(Maria Dulce Prado Carvalho Rosas)





Para comemorar um ano no blog

26 06 2009

bolo

 

Neste mês de junho completamos um ano de postagens na Peregrina Cultural.    Eu não poderia ter advinhado que teria tanto material para postar e que houvesse tanta gente que se agradasse com isso, pessoas muito especiais que  me dão o maior incentivo…  Foi uma grande surpresa o carinho de todos e também conseguir fazer amigos virtuais.  Quem diria que as minhas preocupações culturais fossem populares?  Num dia normal, este blog recebe de 1700 a 2100 visitas.  Acho fenomenal! So posso agradecer:  Muito obrigada!

Junto a esta comemoração, chegou este mês para mim, uma outra publicação, não-virtual, também especial: o livro, Contos do Livro Errante, uma coletânea dos contos premiados no concurso de contos da Comunidade do Livro Errante no ORKUT em 2008.   Um de meus contos recebeu Menção Honrosa, e saiu publicado no livro ao lado dos contos vencedores. 

Como anteriormente tive um poema que também recebeu menção honrosa, no concurso de poesias sobre o meio ambiente, patrocinado pela revista cultural carioca: Bafafá,  em 2006, e considerando pedidos do meu cara-metade para que eu deixasse de ser tão tímida a respeito do que escrevo, hoje, faço a postagem do conto premiado.  Mais tarde farei a postagem do poema.   Nunca me considerei primeiramente uma escritora e muito menos uma poeta.  Mas, vez por outra, confesso, sentir urgência de colocar no papel uma ou outra idéia.   Agradeço desde já a todos que se dispuserem a “dar uma olhadinha”.





Uma história, uma menção honrosa, um livro! Muita honra!

26 06 2009

Capa, Contos do Livro Errante

 

Este livro reúne os contos premiados no concurso de contos da comunidade Livro Errante do Orkut.  A bela capa, a organização e a formatação são da carioca, arquiteta e professora de arquitetura da UFRJ Cristiane Rose Duarte, que além destas funções também tem um interessantíssimo conto nesta edição.   O livro tem a organização também da gaúcha Márcia Regina Schwertner que também é responsável pelas introdução e apresentação do livro.  Márcia foi também a ponte entre os concorrentes e a banca examinadora, garantindo anonimidade para os competidores.  O livro apresenta 22 textos.  Nem todos os contos premiados, no entanto, estão presentes nesta edição, porque há autores, com outros planos para a publicação de seus contos,  provavelmente em edições estritamente dedicadas a suas obras.    

Esta foi uma parte divertidíssima da minha participação na comunidade do Livro Errante, da qual ainda faço parte e um dos aspectos mais interessantes da troca de idéias e amizades que podem ser atingidos através da internet.  

 Aqui fica o meu agradecimento a Cristiane Rose, a Márcia Regina e a banca examinadora.  Mas, uma outra palavra ainda precisa ser dita:  um agradecimento especial a fundadora da comunidade do Livro Errante, a pernambucana  Regina Porto.  Como vocês podem ver, este grupo de leitores que se encontra no Orkut, cobre o imenso território nacional e fomenta as amizades mais diversas.





Cão, poema de Alexandre O’Neill

22 06 2009

cachorro azul, ilustração de Maurício de Sousa

Ilustração de Maurício de Sousa.

 

Cão

 

                                   Alexandre O’Neill

 

 

Cão passageiro, cão estrito

Cão rasteiro cor de luva amarela,

Apara-lápis, fraldiqueiro,

Cão liquefeito, cão estafado

Cão de gravata pendente,

Cão de orelhas engomadas,

de remexido rabo ausente,

Cão ululante, cão coruscante,

Cão magro, tétrico, maldito,

a desfazer-se num ganido,

a refazer-se num latido,

cão disparado: cão aqui,

cão ali, e sempre cão.

Cão marrado, preso a um fio de cheiro,

cão a esburgar o osso

essencial do dia a dia,

cão estouvado de alegria,

cão formal de poesia,

cão-soneto de ão-ão bem martelado,

cão moído de pancada

e condoído do dono,

cão: esfera do sono,

cão de pura invenção,

cão pré-fabricado,

cão espelho, cão cinzeiro, cão botija,

cão de olhos que afligem,

cão problema…

Sai depressa, ó cão, deste poema!

