Trova da roleta!

21 02 2017

 

 

 

il_570xn-821886684_j1pzDecoração de garrafa de bebida alcoólica, em cerâmica. Autor desconhecido.

 

 

 

Roleta da vida, espelho

dos enganos que cometo;

ponho as fichas no vermelho

e o destino grita: “Preto” !!!

 

 

(Izo Goldman)





Carnaval: visita aos sebos, livros com menos de 200 páginas

20 02 2017

 

 

 

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Jovens no penhasco, 1923

Rowland Wheelwright (GB, 1870-1955)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

 

 

O Carnaval está chegando.  Ainda há tempo de escolher o que ler nos dias de férias.  Os sebos físicos ou virtuais são lugar perfeito para encontrar aquele livro que você poderia ter lido há tempos!  Aqui vai uma lista dos livros que você pode achar nos sebos do Brasil e para leitura no Carnaval. Todos têm menos de 200 páginas e têm impacto garantido, cada qual no seu gênero.  Procure as sinopses na internet e veja aquele que mais se encaixe com as suas preferências.  Sim, eu já li todos.

 

Literatura Brasileira

Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós, Cosac Naïf: 2011, 75 páginas  — FICÇÃO

Deserto, Luís S. Krausz, Benvirá: 2013, 149 páginas – MEMÓRIAS/FICÇÃO

Nihonjin, Oscar Nakasato, Benvirá: 2011, 176 páginas — FICÇÃO

O pintor de retratos, Luiz Antônio de Assis Brasil, L&PM: 2003, 182 páginas — FICÇÃO

A vida não é justa, Andréa Pachá, Nova Fronteira: 2012, 192 páginas – CRÔNICAS

Jornada com Rupert, Salim Miguel, Record:2008, 176 páginas, FICÇÃO

Concerto Campestre, Luiz Antonio de Assis Brasi, L&PM: 1997, 176 páginas — FICÇÃO

 

Literatura Estrangeira

Balzac e a costureirinha chinesa, Dai Sijie, Alfaguara: 2007, 168 páginas – FICÇÃO

O último amigo, Tahar Ben Jalloun, Bertrand Brasil: 2006, 128 páginas — FICÇÃO

O livro secreto, Grégory Samak, Intrínseca: 2015, 176 páginas — FICÇÃO

O leitor do trem das 6h27, Jean-Paul Didierlaurent, Intrínseca: 2015, 176 páginas – FICÇÃO

Na praia, Ian McEwan, Cia das Letras:2007, 136 páginas – FICÇÃO

O sentido de um fim, Julian Barnes, Rocco: 2012, 160 páginas – FICÇÃO

Tua, Claudia Piñeiro, Verus: 2015, 140 páginas – POLICIAL

Te tratarei como uma rainha, Rosa Montero, Nova Fronteira: 2014, 192 páginas FICÇÃO

A acompanhante, Nina Berberova, Imago: 1997, 97 páginas – FICÇÃO

As brasas, Sándor Márai, Companhia das Letras: 1999, 176 páginas – FICÇÃO

Amsterdam, Ian McEwan, Companhia das Letras: 2012, 192 páginas — FICÇÃO

O aprendizado da srta. Beatrice Hempel, Sarah Shun-lien Bynum, Rocco: 2011, 192 páginas — CONTOS

As avós, Doris Lessing,  Companhia das Letras: 2007, 97 ´páginas — FICÇÃO

Uma bela escapada, Anna Gavalda, Rocco: 2011, 144 páginas — FICÇÃO

A casa de papel, Carlos Maria Dominguez, Francis:2006, 104 páginas — FICÇÃO

Os da minha rua, Ondjaki, Língua Geral:2007,  160 páginas — FICÇÃO

O testamento do Senhor Napumoceno, Germano Almeida, Companhia das Letras: 2000, 160 páginas — FICÇÃO

A trégua, Mário Benedetti, Alfaguara:2007, 179 páginas — FICÇÃO

Bom dia, camaradas!, Ondjaki, Agir: 2006, 144 páginas — MEMÓRIAS/FICÇÃO

Nuvens de pássaros brancos, Yasunari Kawabata, Nova Fronteira: 1969, 190 páginas — FICÇÃO





Nunca sei, poema de Alberto Caeiro

17 02 2017

 

 

 

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Marinha com veleiros

Carol Kossak (Polônia 1845 – Brasil 1968 )

óleo sobre tela,  60 x 45,5 cm

 

 

 

Nunca sei

 

Alberto Caeiro

 

 

Nunca sei como é

que se pode achar

um poente triste.

