Ilustração de George L. Rapp (1878-1942)
Num retrato amarelado,
a saudade em mim se deu.
Ontem tinha o pai ao lado
Sem ele, hoje, o pai sou eu.
(José Feldman)
Num retrato amarelado,
a saudade em mim se deu.
Ontem tinha o pai ao lado
Sem ele, hoje, o pai sou eu.
(José Feldman)
Toda criança constrói
um mundo feliz, sem medo.
Foste, pai, o meu herói
do meu mundo de brinquedo.
(Nilci Guimarães)
Amigo está sempre a fim
de amparar, se a gente cai;
eu tive um amigo assim:
– esse amigo era meu pai!
(Albertina Moreira Pedro)
Paisagem Primaveril em São Conrado, RJ
Pedro Bruno (Brasil,1888-1949)
óleo sobre madeira, 32 X 41cm
João Guimarães Rosa
Por entre as ameias da cordilheira
dormida,
a lua se esgueira,
como um lótus branco
na serra de dorso de um crocodilo,
brincando de esconder.
Dá para o alto um arranco,
repentino,
de balão sem lastro.
E sobe, mais clara que as outras luas,
quase um sol frio,
redonda, esvaindo-se, derramando,
esfarelando luz pelos rasgões,
do bojo farpeado nas pontas da montanha.
Em: Magma, primeiro livro de João Guimarães Rosa, 1936, premiado em concurso pela Academia Brasileira de Letras, mas só publicado seis décadas mais tarde: em 1996, pela Nova Fronteira.
Recebe o afeto que se encerra, Ordem e Progresso
J. Carlos (Brasil, 1884-1950)
aquarela e nanquim sobre papel, 40 x 33 cm
Eça de Queirós
Eça de Queirós
Ambas as definições do ‘brasileiro’ vêm da publicação, Uma campanha alegre, um apanhado de crônicas publicadas em dois tomos nos anos de 1890-1891.
Discreta, naturalmente,
minha ternura se trai,
ante um tiquinho de gente
que me chama de “Papai”!
(Cesídio Ambrogi)
Hoje foi dia de me encontrar com o pessoal do grupo de leitura Preciosa, que tem direção de Rose Nobre. Na berlinda estava o livro da moda, O colibri. Eu já o havia lido e não reli para o encontro. Foi interessante perceber que as passagens de que me lembrava eram totalmente diferentes das passagens que mais marcaram outros leitores. E por qualquer razão, parecia que tínhamos visto passarinho verde, porque nos rimos muito nesse encontro. Como sempre um prazer.
Moça lendo, 1947
Francesc Domingo Segura (Espanha-Brasil, 1893-1974)
óleo sobre tela, 73 x 60 cm
“A característica essencial do que chamamos de loucura é a solidão, mas uma solidão monumental. Uma solidão tão grande que não cabe na palavra solidão e que não podemos nem imaginar se não estivemos lá. É sentir que você se desconectou do mundo, que não vão conseguir te entender, que você não tem #palavras para se expressar. É como falar uma língua que ninguém mais conhece. É ser um astronauta flutuando à deriva na vastidão negra e vazia do espaço sideral. É desse tamanho de solidão que estou falando. E parece que na dor verdadeira, na dor-avalanche, acontece algo parecido. Embora a sensação de desconexão não seja tão extrema, você tampouco consegue dividir nem explicar seu sofrimento.”
Em: A ridícula ideia de nunca mais te ver, Rosa Montero, tradução de Mariana Sanchez, Todavia: 2019
Faço questão de escrever minha avaliação sobre esse livro: ou a tradução não está boa, ou a escrita é falha. Não dá nem para decidir qual desses problemas é o maior. Sou leitora de muitos anos de literatura japonesa contemporânea e clássica. Encontrei nesse campo livros fenomenais, mas esse foge dessa experiência, por completo.
Ler um livro em que chego ao final sem saber: 1) quem está narrando, 2) é um homem? 3) é uma mulher? Não sei. E de repente achar que foram mais de um narradores… não faz sentido. O livro não tem inicio nem fim claros. Sei que deve ser um tipo realidade distópica. Mas distópico ficou o meu cérebro querendo saber exatamente por que? Por que estava lendo esse texto? Um livro pequeno que pareceu interminável.
E ganhou prêmios! E há resenhistas dando 5 estrelas! Meu palpite: não leram Dizer como a editora diz: uma literatura semelhante a do escritor checo Franz Kafka, mas atual e do Japão, é intencionalmente apontar para farsa. Tenho certeza de que se possível Kafka está revoltado em seu túmulo com essa comparação. Não gastem o seu dinheiro com esse livro. Li porque foi o livro escolhido por votação no meu grupo de leitura. Todos os participantes não gostaram inclusive aqueles que, como eu, chegaram até o fim. Porque a maioria abandonou no caminho.
O que ganhei com esse livro? Aprendi sobre um rodente sul-americano: núria. Acho que poderia ter vivido o resto de minha vida sem conhecê-lo. NOTA ZERO