 

Em: Abandono Vigiado, Lisboa, Guimarães: 1960

alexandreoneillAlexandre O’Neill

 

Alexandre O’Neill – (Portugal 1924-1986) poeta português. Frequentou a Escola Náutica (Curso de Pilotagem), trabalhou na Previdência, no ramo dos seguros, nas bibliotecas itinerantes da Fundação Gulbenkian, e foi técnico de publicidade. Durante algum tempo, publicou uma crônica semanal no Diário de Lisboa.

 

 

Obras:

 

Tempo de Fantasmas, poesia, 1951

No Reino da Dinamarca, poesia, 1958

Abandono Vigiado, poesia, 1960

Poemas com Endereço, poesia, 1962

Feira Cabisbaixa, poesia, 1965

De Ombro na Ombreira, poesia, 1969

Entre a Cortina e a Vidraça, poesia, 1972

A Saca de Orelhas, poesia, 1979

As Horas Já de Números Vestidas, poeisa, 1981

Dezenove Poemas, poesia, 1983

O Princípio da Utopia, poesia, 1986

Poesias Completas, 1951-1983, 1984

As Andorinhas não têm restaurante, prosa, 1970

Uma Coisa em Forma de Assim, crônicas, 1980





Quadrinha infantil: cola

18 06 2009

mentia na escola

Ilustração:  Maurício de Sousa.

 

Na solidão da carteira

O aluno vadio cola

Pensando que a vida inteira

Viverá dessa “esmola”.

 

 

(J. Eloy Santos)





O pássaro azul, conto infantil, Wilson W Rodrigues

17 06 2009

passarinho na gaiola 4

O pássaro azul

Wilson W Rodrigues

— Quem quer comprar o pássaro azul?

— O pássaro azul!  repetiram os meninos.

— Quer-me vender?  Dou todos os meus brinquedos.

O moleque vendeu.

O menino rico levou a gaiola com o pássaro.  De tarde, o tio do menino foi visitá-lo, e ficou tão encantado com o pássaro que propôs:

— Em troca do pássaro azul eu lhe dou um automóvel.

O menino rico aceitou.

Mal o tio levou o pássaro para casa, chegou um amigo banqueiro:

— O pássaro azul… o pássaro da felicidade.

O banqueiro desafiou:

— Vamos disputá-lo num jogo de cartas?

O tio, que estava convencido que aquele era o pássaro azul da felicidade, aceitou.  E perdeu.

O banqueiro levou o pássaro azul para o palácio.

— Coloquem-no em uma gaiola de ouro… é o pássaro da felicidade.

Um criado, sabendo que aquele pássaro trazia a felicidade, roubou-o e deu-o de presente a sua noiva:

— É o pássaro da felicidade.

— Vou botá-lo no viveiro do jardim.

Botou.

Um moleque que estava com outros em cima do muro, reconheceu:

— Lá está o meu pássaro azul.

— È ele mesmo.

— Ainda está pintado de azul.  A cor não desapareceu.

E o pássaro vendo o lagozinho jogou-se n’água, tomou um banho… e a cor desapareceu.

Quando a moça voltou com o alpiste, ficou espantada:

— Cadê o meu pássaro azul da felicidade?

***

Em: Contos dos caminhos, Wilson W. Rodrigues, s/d, Estado da Guanabara [RJ]:Torre Editora.

 

 

Wilson Woodrow Rodrigues — poeta, folclorista, jornalista, professor e técnico de educação.  Nasceu em 6 de julho de 1916, na cidade de São Salvador, Bahia.  Filho do Cel. Julio Rodrigues de Sousa e de D. Josina Parente Rodrigues, família do Recôncavo Baiano.  Desde menino revelou vocação para a poesia, tendo publicado as suas primeiras composições em periódicos escolares.  Seu primeiro livro publicado teve as bençãos antecipadas do poeta Jorge de Lima.

Obras:

A caveirinha do preá,  Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro

O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro

O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Bahia flor, 1948 (poesias)

Folclore Coreográfico do Brasil, 1953

Contos, s/d

Contos do Rei-sol, s/d

Contos dos caminhos, s/d

Pai João, 1952

Sombra de Deus

Pai João, 1952

Lendas do Brasil





Boas maneiras XVII

16 06 2009

Desculpe-17

 

Quando esbarrar por descuido,

Diga que sente muito!





Quadrinha: beija-flor, uso escolar

15 06 2009

beija-flor do brasil,

 

A rosa, meu bem, a rosa

É fonte de mil amores…

E o beija-flor todo prosa,

Beija a mais linda das flores.

 

 

(Frei Afonso Maria da Paixão)