Só se é por um poente

não ter uma madrugada.

Mas se ele é um poente,

como é que ele

havia de ser uma

madrugada?

 

 

Em:Poemas completos de ALberto Caeiro, Mensagem, Fernando Pessoa, Lima, Peru, Los Libros Mas Pequeños del Mundo: 2011, página, 243





Perguntas a editoras, resenha de Desvendando Margaux

16 02 2017

 

 

 

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Vinhedos de Auvers, 1890

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela

Saint Louis Art Museum

 

 

De quando em quando um livro atravessa o meu mundo que suscita a pergunta: o que foi que uma editora brasileira viu nessa obra, que valeria o investimento na compra dos direitos autorais, no pagamento de um tradutor, no investimento de imprimir e distribuir uma obra, com a confiança, até certo ponto, de que tal investimento iria trazer o lucro mínimo que a companhia precisa ter para continuar sua vida editorial.

Essa pergunta voltou a me perseguir na leitura de Desvendando Margaux, dos autores Jean-Pierre Alaux e Noël Balen. Estava a procura de uma leiturinha fácil, de um livrinho de mistério, detetive, qualquer coisa, para passar uma tarde de folga e esquecer o cotidiano quente do verão carioca.  Peguei esse livro que é o segundo de uma série policial da dupla, passado nos vinhedos franceses.  Um dos autores é especialista em vinhos e seu parceiro é jornalista.

 

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É um dos livros policiais mais insossos que já li.  Não há tensão.  Não há um mistério que agarre a atenção.  Os personagens são comuns, o drama sofrível, o mistério quase inexistente.  Há sim algumas noções de gerenciamento de vinhedos e o panorama por trás da produção de vinhos.  Mas falta aquela trama que não deixa dormir.  Essa obra não dá ao leitor o frenesi de ter que chegar ao final, nem é cheia do charme de uma Miss Marple que resolve as intrigas da cadeira de balanço de sua casa na aldeia.

 

alaux-balen2david_nakache_640Jean-Pierre Alaux e Noël Balen

 

Depois da leitura, enquanto me deliciava com um bom Simenon, procurei mais informações sobre outros livros da dupla.  E realmente há muitos.  Os autores são populares e até traduzidos para o inglês.  É possível que eu tenha tido a falta de sorte de pegar uma de suas  obras mais fracas. Mas para isso confia-se no selo da editora.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.

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De livros, Muriel Barbery

15 02 2017

 

 

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Lendo

Guy Cambier (Bélgica, 1923-2008)

óleo sobre tela

 

 

“Quando me angustio, vou para o refúgio. Nenhuma necessidade de viajar; ir juntar-me às esferas de minha memória literária é suficiente. Pois existe distração mais nobre, existe mais distraída companhia, existe mais delicioso transe do que a literatura?”

 

Em: A elegância do ouriço, Muriel Barbery, São Paulo, Cia das Letras:2008, página, 131. [tradução de Rosa Freire d’Aguiar].

 

 





Trova da cigana

15 02 2017

 

 

cigana-lendo-palma-stevan-dohanos-untitled-1950Cigana lendo a palma da mão, ilustração de Stevan Dohanos, 1950.

 

 

 

É normal ver a cigana
lendo a sorte de um cliente…
E ela diz que não se engana,
mas engana muita gente!
 –
(Edmar Japiassú Maia)

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Desejo difícil, mas não impossível

13 02 2017

 

 

 

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Piquenique no vento

Anthea Craigmyle (GB, 1933- 2016)

óleo sobre placa, 18 x 23 cm

 

 

Com atraso de quase dois anos, retomo projeto de leitura começado há algum tempo: ler o que foi listado pela BBC como as 12 melhores obras na literatura britânica neste século. Listas como essa me fascinam. Sei que são tendenciosas.  Mas sou fã dos autores britânicos, então, as listas em que eles são estrelas se tornam mais ou menos um guia para a minha leitura.

Aqui estão:

01 — A fantástica vida breve de Oscar Wao, Junot Diaz (2007) — Abandonei, não gostei.

02 — O mundo conhecido, Edward P. Jones (2003) — comprado

03 — Wolf Hall, Hilary Mantel (2009) — comprado no Kindle, sem leitura

04 — Gilead, Marylinne Robinson (2004)

05 — As correções, Jonathan Franzen (2001)

06 — As incríveis aventuras de Kavalier e Clay, Michael Chabon (2000)

07 — A visita cruel do tempo, Jennifer Egan (2010)

08 — A longa caminhada de Billy Lynn, Ben Fountain (2012)

09 — Reparação, Ian McEwan (2001) — LIDO em inglês — gostei muito

10 — Meio sol amarelo, Chimmanda Ngozi Adchie (2006) — LIDO — gostei muito, muito

11 — Dentes brancos, Zadie Smith (2000) – Comprado, na prateleira

12 — Middlesex,. Jeffrey Eugenides (2002) — LIDO em inglês

 

Em compensação, já li muitos dos colocados logo abaixo, entre eles:

13. Chimamanda Ngozi Adichie, Americanah, LIDO, gostei
14. WG Sebald, Austerlitz
15. Elena Ferrante, My Brilliant Friend, LIDO, mais ou menos
16. Alan Hollinghurst, The Line of Beauty  LIDO, gostei muito, muito
17. Cormac McCarthy, The Road
18. Zadie Smith, NW
19. Roberto Bolaño, 2666
20. Shirley Hazzard, The Great Fire

 

E você?  Leu algum deles?

 

 

 

 





Resenha: “Kafka e a boneca viajante”de Jordi Sierra i Fabra

11 02 2017

 

 

 

 

 

1939-524_wFooting no Central Park, 1905

William Glackens (EUA, 1870- 1938)

óleo sobre tela, 64 x 81 cm

Cleveland Art Museum

 

 

Em 2007 o Ministério da Cultura da Espanha deu a esse livro, Kafka e a boneca viajante, o Prêmio Nacional de Literatura Infantil e Juvenil. Desde então a publicação tem recebido atenção não só do público infanto-juvenil, mas sobretudo do leitor maduro, aquele que também sonha com um lado suave do escritor checo Franz Kafka, conhecido por obras angustiantes, de cunho surrealista como A metamorfose e O processo. A razão é simples não conhecemos toda a obra de Kafka, mesmo ele tendo morrido aos 40 anos em 1924.

Há ainda manuscritos de Kafka que não foram destruídos após sua morte, como o escritor havia instruído seu testamenteiro Max Brod. A ordem foi, na verdade, prontamente desobedecida. E alguns livros publicados. Mas nem todos. Estima-se que haja centenas de obras acabadas ou não, sem publicação. Hoje, são fruto de uma interminável batalha entre as atuais herdeiras e o estado de Israel. Além disso, Kafka, que era conhecido por muitos casos românticos, deixou em poder de sua última amante uma série de cadernos e cartas que foram confiscados pela Gestapo. Tudo isso suscitou através de décadas muitas teorias fantasiosas sobre o que restou. Entre elas estariam algumas cartas que Kafka escreveu de consolo a uma menina que ele encontrou chorando, num parque de Berlim. Ela estava triste com a perda de sua boneca. Essas cartas, que nunca foram encontradas, fazem parte das lendas do remanescente legado do escritor. Baseando-se neste causo romântico Jordi Sierra i Fabra escreveu a deliciosa e lírica narrativa de Kafka e a boneca viajante.

 

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Firmemente apoiado nos relatos de Dora Diamant, última companheira de Kafka, que mencionou a existência das cartas, o autor tece uma história comovente, criativa e delicada de um “carteiro de bonecas” que recebe e lê as cartas que Brígida, a boneca fujona escreve para Elsi, a menina inconformada, de diversos lugares do mundo.

Jordi Sierra i Fabra entrelaça dados conhecidos da vida de Franz Kafka com o romance das cartas e o resultado é uma obra fina, sutil, sensível e agradável. Um relato em que o jovem leitor aprende um tantinho sobre o autor checo e pode se encantar com a história de Brígida.

A obra ganha muito com as ricas ilustrações de Pep Monserrat.

 

jordi-sierra-i-fabraJordi Sierra i Fabra

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.

 





Canção, poesia de Mauro Mota

9 02 2017

 

 

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Flautista, 1934

Cândido Portinari (Brasil,  1903-1962)

óleo sobre madeira, 46 x 37 cm

Coleção Particular

 

 

 

Canção

 

Mauro Mota

 

 

Para onde fui? Ou essa

música de onde veio?

Uma flauta divide

a noite pelo meio.

 

 

Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Rio de Janeiro, Editora Leitura: 1968, p. 93.





Resenha: “O tribunal da quinta-feira” de Michel Laub

6 02 2017

 

 

 

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Mike no chuveiro do vestiário

Nathaniel Wyrick (EUA, contemporâneo)

acrílica e gloss sobre tela, 40 x 60 cm

Há pouco tempo durante a disputa à presidência dos Estados Unidos, uma gravação de um dos candidatos se gabando de conquistas amorosas em termos chulos vazou na rede social criando polêmica.  A raiz do problema era, em parte, o linguajar usado numa conversa particular, classificada pelo autor como “papo de homem, papo de vestiário”, onde a vanglória sexual e linguagem grosseira são socialmente permitidas. Semelhante problema se desenvolve na vida de José Victor personagem principal de O tribunal da quinta-feira.  Tendo trocado emails com seu melhor amigo Walter sobre fantasias e feitos sexuais, usando imagens e linguagem grosseiras,  ele se encontra mais tarde vitima do vazamento de seus textos. Sem dúvida, a perda de privacidade é um tema atual mas este livro aborda outros  assuntos controversos,  que servem de teste para a ética contemporânea.

Entre os assuntos abordados estão o roubo de informações particulares e a disseminação desses dados pelas redes sociais; assim como a obrigação ética de se revelar uma doença sexual transmissível, como a AIDS. Há outro aspecto ético não tão óbvio que permeia o texto: a escolha de certas expressões grosseiras seria de fato o retrato de um preconceito?  Ou pode ser escusado justamente por ser de uso comum em certos ambientes?  E pode ser usado em conversas privadas?  No momento, tendemos a crer na força da palavra falada ou escrita.  Há aqueles que defendem a mudança de palavras em canções folclóricas, como “Atirei o pau no gato” ou na supressão de certas marchinhas consideradas preconceituosas dos bailes de Carnaval, festa em que tradicionalmente burlam-se as regras sociais. O comportamento  ético e o politicamente correto estão em foco.

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Grande maestria foi necessária para atingir o nível de simplicidade quase jornalística do texto que à primeira vista parece sem arte.  Há também o excelente desenvolvimento do personagem principal, cujas obsessões e humor abrem a porta da simpatia para o leitor.  A linguagem e os pequenos capítulos dão a falsa impressão de um trabalho solto e inconsequente.  Mas a trama é desenvolvida com pontos bem fechados que sustentam o ritmo acelerado.  A prosa de Michel Laub, que conheço até agora só por esse livro, lembrou-me a do escritor americano Phillip Roth: clara, sem requintes literários tratando da desintegração da sociedade, da guerra entre os instintos carnais e os morais num contexto de grande contemporaneidade e explorando a obsessão do narrador consigo mesmo.

É, no entanto, justamente nesse ponto que o autor me decepciona, porque os problemas de José Victor, ainda que honestamente alcançados são produto de uma realidade tão imediata que o mero espaço entre a escrita do texto e sua publicação já mostra defasagem de hábitos. Hoje pouquíssimo de pessoal é comunicado através de emails. Senhas escritas, com a possibilidade de serem perdidas e encontradas em mãos alheias têm o gosto de passado, de já visto. Bastante explorado.  Esse é uma das dificuldades em se firmar uma história numa realidade que muda muito rapidamente.  Além disso, enraizar uma história com problemas tão corriqueiros e datáveis limita o escopo que a própria obra poderia ter adquirido.  Mas para que esse livro permaneça viável por mais de uma década, essas questões deveriam ter tido outro meio de serem apresentadas ao leitor.  A pergunta ética existe, mas está entrelaçada a uma trama com data de validade.

15289413Michel Laub

Fora essa observação, O tribunal da quinta-feira é um livro bom, de leitura rápida que nos faz pensar e questionar assuntos do cotidiano e nosso posicionamento ético a respeito deles.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.

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